O Reino Que Nunca Dorme

3 03 - Guerra Psicológica


O Reino Doce nunca tinha sido silencioso. Mesmo nas manhãs mais frias, sempre existiam: risadas na praça, vendedores gritando promoções, Guardas Banana discutindo besteiras, crianças correndo entre as barracas, Mas naquela semana… alguma coisa mudou. E Princesa Jujuba percebeu antes de todo mundo.

Ela atravessava a praça principal cercada por dois Guardas Banana. Os cidadãos doces imediatamente abaixavam a voz quando ela passava. Alguns desviavam o olhar. Outros fingiam ocupação.

Senhora Suspiro

— … — Ela interrompeu a própria conversa no instante em que viu a princesa.

Senhor Rocambole

— Bom dia, alteza. — A voz dele parecia educada demais. Cuidadosa demais. Jujuba continuou andando. Postura perfeita. Expressão calma. Mas por dentro… sentia o reino escapando pelos dedos.

Lá no alto da torre principal, pequenas câmeras escondidas giravam lentamente acompanhando a movimentação da praça.

Ela observava tudo através do relógio holográfico preso ao braço. Conversas. Movimentos. Expressões faciais.

Jujuba (pensamento)

— Estão assustados. — Ela apertou os dedos.

Jujuba (pensamento)

— Porque perceberam tarde demais o quanto precisam de mim.

...

Marceline

Marceline observava tudo sentada no telhado de uma confeitaria. As pernas balançavam lentamente no ar enquanto ela mastigava uma bala vermelha distraidamente. Mas seus olhos estavam atentos. Muito atentos. Ela viu: Guardas Banana patrulhando mais áreas, portas antes abertas agora fechadas, doces olhando nervosos para o castelo, E principalmente… viu Jujuba olhando para o relógio toda vez que alguém cochichava.

— Tá ficando pior… — Ela desceu do telhado silenciosamente.

Precisava descobrir o que estava acontecendo. De verdade.

Mordomo Hortelã

No castelo, Mordomo Hortelã organizava relatórios numa sala escondida atrás da biblioteca. Centenas deles. Cada pasta tinha: nomes de cidadãos, horários, movimentações, comportamentos considerados “estranhos”. A porta abriu devagar. Jujuba entrou rapidamente.

Jujuba

— Quero mais câmeras nos setores leste e sul. — Mordomo Hortelã levantou os olhos devagar.

Mordomo Hortelã

— Alteza… isso já cobre quase todo o reino.

Jujuba

— Não é suficiente. — Ela começou a andar de um lado pro outro. Agitada.

Jujuba

— Alguém entrou no setor proibido. Alguém descobriu parte do Aurora. Se eu perder controle da situação — Ela parou. Respirou fundo.

Jujuba

— O reino acaba. — O silêncio ficou pesado. Até Mordomo Hortelã parecia preocupado agora.

...

Finn

Finn ajudava Pão de Canela a reorganizar caixas perto da padaria. Mas toda hora percebia: as pessoas observando o castelo.

Finn

— Você tá notando isso também, né? — Pão de Canela hesitou.

Pão de Canela

— As pessoas parecem… assustadas. — Finn olhou pra torre principal.

Uma câmera escondida brilhou rapidamente perto do relógio da praça. Pequena. Quase invisível. Ele estreitou os olhos.

Finn

— Espera… — Mas quando tentou olhar melhor… a câmera virou lentamente para outra direção.

...

Marceline entrou escondida pela varanda superior do laboratório antigo. O lugar estava vazio. Cheiro de fios queimados. Papéis espalhados. Luzes piscando fraco. Ela caminhou devagar. Então encontrou algo estranho: uma porta metálica semiaberta atrás de uma estante.

Marceline

— Ah… isso aqui definitivamente não parece normal. — Ela entrou. Um corredor secreto. Escuro. Frio. No final: uma sala cheia de telas. Centenas. Ligadas. Marceline parou imediatamente.

As imagens mostravam: ruas do reino, quartos, corredores, cidadãos, Finn, Jake, Guardas Banana. E então… ela viu a própria imagem numa das telas. Marceline dormindo pendurada no teto da própria casa. Filmada escondido. O sorriso dela desapareceu. Completamente.

Outra gravação começou automaticamente. Marceline conversando com Jujuba semanas antes. Outro ângulo. Outra câmera escondida. Ela deu um passo pra trás lentamente. Chocada.

— Não… não, não, não… — Na tela principal surgiu uma mensagem automática:

ACESSO NÃO AUTORIZADO DETECTADO

As luzes vermelhas começaram a piscar. E em algum lugar do castelo… Jujuba viu exatamente onde Marceline estava.


