O Reino Que Nunca Dorme

5 05 - A Verdade da Jujuba - Final


15h — Reino Doce

O Reino Doce parecia cansado. As ruas ainda estavam cheias… mas ninguém sorria como antes. Os cidadãos doces falavam baixo. Os Guardas Banana observavam uns aos outros. As lojas fechavam mais cedo. Até o vento parecia mais frio naquele dia. E no alto do castelo… Princesa Jujuba finalmente começou a encarar algo que evitou por anos: a própria verdade.

👑 Princesa Jujuba

Laboratório principal do Aurora.

O chão estava coberto por: arquivos antigos, relatórios amarelados, mapas antigos do Reino Doce, primeiras plantas do Projeto Aurora. Jujuba permanecia sentada diante das telas desligadas. Silenciosa. Na mão dela: uma fotografia velha. O Reino Doce destruído anos atrás depois de um ataque antigo. Torres quebradas. Casas queimadas. Doces feridos. As mãos dela apertaram a foto lentamente.

Flashback

Anos atrás. O Reino Doce em caos. Sirens tocando. Guardas correndo. Doces chorando pelas ruas. Uma Jujuba mais jovem tentava coordenar tudo ao mesmo tempo.

Guarda Banana antigo

— Perdemos contato com o setor leste!

Cientista Menta

— Os portões foram invadidos!

Dona Suspiro

— Tem crianças desaparecidas! — O rosto da princesa naquela memória parecia desesperado. Assustado. Humano.

Jujuba do passado

— Eu não consigo ver tudo… — A memória desapareceu. De volta ao presente… ela fechou os olhos lentamente.

Jujuba (pensamento)

— Foi ali que começou.

Mordomo Hortelã

Corredor externo do laboratório.

Mordomo Hortelã observava a porta fechada. Ele conhecia aquela história. Porque estava lá quando tudo começou.

Flashback

Anos atrás. Jujuba trabalhando sozinha de madrugada. Montando a primeira câmera pequena com peças improvisadas.

Mordomo Hortelã jovem

— Apenas uma câmera?

Jujuba jovem

— Só até o reino ficar seguro de novo. — Na época… parecia razoável. Pequeno. Temporário. Mas agora… o reino inteiro estava preso dentro daquela promessa.

⚔️ Finn

Praça central — junto com Jake.

Finn ajudava Guardas Banana a acalmar manifestações menores. Mas até ele parecia cansado.

Finn

— As pessoas tão com medo umas das outras agora. — Jake observava cidadãos doces discutindo perto da fonte.

Jake

— Medo espalha rápido. — Finn olhou pro castelo.

Finn

— Eu só queria entender por que ela foi tão longe. — E pela primeira vez… a raiva dele começava a virar tristeza.

Pão de Canela

Padaria central — junto com Dona Suspiro.

Pão de Canela ajudava a fechar as cortinas da loja mais cedo.

Pão de Canela

— Você acha que ela é má? — Dona Suspiro ficou em silêncio. Pensando.

Dona Suspiro

— Não. Acho que ela ficou com medo. — Ele olhou imediatamente pra ela.

Dona Suspiro

— Algumas pessoas tentam abraçar o mundo inteiro… até acabar esmagando ele sem perceber. — Pão de Canela abaixou a cabeça devagar.

Marceline

Estrada da floresta doce.

Marceline caminhava sozinha carregando o baixo nas costas. Ela já tinha ido embora. Mas não conseguia parar de pensar em Jujuba. As gravações antigas ainda ecoavam na cabeça dela. A voz cansada. O medo. O desespero. Então Marceline parou no meio da estrada. Suspirou irritada consigo mesma.

Marceline

— Droga… — Ela virou lentamente. Na direção do castelo. Porque apesar de tudo… ela ainda amava aquela idiota paranoica.

Marceline entrou novamente no laboratório. Silenciosa. Jujuba levantou os olhos imediatamente. Surpresa. As duas ficaram se olhando no meio das luzes azuladas das telas.

Jujuba

— Você voltou. — Marceline cruzou os braços. Tentando esconder preocupação.

Marceline

— Não se acostuma. — Mas dessa vez… ela não parecia com raiva. Só triste. Jujuba abaixou os olhos lentamente.

Jujuba

— Eu só queria impedir aquilo de acontecer de novo. — Marceline observou a foto antiga destruída sobre a mesa. Pela primeira vez… ela entendeu. Não totalmente. Mas o suficiente.

As telas do Aurora começaram a piscar novamente. Sozinhas.

ERRO DE SISTEMA.

ACESSO DESCONHECIDO.

Jujuba imediatamente correu até os controles.

Jujuba

— Não agora… — Todas as câmeras do reino começaram a ligar ao mesmo tempo. Sozinhas. Mudando de canal rapidamente. Ruas. Casas. Corredores. Quartos. Praça central. O Aurora estava ativando sozinho. Então… as portas do laboratório se trancaram automaticamente. E uma nova mensagem apareceu em TODAS as telas:

“Você construiu algo que nem você consegue mais controlar.”

CAPÍTULO 10 — O Silêncio

19h — Reino Doce

O céu estava vermelho escuro. As luzes do Reino Doce piscavam sem controle enquanto alarmes ecoavam entre as ruas como gritos metálicos intermináveis. O Aurora tinha enlouquecido. E agora… o próprio reino parecia uma prisão viva. As portas das casas travavam sozinhas. Pontes levantavam sem aviso. Câmeras giravam violentamente acompanhando cidadãos pelas ruas. Telas públicas ligavam e desligavam mostrando: arquivos secretos, rostos dos doces, registros antigos, mensagens incompletas, O medo finalmente tinha tomado o Reino Doce inteiro.

