O Reino Que Nunca Dorme

4 04 - O Reino Contra a Princesa


12h — meio do dia no Reino Doce

O Reino Doce estava barulhento. Mas não era um barulho feliz. As ruas da praça principal estavam lotadas de cidadãos doces discutindo ao mesmo tempo: acusações, rumores, medo, teorias, Faixas improvisadas apareciam entre as barracas. Algumas diziam:

“O Reino Não É Uma Prisão” Outras:

“A Princesa Nos Protege”

O reino estava dividido. E pela primeira vez… parecia perto de quebrar.

👑 Princesa Jujuba

Varanda principal do castelo.

Jujuba observava tudo lá do alto. Os olhos cansados percorriam: manifestações, Guardas Banana discutindo, doces assustados, cidadãos apontando para o castelo. Ela segurava o corrimão com força. Atrás dela: Mordomo Hortelã permanecia imóvel.

Mordomo Hortelã

— O setor norte começou outra manifestação. — Ela fechou os olhos alguns segundos.

Jujuba

— Quantos?

Mordomo Hortelã

— Crescendo rápido. — Ela abriu novamente o mapa do Aurora no relógio holográfico. Vários setores piscavam em vermelho.

Jujuba (pensamento)

— Está saindo do controle… — Mas o pior não era isso. O pior… era que ela ainda queria monitorar tudo. Mesmo depois de tudo.

Pão de Canela

Padaria central — junto com Dona Suspiro.

A padaria estava quase vazia. Ninguém parecia com fome. As pessoas só queriam falar sobre: o Projeto Aurora, as gravações, as listas secretas, a princesa, Pão de Canela organizava bandejas com as mãos tremendo.

Dona Suspiro

— Você precisa descansar um pouco.— Ele abaixou a cabeça. Os olhos cheios d’água.

Pão de Canela

— Eu sempre achei que ela protegia a gente…— Dona Suspiro ficou em silêncio.

Pão de Canela

— Mas e se ela nunca tenha confiado em nós? — A voz dele falhou.

Pão de Canela

— Como eu vou olhar pra ela agora…? — Ele começou a chorar baixinho segurando uma bandeja de sonhos de creme.

No castelo… uma câmera escondida transmitia tudo para o laboratório. E Jujuba assistia. Quando viu Pão de Canela chorando… algo dentro dela finalmente rachou. Ela desviou o olhar da tela imediatamente. Como se aquilo doesse mais do que qualquer ataque.

Finn

Praça central — junto com Jake e Guardas Banana.

Finn tentava impedir uma briga entre cidadãos doces.

Bala de Morango

— Ela espionou nossas famílias!

Senhor Rocambole

— Sem ela o reino já teria caído!

Guarda Banana Marcos

— Recuem agora! — As pessoas gritavam umas com as outras. Empurrões começando. Finn entrou no meio imediatamente.

Finn

— PARA! — O silêncio veio por alguns segundos.

Finn

— Isso é exatamente o que quem invadiu o sistema quer! — Jake ficou ao lado dele. Sério.

Jake

— Se vocês começarem a lutar entre si… acabou. — Mas mesmo assim… o medo continuava crescendo nos rostos dos doces.


Guardinha Banana Tina

Entrada do castelo.

Tina observava outros Guardas Banana discutindo. Alguns queriam: continuar obedecendo Jujuba, aumentar segurança, prender suspeitos, Outros: desligar as câmeras, abrir arquivos secretos, abandonar o Aurora,

Guarda Banana Carlos

— A princesa fez isso pelo reino!

Outro Guarda

— Ou pelo controle dela!

Tina olhou para o castelo preocupada. Pela primeira vez… nem os guardas sabiam mais em quem confiar.


Marceline

Quarto da torre oeste do castelo. O quarto estava bagunçado. Baixo jogado na cama. Jaqueta no chão. Mochila aberta. Marceline guardava as coisas lentamente. Em silêncio. Sem raiva agora. Só tristeza. Ela pegou uma foto antiga dela com Jujuba. As duas sorrindo. Antes do Aurora. Antes das mentiras. A porta abriu devagar. Jujuba apareceu. As duas ficaram se olhando.Nenhuma sabia o que dizer.

Jujuba

— Você vai mesmo embora? — Marceline demorou alguns segundos.

Marceline

— Eu não sei mais quem você é. — Aquilo destruiu completamente a expressão da princesa.

Jujuba

— Marceline… — Mas ela já tinha fechado a mochila.

Marceline

— Você observava todo mundo… mas nunca percebeu que tava ficando sozinha. — Silêncio. Pesado. Cruel. Marceline passou por ela. Sem tocar. Sem parar. E saiu do quarto.

Do corredor vazio… Jujuba observou Marceline indo embora pelo salão principal do castelo. Passando pelas portas gigantes. Descendo as escadas. Sem olhar pra trás. O Reino Doce inteiro parecia distante naquele momento. Os gritos da praça. Os alarmes. As telas do Aurora. Tudo ficou abafado. Porque pela primeira vez… a princesa percebeu que podia perder algo que o Projeto Aurora nunca conseguiria proteger.



