Notas iniciais
Ymir
O Rei era uma pessoa agradável. Jogavam xadrez enquanto Siegfried esperava. Já estava quase anoitecendo e Irpa, a serva de cabelos encaracolados do Mestre Njor, servira-os de bolos de maçã e vinho doce. Ymir era apaixonado por Irpa, mas não se atreviria a dizer isso à ela. Durante toda a tarde e noite que passara, Ymir ganhara duas vezes no xadrez, e o Rei, uma. A quarta partida estava sendo demorada, os cavalos de Ymir já haviam sido tomados, mas seu bispo ameaçava a rainha do adversário. Ymir gostava de pensar que era uma das peças do jogo, e estava no meio de uma guerra, tinha o pensamento tático e estratégico. Era muito bom no jogo. O Jovem Rei moveu um peão, ficando quase na ponta do tabuleiro, e Ymir o tomou com o bispo.
— Você é bom nisso, Ymir – Disse o Rei. Quando não usava a coroa, parecia ser da mesma idade de Ymir, apesar do aprendiz de mago já ter 18 anos, e quando usava, parecia ainda mais velho.
— Você me honra, Vossa Graça.
— Mas será que pode evitar este movimento? – Siegfried moveu um cavalo na direção do rei de Ymir. – Cheque.
— Mas o cavalo não está ameaçando meu rei.
— O cavalo não, mas olhe minha torre.
Era verdade. O cavalo havia dado espaço para a torre, e ela ameaçava o rei de Ymir. Ótima jogada! Pensou ele. Quando pegou seu rei para move-lo, percebeu que não tinha saída. A torre estava na direção do rei, se o movesse para a esquerda, o cavalo-recém posicionado iria o ameaçar. Se mudasse para a direita, ficava na diagonal da rainha. E ambas as diagonais do rei estavam ocupadas por peões não usados de Ymir. Perdera.
– Há! Siegfried, você me venceu! – Disse Ymir, esquecendo-se das formalidades. – Não tinha percebido, queria desviar minha atenção com o peão, não é?
— Sim, meu amigo. E seu bispo quase tomou minha rainha, pensei que ia ganhar mais uma.
— Estamos empatados agora. – Era muito divertido passar o tempo ao lado do Rei. Eram como duas crianças se divertindo. O Rei tomou um gole do vinho doce, assim como Ymir. – Vamos desempatar?
— Agora não, Ymir. – Disse o Mago dos Elementos. Njor estava parado em frente à porta, observando-os. Há quanto tempo o mestre está ai? Pensou Ymir, surpreso. Como que lendo seus pensamentos, o Mago disse: – Cheguei a tempo de ver o Rei ganhando a partida.
Um sorriso sincero foi expresso no rosto de Njor. Ele era o Mago dos Elementos, o que mais sabia sobre Dragões e Magias Elementais. Njor era um homem já idoso, com uma barba branca extensa e desarrumada.
— Senhor Njor – disse o Rei, levantando-se. – Necessito de seus conselhos.
— Sim, Siegfried, eu também tenho coisas a lhe revelar. – Njor o chamou para uma sala, e Ymir ficou sozinho. Estava acostumado, fora criado por uma família de fazendeiros que o expulsaram de sua fazenda, pois ele não conseguia fazer o trabalho da família direito. Após isso, vangueou pelo sudeste de Nova Midgard, mendigando e roubando para sobreviver. Foi encontrado por Wiz Uller, quem ele considerava seu pai, ao tentar roubar frutos de uma árvore. O mago disse sentir grande potencial em Ymir, potencial que nem mesmo o rapaz sentia por si mesmo. Uller o levou para o templo dos magos e iniciou seu treinamento.
As primeiras semanas foram as piores, além de aprender a ler e escrever, Ymir aprendeu os conceitos básicos dos quatro elementos primários: Água, Fogo, Ar e Terra. Segundo as explicações de seus professores, os conceitos não físicos são tão importantes quanto a composição química de cada elemento. Ar está diretamente associado com o pensamento, o inconsciente. Terra está relacionada com a manifestação concreta das ações de um ser e suas consequências. Água, por sua vez, são as emoções que fluem em cada um, tornando-o o elemento mais fácil de ser exposto, mas o mais inconstante. Fogo representa a vontade, mudança, ação. É o elemento mais difícil de ser controlado, por ser tão destrutivo. Quem domina os quatro elementos é capaz de prevalecer sobre a magia de um dragão.
Quando finalmente entendeu isso, Ymir passou para as propriedades químicas dos elementos. A terra era sólida, o ar, gasoso e água, líquida. O fogo era pura energia, e ele que define a mudança dos outros elementos.
Por horas ele meditou sobre os ensinamentos de seus mestres e por tudo o que tinha passado para chegar ali. Quando um aprendiz está nos seus estágios finais de treinamento, ele e seu mentor fazem uma viagem por toda Midgard, para o contato direto com os elementos, mas Ymir duvidava que sua vez fosse chegar. Não sou nem a metade da metade do que Uller ou Njor eram quando tinham a minha idade, talvez isso fosse perda de tempo. A porta abriu-se devagar, Sieg e Njor sairam de lá.
— Queremos conversar com você, Ymir. – Disse o Mago dos Elementos.
— Como quiser, senhor. – Ymir levantou-se e os acompanhou até a outra sala. – O que queriam fala comigo?
— Como deve saber, o reino está em crise – Começou Njor. – Os dragões voltaram, e com isso, vieram os desastres. No norte, tempestades de neve capazes de soterrar casas. Tsunamis no sul, vulcões entrando em erupção no oeste. Era para manterem o equilíbrio desse mundo, mas há algo errado. O Jovem Rei precisa aprender tudo o que ele puder sobre a magia dos elementos. Mas eu não posso ensiná-lo, estou velho e o Rei não tem tempo, precisa voltar para a Cidade do Rei para tratar de alguns assuntos . Ai entra você. Voltará junto com o Rei, ensinará o que puder durante a viagem, e depois irá para norte, para as terras fluviais, onde se encontra Wiz Skoll, meu melhor aprendiz. Treine com ele, Ymir, e termine seu treinamento.
Ymir estava estupefato. Não esperava que fosse assim. Um nervosismo percorreu seu corpo, o que ele espera de mim? Perguntou-se o jovem aprendiz.
— Tenho certeza de que você me ajudará, Ymir. – Disse o Jovem Rei, com um sorriso amigável. – Partiremos pela manhã.
Espero que esteja certo...
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