O RENASCER DA FLOR DE FERRO As Cinzas do Passado

13 O Banquete dos Espinhos (16 anos de Átila)


Peço perdão pela falha! O tempo voou e agora estamos no aniversário de 16 anos do Átila. O castelo dos Martinez nunca esteve tão cheio, mas a alegria da festa é apenas uma máscara para a guerra fria que Maurício instalou desde que Rebekah voltou com o Dr. Thomas Beaumont.

​Aqui está o jantar de gala, com toda a família reunida e as farpas de Maurício voando sobre a mesa.


​O grande salão de jantar do castelo brilhava com prataria e velas. Átila, agora um jovem de 16 anos, alto e com a postura altiva do pai, ocupava o lugar de honra. Ao seu lado, Jasmine e Heitor irradiavam orgulho, embora Jasmine estivesse visivelmente tensa. José e Açucena, os avós, ocupavam o centro da mesa, observando a nova sofisticação de Rebekah com uma mistura de saudade e estranhamento.

​Na cabeceira, Maurício era a personificação do deboche. Ele observava o Dr. Thomas Beaumont, que tentava desesperadamente se enturmar falando sobre o clima e o solo da região.

​— Então, Dr. Beaumont... — Maurício começou, cortando a carne com uma precisão cirúrgica. — Soube que o senhor pretende levar nossa Rebekah de volta para a Capital logo após o casamento. Uma decisão prudente. Afinal, a terra por aqui costuma ser muito... rebelde para homens de laboratório.

​— A ciência nos permite adaptar o ambiente, Sr. Martinez — respondeu Thomas, com um sorriso educado que não chegava aos olhos. — Rebekah terá um laboratório de ponta na Academia. É o que ela merece.

​— Merece? — Maurício deu uma risada seca, olhando de soslaio para Rebekah. — Ela merece o que ela conquistou. O problema é que alguns homens pensam que, por colocarem um anel em um dedo, ganham o direito de ditar onde as raízes devem crescer. O que você acha, José? Você, que criou essa fera solta nos campos, acha que ela combina com as cortinas de veludo da Capital?

​José limpou a garganta, desconfortável sob o olhar do genro e do amigo. — Eu só quero que minha filha seja feliz, Maurício. Mas confesso que a fazenda parece mais vazia sem o barulho dela.

​— Viu só, doutor? — continuou Maurício, implacável. — O pai sente o vazio. Eu, por outro lado, sinto o desperdício. É como pegar uma semente de carvalho centenário e tentar plantá-la em um vaso de porcelana. O vaso vai quebrar, Beaumont. É apenas uma questão de tempo.

​Rebekah, que estava em silêncio absoluto, levantou o olhar. — Talvez eu queira a porcelana, Maurício. Talvez eu esteja cansada de pedras e espinhos.

​— Oh, claro! — Maurício ironizou, levantando sua taça de vinho. — O "conforto" da mediocridade. Um brinde ao Dr. Beaumont, o homem que conseguiu o que nenhum Martinez conseguiu: convencer uma Nóbrega de que a segurança de um teto é melhor do que a liberdade do horizonte.

​— Tio Mau-mau — interveio Átila, tentando aliviar o clima no seu aniversário. — O senhor prometeu que hoje não falaríamos de negócios ou de "museus".

​— Você tem razão, meu sobrinho. Peço desculpas — Maurício sorriu para o rapaz, mas o veneno voltou logo em seguida para Thomas. — Vamos falar de futuro. Diga-me, Thomas, como o senhor pretende lidar com a teimosia dela? Porque, quando ela se cansar das suas teorias botânicas e quiser cavalgar à meia-noite sob uma tempestade, o senhor terá fôlego para segui-la ou vai apenas observar da janela com um termômetro na mão?

​Açucena interveio rapidamente, percebendo que Thomas estava ficando vermelho de raiva. — Maurício, por favor! É o aniversário do menino. Thomas tem sido um cavalheiro conosco.

​— Um cavalheiro impecável, Açucena! — Maurício exclamou, fingindo admiração. — Tão impecável que chega a ser transparente. Ele é o noivo perfeito para quem quer esquecer o passado. O problema, Thomas, é que o passado nesta família não morre. Ele apenas tira uma soneca.

​— Maurício, chega! — Heitor disse, a voz de Duque finalmente se impondo. — Você está passando dos limites.

​— Limites são para homens que têm algo a perder, Heitor — Maurício levantou-se, jogando o guardanapo sobre a mesa. — Eu já perdi minha paciência e o meu apetite. Dr. Beaumont, espero que o senhor durma bem esta noite. O castelo costuma ranger muito quando percebe que há algo... artificial entre suas paredes.

​Maurício fez uma reverência exagerada para a mesa e saiu do salão, deixando Thomas em um silêncio humilhante e Rebekah com as unhas cravadas na palma da mão.

​— Ele... ele é sempre assim? — Thomas sussurrou para Rebekah.

​Jasmine suspirou, olhando para a irmã com pena. — Não, Thomas. Ele costumava ser pior. Ele costumava ser um homem que tinha esperança.

​Rebekah levantou-se logo em seguida. — Com licença. Átila, parabéns, meu amor. Eu... eu preciso de ar.