Notas iniciais
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Sua mãe? Qual o nome dela?

― Helen Fallstrew. Você a conhecia?

De repente, uma luz lilás apareceu na minha frente e eu fui jogada pra cima. Bati minha cabeça em alguma coisa dura que eu supus ser o chão, mas quando me recuperei alguns segundos depois e olhei para baixo, eu estava no alto do salão. Ao meu redor estava uma bola lilás e lá em baixo a rainha andava até o lugar onde eu estava. O livro estava lá. Ela abaixou e o pegou. Olhou as páginas, primeiro com cuidado e depois com mais fervor. Não conseguia ver sua expressão.

A redoma que estava ao meu redor começou a diminuir. A rainha ainda olhava para o livro. Eu já não conseguia ficar em pé dentro dela, e assim como o a redoma, o ar também diminuía.

― Eu não quero roubar o seu trono. ― falei já ofegante e encolhida. A redoma não parava de encolher. ― Eu só quero respostas.

― Foi sua mãe que te mandou aqui? Fala-me criança? Foi sua mãe? Ela te mandou pra quê? FALE! ― ela olhou pra cima e pude perceber que em seus olhos havia um brilho de maldade. Ela mataria se eu falasse a palavra errada.

― Minha mãe... ― eu estava cada vez mais encolhida, e agora não conseguia nem me mexer. O ar estava tão escasso que era difícil responder a rainha. ― está morta. Eu juro... Que...

Já não estava conseguindo mais falar. A falta de ar me esgotava, e meu medo da rainha não me tirar dali e morrer.

―Se você estiver mentindo pra mim... ― ela olhou para mim, mas eu já não estava conseguindo ver direito.

― Não. Estou. Mentindo. Juro. ― falei com as minhas últimas forças.

A redoma sumiu e eu fui de encontro com o chão. O impacto foi forte o bastante para me tirar o pouco fôlego que me restava. Demorei um bom tempo para conseguir respirar direito.

― Qual seu nome?

― Lexie Canderwell ― disse ainda no chão respirando devagar.

Ela me estudou com curiosidade, validando minha resposta. Seus olhos se estreitaram ainda mais, se é que isso é possível.

― Se você estiver mentindo pra mim, vou fazer com que voe se arrependa de ter colocados os pés NO MEU REINO!

Consegui me colocar de pé com bastante esforço e olhar para ela. Sua aparência era de uma pessoa desesperada e louca. Dava para ver o medo e a raiva em seus olhos. Apesar de tudo ainda se portava como uma rainha. Ela se acalmou um pouco e a respiração ficou mais lenta.

― Então sobreviveu? Depois de algum tempo achei que tivesse perecido de alguma forma. ― ela voltou a folhear o livro e foi aí que eu percebi que não podia me mexer. Quer dizer, conseguia mover tudo menos os pés. Quando olhei para baixo, vi alguma coisa transparente ao redor dos meus pés e deduzi que era o mesmo tipo de coisa que me manteve no alto e quase sufocando.

Comecei a me perguntar novamente se aquilo tudo não era uma terrível peça pregada pela minha mente. Depois de tudo o que aconteceu descobrir que minha mãe era uma princesa, em outro mundo, e que fugiu para o meu mundo era o nó que faltava no meu cérebro.

― É, ela sobreviveu, se casou, teve uma filha e morreu semana passada. Dá. Pra. Me. Tirar. Daqui?

A rainha nem sequer tirou os olhos do livro e continuou fazendo o que estava fazendo. Eu estava sendo totalmente ignorada em um mundo onde eu devia estar sendo idolatrada.

― Me tira daqui. Eu não quero roubar o seu reino, eu não quero ficar aqui. Eu só quero entender porque diabos eu vim parar nesse lugar e quero SABER SE EU NÃO ESTOU FICANDO LOUCA, PORQUE EU ACHO QUE ESTOU FICANDO MALUCA...

― Não grite com sua rainha criança. Apesar de tudo você está nas minhas terras... ― ela me olhou ― e você não vai mesmo me tirar o trono. Não vou morrer por sua causa, fedelha. Você nunca mais vai ver esse livro na sua vida. Sem ele você não pode provar pra ninguém que é filha da Helen...

