Notas iniciais
Hello everybody! Gente, estamos chegando ao final da Fanfic... Que dorzinha! Espero que estejam gostando e que comentem, e obrigada à Gabi Jackson, Anna Montini e Nat Campos pelos comentários fofos! E mais uma coisa: A Anna perguntou sobre a próxima Fic que eu poderia escrever, e a verdade é que postarei quando terminar esta aqui. Gostaria de saber se mais alguém tem interesse, desse modo posso mandar alguma mensagem ou dar um toque quando ela estiver começando...

Estava paralisada em frente ao espelho. O recinto estava cheio de mulheres, criadas, todas arrumando a saia do meu vestido, alisando o longo véu e ajeitando meus cachos por debaixo dele.

O branco gelo do vestido rendado estava impecavelmente limpo. O decote em V era delicado e raso, e uma renda levíssima e discreta seguia dele até o pescoço, chegando também aos pulsos, e seus pequeninos diamantes pareciam fazer que minha pele cintilasse, como se fosse feita de gelo. O corpete se ajustava em meu corpo e o espartilho deixava minha cintura minúscula. Por cima do véu, uma coroa de diamantes foi encaixada em minha cabeça, e senti no mesmo segundo a gravidade me puxando para o chão, para realidade.

´´Você é uma princesa``

Essa frase. Era ela que me vinha à cabeça quando eu pensava em nós, alguns meses atrás... Era o que eu queria esquecer. Era esse o fato que eu queria mais do que tudo poder mudar. Era isso que me prendia aqui e principalmente, era o que me impedia de estar com Conor.

Uma lágrima silenciosa desceu pela minha bochecha.

—A senhorita está realmente maravilhosa...- disse Lily, tocando meu ombro. Achava que a lágrima era de emoção... E não estava completamente enganada, mas o motivo era o errado. Dei um sorriso gentil e distante, enquanto todas elas elogiavam o vestido que usava, os cabelos dourados, a maquiagem prateada... A boca desenhada a perfeição em vermelho.

A cada palavra, sentia a corrente de prata gelada debaixo de minhas vestes, e, pendurado nela como um pingente, o anel de noivado com o qual Conor me presenteara. Nunca mais o tiraria de perto de meu coração...

A porta do quarto foi aberta, e entraram o Rei e minha mãe. Ela, em passos rápidos e dançantes veio até mim, um sorriso de orelha o orelha.

—Ah, minha querida filha... Está magnífica!- ela passou os braços ao meu redor, e eu retribuí o abraço. Mas o fiz de maneira tão fria e distante que ela logo me soltou, segurando meu rosto em suas mãos. Seus olhos estavam brilhantes e ela beijou meu rosto.

—Filha... Está maravilhosa, digna de uma rainha, de um Lorde respeitável como Leonard- meu pai afirmou, chegando perto, com os olhos brilhando de orgulho. Ele sempre fora tão insensível e só hoje reparei? Dizia aquilo como uma lembrança do que eu deveria fazer? Por pura inocência, por acreditar que eu o perdoaria tão cedo?

—Obrigada- murmurei, mas não sorri.

Ele apenas fechou brevemente o olhar e eu virei meu rosto.

—-_-_-_-_-_-_-_

—Nobres de todos os cantos do mundo vieram presenciar o casamento de nossa belíssima Princesa Katherine com Lorde Leonard! Os preparativos estão a todo o vapor enquanto estamos em contagem regressiva até a hora do casamento!- Gavril sorria para a câmera enquanto pessoas iam de um lado para o outro atrás dele. Estava no castelo, acompanhando de perto tudo o que acontecia, parando pessoas e empregados para breves perguntas e entrevistas. O tempo passava e mais e mais nobres e diplomatas iam entrando, sentando-se nas cadeiras elegantes e cumprimentando-se entre si com cortesia e classe.

Uma orquestra com violinistas, violoncelistas e pianistas tocavam com elegância as músicas clássicas mais belas, todas escolhidas pela mãe da noiva. Petiscos delicados eram servidos em badejas, o belíssimo bolo de vinte e cinco andares adornava o local, juntamente com lindas flores perfumadas, e o sol de fim de tarde entrava pelas janelas dando a tudo um semi natural.