10h da manhã — Reino Doce

O Reino Doce parecia funcionando normalmente. Mas era mentira. As ruas continuavam cheias. As lojas abertas. As crianças brincando. Só que agora… todo mundo observava alguma coisa. Ou alguém. E pela primeira vez… Princesa Jujuba sentia que o reino observava ela de volta.

👑 Princesa Jujuba

Centro de controle do Projeto Aurora. As telas piscavam sem parar.

ERRO.

FALHA DE SINAL.

ACESSO NEGADO.

Jujuba digitava rápido tentando recuperar o controle dos sistemas. O cabelo bagunçado. Olhos cansados. Mãos tremendo discretamente. Uma câmera da praça central desligou sozinha. Depois outra. E outra.

Jujuba

— Não… não, não… — Ela abriu o mapa do Reino Doce. Pontos vermelhos desapareciam lentamente. Setores inteiros ficando cegos.

Atrás dela, Mordomo Hortelã observava em silêncio.

Mordomo Hortelã

— O invasor conhece a estrutura do Aurora. — Ela virou imediatamente.

Jujuba

— Isso é impossível. — Mas no fundo… ela sabia. A pessoa não estava atacando os sistemas aleatoriamente. Ela escolhia: os pontos cegos certos, os horários certos, os guardas certos, Como alguém que conhecia a mente da própria Jujuba. Então outra mensagem apareceu na tela principal:

“Você ainda tenta controlar tudo.”

Ela desligou o monitor com força.

...

Marceline

Varanda lateral do castelo. Marceline segurava um pen-drive roubado do laboratório secreto. Dentro: gravações. Arquivos. Monitoramentos. Inclusive dela. Ela ainda parecia em choque. O vento mexia lentamente o cabelo escuro enquanto ela observava o reino abaixo. Então ouviu passos. Jujuba apareceu. As duas ficaram em silêncio alguns segundos. Pesado. Desconfortável.

Jujuba

— Você entrou no laboratório.

Marceline

— Você gravou minha casa. — A resposta veio rápida demais.

Jujuba

— Era por segurança. — Marceline riu sem humor.

Marceline

— Segurança? Você espionou TODO MUNDO.

Jujuba

— Eu precisava proteger o reino.

Marceline

— Não. Você queria controlar ele. — Jujuba ficou imóvel.

Jujuba

— Você não entende o que acontece quando eu perco o controle. — Marceline se aproximou lentamente. Os olhos vermelhos brilhando de raiva.

Marceline

— Você queria controlar até o medo das pessoas. — Aquilo atingiu Jujuba como um golpe. Porque era verdade. Ela desviou o olhar primeiro.

...

Finn

Praça central — junto com Jake.

Finn ajudava Guardas Banana a reorganizar barricadas improvisadas. Os cidadãos doces estavam nervosos.

Cliente Marshmallow

— As câmeras da rua oeste desligaram sozinhas!

Senhora Suspiro

— Ontem apareceu um relatório com meu nome! — Finn ficou assustado.

Finn

— Relatório? — Ela mostrou um papel tremendo nas mãos. Anotações sobre: horários dela, lugares que visitava, pessoas com quem falava, Finn arregalou os olhos.

Finn

— Isso tá ficando doentio…

Jake olhou imediatamente pro castelo. Pela primeira vez… seriamente preocupado.

...

Guarda Banana Marcos

Corredor interno do castelo.

Marcos andava nervoso olhando pros lados. No bolso: um bilhete anônimo. Escrito:

“A princesa observa você também.”

Desde que recebeu aquilo… ele começou a perceber câmeras escondidas em TODOS os lugares. Quando passou diante de um espelho… viu um reflexo rápido atrás dele. Virou imediatamente. Ninguém. Mas o medo já tinha entrado na cabeça dele.

...

Pão de Canela

Padaria central.

Pão de Canela tentava trabalhar normalmente. Mas ninguém falava de outra coisa.

Dona Suspiro

— Dizem que existem arquivos secretos de todos nós.

Cliente Bala de Leite

— Minha prima viu o nome dela num monitor do castelo. — Pão de Canela apertou a bandeja nas mãos. Confuso. Triste.

Pão de Canela

— A princesa não faria isso pra machucar ninguém… — Mas dessa vez… nem ele parecia acreditar completamente nisso.

Mais tarde. Laboratório secreto. Silêncio absoluto. Jujuba finalmente caiu no sono sentada diante das telas. Exausta. O rosto apoiado na mesa. As luzes azuladas refletindo nela. Então… todos os monitores desligaram ao mesmo tempo. Um. Por um. Até a sala ficar escura. Segundos depois… as telas voltaram. Mas agora mostravam apenas UMA imagem. A própria Jujuba dormindo. Filmada de vários ângulos. Ela acordou imediatamente. O coração disparado. E então percebeu: alguém estava observando ela também.