13h — Reino Doce

O céu estava nublado. As nuvens rosadas escondiam parcialmente o sol sobre o Reino Doce, deixando as ruas com uma luz estranha, quase pesada. As manifestações continuavam. Mas agora… o medo tinha mudado. Antes:

os doces tinham medo da princesa. Agora: tinham medo de alguém invisível. Porque naquela manhã… o invasor finalmente apareceu. Ou pelo menos… pareceu aparecer.

👑 Princesa Jujuba

Sala principal do Projeto Aurora.

Jujuba observava dezenas de telas ao mesmo tempo. Nelas: rostos diferentes apareciam em várias partes do reino. Um cidadão usando capuz. Um Guarda Banana. Um cientista doce. Uma senhora de marshmallow. Todos diziam a mesma frase.

Voz nas telas

— Eu nunca quis destruir o Reino Doce. — Outra tela ligava. Outro rosto. Outra voz.

Voz

— Eu só queria mostrar a verdade. — Mais uma. Mais uma. Mais uma. Jujuba percebeu imediatamente.

Jujuba

— Não existe um invasor. — Mordomo Hortelã olhou as telas.

Mordomo Hortelã

— Existe alguém manipulando identidades. — As gravações continuavam. Pessoas diferentes. Vozes diferentes. Mas o mesmo jeito de falar. Como se: o invasor estivesse em todos os lugares ao mesmo tempo.

Mordomo Hortelã

Centro do Aurora — junto com Jujuba.

Mordomo Hortelã analisava relatórios antigos espalhados na mesa. Documentos velhos. Muito velhos. Então encontrou algo estranho.

Mordomo Hortelã

— Alteza… — Ela nem olhou.

Jujuba

— O quê? — Ele levantou lentamente um relatório amarelado. Data: anos atrás. Muito antes dos ataques recentes ao reino.

Mordomo Hortelã

— O Aurora já existia aqui. — O silêncio ficou pesado imediatamente. Porque isso destruía a narrativa da própria Jujuba. Ela sempre dizia: o Projeto Aurora nasceu por necessidade recente. Mas não era verdade.

Ela começou a olhar os próprios arquivos antigos. Expansão do sistema. Primeiras câmeras. Monitoramentos iniciais. Ano após ano. Crescendo. Como uma obsessão silenciosa.

Finn

Praça central — junto com Jake.

Finn observava uma multidão reunida diante da fonte principal. No centro: um cidadão doce usando máscara branca.

Cidadão mascarado

— A princesa mentiu sobre quando começou a nos observar. — Os doces começaram a murmurar nervosos.

Senhora Suspiro

— Então ela fazia isso antes dos ataques?

Bala de Morango

— Desde quando ela observa nossas famílias? — Finn se aproximou rapidamente.

Finn

— Quem é você?! — O mascarado virou lentamente. Silêncio. Então tirou a máscara. Era um Guarda Banana. Mas segundos depois… outro mascarado apareceu do outro lado da praça. Com a mesma voz.

Voz

— Isso não importa mais. — Jake arregalou os olhos.

Jake

— Cara… tem mais de um deles.

Guardinha Banana Tina

Corredor leste do castelo.

Tina observava outros guardas entrando em paranoia. Todos desconfiando uns dos outros.

Guarda Banana Carlos

— E se qualquer um puder ser o invasor?

Outro Guarda

— E se ele já estiver dentro do castelo agora? — Tina olhou para os próprios colegas. Pela primeira vez… todos pareciam estranhos.

Pão de Canela

Local:

Padaria central — junto com Dona Suspiro.

A padaria estava silenciosa. Clientes olhando desconfiados uns pros outros.

Cliente Caramelo

— Dizem que o invasor vive entre nós.

Dona Suspiro

— Ou talvez ele sempre tenha vivido. — Pão de Canela apertou a bandeja nervosamente.

Pão de Canela

— Eu só queria que as coisas voltassem ao normal… — Mas até ele sabia: o Reino Doce nunca mais seria o mesmo.

🦇 Marceline

Casa abandonada perto da floresta doce.

Marceline estava sentada no chão ouvindo gravações roubadas do Aurora. Arquivos antigos. Muito antigos. Então ouviu a voz da própria Jujuba anos atrás:

Gravação antiga — Jujuba

— Só algumas câmeras. Apenas até o reino ficar seguro. Outra gravação.

Jujuba

— Mais alguns setores. — Outra.

Jujuba

— Só até eu ter certeza. — Marceline fechou os olhos lentamente. Triste. Porque dava pra ouvir claramente: o momento em que proteção virou obsessão.

No laboratório… Jujuba observava arquivos antigos espalhados ao redor dela. Datas. Projetos. Expansões. Mapas. Ela tentou lembrar: quando exatamente começou a ultrapassar limites. Mas não conseguiu. Porque tinha sido devagar. Pequeno. Silencioso. Uma câmera aqui. Outra ali. Mais segurança. Mais controle. Mais observação. Até o momento em que ela já observava um reino inteiro… e achava aquilo normal. Então a tela principal ligou sozinha.

Mensagem nova:

“Você não percebeu quando deixou de proteger.

Porque aconteceu aos poucos.”