― Mas eu não que...

― shhh... Estou lendo, cadê seus modos? ― falou ela.

Comecei a me mexer igual uma louca, ou a tentar me mexer. Eu não podia ficar ali, ela ia me matar com certeza. Será que se eu morresse ali, alguma coisa aconteceria na Terra? E o livro da minha mãe? Eu tinha que recuperá-lo. Talvez ele fosse a única coisa que podia me esclarecer alguma coisa, ali podia estar a única forma de eu não ficar louca de vez.

E foi então que a rainha rançou uma página do caderno. Fiquei tão chocada eu nem consegui gritar. Amassou a folha que tinha acabado de tirar do lugar onde pertencia e colocou entre o decote do vestido.

― O que você tá fazendo? ― eu finalmente consegui dizer ― Isso era da minha mãe! ― disse, me contorcendo novamente.

― Estou tirando a possibilidade de você sequer pensar em tentar me tirar do meu lugar por direito. Agora, sem essa página, você não terá mais como mencionar que você é filha de Helen Fallstrew. ― ela direcionou um olhar determinado para o caderno, e torceu o nariz ― Pode ficar com ele, não serve para mim.

A rainha jogou o livro aos meus pés e só então o feitiço se quebrou, me jogando no chão. Cai sobre o caderno e logo o abri. Ela só tinha tirado uma página. Por quê? Lágrimas escorregavam dos meus olhos. Estava com medo da rainha, de tudo o que ela podia fazer comigo, uma simples mortal. Estava com medo desse mundo, estava exausta de só ter perguntas e ninguém me responder. Em minha cabeça essa visita ao castelo me traria algumas respostas, mas tudo foi por água abaixo e agora eu estava mais confusa do que poderia estar.

― O que... O que estava escrito na página você tirou? ― eu disse com minha voz trêmula.

― Não te interessa garota. ― disse rainha.

― Por favor... Me diga...

― JÁ FALEI QUE NÃO TE INTERESSA! ― então ela começou a murmurar alguma coisa, eu ouvi um ruído e, quando menos percebi, eu estava de volta á clareira.

Olhei em volta, assustada. Gritei enquanto as lágrimas caiam pelo meu rosto. Sentia como se a rainha tivesse tirado uma parte do meu coração também. Eu não sabia o que estava escrito naquela página, mas devia ser uma coisa muito importante. E pra mim era mais importante. Podia ser a chave para eu entender tudo o que estava acontecendo.

Me joguei no chão, já não agüentando mais o desespero. Não sei quanto tempo fiquei ali, desolada, me sentindo sozinha. Me levantei cambaleante e segui para o único lugar que eu poderia ir. Para combinar com meu ânimo, começou a chover. Fiquei ensopada em questão de segundos enquanto ia para a cabana na qual tudo havia começado.

Parei na porta e percebi que não sabia o eu fazer. Já tinha sido expulsa dali uma vez, o que faria com que ele me aceitasse ali?

Bati na porta. Ninguém atendeu. Eu podia ver luz dentro da cabana, e através da chuva, também podia ouvir o som de ferro sendo martelado dentro da cabana. Bati novamente e de novo nenhuma resposta.

Então o barulho de ferro parou e então eu sabia que ele estaria escutando. As lágrimas escorriam e se misturavam com a chuva, e eu não sabia se iria conseguir falar alguma coisa.

― Por favor, me ajude! ― eu disse com a voz embargada ― Não tenho a quem recorrer... Ninguém me ajuda, ninguém vê que estou perdida. Eu estou sozinha, me sentindo confusa, desesperada e louca. Eu... Eu só... ― parei enquanto tomava fôlego entre os soluços do meu choro ― Eu só quero saber o que esta acontecendo. ― Eu me agachei e sentei na porta ― Não agüento mais toda essa confusão. Estava tudo bem. Por favor! Me ajude, por favor, me ajude, por favor...

Fiquei algum tempo lá sentada, na chuva chorando e murmurando, até que a porta se abriu.

Notas finais
Um ótimo presente de ano novo seria um comentário, não acha? hahahha