O Recomeço
15 Capítulo 15
Notas iniciais
O dia amanheceu e eu sabia o que fazer. Tinha um plano. Só precisava coloca-lo em prática. Acordei com um beijo de Mike, e refleti se havia dormido com ele. Não, nunca, pelo menos que eu me lembrasse. Sim, nunca, seus safados. Mike exclamava “Bom dia” com orgulho e um belo sorriso no rosto, enquanto me fitava pela demora, o respondi, ainda confusa e sonolenta. Ele me levantou rapidamente, com a intenção de me fazer cambalear e me segurar, ainda sonolenta retribui o beijo que me dera. Sua mão estava com a intenção de não parar em minhas costas, desconfiei todo o resto. Afastei lentamente. Com os olhos grudados e ainda fechando.
-Mike, eu acabei de acordar. –Bocejei, quase deitando novamente.
-Eu sei amor –Murmurou.- Mas, é que... Nada. O que quer fazer? São seus últimos bimestres de férias. As aulas começam em Agosto. Estamos em Fevereiro. –Eu já sabia de tudo isso, e via o que ele queria em seus olhos. Me aproveitei da situação.
-Já sei, o que acha de uma viagem? Você disse que tem uma casa na França, não? –Indaguei, fingindo não saber.
-Uma viagem, perfeito. França, Paris, amor. Perfeito mesmo, como não pensara antes? Faça suas malas, vamos viajar. –Disse com emoção, logo me pegando pela cintura novamente e me dando um outro beijo. Dessa vez não me distanciei, continuei, e apertei minhas unhas contra as costas dele. Fazendo ele descer um pouco a mão até minha coxa. Eu faria o que ele queria, e em troca, teria meu filho. Ou filha, quem sabe.
Fiz tudo o que ele pedira, as malas, o cronograma, ficamos pesquisando rotas, passeios, passagens, tudo. Em menos de uma semana estávamos viajando. Havia a questão do vô, pois ele não viajava de maneira alguma de avião, e como ir da América à Europa de carro ou ônibus? Então, falamos com muitas tias, primas, tios, enfim. Por parte de pai e mãe. Conseguimos uma que morava em uma cidadezinha perto de Santa Monica, com o nome de Belr Haindmoth, bem complicado e sem o mínimo sentido o nome. Viajamos com o vô para lá, iriamos dormir e no dia seguinte iriamos para Los Angeles e embarcaríamos.
Vô se empolgou de ir ver sua filha, na verdade preferia mais não ir, mas o forçamos a ficar feliz. Eu disse que era o único jeito de conseguir falar sobre a criança que agora morava em meu útero. Ele concordou por apenas isso. Por esse também se empolgou, por pensar em um filho, meu e do Mike. Eu não o culpo, seria uma graça.
Com sua empolgação, contou-me um relatório sobre a cidade, o que não me interessava, mas fingi tanto quanto. Era uma cidade estranha, em que as pessoas não falavam com pessoas na rua, nem no mercado, muito menos em bailes. Se conheciam por escola ou trabalho, apenas isso. Se não estava na escola ou no trabalho, não era uma boa pessoa. Com uma antiga história entediante, sobre reis e rainhas, haviam até histórias de demônios, o que me assustou um pouco, mas nada que eu realmente quisesse saber. Depois de pouco mais de 5 horas, chegamos a Belr Haindmoth, uma cidade que daria medo a qualquer um, tudo muito preto e branco, muito abandonado, sem barulho, sem carros. Somente uma coisa, o silêncio. Estátuas de espécies de leões com asas, e tigres afiados. Alguns pareciam mais como cachorros com asas, eram todos pássaros, com aterrorizantes faces, mas novamente, nada que me interessasse.
Chegamos na casa da tia de Mike, que sorriu ao nos ver descendo no carro. Questionara sobre meu nome, idade, e até mesmo como conheci Mike, claro que distorci, para não ter que contar uma imensa história. Disse que com uma enorme coincidência, nos conhecemos na rua da casa dele, ela pareceu acreditar em tudo, e até parecia interessada, mas logo lembrou que eu precisava dormir. Eu e Mike tomamos banho, um após o outro e nos deitamos. A Sr. Mclifh ou como ela gostava de ser chamada Eli, era adorável, talvez vinte anos mais nova que seu pai. Era mais pobre do que Mike, era evidente. Com apenas dois quartos, ela dormindo em um, com seu pai, e eu e Mike em seu antigo quarto de casal, agora vazio, por conta de ser uma viúva.
Mike se deitou virado para mim, e eu fiz o mesmo. Ele me fitava como quem implorava por uma aproximação, eu não poderia fazer nada que ele quisesse, não ainda. Ele colocou as mãos sobre minha bunda e me puxou mais perto, me fazendo perder o ar, e puxá-lo seu pescoço para mim, automaticamente nos beijamos, com tanto fogo que tivemos que parar em seguida para respirar. Rimos baixo, para que não ouvissem, nos beijamos novamente, mais lentamente e em seguida me enfiei em seus braços, para que pudesse dormir. Ele entendeu, e dormimos, talvez até demais. Acordamos faltando uma hora para sair de casa. Nos trocamos, tomamos café, recolhendo nossos pertences pela casa, jogando comida no carro, tudo para que o atraso não nos atrapalhasse.
