O Renegado
27 O Ex- Elmo Perdido
Notas iniciais
[Jace Stephen]
Eu não sabia exatamente onde eu estava indo, ou onde o Elmo ficava exatamente, mas uma forte força me puxava para o Norte, como um imã. Tony era muito poderoso, conseguia controlar nosso voo, chamar os ventos do leste “os mais amigáveis” e controlar a fúria do céu ao mesmo tempo, como se a mente dele tivesse sido dividida e cada parte pensasse individualmente.
- Esquerda!- Gritei quando senti que estávamos perdendo o rastro.
Ficamos um tempão indo de um lado para outro e cada vez eu sentia o Elmo mais perto.
- Espere!- Tony parou de nos mover- Volte uns três metros e depois pegue para a esquerda.
Mais perto.
- Mais rápido Anthony!
Mais perto.
Mais perto.
- Direita!
Mais perto.
Durante uns cinco minutos ficamos em linha reta, em direção ao Leste agora e de repente a presença do Elmo ficou palpável.
-Pare! É aqui.
Anthony parou e Boy (Kevin) veio logo atrás de nós.
- Chegamos?- Boy perguntou.
- Sim... É aqui, em algum lugar.
Olhei em volta, mas apenas me deparei com a mesma vastidão branca dos quilômetros atrás. Nada parecia anormal, nenhum guardião, nenhuma fúria da água ou do céu. Nada.
- Não há nada aqui Jace- Tony falou depois de um tempo.
- Eu sinto a presença de água por aqui, água de oceano- Boy nos informou.
- Humm...- Tony murmurou olhando novamente em volta.
Olhei para céu, numa vã tentativa de uma dica divina, e ela veio. Lá em cima, uns dez metros do chão uma prisão de água guardava o Elmo de meu pai.
- Lá!- Apontei freneticamente para o céu.
- Onde?- Boy me perguntou.
- Não vejo nada Jace... — Tony completou.
Foi então que entendi que a missão solitária do Renegado era assim, porque somente ele pode ver o Elmo e porque ficaria muito mais difícil achar um meio de pegar o Elmo sem a ajuda de um filho de Poseidon e de Zeus.
- Lá em cima, Tony, me ergue e me leva até lá que eu te guio.
Tony fechou os olhos por um momento e depois abriu, eu continuava no chão. Ele tentou novamente, mas nada de me levantar.
- O que foi?- perguntei na quarta tentativa.
- Não sei, o vento não quer me obedecer.
- Droga!- Murmurei desolado.
- Eu vou, vai me guiando ai de baixo que eu pego o Elmo- Tony se ofereceu já se elevando no ar.
- Por que Fúrias você consegue se elevar e eu não?- Falei novamente desolado.
- Onde está?- Anthony perguntou á uns oito metros do chão.
- Mais dois metros para cima, isso! Agora mais para a direita... Mais... Mais... Sobe mais um pouco. Não! Subiu muito, desce... Deu! Ai! O Elmo está numa prisão de água á sua direita, é só colocar a mão e pegar- Falei para Tony que estava muito próximo de quebrar minha maldição.
- Okay!- Tony gritou lá de cima.
Ele colocou a mão para dentro da água e em poucos segundos caiu com uma velocidade furiosa em direção ao chão, para nossa eterna sorte o chão de neve amaciou a queda, evitando lesões físicas.
Boy e eu corremos até onde Tony estava caído e ficamos pasmos com sua aparência. Ele estava com os lábios roxos e a pele muito branca e logo reparei que era indício de afogamento, me ajoelhei ao seu lado e Boy fez o mesmo, foi então que ele começou a trabalhar.
Boy colocou a mão no peito de Tony e praticamente expulsou toda a água que continha ali, fazendo Tony tossir e cuspir toda água que estava em seu pulmão, retornando a vida.
- Bem vindo ao mundo dos vivos!- Boy falou dando tapinhas no ombro de Tony.
- Droga cara! Quando coloquei a mão na prisão de água, foi como se eu tivesse me jogado no meio de um oceano, vi a água ao meu redor, entrando no meu pulmão e me fazendo parar de respirar. Pior coisa que já vivi até hoje- Tony falou de sua experiência.
- Desculpe cara, eu devia ter previsto que isso poderia acontecer!- Falei ajudando Anthony a se levantar.
- Tudo bem, vamos arrumar outro jeito de fazer isso... — Tony começou a pensar.
- Imagina se nós tivéssemos uma escada, ai era só subir até lá- Boy comentou.
- Isso!- Tony exclamou e seu olhar se iluminou- Uma escada...
