Notas iniciais
AAh, aqui que vocês descobrem sobre o que é a história. hahahah' Então assim que lerem deixem o comentário!!!

Não foi muito diferente do que as outras vezes. Foi até mais rápido. Quando abri os olhos, estava lá novamente. Demorei a me acostumar com a visão. Ele estava perto da lareira amolando sua lança.

— Eu falei pra você não voltar aqui. ― Ele se levantou e olhou pra mim com a arma erguida.

— Não foi exatamente porque eu quis.

— Foi exatamente porque você quis. Eu não sei o que você tá fazendo, não sei o quer fazer, mas vai sair da minha casa. ― ele diminuiu o espaço entre nós e fez recuar alguns passos.

― Eu quero explicações, porque eu acho que estou ficando louca ― eu continuava a dar passos pra trás, até que encostei na parede, mas ele não parou de andar. ― Por favor, ― eu disse levantando o livro ― esse troço tá me seguindo.

― Eu não quero saber ― ele pegou no meu cotovelo e me arrastou para a porta. A abriu e praticamente me jogou pra fora ― Não é problema meu.

A porta bateu ás minhas costas com força e eu me vi sozinha no meio da floresta, no inverno.

Se as coisas que me aconteceram até agora não eram ruins o bastante com certeza estava começando a piorar. Eu estava morrendo de frio, com o meu uniforme fajuto e tinha acabado de ser alvo do mais grosso homem naquele lugar que eu ainda nem sabia o nome. Peguei minha mochila e tirei o casaco que tinha lá, não era quente mas tinha que quebrar o galho. Me sentia perdida, chocada, perseguida por esse livro idiota.

Não podia voltar para escola agora, ou para casa. Ainda era cedo e resolvi enfrentar o inverno e explorar a floresta. Se ficasse com muito frio era só voltar pra casa.

Eu estava definitivamente no meio da floresta, para qualquer lugar onde olhasse eu só via árvores. Resolvi ir para o oeste, se é que isso existe aqui. O medo tomava conta de mim. Que tipo de criaturas eu iria encontrar ai?

Depois de andar um pouco eu encontrei uma clareira. Tinha uma pedra bem grande no meio e era cercada por algumas flores que despontavam no inverno. O sol batia de tal jeito que parecia que o lugar brilhava de um jeito diferente.

Ouvi um baque surdo atrás de mim e congelei por alguns segundos.

― Da onde você é? ― alguém perguntou. Sua voz era mais fina então provavelmente era uma mulher. Eu me virei devagar e vi que era mesmo uma mulher. Ela era ruiva, tinha um arco nas costas e uma espada pendurada no coldre de sua roupa. Havia um símbolo estranho na perna, que era a única que não tinha roupa por cima.

― Não vou perguntar de novo, de onde você veio? ― ela perguntou enquanto tirava o arco das costas e apontava pra mim.

― Eu não sou daqui ― mas que merda, era só isso que eu conseguia falar? A mulher estava me ameaçando de morte e a única coisa que eu falo é “eu não sou daqui”? Já podia rezar porque meu enterro ia ser logo.

― Eu não com muita paciência hoje. Não me teste. Seja específica agora ou você não vai poder ser nunca mais.

Eu tenho que criar uma história convincente o bastante para ela me deixar viver. A única coisa que veio na minha cabeça foi uma verdade distorcida.

― Eu sou órfã. Meus pais morreram, há pouco tempo, e eu vivi na floresta a minha vida inteira.

Ela diminuiu os olhos até virarem uma simples fenda. Me analisou por alguns segundos ― os maiores da minha vida ― e finalmente falou alguma coisa.

― Você não me parece da floresta. Suas roupas... Nunca vi iguais.

Engoli em seco. Eu estava tão morta.

― Você vai para o castelo. A rainha decide o que fazer com você, menina.

A rainha. Pelo menos eu ia morrer de um jeito mais adorável. Ou não?

― Venha! ― ela falou com uma voz mais exaltada, sem abaixar o arco. Eu dei alguns passos e ela indicou uma direção e esperou eu passar á sua frente. Conforme nós íamos andando ela falava pra onde eu deveria ir.

Eu estava tensa e não sabia o que fazer. Fugir não seria sensato, e se eu quisesse saber alguma coisa sobre o que estava acontecendo eu não podia simplesmente desaparecer, pois no segundo em que reaparecesse eu ia levar uma flechada.

Andamos por um bom tempo pela floresta sem falar nada.

