Notas iniciais
Com todo o elenco principal apresentado, a história se desenrola, assim como as relações entre os personagens.

Siegfried

— Quase lá! – Gritou Odur, quando se aproximaram da estalagem.

Estavam cavalgando há várias horas, mas ainda não amanhecera. Hodrik na frente, com Siegfried e Ymir logo atrás. Odur estava ainda mais a frente, para reconhecimento do caminho. A Estalagem da Serpente era maior que uma estalagem qualquer, feita pelo Rei Lugoff, em homenagem a sua falecida esposa (quem Lugoff chamava de serpente, por ter traído ele com um cavaleiro qualquer, de segundo nome Ericksson). Ao entrarem na estalagem, Hodrik ordenou cerveja preta, pagando em prata. Siegfried não conseguia parar de pensar no que o Mago dos Elementos lhe dissera.

“Devem existir muitas perguntas que rondam sua mente, Jovem Rei”, Dissera Njor, quando conversaram, quase um dia atrás.
“Sei que os dragões voltaram, sinto isso, mas como? Em sonho, consigo falar com eles, mas não entendo como isso é possível”, Dissera o Rei, intrigado.

“Você é sábio, apesar de sua pouca idade, mas existem coisas além de seu conhecimento.”, Njor tomou um gole de seu cantil, Siegfried nunca descobrira o que havia ali. “Tudo está no sangue, Siegfried. Quando seu pai, Tyr Berthold, causou a Morte de Um no dragão Simurgh, criou-se um vínculo tão forte, que ele podia falar com qualquer dragão que tentasse entrar em contato com a sua mente.”, Tomou outro gole e prosseguiu, “Seu pai vinha até mim reclamar de dores de cabeça e de sonhos estranhos com essas criaturas místicas, eu não entendia muito bem, mas depois percebi. Infelizmente, não tive tempo para avisar a ele antes de sua morte. Você consegue falar com eles, você os sente, sonha com eles, é isso. Está no seu sangue, e você passará isso para um filho, quando o tiver.”

Ymir acordou Siegfried de seu sonhar acordado com um leve toque no ombro.

— Vossa Graça, quando quer começar o treinamento?

— O mais breve possível, Ymir, mas acho que precisaremos de um tempo para descansar. Os cavalos estão exaustos, poderemos começar o treinamento daqui a algumas horas, quando o sol já estiver no alto.

— Como quiser, Vossa Graça.

“E onde Ymir entra nessa história?” Perguntara o Jovem Rei para Njor.

“Ele tem potencial, apesar de não acreditar em sua própria força. Quando Uller me trouxe aquele menino, soube exatamente que seria um dos magos mais poderosos que já foram vistos. Mas, como você, ele é jovem, e precisa de treinamento.” O velho mago tomou outro gole. “Pretendo levá-lo para Wiz Skoll.”

“Ouvi que poucos sobrevivem ao treinamento desse poderoso mago.”

“Nenhum sobreviveu, para ser mais específico. Mas Ymir tem de ser puxado até o limite para descobrir seu potencial. Para você, pretendo ensinar o básico para resistir a magia daqueles que o afetam, inclusive os dragões.”

“Não tenho tempo, Wiz.” Disse Siegfried. “Há problemas na corte e uma guerra civil no sul, mas tenho uma solução. Deixe-me levar o aprendiz Ymir comigo. Ele me ensinará o básico e eu o levarei seguramente até esse Skoll.”. Wiz Njor não concordou no inicio, mas Siegfried o convenceu, e ali estavam eles.

O aprendiz Ymir tinha cabelos cacheados castanhos, mais claros que os de Siegfried. Era uns centímetros mais baixo, apesar de ser mais velho. O Jovem Rei subiu as escadarias e foi em direção ao seu quarto. Estava tudo escuro e silencioso, exceto pelos roncos de Hodrik. Sieg sorriu, deitou-se em sua cama e fechou os olhos.

