O Reflexo do Verão
8 O Peso do Silêncio e do Desejo
O calor dentro da barraca agora não era apenas o do verão, mas o rastro deixado pelo que acabara de acontecer. Michael estava deitado de costas, tentando recuperar o fôlego, enquanto Sarah se apoiava em seu peito, desenhando círculos invisíveis em sua pele com a ponta dos dedos.
Michael passou o braço pelos ombros de Sarah, puxando-a para mais perto e depositando um beijo demorado no topo de sua cabeça. O silêncio era confortável, mas carregado de uma nova eletricidade.
— No que está pensando? — Sarah sussurrou, levantando o rosto para encará-lo. Os olhos dela brilhavam na penumbra da lanterna.
— Que se o seu pai estivesse aqui agora, eu provavelmente não veria o sol nascer amanhã — Michael brincou, mas havia um fundo de verdade na sua voz rouca.
Sarah soltou uma risadinha baixa, roçando o nariz no dele.
— Ricardo ia precisar de uma espingarda bem grande. Mas admita... valeu o risco, não valeu?
Michael sorriu e selou os lábios nos dela em um beijo lento e profundo.
— Você é um perigo, Sarah Santiago. Lembra de quando você tinha oito anos e me obrigou a tomar aquele chá de boneca horrível no jardim?
— Eu não te obriguei! Você tomou porque queria me impressionar, mesmo naquela época — ela provocou, mordiscando levemente o lábio inferior de Michael. — E agora, dez anos depois, aqui estamos nós. Sem chá, mas com muito mais... adrenalina.
Michael suspirou, os dedos perdidos nos cabelos dela.
— É estranho. Eu passei tanto tempo te vendo como a irmãzinha do Conrad. Agora, parece que aquela imagem sumiu. Eu olho para você e não consigo mais encontrar a garotinha que pedia para eu consertar os brinquedos dela.
— Porque ela não existe mais, Mike — ela respondeu, a voz ficando mais séria e sedutora. — Agora eu sou a garota que te deixa sem fôlego.
Michael a puxou para um abraço apertado, sentindo o calor da pele dela contra a sua. Ele sabia que nada seria como antes. A dinâmica do grupo, a amizade com Conrad, a relação com a própria irmã, Ariel... tudo estava em jogo agora.
— Amanhã, quando a gente voltar... — Michael começou, mas Sarah o calou com um beijo casto.
— Amanhã a gente lida com o amanhã — ela disse, deitando a cabeça novamente no peito dele. — Agora, eu só quero saber se esse Michael Styles "maduro" e "responsável" vai conseguir dormir ou se vai precisar que eu o provoque um pouco mais.
Michael riu, sentindo o corpo reagir instantaneamente à provocação dela. Ele a apertou mais forte, sentindo que, embora tentasse fugir, aquele era exatamente o lugar onde ele queria estar. O verão estava mudando de curso, e ele estava afundando cada vez mais fundo naquela correnteza.
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