Aproximei-me e logo Sam fez um pequeno aceno com a mão. A luz de um pequeno abajur na sacada do chalé iluminava seus olhos cor do sol e seu cabelo loiro quase mel, eles pareciam se ressaltar do resto da noite, como se devessem estar iluminando o dia. Estava prestes a perguntar o que ele estava fazendo ali, mas ele adiantou-se explicando:
— Antes de qualquer coisa eu não estou te perseguindo — Ele notou que estava corando um pouco – Não que eu ache que você acha que estou, mas é bom avisar – Ele deu um sorriso de lado, ele ficava lindo fazendo isso. – Só resolvi vir ver como você estava já que sumiu da enfermaria.
Olhei para ele, não conseguia decifra-lo, eu fui a razão pela qual a irmã dele foi sequestrada, ele deveria me odiar mais que o Matt, ou pelo menos estar arrasado.
— Eu estou bem, encontrei uma menina de seu chalé, ela me explicou umas coisas que eu não conseguia entender – A notícia de que eu agora estava mais informada pareceu amedronta- lo, mas fez um pequeno sinal para que eu continuasse a falar. – Ela me falou que você é irmão da Millie, não entendo como ainda consegue olhar na minha cara, como não me odeia?
Ele sentou-se em um pequeno sofá e respirou fundo, mantive minha distancia, não sabia se ele me queria perto dele.
— Como eu poderia te odiar Nina? Durante grande parte da minha vida ouvi a minha irmã falar sem parar sobre uma menina especial, linda, carinhosa, corajosa, uma semideusa que não sabia de nada sobre seu passado. Durante todo esse tempo imaginei que ela só poderia estar brincando, que ninguém poderia ser assim tão perfeita, mas estava enganado – Ele tentou olhar bem fundo dentro de meus olhos e tentar adivinhar meus pensamentos, mas viu que não daria certo. – Difícil seria não olhar pra você Nina. E quanto a minha irmã, não te culpo, ela sabia o que estava fazendo, ela pode ser muitas coisas, mas inconsequente não é uma delas. Além do mais, ela me mataria se soubesse que não estou cuidando de você.
Enfim sentei-me ao lado dele, estar tão perto assim dele era uma sensação tão boa e estranha ao mesmo tempo, lembrei-me da piada da Ray sobre o quanto ele era quente, ela não poderia estar mais certa. Eu tentei tocar na mão dele levemente, com cuidado, e ele a segurou com força, aproximou-se de mim, olhando profundamente dentro de meus olhos. Então abaixou a cabeça.
— O que mais você sabe? Quero dizer, sobre mim? – O fato de ele perguntar isso me deixou preocupada, ele tinha medo que soubesse de alguma coisa.
— Nada demais, só o que já tinha me falado, que você é um dos 5 condenados, ainda não entendi bem isso.
Ele olhou pra mim com certa graça nos olhos, um alívio. Ele já devia estar cansado de me explicar sobre isso, mas não pareceu importar-se em tentar mais uma vez.
— Bem, todos nós temos alguma maldição, algo muito ruim, uma falha de fabricação se assim quiser colocar, e esse defeito pode acarretar nossa morte.
— Você não quer falar sobre isso não é mesmo? – Eu percebi o quanto estava incomodado, percebi o quanto isso o assustava, podia sentir o que ele estava sentindo. – Quem sabe um dia, quem sabe um dia...
Ele fez um gesto como se fosse levantar e ir embora, mas puxei-o de volta pela mão que ainda segurava.
Você pode ficar mais um pouco? – Me senti estupida pedindo aquilo, mas não queria que ele fosse embora. – Estou com medo de entrar no chalé sozinha.
— Lógico, se minha presença te faz se sentir melhor. – Ele pareceu muito feliz com essa ideia.
Levantamos juntos do sofá, sem soltar nossas mãos, e entramos no chalé. De cara já vi um menino correndo em minha direção.
Ele deveria ter uns 11 ou 12 anos, tinha cabelos castanho escuro , cor de chocolate, estavam cortados bem curto e olhos bem azuis, eles eram sérios, mas o sorriso em seu rosto compensava.
— Você deve ser a campista nova! Nina não é mesmo? Meu nome é Jonh. Ah! Você vai adorar esse chalé, lógico, só tem gente diva aqui.
Olhei para cara de Sam e começamos a rir. Ele era tão... FOFO!
— Você também é filho de Afrodite? – Ele assinalou que sim com a cabeça e então continuei. – E todas essas camas são de filhos de Afrodite, nossa, quantos!
— Sim... falando nisso temos um meio que probleminha. Todas as camas do chalé estão ocupadas, desde a batalha de Manhattam mamãe tem proclamado bem mais filhos. – Eu não via aquilo como problema, já tinha me acostumado a dormir em qualquer lugar, chão, beliche, qualquer coisa.
