O Que For Pra Ser, Será...
28 Capítulo 28
Notas iniciais
Emily acordou no dia seguinte com seu celular apitando e vibrando em algum lugar na cama. Ela tateou ainda de olhos fechados a procura do aparelho e quando o encontrou começou a abrir os olhos, se acostumando com o sol que entrava pela janela do quarto. Ao olhar pro visor, surpreendeu-se ao ver o nome Hanna na tela. Abriu a mensagem.
– “Eu queria conversar. Podemos almoçar juntas? Beijo, Han”.
Emily ainda pensou sobre o que deveria fazer, então lembrou-se de Santana dizendo para ela descobrir o que queria. Ela já tinha uma teoria, mas precisava ter certeza, então respondeu a mensagem.
– “Tudo bem. Onde e de que horas? Beijo, Em” – ela enviou e prontamente recebeu uma resposta.
– “Eu te pego às 11h e nós escolhemos, pode ser?”.
– “Pode sim, estarei esperando”.
Se Emily tinha certeza de algo é de que ela não era covarde. Ela não ia se esconder como Santana ou como Rachel. Ela enfrentaria o que estava sentindo, enfrentaria Hanna. E se a loira quisesse ao menos dá-la uma chance, ela entraria nessa de cabeça, corpo e alma.
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Quinn saiu do seu quarto e deu de cara com Brittany sentada no sofá da sala com uma tigela de cereal nas mãos, enquanto assistia Bob Esponja. Ela passou pela cozinha, pegou uma xícara de café e foi para a sala, sentando-se ao lado da loira mais alta.
– Bom dia, B – ela cumprimentou.
– Bom dia, Q – Brittany virou-se e sorriu para ela.
– Noite surpreendente a de ontem, hein?
– Até demais... Emily e a Han? Sério, eu não esperava...
– Acredite, nem eu! Ainda bem que não me meti em roubada nenhuma...
– Sério? Tem certeza disso, Quinn? – Brittany olhou para a outra de forma acusatória.
– O que foi que eu fiz e não percebi?
– Depois dizem que eu sou a lesada... – Brittany balançou a cabeça – Você disse que pegaria a Emily. Quer dizer, apenas a Emily.
– E o que tem nisso?
– Meu deus! Você bateu a cabeça ou o que? Você não viu a cara da Rach? Ela esperava que você dissesse ao menos que ela era uma opção...
– Sério? Não, não pode ser...
– Deixa de ser idiota! – Brittany bateu na cabeça da loira menor – Aquela dali está caidinha por você, mas ela não vai agir, ela tem medo. Ou você acha que a pessoa da sala que ela pegaria seria eu ou a Santana?
– Oh deus... – Quinn balançou a cabeça incrédula – Eu sou uma idiota!
– Sim, você é – Brittany sorriu.
– Ei! – Quinn exclamou – Não coloca esse sorriso idiota na cara que você está no mesmo barco que eu...
– O que? Por que? Como assim?
– Você e a Lopez vão sair desse chove-não-molha quando? Pensa que eu não vi vocês se remoendo a cada beijo? Aquela dali é outra medrosa...
– Eu acho que nós precisamos lutar pelas nossas garotas, Q...
– E eu vou começar a fazer isso agora!
Quinn correu de volta para o seu quarto e pegou seu celular na mesinha de cabeceira. Digitou uma mensagem rapidamente e clicou em enviar.
– “Você vai almoçar comigo. Hoje às 12h, eu te pego ai. E não aceito não como resposta. Beijo, minha estrela”.
Quinn voltou para a sala e encontrou Brittany sentada no mesmo lugar, só que ao invés da tigela, ela agora tinha seu celular em mãos. Olhava para a tela pensativa, pensando se deveria ou não.
– Vai logo, B! – Quinn disse impaciente.
– E se ela rejeitar? – a loira mais alta olhou para a outra tristemente.
– Ela não vai, eu tenho certeza – Quinn sorriu e Brittany apenas apertou em enviar. Se ela não tentasse, nunca saberia.
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Santana estava sentada na cozinha quando seu celular vibrou em cima da mesa. Ela não reconhecia aquele número, mesmo assim abriu.
– “Eu não me despedi de você direito ontem. Passa o resto do dia comigo e me deixa fazer as coisas darem certo. Beijo, Britt”.
