O Reflexo Que O Espelho Tem...
9 Confusão Matinal
Notas iniciais
– OYU-CHWAAAAAN!
Reflexos chorosas partem em debandada em direção à amiga adormecida no colo do ruivo que a carregara até ao edifício do Curso de Mestrado.
– Otoyan! Como é que ela está? – pergunta Toya, que gostara dos apelidos de Reiji e começara a utilizá-los.
O ruivo sorri visivelmente aliviado e feliz. Tinha a sua Oyu-chan de volta. E o melhor de tudo hoje foi que, mesmo sendo a “Rainha das Neves”, ela demonstrou, nem que fosse apenas um pouco, que gostava dele.
– Ela está só a dormir Toya-chan – diz o ruivo tentando acalmar a azulada e as amigas.
Todas começam a murmurar de felicidade ao saber que a sua amiga estava sã e salva. No entanto... estava a faltar algo.
– Nee... minna-san? – chama o ruivo, confuso – Onde estão todos...?
Nesse momento houve um silêncio geral. Por alguma razão... a expressão de todas elas ficou carregada de nervosismo e embaraço. Tradução: “gota geral”.
***
– Ainda não acredito que foram capazes de me abandonar num momento destes... – resmunga um ruivo de braços cruzados e olhos fechados, num um sentimento quase próximo à raiva.
– Não havia nada que pudéssemos fazer Ikki – explica-se Ren, como se tentasse amenizar a situação.
Uma pequena veia de raiva sobressai na testa enrugada de descrença. O ruivo ainda não estava satisfeito.
– Nee, Otoya-chan... vê bem… nós tínhamos que sair por causa dos trabalhos da agência – tenta Natsuki também, com um sorriso torto culpado.
– Além disso tivemos que pedir desculpas à revista e à emissora de tv por não puderes aparecer – continua Masato, calmamente, tentando trazer à tona a razão do ruivo mais novo.
Otoya suspira frustrado. Realmente eles fizeram muito por ele durante as horas em que estava a tentar salvar a sua reflexo. Não havia razão de queixa, não é? Infelizmente, para o seu ser stressado, não puder aliviar o nervosismo em que se encontrava desde o momento em que soube... daquela... noticia horrível, estava a ser torturante. Mas os amigos realmente não tinham culpa d-...
– Felizmente em ambos os trabalhos o Tokiya e o Cecil puderam substituir-te, não é mesmo...? – diz o baixinho do grupo, de braços cruzados, tom acusatório e olhar matreiro.
O loirinho estava certamente a querer arranjar briga! Hum... provavelmente foi por causa da raiva com que ficou dos dois ídolos referidos por ele quando a emissora de tv rejeitou a sua ajuda por... você sabem... ser baixinho... parecer uma menina... essas coisas! Mas, sinceramente, não precisava descarregar a raiva desta maneira. Syo, Syo... Uma pessoa já não pode narrar uma história sem haver uma confusão ou uma briga?!
– Eles o que?! – reclama o de cabelos de fogo; de repente fica choroso – Mas eu queria tanto dar aquela entrevista para a revista...
– A culpa não é minha se tu és um inconsequente, Itokki! – resmunga Tokiya, acertando com um murro “leve” no topo da cabeça do outro – Quem é que é doido o suficiente para resgatar uma pessoa sozinho! quando os raptores estão armados?! – continua dando ênfase no “sozinho”.
– Itai... Tokiya~ Eu não pensei naquele momento – choraminga o ruivo levando as mãos à cabeça, no lugar dorido.
– Tu raramente pensas algo de jeito... – murmura o azulado apenas para ele próprio ouvir.
***
O resto do dia passou rapidamente. Já não era muito cedo quando tudo isto aconteceu e ao longo do dia as horas passaram rapidamente à medida que a confusão se alastrava e resolvia.
No outro dia de manhã...
Certo ruivo inquieto passara a noite sem conseguir dormir, pelo menos uma hora. Situação desastrosa na sua posição atual! Passara o dia anterior fora do edifício do Curso de Mestrado, não para trabalhar, como seria previsto para um ídolo famoso, mas para salvar a sua dupla, o que QUASE arruinou a sua reputação. Felizmente (ou não tão felizmente como Otoya gostaria que fosse) os seus colegas de banda e melhores amigos conseguiram resolver tudo a tempo. Mesmo assim... ele continuava um pouco aborrecido por nem ter podido participar na entrevista da tal revista de moda. Foi uma grande desilusão...
