Ray caminhou comigo até a beirada de um lago e nos sentamos a sombra de uma arvore.
- Então tipo assim, você vai morrer – Ray começou sendo bem direta e pode ver minha expressão de susto – Não é como se você fosse morrer amanhã, por exemplo, mas muito provavelmente você vai morrer algum dia desses.
- Anh? Mas o que? Quer dizer que um dia desses assim do nada eu vou PUF! Morri? – Tinha algo em Ray que me deixava muito confortável, uma familiaridade, conseguia ver muitas de minhas características nela, era quase como se fossemos irmãs, mas não poderia ser, ela era filha de Apolo, e pelo visto, eu de Afrodite.
- Não, não vai ser do nada como PUF! Provavelmente vai ser pelas mãos de um monstro ou um deus, e pela energia que senti quando te abracei vai ser durante alguma profecia. Alguém já havia conversando contigo sobre os 5?
- O Sam disse algo sobre Semideuses que deveriam estar mortos por serem especiais demais ou algo do tipo. – Pouco me recordava da minha conversa com o Sam, só me lembrava de estar deitada em seus braços.
- É, o Sam faz parte dos cinco, assim como eu, um desperdício de homem bonito em minha opinião. Nunca vi um homem ter que morrer por ser quente demais.
- Quente demais? Como assim? – Tenho que admitir que eu achasse o Sam quente, quando ele chegava dava até calor, mas daí morrer por causa disso. – Eu não quero que o Sam morra. Vocês não podem simplesmente jogar um gelo nele?
Ray simplesmente riu e me lançou um olhar de divertimento, mas ao ver como eu estava corando e ficando com uma cara preocupada ela pareceu perceber que ele mexia comigo.
A Ray passou horas incontáveis me explicando sobre o acampamento e os cinco, e descobri muitas coisas, como por exemplo, que Millie era filha de Ares, Matt de Hefesto, Sam era irmão de Ray, filho de Apolo, e que eu provavelmente deveria ter prestado mais atenção às aulas de Latim durante a escola. Sam e Millie faziam parte dos Cinco porque eram irmãos, mesmo sendo de pais olimpianos diferentes, A mãe de Millie tinha engravidado de Ares e muitos anos depois de Apolo, e por isso os filhos deles sofreram com a ira do Olimpo. Essa parte eu achei um absurdo, deveriam era indenizar a pobre coitada que foi metida no meio dessa confusão Grega, mas enfim, tudo aqui era estranho. Ray não soube me explicar o porque de eu estar entre os cinco, e admitiu também não saber o motivo de Matt estar.
- E você, Ray? O que fez de tão horrível pra merecer morrer? – Perguntei intrigada.
- É muito complicado Nina. Quem sabe um dia eu te explico, ok? – Ela pareceu querer desviar subitamente do assunto e segurou com muita força o colar que carregava no pescoço, analisei o colar discretamente, era um colar com duas contas e um pingente no meio, e adivinhe, o pingente era a moeda estranha.
Ela levantou e me deu um abraço, como se dissesse: A conversa termina por aqui hoje. Ela pegou a mochila que carregava consigo e toda carinhosa olhou pra mim.
- Precisa de ajuda pra achar seu chalé? – Ainda bem que ela ofereceu, sem ajuda iria ter que acabar dormindo na floresta mesmo.
Fomos conversando o caminho todo até o pavilhão de Chalés, mas dessa vez nossa conversa não foi séria, e sim sobre series de tv, filmes, atores, e descobrimos que gostávamos de tudo igual, começamos até a brincar que se não fosse pelos pais diferentes seriamos gêmeas. Ray parou em frente a um chalé bem jeitosinho e todo paparicado.
-Bem vinda ao seu novo lar! – Ela deu uma olhada de relance para a porta. – E parece que já tem alguém te esperando.
Ia perguntar do que ela estava falando, mas ela já tinha saído correndo para o seu próprio chalé, e ela estava certa. Sam estava de pé na sacada do chalé, Olhando pra mim com seus olhos cor do sol.
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