Sem mais explicações, Tony fechou os olhos e o ar começou a mudar conforme sua vontade, até as nuvens vieram em nossa direção e uma escada que passou da prisão onde estava o Elmo se formou. Aquilo foi incrível.
- Senhores, uma escada á sua disposição- Tony começou a subir nela.
- É seguro mesmo?- Boy perguntou.
- Claro que é molengão, vamos- Tony continuou indo para cima e eu fui atrás dele.
Aquilo não foi como pisar nas nuvens, foi como pisar no chão. Sólido e confiável, nada de mágico ou inacreditável.
Passei na frente de Anthony e fui em direção ao degrau que dava bem para pegar o Elmo, Tony entendeu que a escada deveria acabar ali e desfez o resto, fiquei ali olhando a prisão de água invisível aos meus amigos e fiquei pensando em como o fim de tudo estava próximo.
- Finalmente- Falei.
Coloquei a mão na água, mas a mesma sensação que Tony descreveu aconteceu comigo. Senti como se eu tivesse acabado de me jogar no meio de um oceano, sem nada mais para me salvar e todo o mar me engoliu, a água entrou em meus pulmões e senti o ar se esvaindo de mim, meus olhos começaram e se fechar e cai com tudo em cima de Boy.
- Droga cara! Desculpe, eu não percebi antes, mas agora eu vi que ai tem uma espécie de cadeado com uma senha que apenas filhos de Poseidon podem quebrar- Boy falou segundos depois que toda a água saiu de dentro de mim.
- Senha?
- Sim, e para sua sorte eu, Kevin, filho de Poseidon, posso fazer isso para você.
- Que sorte a minha!- Brinquei.
Boy foi para frente da prisão de água e colocou a mão exatamente em cima da água, sem encostá-la. Ele fechou os olhos e cinco minutos se passaram. Oito minutos. Doze minutos.
- Droga! Código Morse! E adivinhem qual é a senha?- Boy se virou para Tony e eu.
- Não sei, fala ai- Tony disse.
- Athena!
Apesar da tensão do momento, não deixamos de rir da senha estúpida que Poseidon havia escolhido.
- Agora só falta o código Morse- Boy falou começando a desenhar com o dedo na prisão de água.
O desenho que ele fez na água ficou assim:
.- — .... . -. .-
Em pouco tempo um estalo de cadeado se formou e vi um cadeado de água caindo no chão abaixo de nós. As grades vaporizaram e o Elmo ficou totalmente exposto para mim. Tão perto.
Estiquei a mão com medo e peguei o Elmo. O objeto ficou frio em minhas mãos, ou poderia ser apenas o frio do Alasca, mas continuei o segurando e finalmente meus amigos puderam ver o objeto de meu pai.
-Nossa, é incrível!- Tony exclamou.
- É sim!- Boy concordou.
- E agora?- Perguntei aos dois.
- Agora é mais uma parte da profecia. “O presente é a chave onde nem deuses detêm poder”. Você tem que colocar ele e usar seu poder para acabar com toda essa fúria do céu e da água- Tony me respondeu prontamente.
- Será?- Falei inseguro.
- Você quer ou não salvar sua namorada duma vez?- Tony falou irritado.
Coloquei o Elmo em minha cabeça, que coube exatamente. Não senti nada de imediato, mas cuidei para não tocar em meus amigos, pela história do toque letal quando se usa o Elmo. Peguei Saga da Morte que estava presa em meu cinto e a empunhei, pronto para enfrentar qualquer mostro e deus. Agora eu estava com um poder ilimitado e faria qualquer coisa para destruir quem me detivesse de ficar com minha namorada.
[Rovena Marie]
Foi então que Jace colou o Elmo na cabeça e ele ficou lindo. Não, lindo é pouco para descrever como Jace ficou com o Elmo. O cabelo preto ficou escondido pelo Elmo, mas os marcantes olhos azuis continuaram inquietos e mais brilhantes do que nunca. Jace parecia o próprio Hades mais novo, ainda mais quando pegou Saga da Morte e a empunhou ameaçadoramente em minha direção. Meu coração quase parou quando o espelho o mostrou de frente, como um príncipe negro e furioso, pronto para enfrentar os dragões para salvar sua dama e para minha sorte, a dama era eu.
- Cara, estou me sentido muito poderoso, então vamos logo salvar os filhos dos céus e dos mares e minha Rovena- Jace falou como um herói e começou a descer a escada de nuvem em direção onde a luta continuava, muito ao longe.
Boy e Tony saíram atrás dele e em pouco tempo todos voavam em alta velocidade para a luta, Jace continuava olhando para o horizonte, de espada em punho e rosto feroz. Nesse momento eu daria tudo para estar ao lado de meu amado.
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