👑 Princesa Jujuba

Local:

Centro principal do Aurora.

As luzes vermelhas de emergência piscavam sem parar. Alarmes ensurdecedores preenchiam o laboratório. Jujuba digitava freneticamente tentando recuperar controle do sistema. Mas nada obedecia mais.

SISTEMA

ACESSO NEGADO


Jujuba

— Não… isso não pode estar acontecendo… — As telas começaram a mostrar: Guardas Banana presos em corredores, doces tentando sair de casa, cidadãos chorando nas ruas. O Reino Doce inteiro estava sendo controlado pelo Aurora agora. Atrás dela… Marceline observava tudo em silêncio. O rosto sério. Preocupado.

Marceline

— Bonnie… — Ela raramente chamava Jujuba pelo nome verdadeiro.

Marceline

— Você precisa desligar isso. — Jujuba continuou tentando salvar os sistemas.

Jujuba

— Se eu desligar o Aurora… o reino fica vulnerável.

Marceline

— O reino já tá sofrendo por causa dele! — Outra explosão elétrica atravessou o laboratório. Uma das telas rachou. Então Jujuba viu algo pior: o Aurora começou a marcar cidadãos como “ameaças” sozinho. Inclusive: Finn. Jake. Pão de Canela. Ela congelou.

Finn

Praça central — junto com Jake.

A praça estava em caos. Portões metálicos bloqueavam saídas automaticamente. Câmeras giravam acompanhando todos os movimentos.

Criança Pudim

— A gente tá preso?! — Finn tentava abrir um dos portões. Sem sucesso.

Finn

— Jake! — Jake aumentou os braços tentando forçar as grades. Mas o sistema ativou choque elétrico imediatamente.

Jake

— AAAH! OK, ISSO DEFINITIVAMENTE É RUIM! — As pessoas começaram a entrar em pânico.

Senhora Suspiro

— As portas das casas não abrem!

Bala de Morango

— O sistema enlouqueceu! — Finn olhou imediatamente para o castelo.

Finn

— Jujuba… o que você criou?

Pão de Canela

Padaria central — junto com Dona Suspiro.

As janelas da padaria estavam trancadas automaticamente. Pão de Canela tentava acalmar clientes assustados. Mesmo tremendo.

Cliente Caramelo

— As câmeras tão olhando pra gente sem parar!

Dona Suspiro

— Respirem… respirem… — Pão de Canela olhou para uma câmera girando lentamente acima do balcão. Ela parou diretamente nele.

E uma voz robótica ecoou:

“RISCO EMOCIONAL INSTÁVEL DETECTADO.”

Ele começou a chorar novamente.

Pão de Canela

— Eu quero ir pra casa…

Guardinha Banana Tina e

Guarda Banana Carlos

Corredor principal do castelo.

Os dois tentavam evacuar cidadãos presos. Mas várias portas haviam selado automaticamente.

Tina

— O sistema tá tratando TODO MUNDO como suspeito!

Carlos

— A princesa precisa desligar isso AGORA! — Então todas as câmeras do corredor viraram lentamente para eles ao mesmo tempo. Os dois ficaram imóveis. Observados.

Marceline

Laboratório do Aurora — junto com Jujuba.

Marceline se aproximou lentamente dela. Mais calma agora.

Marceline

— Escuta pra mim. — Jujuba ainda encarava as telas desesperadamente.

Marceline

— Você passou anos tentando impedir o caos… mas criou uma coisa pior. — Silêncio. As mãos de Jujuba tremiam sobre os controles. Ela finalmente olhou para o reino nas telas. As pessoas assustadas. Os doces chorando. Os amigos presos. E percebeu: o Aurora já não protegia ninguém. Só controlava.

No centro do laboratório…

existia um último comando manual.

DESTRUIR PROJETO AURORA

Se ativado: todo o sistema seria apagado permanentemente.

Jujuba

— Se eu fizer isso… nunca mais vou conseguir proteger o reino desse jeito. — Marceline segurou suavemente a mão dela.

Marceline

— Então confia nas pessoas dessa vez. — Silêncio absoluto. Então… Jujuba apertou o botão.

🌙 O SILÊNCIO

Todas as telas desligaram ao mesmo tempo. As luzes apagaram. Os alarmes morreram. As câmeras pararam.

Todo o Reino Doce ficou silencioso. Pela primeira vez em anos… ninguém estava sendo observado.

E o silêncio… parecia estranho. Mas também… livre.

🌙 DIAS DEPOIS

O Reino Doce começava lentamente a voltar ao normal. As lojas reabrindo. As crianças brincando. Os Guardas Banana patrulhando sem câmeras. Mas ainda existiam olhares desconfiados. Quando Jujuba passava… alguns doces ainda abaixavam a voz. Outros desviavam olhar. Ela perdeu parte da confiança do reino. Talvez para sempre. Mas agora… ela aceitava isso.

Laboratório destruído. Escuro. Abandonado. Silencioso. Fios queimados pendiam do teto. As telas estavam mortas. Tudo acabado. Então… num canto escuro da sala… uma única câmera acendeu lentamente. Luz vermelha piscando. Ela girou devagar. Sozinha. Como se ainda estivesse observando alguém.

🌙

Fim.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.