― Florence! ― ouvi alguém gritar, eu me virei e olhei para o lado. Ela colocou a ponto da flecha nas minhas costas.

― Fique quieta! ― ela disse.

― Quem é essa? ― não consegui ver quem estava falando com ela, mas a voz era autoritária.

― A encontrei vagando pela clareira.

― Está levando ela pra rainha? ― perguntou a moça autoritária.

― Sim.

― Ela disse da onde veio? ― perguntou outra moça com uma voz mais suave.

― Disse que é órfã e que morou na floresta por um tempo até chegar à clareira. ― respondeu a que estava com a flecha nas minhas costas, de nome Florence, eu acho.

Por um tempo tudo ficou em silêncio e eu não sabia o que fazer.

― Ok. Vamos todas pro castelo. ― falou a da voz autoritária.

Eu não sabia quantas pessoas estavam ás minhas costas, mas parecia que não havia nenhuma. Os passos delas eram tão leves que nem se elas pisassem em cacos de vidros fariam barulho.

― Ande! – disse Florence.

Continuei a andar e a pressão da flecha melhorou um pouco. Pelo canto do olho eu vi uma mulher se aproximar pela direita e outra pela esquerda. A da esquerda tinha cabelos ruivos e o cabelo grande. A da direita, também tinha cabelos grandes, mas num to castanho. Não demoramos a chegar à aldeia em que elas estavam me levando. E era surpreendente. Ao fundo da aldeia podíamos ver um castelo enorme e todo branco. Ele de destacava tanto quando a neve na clareira. Ele brilhava meus olhos quase doíam ao olhar para ele.

― Anda logo! Para de ficar embasbacada com um simples castelo!

–*-

Chegamos logo ao castelo e não vi quase nada da cidade, elas quase me fizeram correr. Tudo nela era rústico e bem simples. As casas mais sofisticadas que tinham não eram mais do que grandes cabanas, como a outra que eu já tinha estado.

― ABRAM OS PORTÕES! ― algum guarda gritou de cima da torre que tinha ao lado. A porta de madeira veio descendo devagar, e quando finalmente chegou ao chão nós subimos nela e entramos no castelo. Entramos em alguns lugares e chegamos a um grande salão. Em cima de uma pequena escada ― que mais parecia um palco ― tinha um trono, e uma mulher com um grande vestido estava sobre ele, conversando com um cara musculoso e que levava uma espada no coldre.

Nós nos aproximamos da rainha e as mulheres que me levavam fizeram uma reverência.

― Majestade! ― elas disseram juntas.

― O que as trazem aqui minha Arqueiras? ― perguntou a rainha. Ela não dispensou o cara que estava ao lado dela, e ele continuou ali.

― Uma intrusa majestade, a encontrei na floresta andando em direção ao reino. ― disse que me capturou.

― O que você quer no meu reino? ― A rainha agora se dirigia a mim.

O que eu iria falar? “Eu vim parar aqui porque eu falei uma frase e apareci no meio da casa de um cara que foi super grosso e me expulsou sem me explicar nada. Aí eu fui dar uma volta na floresta porque eu achei que tava ficando louca e foi quando essas doidas me trouxeram até aqui. E isso tudo aconteceu depois que meus pais morreram. Sem falar desse caderno/diário.”?

Tanto faz.

―Eu vim parar aqui porque eu falei uma frase e apareci no meio da casa de um cara que foi super grosso e me expulsou sem me explicar nada. Aí eu fui dar uma volta na floresta porque eu achei que tava ficando louca e foi quando essas doidas me trouxeram até aqui. E isso tudo aconteceu depois que meus pais morreram. Sem falar desse caderno/diário.

A rainha me olhou com uma cara de surpresa e de repente o medo tomou conta dela. Ela sussurrou alguma coisa para o cara que estava ao lado dela e ele foi embora.

― Podem deixar que eu assumo daqui, minhas queridas.

Ela esperou até que as Arqueiras saíssem dali e se levantou. O olhas de medo ou ódio brilho novamente.

― ONDE VOCÊ CONSEGUIU ESSE LIVRO? ― ela gritou de repente ― ME FALA ONDE SUA IMPOSTORA!

― E... E...

― Até se parece com ela, mas não pode tirar meu lugar sua tonta! NÃO PODE! Ela sumiu e todos sabem disso! POR QUE VEIO ME ASSOMBRAR HELEN? POR QUÊ?

― Helen? Meu nome é Lexie. Helen era minha mãe.

Notas finais
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