O Reflexo Que O Espelho Tem...
10 A Culpa é das Estrel-... dos Reflexos
Notas iniciais
Primeiro ponto: o que é que se está a passar?!
Segundo ponto: o que é que aconteceu com os seus sempais?!
Terceiro ponto: desde quando é que os adultos voltam a ser crianças?!
Tudo bem que já deviam estar habituados, afinal, desde o momento em que um gato se transforma num príncipe já se pode esperar de tudo! Mas mesmo assim... garotas a atravessar espelhos e adultos e rejuvenescer... O mundo estaria a enlouquecer?!
– Dá-me isso, pirralho! – grita um loiro baixinho e totalmente irritado enquanto praticamente voava sobre o sofá que o separava do menor.
O pequeno de cabelos azuis claros apenas se desviou fazendo com que o loiro caísse no chão ao ficar com os pés presos no encosto do sofá. Depois disso, vários risos. O barulho despertara os restantes “sempais miniatura”.
O ruivo e o loiro de olhos verdes continuavam estáticos a olhar para os seus “sempais” enquanto que Masato e Cecil pareciam mais aliviados por os pequenos terem saltado dos seus colos que do propriamente abismados pelo sucedido.
É nesse momento que se ouve um som lindo de saxofone acompanhado por piano. Uma melodia linda e quente, apaixonante, que envolve o espaço onde eles se encontram como uma onda de conforto.
– O Ren-san está a treinar assim tão cedo...? – murmura Cecil, fascinado pela melodia.
– Hum... mas não sabia que ele e o Masa-kun treinavam juntos... – murmura em resposta o ruivo de olhos fechados.
Aquela melodia estava diferente... Não sabia dizer o que mudara, mas estava ótimo!
– E não treinamos – resmunga o azulado sendo seguido na fala pelo ruivo que acabara de entrar na sala juntamente com Tokiya.
– O que é que se passa aqui?! – exclama o outro ao perceber os pequenotes quase hipnotizados pela melodia.
– Também ainda não sabemos, Tokiya~ — (N/A: Penso que todos sabem quem fala assim, né?)
No momento seguinte é como se algo se destravasse na mente dos mais novos pois as quatro crianças desatam a correr pelo corredor de onde vieram Tokiya e Ren em direção a um lugar desconhecido. Com a melodia doce juntara-se agora uma ou outra exclamação como “É ela!” ou “Sempai!” ou ainda “Estão a chamar-nos!”.
Ao serem deixados para trás os Starish entre olham-se curiosos. O que mais estaria para vir naquela manhã?!
De repente Ren parece lembrar-se de algo e exclama um “Ah!” de alivio chamando a atenção de todos na sala. Ao aperceber-se de tal o ruivo desvia o olhos para o azulado de cabelos escorridos e sorri de maneira cúmplice:
– Pensem bem... – olha para os outros – Quem mais aqui sabe, muito possivelmente, tocar saxofone e piano...?
Alguns deles arregalam os olhos em surpresa.
– Vamos ver! – exclama Natsuki entusiasmado, saltando do sofá.
***
Ao aproximarem-se da sala de ensaios a melodia estava mais forte, mesmo que não plenamente devido à porta encostada. Os mais curiosos abriram a porta com cautela e puseram-se a espreitar com algum receio de serem descobertos, como se escutar aquela melodia de perto fosse um crime punível com algo bastante mau. No entanto, os restantes logo se aproximaram também.
Lá dentro podia ver-se em destaque um grande piano negro perto da enorme janela principal, que neste momento permanecia aberta e com as cortinas brancas e quase transparentes a baloiçarem ao vento calmamente, e cujo instrumento está a ser tocado por uma jovem de longos cabelos azulados e curvas acentuadas. Masami permanecia pacifica e sorridente, como uma criança, feliz por poder tocar piano desde à algum tempo. Junto a ela, perto da outra ponta do piano reluzente, está Rin. A ruiva, igualmente feliz, resplandecia em harmonia e beleza, de um modo um pouco diferente da acanhada e séria Rin, enquanto dedilhava os botões do saxofone que, claramente, não lhe pertencia, mas ela não se parecia importar realmente. Do outro lado da sala, sentadas no chão com as crianças irrequietas (agora calmas) ao colo, estão Shizuka, Natsumi, Oyuki e Toya que soltam “la ra ra’s” de acordo com a melodia.
Tal como os pequenos, também os Starish parecem ficar hipnotizados com a cena. Bem... não só com a cena, não é? O ambiente e a melodia parecem reviram a sala de uma forma mágica!
– São realmente incríveis, não é mesmo?!
Aquela exclamação escandalosa assusta não só os jovens como todos dentro da sala de ensaios. O saxofone trava, assim como as vozes angelicais e o som do piano range como se algo pesado tivesse caído em cima das teclas e amontoado as notas.
– Ringo-sensei?! – exclamam os Starish assustados.
O rosado estaria a aprender as entradas “geniais” do diretor Saotome?!
– Vamos entrar, sim? – pergunta sorridente começando a empurrar os jovens para dentro e fechando a porta atrás de si. – Estava muito ansioso por ver as novas inquilinas do Curso de Mestrado!
– Arigatô por nos deixar usar a sala de ensaios, Tsukimiya-san! – agradece a ruiva do saxofone com uma vénia polida.