— Hum, Não tem problema Jonh, onde der eu fico, durmo até mesmo no chão.
— Nada disso, você não tem problema com historias trágicas como Romeu e Julieta, certo? – Ele andou até um dos closets do chalé, sim, cada campista tinha seu closet, e apertou um botão camuflado. A parede do closet se abriu e dentro havia um quarto, todo decorado em lilás, a cama era gigante e parecia muito confortável, na parede havia pôsteres de alguns filmes e fotos de um casal que não reconhecia, no canto havia uma cabeceira, com muita maquiagem ainda largada encima e toda bagunçada. – Esse era o quarto de Silena, nossa antiga líder de chalé. O namorado dela construiu isso pra ela quando ela começou a reclamar de seus produtos de beleza sumirem, ainda acho que ele teve segundas intenções, mas tudo bem. Agora é seu.
Ainda estava atónita com a beleza do quarto, como tudo era bem feito, eu podia sentir a presença do amor naquele quarto, seja lá quem era essa Silena, era uma menina muito feliz e amada.
— E o que aconteceu com essa menina e seu namorado? – Percebi Jonh e Sam engolindo em seco e então Sam sussurrou em meu ouvido.
— Eles morreram Nina, durante a batalha com Cronos. – De repente toda a magia daquele quarto acabou para mim, não era possível, eles eram tão felizes.
— Vou deixar vocês a sós, Nina bem vinda, e humm, — Ele olhou para mim com um sorriso malicioso. – Divirta-se! – Ele fechou a porta do quarto, deixando eu e Sam sozinhos.
Fui até a parede entupida de fotos e comecei a admira-las não tinha uma foto onde eles não estivessem sorrindo, uma foto onde a paixão não estivesse estampada nos olhos deles. Senti a respiração de Sam na minha nuca e percebi que ele estava logo atrás de mim.
— Você consegue imaginar esse amor? – perguntei a ele, pois eu conseguia.
— Na verdade não. – Ele sentou-se na cama de Silena, quer dizer, minha, e desviei minha atenção das fotos para ele. – Eu convivi com os dois, era uma coisa tão lnda, tão genuína, é difícil imaginar algo assim. – Ele fez uma longa pausa, imaginei o quão próximo ele era dos dois, o quanto sentia saudade. – Mas pra você deve ser fácil certo? Uma filha do Amor.
— Imaginar, sim. Agora sentir, não, nunca tive oportunidade. – Sam arregalou os olhos com a maior surpresa do mundo, ele entendeu o que tinha dito, entendeu que eu nunca tinha estado com ninguém, simplesmente só não acreditou.
Ele levantou da cama rapidamente e caminhou até mim. Tinha algo novo em seu olhar, uma determinação. Ele chegou bem perto de mim, nossos lábios estavam a centímetros de distancia e então ele perguntou em meu ouvido.
— Se importa, então? – Eu não precisava nem responder, ele sabia.
Nossos lábios se encontraram e uma energia tomou conta de mim, algo novo, excitante, totalmente maravilhoso, ele colocou as mãos em minha cintura e eu então o envolvi pelo pescoço. Ele me puxou para mais perto pela cintura e então fez um gesto como se fosse recuar, mas eu não o deixei, não iria deixar. Eu sempre imaginei como seria um beijo, mas era algo maior do que sempre esperei, não sei se era porque era filha de Afrodite ou porque Sam era filho de Apolo, mas um calor tomava conta de mim. Então tristemente Sam recuou e eu o deixei, ele olhou pra mim com aqueles olhos, ai, aqueles olhos. Eu queria mais, mas ele parecia decidido a me tratar como uma dama.
— Desculpa. – Anh? Porque ele estava pedindo desculpa, ele tinha problemas? O garoto era lindo perfeito e quente e ele estava pedindo desculpas? Me deu vontade de dar um tapa nele.
— Desculpas? – Eu fiz uma cara de muito indignada e ele simplesmente riu, ODEIO quando ele faz isso, ODEIO.
— Sim eu deveria ter me controlado, mas simplesmente não consegui. Perdoe-me. – Ele me deu um beijo na testa, SÉRIO, NA TESTA? E apertou o botão para sair. Deixando-me sozinha no quarto.
Cai encima da cama sem entender direito o que havia acontecido. Fiquei encarando o teto por alguns minutos tentando entender o que se passava pela cabeça de Sam. Foi quando ouvi um grito.
Sai correndo do quarto, até a frente do chalé, de onde tinha vindo o grito e lá estava uma menina gritando histericamente a apontando para um menino caído no chão, eu não conseguia ver nada até que apontaram uma lanterna para a cara do menino. E então quem começou a gritar fui eu, o menino era Sam.
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