Notas iniciais
Fafnir
Ele caminhou através de árvores e mais árvores, cavernas e mais cavernas, até se deparar com aquele dragão verde. A viagem fora cansativa e durara oito dias. Fafnir havia enfrentado chuvas, ventos fortes de uivos ensurdecedores, nevascas, salteadores e animais selvagens como ursos e lobos. Eles o proporcionaram belos jantares de viagem. Outras vezes, quebrava o jejum com animais menores, como abutres e coelhos. A caverna em que estava cara a cara com o inimigo era profunda e escura, espaçosa para todos os lados, lugar perfeito para o leito de um dragão. Fafnir entrara cuidadosamente para atacar o dragão furtivamente, mas seu cuidado não foi o suficiente para enganar o olfato de um dragão verde. Gorynych era grande, mas menor que o dragão dourado. Suas escamas eram cor de esmeralda e haviam poucos espinhos em sua coluna. As asas tinham um couro enrugado, cor de opala esverdeada.
Rugindo, ele se lançou contra Fafnir, jogando-o para fora da caverna. O homem tentava se levantar quando Gorynych saiu da caverna batendo suas asas rapidamente, fazendo com que Fafnir rolasse mais alguns metros para o meio da floresta antes de tentar se levantar novamente. Já de pé, procurava pelo dragão entre os espaços das folhas das árvores. Maldito! Suponho que não seja difícil para ele se camuflar nesta densa floresta. De fato não era. Gorynych seria confundido facilmente com um lagarto gigante se não fossem por suas asas. Podia se camuflar em qualquer lugar entre as árvores. Fafnir nada via além de folhas balançando em várias direções diferentes, nada ouvia além dos ruídos que o vento fazia ao tocar as árvores. Soavam como suspiros. De repente o homem vê uma agitação no meio dos arbustos, um erro que Gorynych cometera, pois Fafnir não perdeu tempo ao correr e agarrar-se ao pescoço do dragão. Tenho que levá-lo até minha armadilha, pensou, tentando controlar para onde o dragão ia. Com Coldbreath ainda na bainha, Fafnir puxou a cabeça de Gorynych na direção de uma das grandes árvores.
Ao chegar a uma distância razoável, Fafnir lançou-se da criatura e se agarrou na árvore. O monstro olhou para ele confuso quando Fafnir cortou um dos cipós da árvore. Um tronco suspenso caiu sobre o dragão. Ele rugiu de dor e tentou de todas as formas escapar.
— Eu demorei dias preparando essas armadilhas para você, fique ai por um tempo. – Fafnir disse. O dragão pareceu entender, para a supresa de Fafnir. Devo estar ficando maluco. Gorynych rugiu em desafio, e uma rajada de vento acertou o guerreiro em cheio.
Lutando contra o ar, Fafnir desembainhou Coldbreath. Percebeu que não conseguiria se segurar por muito tempo, então se soltou no ar e segurou-se em um árvore. Quando a rajada parou, Fafnir correu pela volta do dragão.
— Desgraçado! – Disse, e fincou sua espada na cauda do monstro. Ele rugiu e o acertou com ela. Coldbreath voou para a floresta. Fafnir foi na direção que sua espada caiu.
O dragão se libertou do tronco e parecia furioso. Ele seguiu Fafnir até a floresta. Isso, siga-me, tenho outras armadilhas para você. O guerreiro havia preparado o campo para a batalha, entortando árvores e galhos para ficar no caminho do dragão. O monstro fazia um bom trabalho desviando das armadilhas, até que sua asa se enroscou em um tronco pontiagudo. Gorynych rugiu, e Fafnir sorriu com satisfação. Alcançou Coldbreath e virou-se para a criatura. O dragão, com um rugido agonizante, escapou da árvore e soltou outra rajada de ar contra Fafnir. Mas este estava preparado. Pulou, agarrando-se a um galho. Gorynych tentou voar mas não conseguiu, emitindo um grunhido de dor, sangue vermelho-esverdeado saía de sua asa esquerda.
Fafnir se jogou contra o dragão. Desviou da garra e atacou a criatura, a ponta de Coldbreath rasgando o olho do monstro. Sangue se espalhou pelas mãos de Fafnir, e ele atacou novamente, rasgando a carne de Gorynych. O dragão verde se atirou para o lado, tentando fugir, mas Fafnir cravou Coldbreath no chão, atravessando a asa direita. O monstro estava preso.
—Vou acabar com isso – Gorynych pareceu ouvir novamente. Sua expressão não era mais de raiva, mas de medo. Ele está com medo? Patético. Não é tão forte quanto os outros dragões que matamos antigamente. — Você pode me ouvir, é?
Ele tentou lançar uma rajada de ar, mas Fafnir era rápido e agarrou seus espinhos do pescoço. Ele puxava, fazendo sangue escorrer do olho do dragão.
— Sofra! Sofra mais! – Disse o guerreiro.
O outro olho olhava de uma maneira diferente, e o chão abaixo dele estava molhado.
— Está chorando? Não sabia que dragões choravam.
Fafnir Gerhadt pulou de seu pescoço e arrancou Coldbreath do chão. Gorynych desesperadamente tentou escapar, esgueirando-se pelas árvores. A cena era patética. Fafnir caminhou lentamente atrás dele. Segurou sua cauda e a puxou. Não tinha força suficiente para carregá-lo, mas Gorynych estava tão fraco que desabou no chão. Fafnir se aproximou do monstro e chegou perto de sua cabeça.
— Se você conhecer o dragão dourado, diga que estou indo atrás dele antes de morrer. – Gorynych ainda tentava soltar rajadas de vento, mas suas forças se esgotaram.
Ele não tem escolha se não aceitar seu fim, pensou Fafnir.
O dragão parou e seu olho bom se fechou. O que ele esperava Fafnir não sabia, e nem se importava. Mirou o coração da criatura, e fincou Coldbreath com toda sua força.
Foi inexplicável. Ouviu o rugido do dragão. A dor em seu peito era como se adagas em chamas perfurassem seu coração repetidamente. Não só dele, mas o rugido de vários dragões. Era como se seu coração bombardeasse sangue tão forte como um tornado. Como se cada célula de seu corpo estivesse queimando. A dor fazia com que Fafnir quisesse arrancar seu próprio coração, era a única coisa que sentia. E rugia tão alto quanto Gorynych.
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