Neste momento ainda era um pouco cedo. Além do ocorrido no dia anterior, e mesmo com a certeza de que a sua reflexo estava bem agora, não conseguiu não se preocupar. Tão preocupado estava que, sem muita opção de escolha, levantara-se da cama com um salto só para visitar a ala feminina e espreitar pela porta do quarto escuro onde estavam Toya... e Oyuki. Ambas dormiam calmamente embora Oyuki estivesse um pouco mais... hum... desarrumada? Alguém me pode explicar porque é que apenas aparecem os seus pés? E em cima da almofada? O ruivinho entra no quarto com cautela (embora soubesse que seria muito difícil alguma das duas acordar, principalmente com o roncar exageradamente alto da azulada na cama ao lado que só parecia aumentar a cada passo que ele dava) e dirige-se à cama da sua reflexo. Sem segundas intenções (o que certamente era muito difícil de se encontrar no Ittoki) puxa os cobertores na ponta da cama revelando o rosto franzido e avermelhado de calor da rainha das neves e dobra-o na altura dos ombros da pequena. De seguida busca a almofada, mesmo debaixo dos pés decorados com meias com a cara de nekos, e coloca, cuidadosamente, por de baixo da cabeça da ruiva. Sorri satisfeito ao perceber que Oyuki começara a recuperar a sua cor original e beija a testa da pequena, saindo do quarto em seguida.
Algo curioso acontecera entretanto.
No momento em que ele começara a “cuidar” da sua dupla o ressonar (tão pesado como um avião militar) de Toya... desaparecera! Será que entenderam...? Sim, sim... Toya estava acordada, igualmente preocupada com a amiga, principalmente em que viu o ruivo entrar no quarto com tamanho cuidado. Fingiu ressonar alto para o assustar mas nada parecia resultar. No entanto travou no segundo em que Otoya começou a ajudar a reflexo ruiva. A única reação da azulada foi sorrir feliz e voltar a adormecer. “Ele vai cuidar dela...Sinto que está em boas mãos”, foi o seu último pensamento antes de voltar ao mundo dos sonhos com únicornios (N/Toya: Quem disse que eu sonho com unicórnios?! *beicinho zangado*)(N/A: Toya... minha flor. Eu sou a narradora; é motivo suficiente!)(N/Toya: Era suposto ninguém saber... *chorosa*)
***
– Ohayo Otoya-chan!
O ruivo assusta-se ao perceber que não era o único acordado àquela hora. Mas mais assustado fica ao aperceber-se da situação.
– N-N-Na-chan... Etto... O que estás a fazer? – pergunto receoso.
– Hum? Não dá para perceber? – pergunta o loiro bipolar confuso, que logo sorri animado – Estou a fazer um bolo para a Oyu-chan se sentir melhor!
Dito isto Natsuki olha desconfiado para o saco de farinha quase vazio, ao lado da mesa. Baixa-se durante uns segundos atrás da bancada e retira da lá um saco de cimento saído de Nárnia e despeja quase metade na tigela onde se encontrava uma mistura um tanto e quanto... duvidosa.
– Assim deve dar! – saltita animado e coloca... mistura numa forma em forma de coração (N/A: Forma em forma... Ein?!) e coloca no forno.
Um grande arrepio atravessa o corpo do ruivo ao ver aquela coisa estranha inchar à medida que era aquecida e formar umas bolhas estranhas que soltavam um fumo verde quando rebentavam.
– Bom! Agora é só esperar! Vamos para a sala Otoya-chan! – exclama sorridente começando a empurrar o ruivo até à sala.
Ainda era um pouco cedo para todos começarem a aparecer mas de certo que já estavam acordados. A dupla decide esperar por todos na sala e então começam a falar de coisas aleatórias como as novas músicas da Haru-chan, a nova mochila do Piyo-chan do Natsuki, o grande concerto que se aproximava, o novo chapéu do Piyo-chan do Natsuki, o quanto o dia estava bonito e diferente do anterior, o novo casaco do Piyo-chan do Natsuki, a reação dos Starish quando as reflexos chegaram, o novo peluche XXL do Piyo-chan do Natsuki que era um Piyo-chan a segurar um Piyo-chan mais pequenino... enfim... assuntos variados mas que o loiro sempre fazia questão de arrastar até ao seu amado Piyo-chan.
Os primeiros a chegar à sala são Masato, pronto para a sua corrida matinal, acompanhado de Cecil que, incrivelmente, não demorara muito a preparar-se.
– Ohayo Otoyan... – murmura um moreno enquanto esfregava os olhos sonolento e saltava para o colo do ruivo, voltando a adormecer em seguida.
Num primeiro segundo Otoya estava confuso demais para reagir mas depois exclama assustado. Ao olhar para os amigos recém-chegados vê Camus às costas do príncipe e Ranmaru no colo do azulado. O que é que se estava a passar?!
– Quem foi o desgraçado que trocou o meu verniz preto por cor-de-rosa?!
O loiro baixinho chega a correr naquela divisão, completamente fulo com quem-quer-que-seja-que-lhe-tenha-feito-aquilo e com as unhas de ambas as mãos pintadas de cor-de-rosa. Estaria assim tão sonolento para só reparar na cor depois de acabar de as pintar a todas?
Por ele passa um azulado a correr com quatro frascos de verniz preto em mãos. Ai?! O mundo enlouqueceu agora?!
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