O Reflexo do Verão

7 O Limite do Desejo


O espaço confinado da barraca parecia ter encolhido. O som do zíper se fechando selou o resto do mundo lá fora. Michael estava sentado sobre o saco de dormir, tentando manter as mãos ocupadas com a lanterna, enquanto Sarah se acomodava ao seu lado, a proximidade fazendo o ar parecer escasso.


​— Admita, Michael — Sarah começou, a voz baixa e divertida, quebrando o silêncio tenso. — Você está apavorado de ficar preso aqui comigo.

​Michael soltou um riso anasalado, sem olhar para ela.

— Apavorado? Sarah, eu já enfrentei coisas muito piores do que uma noite em uma barraca com uma garota mimada que não sabe dobrar um saco de dormir.

​— Mimada? — Ela se inclinou para frente, o ombro encostando no dele. — Engraçado, não foi isso que seus olhos disseram quando eu tirei a blusa lá fora. Você parecia bem... impressionado para alguém tão experiente.

​Michael finalmente virou o rosto. O rosto de Sarah estava a centímetros do seu, os lábios entreabertos com um sorriso desafiador.

— Você está jogando um jogo perigoso, Sarah. Eu não sou o Conrad. Eu não vou passar a mão na sua cabeça se você passar do limite.

​— E quem disse que eu quero que você passe a mão na minha cabeça? — O tom dela mudou, perdendo a brincadeira e ganhando uma nota de urgência.

​Antes que ele pudesse processar a resposta, Sarah encurtou a distância. O beijo não foi suave; foi uma colisão de vontades. Michael sentiu o gosto dela e, por um segundo, sua resistência desmoronou. Suas mãos subiram para o rosto dela, puxando-a para mais perto, enquanto o desejo que ele vinha sufocando desde a piscina finalmente explodiu.

​De repente, a realidade o atingiu como um soco. Michael se afastou bruscamente, ofegante, as mãos apoiadas no chão da barraca.

​— Não... Sarah, para. Isso é loucura — ele disse, a voz rouca e instável. — Você é irmã do meu melhor amigo. Se o Conrad sonha... se alguém descobrir...

​Sarah não recuou. Pelo contrário, ela se moveu com uma confiança que o deixou desarmado. Ela deslizou para o colo dele, as mãos pequenas subindo pelo peito nu de Michael, sentindo o coração dele martelar.

​— O Conrad está ocupado demais agora para sonhar com qualquer coisa — ela sussurrou no ouvido dele, a voz carregada de uma sedução natural e crua. — Esquece o mundo lá fora, Michael. Somos só nós dois. Você me quer... eu vejo como você me olha. Para de fugir.

​— Sarah, você não entende... é a sua primeira vez. Você deveria... — ele tentou argumentar, mas a mão dela desceu pela nuca dele, puxando-o de volta.

​— Eu entendo exatamente o que eu quero — ela o cortou, olhando-o nos olhos com uma intensidade que o queimava. — Eu não quero promessas, Michael. Eu não quero falar de amor. Eu quero você. Agora.

​Ela o beijou novamente, dessa vez de forma mais lenta, provocativa, deixando que o calor dos corpos fizesse o resto do trabalho. Michael sentiu a última barreira de sua moralidade ruir. A racionalidade deu lugar ao instinto. Ele a deitou sobre o saco de dormir, o som da respiração pesada de ambos abafando qualquer som da floresta.

​Naquela noite, sob a lona fina da barraca e o silêncio do Vale das Sombras, Michael parou de fugir. E Sarah, com seu jeito que misturava a audácia de uma mulher e o frescor de quem descobria o próprio poder, entregou-se ao desejo, deixando para trás qualquer resquício da "pirralha" que ele um dia conheceu.