Santana olhava embasbacada para a tela do celular. Brittany estava chamando-a para sair? Aquilo era sério? A latina estava tão imersa em seus pensamentos que não notou Rachel e Emily entrarem na cozinha e desejarem-na bom dia. Apenas quando Rachel passou a mão pela frente de seus olhos que ela saiu do transe em que estava.
– Tudo bem ai, San? – Rachel perguntou.
– Não sei...
– O que aconteceu? – perguntou Emily.
– A Britt me mandou uma mensagem. Ela quer passar o dia comigo e quer fazer as coisas darem certo...
– E o que você está esperando pra responder, idiota? – Rachel perguntou e recebeu um olhar ameaçador da latina – Que? Não me olha assim. Pelo menos ela está tomando uma atitude...
– Eu concordo com a Rach, Sant. Só tenta. Você precisa descobrir o que quer...
Santana sorriu com a menção das palavras usadas na noite anterior. Era bom ver que Emily as absorveu a ponto de reutiliza-las. Isso a fez ter coragem para responder a mensagem. Digitou uma resposta rapidamente e enviou.
–“Espero que você tenha ótimos planos. Te espero daqui a uma hora. Beijo, San” – a latina sorriu.
– Você fez a coisa certa, você sabe... – Rachel disse e Emily balançou a cabeça concordando.
Santana olhou para as duas e viu que elas tinham sorrisos apaixonados nos rostos.
– Abram o bico – ela disse séria – Por que essas caras?
– Quinn quer almoçar comigo e me chamou de minha estrela – Rachel sorriu pensativa.
– Hanna me chamou pra almoçar também. Estou confiante – Emily respondeu.
– Então, pelo visto, as coisas estão se ajeitando – as três sorriram juntas e terminaram de tomar café, antes de se prepararem para o seus dias.
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Brittany estava um poço de ansiedade quando parou o carro em frente a casa que Santana dividia com o resto do pessoal. Ela esperava que tudo funcionasse e que a latina quisesse ao menos ser sua amiga, inicialmente. Estava tão concentrada que não percebeu a latina parada ao lado do carro de braços cruzados e cara de poucos amigos. Foi apenas uma batida na janela que a tirou de seus devaneios. Rapidamente a loira saiu do carro e se encaminhou para Santana na calçada.
– Você não começou muito bem, Britt... – a latina disse de cara feia.
– Oi pra você também, S – Brittany se aproximou e beijou Santana no rosto.
– Oi – Santana respondeu corada.
– Pronta pra ir? – a loira perguntou sorrindo.
– Claro, vamos lá...
Brittany era incapaz de tirar o sorriso do rosto. Ela não acreditava que depois de anos, ela e Santana estavam saindo juntas.
– Para onde vamos? – perguntou Santana atraindo a atenção da loira que não parava de sorrir.
– Então... – a loira aproveitou o semáforo para olhar diretamente para a latina – Hoje é domingo, pensei em irmos ao Central Park e fazermos um piquenique. Tudo bem por você?
Santana sorriu. Ela lembrou-se que o primeiro passeio que fez com a loira após assumir o namoro no ensino médio foi um piquenique no parque de Lima. Provavelmente Brittany também havia se lembrado disso.
– Ótimo – a latina disse ao mesmo tempo em que o sinal abriu, mas ainda pode ver o sorriso da loira aumentar de tamanho, se é que aquilo era possível.
Brittany dirigiu por mais algum tempo até elas chegarem ao Central Park. A loira rapidamente saiu do carro e foi para o outro lado, abrindo a porta para a latina sair. Santana sorriu e agradeceu. Em seguida Brittany se encaminhou para o porta-malas e de lá tirou uma cesta. Elas caminharam lado a lado até uma área do parque que era destinada a piqueniques. Lá normalmente ficavam casais e algumas famílias. Elas pararam em baixo de uma enorme árvore. A loira estendeu a toalha que havia dentro da cesta e então elas se sentaram.
– Eu trouxe várias coisas, a Q me ajudou a arrumar tudo... – Brittany disse sorrindo.
Santana sorria para a diversão e ansiedade da loira. Ela tirava as coisas de dentro da cesta e era perceptível que a intenção era que tudo saísse perfeito. Ela trouxe tanto lanches como também o almoço das duas. Sucos, água e até vinho. Depois que tudo foi colocado em cima da toalha, Brittany tirou uma rosa vermelha de dentro da cesta.
