O Quinteto Fantástico
43 Capítulo 43 - Não vou mais hesitar
Notas iniciais
Jessi
Olhei para o relógio do celular pela sétima vez, e só havia se passado 5 minutos desde a ultima vez.
5h27... O que uma pessoa faz 5h27 da manhã em pleno sábado nas férias? Eu também não sei, mas estava acordada virando de um lado para o outro a noite toda, não estava conseguindo pregar os olhos.
– Que merda Jéssica! Será que dá para dormir um pouco pelo menos? — Sussurrei brigando comigo mesma, se alguém visse provavelmente pensaria que sou louca.
Alguma coisa muito chata estava falando na minha mente que eu era muito babaca por ter me desvencilhado do beijo do Elidio, realmente essa voz estava muito irritante, provavelmente era por causa dela que eu não conseguia dormir.
Fiquei encarando o teto esperando o tempo passar até que amanhecesse direito.
Quando estamos sem sono cada minuto parece uma hora, e eu estava quase berrando de tanto tédio.
Peguei meu celular e comecei a jogar um joguinho qualquer até que entrou claridade na minha janela.
Sorri feliz com isso e me levantei em um pulo, coloquei uma roupa qualquer e sai do quarto quase saltitando de alegria.
Desci as escadas e fui em direção a sala de estar, liguei a televisão, peguei meu celular e comecei a conversar com a minha prima que por algum motivo estava acordada também.
Nem um minuto depois Thiago desce as escadas com cara de bunda.
– Por que a TV tá ligada? Isso me acordou! Jessi, por que você está acordada a essa hora?
– Por que sim — Respondi com os olhos grudados no celular.
Ele deu de ombros desistindo e se jogou no sofá também.
– O que você estava tentando cozinhar ontem? — puxou assunto
– Estávamos tentando fazer um bolo.
– Atá, entendi, e "por algum motivo" você esqueceu o bolo no forno não é? — Perguntou ele fazendo aspas com a mão e sorrindo malicioso ao dizer "por algum motivo".
– ... É.
Ele soltou uma risada travessa e voltou seu olhar para a TV.
– BOM DIA AMIGUINHOS! — Berrou Seline descendo as escadas com Sarah dormindo em pé ao seu lado.
– Bom dia. -Murmuramos Thiago e eu.
– Vamos tomar café da manhã — chamou Sarah com voz de sono.
Fomos todos em direção a cozinha.
Sentei na cadeira e comecei a preparar meu pão.
– Pão é bom né? — perguntei tentando puxar assunto, acho que não sou muito boa para isso.
– Sim. — resmungaram sem a minima animação para conversar, até mesmo a Seline, acho que essa mulher é bipolar só pode.
– HEY! Jessi! O Thiago disse que o Elidio veio te visitar ontem! É verdade? — Seline de repente exclamou, to dizendo que isso não é normal.
– Fofoqueiro. — Murmurei para Thiago que deu um sorriso sem graça.
– RESPONDE JESSI!
– Calma! É mentira, a Jaque que chamou ele para me ajudar a cozinhar, já que vocês são péssimos amigos e não quiseram me dar essa força. — Respondi
– Não muda de assunto, sabemos que você gostou. — Dessa vez quem falou foi Sarah.
Não conti o sorriso que se formou nos meus lábios em seguida, talvez o que ela disse seja verdade... Talvez...
– Talvez. — Respondi mordendo meu pão.
– Hmmmmmmmmmmmmmmm. — fizeram juntas, Thiago só ria e nos observava, provavelmente para fofocar depois.
– Mas fala ai, vocês "só" cozinharam mesmo? — Seline indagou.
– O que você quer dizer com isso? — perguntei levantando as sombrancelhas
– Você sabe muito bem.
– Ham... Não... Quer dizer... Sim... Não sei...
– Entendi — Disse Sarah dando um sorriso de lado, ela e Seline pareciam ter entendido tudo que eu quis dizer com isso, apenas Thiago parecia meio deslocado.
– Querida, não enrola, vai lá e arrasa. — Seline disse isso como se fosse a coisa mais obvia do mundo.
Olhei para ela confusa.
– O que ela quis dizer é que você não precisa ter medo de nada, não hesite mais, pode ser que depois ele mostre que é um babaca de novo, mas ai você vai ter que simplesmente sorrir por se livrar de alguem que não te merece. — Sarah traduziu
– E se ele não se mostrar um babaca de novo?
– Ai eu quero ser madrinha de um dos 7 filhos de vocês. — Falou Seline animada
Fiquei vermelha.
– Vocês querem uma visão masculina sobre tudo isso? — Perguntou Thiago de modo superior.
– Onde? — Zombou Sarah olhando para os lados fingindo procurar algo.