—E, afinal, nada mais do que ela mereça! Depois de todos os acontecimentos, finalmente, se casar e ser feliz com seu grande amor!- terminou Gavril.

Eu andava em passos lentos e majestosos em direção ao altar, passando por centenas e mais centenas de pessoas em pé, com sorrisos e olhares encantados, tudo isso sendo guiado e orquestrado pela música Canon.

Meu pai me dera o braço, e sorria. Sua alegria era visível, e contagiosa para todos... Exceto para mim. Enquanto isso, lágrimas grossas e lentas escorriam por debaixo do longo véu estilo drop.

Um vulto passou na minha visão periférica, porém quando virei meu rosto levemente, não vi nada.

Então meu pai soltou-se de mim com delicadeza, e eu subi sozinha os três degraus que demarcava o começo do altar.

Dei as mãos para meu noivo, que as segurou com um sorriso e cochichou que eu estava linda. O padre começou seu demorado sermão e palavras de casório.

—Você, Katherine Schreave aceita...

Por trás dos ombros de Lorde Leonard, o vi. Um garotinho de cabelos desengrenhados, ombros estreitos e grandes olhos expressivos...

Meu coração acelerou.

—Oliver...- murmurei, e então percebi que o padre havia parado de falar.

—Algum problema, Alteza?- perguntou ele com delicadeza.

—O que?- virei o rosto para e fitei o lugar em que Oliver estava, ou me parecia estar. Agora, não se via nada além da imagem do horizonte distante que exibia o sol que se punha.

Chacoalhei a cabeça rapidamente, me desculpei e pedi que continuasse, e ele assim o fez.

De momento em momento, eu tentava encontrar o menino novamente, mas depois de algum tempo, me convenci de que aquilo não passava de um truque de minha mente. E então chegou o momento da troca de alianças.

Leonard pegou minha mão esquerda, e olhando para ela, começou a deslizar o anel pelo meu dedo anelar. A cada milímetro, me sentia mais presa, perdida, arrependida... Perdia o ar.

Mas a sua mão paralisou quando gritos começavam a ecoar, todos começavam a se levantar e os mais espertos se jogavam no chão, enquanto tiros começavam a quebrar vidros e a rasgar o ar.

Meus olhos se arregalaram, e Lorde Leonard saiu correndo escoltado por sua guarda pessoal, me deixando sozinha no altar entre os tiros.

Abaixei-me e cobri minha cabeça com os braços, e nesse segundo senti a mão de Danny me puxando e me erguendo.

—Protejam a família real!- ordenou ele por sobre os tiros, passando os braços ao meu redor e me protegendo.

Eu sabia que eles estavam lá. E sabia também que nunca fariam isso. Então me soltei de Danny com determinação.

—CONOR!- chamei seu nome o mais alto que pude, aos prantos, em desespero. Foi então que Danny me puxou para o chão e caiu por sobre mim, protegendo-me de um tiro.

—O que está pensando!?- gritou ele segundos depois, me levantando e me erguendo enquanto eu permanecia paralisada pela quantidade de sangue e pelos poucos que jaziam no chão inertes – mortos. A maioria conseguira fugir ou se esconder.

Saímos do salão de entrada e ele me puxou em direção à pista de pouso, onde um helicóptero com hélices já em funcionamento nos esperava.

—Conor!- chamei mais uma vez, sendo arrastada para longe dos tiros.

—Esqueça Katherine, use o senso!- berrou Danny, e eu consegui nesse momento me soltar dele, dando alguns metros de distância entre nós.

—NÃO VOU PERDÊ-LO NOVAMENTE!- gritei, e Danny ficou sem reação.

—Kat... Katherine, os rebeldes não vão demorar para chegar aqui, temos que ir agora- disse ele, com calma e escolhendo bem as palavras.

Senti meus ombros caírem.

—Danny, meu irmão... Eu te amo e o entendo, mas não vou deixá-lo novamente. A única coisa que pode fazer é me ajudar a encontrá-lo, pois eu juro que ninguém vai conseguir me fazer embarcar nesse helicóptero sem ele.

Sem saber o que fazer e ainda atônito pelas minhas palavras, ele se aproximou e segurou minha mão, olhando em meus olhos e dizendo com veemência:

—Vamos encontrá-lo.