– Ah, não foi nada de mais! – exclama entusiasmado aproximando-se de Rin – E já disse: RRRRINGOOOO! – resmunga enquanto puxa as bochechas da menor.
– Ita, ita!
Quando o homem/mulher finalmente abandona as suas bochechas estas tomam uma tonalidade avermelhada deixando um aspeto totalmente adorável na ruiva.
– Pergunto-me sempre como é possível que fiquem mais adoráveis a cada visita que vos faço! – exclama uma voz conhecida mas, em simultâneo, diferente, vinda da porta.
Ao ouvirem aquela voz doce todas as reflexo correm para a porta e abraçam a tal pessoa misteriosa ao mesmo tempo deixando sair murmúrios e exclamações abafadas vindas de baixo de tanta gente. Os garotos do Starish parecem um pouco confusos de inicio. Alguns de certa forma até enciumados. Conseguiram bem reconhecer a voz masculina que elogiava as suas duplas. Ao aperceber-se da situação, Ringo solta uma gargalhada divertida e aproxima-se do grupo de ídolos pousando uma mão calmamente no ombro do Kurusu que olha para o rosado como se esperasse uma explicação convincente.
– Calma, calma meninos – diz com uma gota e abanando as mãos para cima e para baixo como se tal gesto diminuísse a reação explosiva de certas (N/A: *cof* ruivo *cof* e chibi *cof* ah! E *cof* Masato *cof*) – Que eu saiba, o meu duplo é inofensivo – revela murmurando as três primeiras palavras pensativo.
Ao ouvir Ringo, o homem no meio do grupo de reflexos esgueira-se da confusão com uma risada divertida e aproxima-se do seu duplo. Ao estarem lado a lado os garotos do Starish ficam espantados com o que vêem. Os dois eram bastante diferentes! O duplo do rosado era mais alto que o original (mesmo com os saltos altos do outro), era mais masculino, feições suaves, mas em simultâneo, chamativas, com o seu cabelo rosado e os olhos extremamente azuis. E, claro, a maior diferença: está vestido de HOMEM! Não era algo muito habitual para eles...
– Juro pela minha vida que nunca faria nada com elas! – diz o homem com um sorriso gentil e compreensivo – Por isso tratem de tirar essas caras feias! – reclama esborrachando as bochechas de Syo entre as suas mãos grandes – Caras feias fazem rugas!
– A personalidade é igualzinha... – murmura Masato com uma expressão de “gota”.
De repente uma azulada aproxima-se e abraça-se ao braço direito do rosado com uma carinha triste. Tal ato faz com que o corpo do mais alto penda para o lado dela durante uns segundos mas ele rapidamente se recompõe do susto e sorri para a reflexo agarrada a si.
– Tu adoras destruir as minhas esperanças, Tsuki-chan – resmunga amuada.
O homem solta mais uma risada, não só pela reação exagerada de Masami, como pela careta de desagrado que o duplo dela fez ao ver a cena sem se aperceber de que era uma brincadeira.
– E tu sabes perfeitamente que estás a agir de forma contraditória, não é...? – pergunta com um sorriso de lado.
A azulada estreita o olhar levemente corada pelo comentário.
– Eu já te disse que sou assim...! – resmunga um pouco hesitante com o olhar preso no chão e as bochechas vermelhas – A minha personalidade é assim...! Não estou a mentir! Tsc! És um chato, Tsukimiya-san!
As reflexos, praticamente no outro lado da sala, sorriem compreensivas com a preocupação da amiga. Masami nunca foi das melhores a mentir...
O rosado afaga o cabelo escuro e ondulado da garota e depois inclina-se um pouco para sussurrar algo ao ouvido dela que parece ficar ainda mais corada. Quando ele termina de falar, Masami apenas caminha em direção ao sua duplo, que permanecia confuso e derretido pelas faces coradas da reflexo, e abraça-o pelas costas tentando esconder as bochechas vermelhas.
– Desculpa, Masa-chan... – murmura envergonhada.
Por alguma razão também ela fica corado mas apenas permanece quieto enquanto aprecia o calor do abraço da baixinha. Se vasculhassem a mente do nosso querido Hijirikawa creio que iriam descobrir que as memórias da noite e da manhã da “confusão” ainda estavam bem frescas lá.
Mas nesse momento já todos tinham voltado a conversar, curiosos e animados, deixando o casal de tomates humanos com tempo para divagar.
– Nee, Tsuki-san – chama uma loira baixinha entusiasmada – Foste tu que trouxeste os nossos kouhais contigo?
O rosado suspira hesitante e desvia o olhar para uma parede qualquer. Vinha agora a parte difícil.
– Na verdade... Quem os trouxe foi... o meu irmão mais novo... – diz diminuindo cada vez mais o tom de voz.
– O QUÊ?! – exclama Toya surpresa.
– Ele está aqui?! – reclama Natsumi indignada.
– Exactamente meninas! – exclama uma nova voz vinda da porta aberta da sala de música. – Sentiram a minha falta? – pergunta irónico.
– Nunca na vida... – resmunga Oyuki entre dentes.
Rin dá um passo para trás e aperta o saxofone entre os dedos pequenos:
– Nanami... Haruko...
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