– Como você conseguiu esse relógio? – Gritei, o que provavelmente não foi uma ideia muito boa. Sam se assustou e se afastou de mim.

– Eu o tenho desde que me entendo por gente, é um dracma, moeda grega. – Sam falava como se falasse com um bebé que nada sabe sobre o mundo – Mas porque esta perguntando, Nina?

Com cuidado mostrei meu colar que estava escondido dentro de minha blusa, Sam se aproximou para ver o que era que tinha me assustado tanto, ele chegou tão perto que conseguia sentir sua respiração, foi uma sensação boa até que ele se afastou bruscamente

– Nina, eu preciso ir, falar com... enfim, tenho que ir. – Sam parecia amedrontado, com medo de falar o que realmente tinha que falar

– Não – Gritei de novo – Você não vai a lugar nenhum! Você vai me explicar tudo o que esta acontecendo agora, porque senão eu vou pirar, e eu não gosto de pirar! Quando eu piro eu começo a gritar, e revelar coisas sem sentido, tipo o fato que tinha uma mulher no meu espelho hoje de manhã que se dizia ser Afrodite, e que eu sonho toda noite com essa mulher e outros caras falando que alguém vai morrer, e que eu acabei de descobrir que você é uma da criancinhas felizes deste sonho! Já te falei? Tem criancinha felizes no sonho também. Então será que você poderia me fazer o favor de me explicar o porque que eu sonho com criancinhas felizes? – Então eu comecei a chorar.

Sam se deitou ao meu lado e começou a alisar meus cabelos, deitei no ombro dele e consegui ouvir seu coração, ele estava calmo, e aquele som me acalmou, como se não importasse o que acontecesse aquele som estaria alí para me acalmar.

– Nina, Primeiro de tudo, nunca mais fale assim tudo bem? Você ainda não sabe dos poderes que tem, mas uma pessoa que não saiba deles pode se perder facilmente em suas palavras.

– Mas o qué? Que poderes que...

– Calma, você pediu explicações, agora me deixe explicar – Naquele momento eu senti seus batimentos acelerarem – Você esta na enfermaria do acampamento meio sangue, um lugar para pessoas... como posso dizer, especias, estranhas? Sim, somos definitivamente estranhos, somos filhos de deuses com mortais, somos semideuses. – Naquele momento eu gelei, e acho que Sam percebeu porque ele instantaneamente segurou minha mão. – O sonho que você tem, bem, não é um bom sinal, só mais 4 pessoas tem esse sonho, ele, assim como essa moeda – Ele disse apontando para o meu colar – São destinados a semideuses que não deveriam estar vivos – Neste momento eu apertei mais ainda a mão de Sam que a apertou de volta.

– Então quer dizer que eu não deveria ter nascido? – Ele acenou com a cabeça – Mas você também tem esse colar, quer dizer que... – Ele acenou com a cabeça novamente, entendendo o que eu queria dizer antes mesmo que eu terminasse. – Mas porque?

– Lembra quando disse que este é o lugar para pessoas especiais? Pois bem, nós somos as especiais das especiais, nós fomos gerados em condiciais especiais.

– Nós quem? Que condições especiais? Somos só eu e você? O que aconteceu com você? – Tinha tantas perguntas que nem conseguia pronunciar todas.

– Eu gostaria de poder te responder mais, mas por agora é só isso que posso te contar – Ele levantou e me deu um beijo na testa, e como sempre, corei. – Tente descansar ok, linda? Tenho que ir falar com Quíron, nosso instrutor! Você vai adora-lo, quer dizer, se você gostar de animais. – Ele saiu rindo, como se aquilo fosse uma piada.

Assim que ele saiu a enfermaria ficou um siléncio, o que me deu tempo para absorver um pouco as informações. Eu não deveria existir, eu era uma semideusa, filha de Afrodite, Sam, o único garoto que tinha sido legal comigo também não deveria existir, e nós provavelmente não eramos os únicos. Fiquei me perguntando se Millie era assim, Me perguntando onde ela estaria e se estaria bem, precisava tomar um ar.

Sai da Enfermaria e percebi como o sol estava forte, continuei andando e só percebi que estava completamente cega quando esbarrei com uma garota no meio de uma floresta.

– Ai , você é doida? – A menina disse com raiva, mas depois sorriu, o que indicava que ela poderia estar brincando.Ela tinha mesmo uma cara de Brincalhona, era baixinha, só um pouco mais alta do que eu, tinha um corpo de mulher,mas uma carinha de anjo cheia de sardinhas, cabelos loiros e longos, olhos castanhos, intensos.

– Não, Só estou cega mesmo. – Apontei para o céu – O sol esta muito forte.

– Verdade, Meu pai deve estar muito feliz hoje – Ela riu como se fosse uma piada interna, mas pela minha cara de quem não estava entendendo nada ela logo deduziu – Você é nova não é?

– Sim, e como pode ver fazendo um ótimo trabalho – Então eu e ela rimos.

– Enfim, sou a Ray, filha de Apolo, e você?

– Nina, filha de Afrodite, eu acho

– Como assim você acha? – Ela perguntou como se já estivesse começando a entender minha confusão.

– Longa história, como eu disse, sou nova, não entendi nada direito ainda.

– Não tem problema, eu explico — Ela disse dando um grande sorriso, como se tivesse gostado de mim, Ela fez um gesto como se fosse me dar um abraço mas assim que me tocou, ela gritou. – Você é um dos, não é mesmo? — Ela disse como se entendesse perfeitamente bem o que estava falando – Venha comigo, tenho mais a explicar do que imaginei.