Notas iniciais
OI pessoal, espero que estejam gostando da história. Assim que eu pensar em músicas legais eu coloco aqui pra vocês ouvirem. :)

Eu fechei os olhos por um momento. Pela primeira vez em minha existência, eu desejei morrer, mas a morte, em um ato de benevolência, resolveu me deixar, levando consigo tudo aquilo que eu amava. Agora já não importava meus amigos, ou qualquer outra coisa. Eu estava sozinha e fiz questão de afastar as outras pessoas também. Não suportaria perder mais ninguém. Não suportaria sentir essa terrível dor de novo.

Achei que fosse cair, mas alguém me segurou.

— Está tudo bem?

"É claro, meus pais acabaram de morrer. Nada poderia estar melhor. Está tudo perfeito, obrigada!"; penso. Mas ao invés de falar o que realmente pensava, apenas acenei com a cabeça negativamente.

— Vamos embora, você já passou tempo demais aqui!

Ela me leva para longe da lápide de meus pais. Perguntei-me se alguém iria se lembrar de mim, ou quando meu nome estaria ali, ao lado deles algum dia.

Hoje, quem detém minha guarda é tia Madelyn, uma ricaça, irmã do meu pai e a única família que me sobrou. Ela é egoísta, só pensa em trabalho e provavelmente está se lamentando por ter minha guarda agora. Deixo que ela me guie, mesmo sabendo que esse espírito bondoso vai acabar rapidamente. Meu pai sempre falava que ela era impaciente com os adolescentes, até quando era uma. O pouco que sei sobre ela não me anima para viver a vida que me espera do lado de fora deste cemitério.

— Não quero ir pra sua casa. — digo, quando adentro ao carro, sendo ríspida.

— Então pra onde você vai? — Diz ela, deixando a minha verdadeira tia aflorar novamente. Aquela que não tem muita paciência com adolescentes, mas é praticamente uma.

— Eu vou para minha casa. — falo aparentando estar mais segura do que estou. "Com ou sem você", penso.

Madelyn dá um leve suspiro. Apesar de sua linda aparência, ela ainda não havia se casado, e nem sequer queria filhos na idade em que se encontrava. Quando meu avô morreu, ela ficou com quase toda herança deixada por ele, mas nem sequer gastou ainda. Só trabalhava. Ela não era avarenta. Só não sabia como curtir a vida. O que a deixou triste, sozinha e ríspida.

— Eu te levo até lá.

O que seria minha casa agora? O que seria de mim agora? Sem dúvidas eu não conseguiria chamar a casa dela de lar. Lar emana amor e carinho, e eu bem sabia que não era exatamente isso que estava me esperando. Aquilo não é um lar. Suspirei profundamente.

— O que irão fazer com a casa?

Perguntei, mesmo sabendo que não queria ouvir a resposta.

Ela arregala os olhos, assustada com a pergunta repentina ou, talvez, com receio da minha reação quando fosse responder. Depois de um leve instante de hesitação ela resolveu dar-me a resposta, e não era muito boa.

— Não podemos pagar por ela, Lexie!

"Não quero ficar com ela, Lexie!" Essa seria a resposta certa. Ela não queria ficar com nada que o lembrasse. Meu pai. Ela tinha ganhado uma boa grana com o testamento do meu avô depois de uma briga que ele e meu pai tiveram que fez com que meu fosse deserdado. Minha tia e meu pai não se davam bem, e era por esse motivo que eu não convivia com ela. Apesar de saber que aquilo tudo era mentira, apenas me virei para janela, e ignorei a existência dela, como sempre tinha feito.

–*-

Silêncio. Há poeira por todos os lados; há sujeira espalhada pela cama abandonada há pouco mais de uma semana. Não sou corajosa o suficiente para entrar no quarto de meus pais. Ainda há algo lá. O cheiro deles. A cama desarrumada, a pressa de sair naquele dia... Tudo tão perto... Tão frio...

Eu respiro fundo e começo a chorar. É claro que eu não conseguiria continuar morando ali. E isso também doía. Parecia algum tipo de traição: abandonar quando está difícil; deixar de lado quando tudo acaba.

Passo pelo quarto e deito em minha cama antes de começar a fazer as malas para mudar para a casa de Madelyn. Eu não quero... Tudo o que eu queria era não ter sobrevivido aquele acidente. A vida faz isso com as pessoas. Ela tira tudo só pra ter o gostinho de te ver desfalecendo aos poucos. "A vida não é justa." Quantas pessoas já não disseram isso em situação pior do que a minha? Sei que há pessoas sofrendo mais do que eu estou sofrendo, mas isso não importa não é? Por que não tem ninguém sentindo a minha dor, porque ela não pode ser sentido por ninguém, além de mim.

–*-

Demorei um pouco para perceber que já havia amanhecido. Após uma discussão com minha tia eu acabei ficando por lá mesmo, e como ainda não tinha levado tudo o que precisava pra casa de Madelyn ela resolveu que tudo iria ficar bem. Deixar aquela casa me dava angústia, assim como ficar ali. Mas antes de ir embora, precisava fazer mais uma coisa.

Foi difícil reunir coragem para entrar na biblioteca que havia na casa — o lugar preferido de meus pais. Eles passavam tanto tempo lá. Como eu poderia largar tudo isso? Como poderia deixar que aquele lugar tão extraordinário fosse vendido? Pensar nisso era como perder uma parte de mim.

Ando pela biblioteca, tocando em tudo que um dia fez parte de minha vida — ou ainda faz — até que avisto uma estante em especial. Apesar de não gostar desse tipo de literatura, era a preferida de minha mãe. Histórias sobre outros mundos e outros seres. Ela já havia tentado me fazer ler aquilo uma vez. Um sorriso brotou em meus lábios quando me lembrei desses momentos. Momentos que não teriam volta.

Peguei o livro, afinal, eu não podia deixá-lo. Assim que o pego, levo a mão ao meu colar, o colar que minha mãe deixou pra mim. O que colar que ela estava usando no dia do acidente. Nunca havia visto ela sem aquele colar. Ela dizia que era seu colar da sorte. Quando olhei para o livro, a primeira coisa que vi foi seu título. Pequenas letras garrafais, sem nome do autor, editora, ou desenho na capa. Apenas o nome, escrito no meio da capa: "Caderno de Pesquisas". Ao abri-lo, vi uma frase grifada na contracapa.

"Tome cuidado com essas palavras recitar, pois a outra dimensão isso irá lhe levar. Um grande salto está prestes a dar, para em Telmamlet poder entrar."

De repente, sem mesmo fazer qualquer tipo de movimento, entro em uma luz branca... Era tão brilhante que pensei que ficaria cega. Fui ganhando cada vez mais velocidade, em direção a um único ponto preto em toda aquela imensidão de luz. E com a mesma velocidade que começou... Terminou.

Notas finais
Deixem um comentário pra tia gente! Falem o que gostaram e o que não gostaram!