Segurei o riso com Seline.
– AFE! Sarah vai se f...
– PARA! Tem criança no recinto. — berrou Sesse
Thiago ignorou e saiu pisando firme.
– Thiago, não aja como se você soubesse dar conselhos amorosos. — gritou Seline começando a rir.
Ele virou e mostrou um dedo nada legal.
– Que mal educado! Eu disse que tem criança no recinto! — Sesse falou indignada.
– Onde Seline? — Perguntei.
– Aqui querida! Eu tenho experiência de uma adulto, físico de uma adolescente e virtude de criança!
– Não esquece da modéstia para dar e vender. — Completou Sarah com ironia.
– Claro, sou um exemplo de modéstia e humildade.
– Você se acha demais. — murmurei.
– Baby, eu não "me acho", eu me tenho certeza! — Falou empinando o nariz.
Dei risada.
– Ah, vou ficar o dia todo fora hoje, vou em uma chácara, até de noite! — Seline se despediu olhando o relógio.
– tchau!
– Eu vou ficar em casa mesmo, tenho que terminar de rever um texto para a Sinara,qualquer coisa estou no quarto. — Sarah se levantou e colocou os copos na pia.
– Okay.
Ela saiu da cozinha e eu peguei meu celular, fiquei conversando no grupo da minha familia com a minha irmã, até que resolvi lavar a louça, pelo menos isso eu sei fazer na cozinha.
Lavei tudo e deixei a cozinha arrumadinha, bateu até uma tristeza de saber que logo logo ela estaria uma zona.
Passei a manhã toda lendo meu livro na sala, depois de um tempo ouvi o som da campainha, coloquei meu livro em um lugar que considero seguro o suficiente e fui abrir a porta.
Dei de cara com uma pessoa chamada Elidio, não fiquei surpresa com isso.
– Olá aprendiz, está pronta para mais uma aula? — brincou
– Sim Chef! — exclamei batendo continência.
– Que bom então, o que vamos fazer hoje?
– Não sei, que tal... Sei lá ... Arroz.
Ele torceu o nariz.
– Ainda não acredito que você não sabe fazer isso.
– Saber eu até sei... Quer dizer... Mas não dá certo. — tentei explicar.
– Então dessa vez vai dar, vamos prestar atenção no tempo.
Fomos para a cozinha e colocamos a mão na massa, quer dizer, massa não, arroz.
Fiz tudo certo novamente, e dessa vez estávamos de olhos no meu arque inimigo, o fogão.
No final assumo que até eu fiquei surpresa com o resultado, o arroz ficou bom. Sorri de orelha a orelha, dei um abraço de urso no Lico e berrei para a Sarah descer.
– O que foi? — perguntou ela entrando na cozinha.
Apontei para o arroz ainda saltitando e ela sorriu de lado.
– Parabéns Jéssiquinha! Quer uma estrelinha?
Ignorei a provocação dela.
Lico tinha feito carne e feijão enquanto eu estava concentrada no arroz então nós aproveitamos e já almoçamos.
– Não vou mentir Jessi, o arroz está melhor do que eu esperava. — Disse Sarah
– Obrigada!
Elidio foi o primeiro a terminar de almoçar, ele pediu licença e foi para a sala.
Sarah terminou em seguida e subiu para o quarto dela.
Terminei de comer e levei o prato para a pia, ainda estava com um sorriso no rosto.
Fui para sala e vi Lico sentado mexendo no celular. Peguei meu livro e me sentei ao lado dele para ler.
– Estou falando com o Dani. — Comentou.
– Como estão as coisas lá?
– Ele disse para eu parar de encher o saco.
– Ah, sei como é.
Demos risada e um silêncio se formou, um silêncio bom, li uns três capítulos do livro e percebi que Lico estava assistindo um filme na TV.
Nesse momento me veio a voz da Seline na minha cabeça falando"Querida, não enrola, vai lá e arrasa." sorri com o pensamento.
Levantei, ele não se moveu, continuou com os olhos grudados na TV, pelo que vi era um filme de ação, ou algo do gênero.
Subi as escadas, entrei no meu quarto e guardei meu livro na prateleira.
– Muito bem Jessi... — eu Sussurrei para mim mesma sem saber o que estava fazendo — Você é uma idiota...
Soltei uma risada e respondi para mim mesma.
– Eu sei.
– Jéssica! — chamou Sarah do quarto dela.
– O que foi? — perguntei indo para lá.
– Me ajuda aqui com esse roteiro mais tarde? A Sinara precisa amanhã. — Pediu ela apontando pro computador.
– Tudo bem, depois eu subo aqui para te ajudar. — falei virando e descendo as escadas de volta.