Nos despedimos e fomos, saímos em ponto, faltava 1 hora para embarcar, e tínhamos meia hora para chegar em Los Angeles. Mike dirigia muito bem, então manuseou o carro perfeitamente, primo de Mike, estava lá para voltar com o carro, alto, com feições parecidas a de Mike, mas com algumas espinhas e cabelos levemente maiores e bagunçados, era magro e tinha os olhos com a cor do petróleo. Era muito bonito, mas aparentemente, era um daqueles viciados em livros, mangás e estudos. Chegamos em meia hora, pegamos malas e bolsas, com uma certa rapidez Mike me conduziu junto do carrinho com malas para o atendimento, onde checou horário entre outras coisas.
Logo estávamos entrando por um corredor, passando pelo detector de metal, pegando minha bolsa e indo para o avião. Mas claro, antes uma foto, antes de entrar pela primeira vez eu um avião, aliás, não imaginava que fosse tão grande. Entramos, e era tão confortável quando o sofá de Mike, ou meu berço, que me lembro até hoje. Sentamos na primeira classe, logo, os dois com sono, preparamos as máscaras de dormir, assim que o avião subiu, nossa disposição ficou lá embaixo. Acordamos pouco mais de 7 horas depois. Logo aeromoças nos serviram, comemos, fomos no banheiro, lavamos o rosto e tentamos ficar acordados. Chegaríamos por volta de 11 horas e meia. Mas lembrando do fuso-horário, chegaríamos por volta das 15:30, mais ou menos. Nada muito exato, ficaríamos lá duas semanas. Mike estava empolgado, provavelmente imaginando milhões de coisas a se fazer em Paris, mas na minha cabeça só havia uma.
O tempo passou, já havíamos nos hospedados, comido novamente e resolvido sair. Minha bolsa e nós, era só do que precisava. Só estávamos andando, sem guia, sem destino, apenas conhecendo, ouvindo franceses falarem e falarem, e se banharem de tanto perfume, o que nos fez rir. Mike comentou sobre algumas viagens comigo, como ir para o Brasil, era mais perto e mais quente, o que nos agradava. Era uma cidade muito romântica, havia pessoas de todos os países, ouvíamos diferentes tipos de “Eu te amo”, falavam o comum e simples para nós “I love you”, “te amo”, “Je T’aime”, “Ich liebe dich” entre outros. Mike conseguia traduzir apenas em francês, já que passara sempre férias em Paris. Mike pediu para que tirassem uma foto nossa nos beijando, perto da famosa Torre Eiffel. Não vou mentir, ela era tão linda pessoalmente quando falam. Toda iluminada, grande e chamativa, não havia um que a ignorasse. As ruas de Paris eram muito iluminadas. Não era por outro motivo que a chamavam de “Cidade da Luz”.
Eu e Mike voltamos ao hotel, ele veio me abraçando por trás, assim que entramos, beijando meu pescoço, ele me jogou na cama e foi ao banheiro. Mas infelizmente, de cansaço, adormeci. E só me lembro de acordar no outro dia de manhã, com Mike apenas de cueca box, ao meu lado, dormindo como um príncipe. Dessa vez o surpreendi, subi em cima dele, me apoiando nos joelhos e beijei seus lindos lábios grossos. Acordou com um sorriso, posicionando suas mãos a minha bunda. Me puxando ainda para mais perto, ficamos algum tempo nos beijando, quando estávamos a começar a tirar a roupa, alguém bateu na porta. Ele somente passou a mão por baixo de minha blusa de pijama, e suspirou, frustrado.
Atendeu a porta, era um atendente do hotel, perguntando sobre ajuda, pedimos café da manhã, e Mike fechou a porta, pulando na cama, tirando minha camisa e jogando a longe. Beijou minha nuca, e fora descer. Mas logo, ao mesmo tempo que minha barriga roncou, bateram na porta, novamente. Dessa vez, com a comida. Mike estava um pouco aborrecido, e eu estava me divertindo. Afinal, não estava pronta para isso. Não agora. Comemos e fizemos nossos passeios, e como sempre algo não dava certo. O plano de Mike era frustrado, não por minha culpa, é claro. Os dias se passaram, e logo estava na hora de embarcar novamente.
Eu estava apaixonada pela cidade e pelas luzes, Mike, por sua vez estava aborrecido. Carregávamos as malas hotel a fora, para dentro de um carro alugado de Mike, mal falamos uma palavra esse dia. Dormimos muito na viagem de volta. Chegamos em Los Angeles as 19:30, por conta do fuso-horário. Primo de Mike, Luigi estava lá, com a mesma cara de tédio de sempre. Nos ajudou com as malas, Mike foi dirigindo e em meia hora estávamos na casa da tia Eli. Vô veio todo contente me abraçando, e Eli fizera o mesmo. Jantamos, tomamos banho e fomos para a cama, novamente, nada mais que ficar com roupas intimas. Talvez não tivesse que ser.
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