Estava em um calabouço. Era o mesmo calabouço de seus sonhos antigos. Gotas pingavam do teto úmido daquele lugar. O cheiro de mofo e fezes era intenso. Uma pequena janela com grades estava no alto da cela. Parado em sua frente estava um homem alto, com um olhar vazio. Sua face era diferente. Uma hora parecia com Hodrik, outra hora era seu pai. Siegfried piscou e olhou para os lados. Nenhum sinal de dragões ou magia.

— Jovem Rei. Faz tempo que não nos encontramos. ­— A sua voz era baixa e cortante. Oh, pensou Sieg. – Ainda existem dúvidas em seu coração.

— E você nunca ajuda – Siegfried tinha dúvidas de quem era aquele homem. Desde a morte de seu pai, ele aparecia em seus sonhos. No começo Siegfried ficava assustado, mas agora conseguia vê-lo e ouví-lo. Sua voz ainda causava-lhe arrepios. – Por que continua aparecendo para mim?

— O coração do dragão continua o treino enquanto o bafo gelado arrasa seu reino. Os deuses não estão com você, Siegfried. Apenas eu estou...

— Explique-se, Loki! – Siegfried gritou.

O suposto deus da trapaça aparecia em seus sonhos sempre. E sempre trazia mensagens confusas. “O guerreiro mulher lutará pelo fruto da serpente, que perecerá na chama fervente”. E havia previsto a traição do Capitão das Guardas, e um segundo verso que Siegfried não conseguira decifrar, “O guardião da cidade trairá sua confiança, e o Matador de Dragões continuará sua vingança .”

Quando acordou, Odur, Ymir e Hodrik já tinham levantado. Siegfried dormira demais. Desceu para quebrar o jejum com pão recém tirado do forno e café. Olhou pela janela da Estalagem e observou Odur e Hodrik treinando. O escudeiro ficava cada vez mais rápido, quase acertando Hodrik. Mas o mestre-ferreiro ainda o superva. Acertou com o cabo de seu martelo o estômago de Odur, fazendo o se ajoelhar no chão. Será que ele pegou pesado? Hodrik aproximou-se do escudeiro do rei.

— Levante-se! Ainda não acabei com você. – Chegou perto e Odur pulou contra ele, espada em punho. Atacou com uma estocada, mirando na cabeça de Hodrik. O Gigante o jogou por cima do ombro com uma mão.

Siegfried forçou a visão e viu que Hodrik tinha um pequeno corte na testa. Odur é incrível. Está cada vez melhor. Só então que percebeu Ymir sentando-se ao seu lado.

— Bom dia, Vossa Graça. – Disse ele.

— Bom dia Ymir. – O rei sorriu. – Começaremos o treinamento então?

— Se lhe aprouver – Ymir levantou-se. E os dois seguiram para fora da Estalagem da Serpente.

Odur e Hodrik pararam o treino quando eles chegaram. Havia um lago do outro lado do campo aberto. Siegfried disse que poderíam continuar treinando, e pediu para que Ymir o seguisse para perto do lago.

— Então, Vossa Graça, o que sabe sobre a água? Não digo químicamente, mas espiritualmente.

— Sei que se me concentrar bem, posso sentir o fluxo de todo meu corpo. – Ele fechou os olhos. – Sinto a calmaria, as leves e quase inexistentes ondas, no ritmo das batidas de meu coração.

— Certo, muito boa descrição. Quer aprender a fazer isso? – O aprendiz de mago apontou para o lago. A água começou a girar e girar. Logo, um pequeno tornado de água havia se formado. Cada molécula de água era movida por Ymir. Mas não era o seu dedo que fazia aquilo. Era sua própria vontade e confiança exposta no elemento. Isso vai ser muito interessante, pensou Siegfried Berthold.

Notas finais
Desde que comecei a ter ideias sobre histórias de fantasia, o principal tema eram os quatro elementos. Não demorou para que eu incorporasse nessa também. "Como se cada célula de seu corpo estivesse queimando. A dor fazia com que Fafnir quisesse arrancar seu próprio coração, era a única coisa que sentia."