Vi Elidio sentado no sofá de costas para mim e parei para pensar. Seguir o "conselho" da Seline ou continuar na mesma? Nesse momento lembrei da minha mãe falando "Melhor se arrepender de uma coisa que você fez do que de uma coisa que você não fez."
Dei de ombros então e me aproximei do sofá, Abraçei o pescoço dele e murmurei uma música em seu ouvido.
– Well, you done, done me and you bet I felt it.
Well, you done, done me and you bet I felt it tried to be chill but you're so hot that I melted.
I fell right through the cracks, now I'm trying to get back.
Before the cool done run out, I'll be giving it my bestest.
And nothing's gonna stop me but divine intervention.
I reckon it's again my turn to win some or learn some.
But I won't hesitate no more, no more.
It cannot wait, I'm yours.
(Bem, você acabou comigo e pode apostar que senti isso.
Tentei ficar frio, mas você é tão quente, que derreti.
Caí nas rachaduras, agora estou tentando voltar.
Antes que o frio passe, eu darei o meu melhor.
E nada, além de uma intervenção divina, vai me parar.
Eu acho que é a minha vez de ganhar ou aprender algo.
Mas não vou mais hesitar, não mais, não mais.
Isso não pode esperar, eu sou seu.)
Senti os pelos da nuca dele se eriçarem e sorri com isso.
Lico se virou e eu selei nossos lábios e sentei no sofá ao seu lado, ele me puxou para mais perto colando nossos corpos. As mão dele foram para a minha cintura enquanto as minhas foram para o cabelo dele.
– Essa música... — murmurou ele no meio do beijo.
– hm?
– É aquela do japinha cantando. — Completou voltando a me beijar.
Sorri no meio do beijo lembrando do viral do menininho tocando um Ukulele e tentando cantar essa musica, murmurei "idiota" fazendo ele dar uma risada.
O beijo foi se intensificando, meus dedos corriam entre o cabelo dele, a única coisa que nos fez separar foi a necessidade de respirar.
Nos separamos arfando, sorri para ele que me deu um selinho.
– Sua roupa... — murmurei — esta toda amassada.
– A sua não está muito melhor... — sussurrou com a voz rouca.
Olhei para minha blusinha que estava amassada também, e fiz uma careta ao pensar no estado do meu cabelo.
– Acho que você não aprendeu a lição de que não se deve tentar agarrar o professor. — ele sussurrou no meu ouvido.
– A aula já acabou Chef. — Retruquei.
Beijei no canto da boca fazendo ele formar um bico, não resisti e dei outro selinho.
– Acho que se o Dani e a Jaque souberem disso vão ficar frustados. — Comentou ele.
– Por que?
– Por que toda vez que eles tentaram se agarrar foram interrompidos...
– E nós não... — Completei rindo. — Talvez seja um complô que o mundo fez contra eles.
– É, acho que a organizadora desse complô é a mãe do Dani.
– Também acho.
Começamos a rir.
– O Jéssic... — Sarah parou de falar ao olhar para a gente, ela estava descendo as escadas mas agora estava nos olhando com um sorriso malicioso.
– O que?
– Conhecem uma coisa chamada ferro de passar roupa e uma outra coisa chamada pente? Acho que vocês precisam — Disse ela rindo.
– Você não sabe menina, passou uma tempestade aqui e desarrumou nosso cabelo e a nossa roupa. — Falei
– Sei, claro que foi isso...
Nós três demos risada.
– Então Jessi... Será que dá para me ajudar com a porcaria do roteiro?
Olhei para o Lico e depois para ela.
– Eu já estou indo embora... — Disse ele se levantando.
– Não precisa não, você pode me ajudar também! Vamos! — ordenou Sarah subindo as escadas.
Nós dois levantamos e fomos para o quarto dela.
Sarah estava revisando um roteiro para a irmã da Seline que também trabalha nesse ramo de teatro.
Sentamos ao lado dela e começamos a ver o texto.
*********
– Acho que assim está bom. — Comentou Sarah olhando o roteiro no computador.
– Está sim. — Disse Elidio.
– Envia para ela logo. — Falei e Sarah logo o fez.
– Acho que tenho que ir agora. — Lico levantou — Até mais moças.
Ele deu um beijo na bochecha da Sarah e logo em seguida me deu um selinho saindo do quarto.
Sarah olhou para mim inquisitiva e eu só sorri de lado como resposta.
– Estou morrendo de sono. — Comentei bocejando.
– Também! Ninguém mandou passar a noite toda acordada!
– Acho que já vou dormir, até mais quatro olhos!
– Até mais mal educada!
Dei risada saindo do quarto dela e fui em direção ao meu, me joguei na cama e praticamente desmaiei de tão cansada, e com um sorriso grudado no rosto adormeci.
Fale com o autor