– Pra você – ela estendeu a rosa em direção a Santana e sorriu tímida.
– Obrigada – a latina agradeceu também sorrindo – Posso perguntar uma coisa?
– Claro, qualquer coisa!
– Por que um piquenique?
– Ah... Hum... É... – a loira gaguejou.
– Nosso primeiro encontro como namoradas oficiais?
– Você lembrou... – ela sorriu emocionada.
– Eu nunca esqueci...
– Eu... Sei lá! Apenas pensei que seria uma forma de te mostrar que o que vivemos nunca saiu de mim...
– Você me machucou, Britt – a latina disse triste – Eu não quero brigar com você, mas acho que devemos falar sobre isso.
– Eu sei, eu sei. Mas... Podemos comer primeiro? Por favor? – a loira lançou seu olhar do gato de botas.
– Tudo bem, vamos comer...
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– Abriu um restaurante de comida brasileira e eu estava querendo ir lá. Tudo bem por você? – perguntou Hanna enquanto dirigia.
– Claro. Fui uma vez ao Brasil e a comida de lá é muito boa – Emily respondeu.
– Você já foi ao Brasil? Sério? – a morena assentiu – Preciso saber mais sobre isso...
– Faço questão de te contar cada detalhe – sorriu.
Hanna dirigiu por mais alguns minutos até parar em frente a um restaurante com a bandeira do Brasil na entrada. Elas foram recebidas e encaminhadas a uma mesa, o garçom anotou os pedidos e as deixou sozinhas.
– Então... Brasil? Como você foi parar lá? – perguntou a loira.
– Férias. Antes de começar a faculdade, meus pais me deram uma viagem de presente. Poderia escolher qualquer lugar e levar alguém comigo. Sempre gostei de países diversificados, então por que não ir para um dos mais diversificados de todos? – a morena sorriu – Levei a Ali comigo e passamos quase um mês por lá.
– Ali?
– De tudo que eu falei, você só captou essa parte? – Emily riu.
– Desculpa... Eu prestei atenção sim.
– Tudo bem... – ela sorriu – A Ali era minha namorada.
– Hum...
– Enfim... Nós passamos quase um mês lá. Passamos por vários estados. Deu pra provar de tudo e conhecer de tudo. De praias a montanhas, de sol a chuva. É um país lindo. Acho que você iria gostar...
– Me leva lá qualquer dia – a loira disse sem pensar.
– Te levo pra qualquer lugar que quiser...
Hanna sorriu e o garçom chegou com os pedidos. Elas começaram a comer e um silêncio se instalou. Hanna quebrou-o perguntando algo que estava em sua mente.
– O que aconteceu com a tal Ali?
– Nós terminamos quando eu vim pra NY começar a faculdade...
– Por que?
– Ela sempre teve um gênio meio difícil, sabe? Quando vim, ela disse que não aguentaria namorar a distância. Não tinha muito o que eu fazer, então...
– Você a amava?
– Sim. Nós éramos amigas desde crianças. Perde-la como namorada e amiga foi difícil. Mas tive sorte em encontrar a San, a Rach e os meninos.
– Entendo...
– E você?
– Eu o que?
– Me fale sobre você. Qualquer coisa.
– Antes de conhecer a B e a Q, eu só tinha a Aria como amiga. Só viajei uma vez a Paris, afinal é o país da moda – ela sorriu.
– A Brittany foi sua primeira namorada?
– Pode-se dizer que sim...
– Certo...
Um novo silêncio se instalou. Elas terminaram o almoço, Hanna pagou tudo depois de muita insistência. Elas caminharam de volta para o carro.
– E agora? – perguntou Emily ao entrarem no carro.
– Você quis mesmo dizer aquilo ontem? – Hanna se virou e perguntou a morena.
– O que?
– Não se faz de besta, Emily... – a loira bufou – Você quis mesmo dizer que gosta de mim?
– Sim...
– Por que?
– Porque é a verdade... – a morena olhou fixamente para a loira – Eu sempre até achei bonita, desde a primeira vez que te vi. Mas depois de descobrir que a sua beleza não era só externa e depois daquele beijo... As coisas mudaram.
– Eu... Eu não sei o que dizer...
– Tudo bem – a morena disse triste – Eu entendo você não sentir o mesmo. Mas eu não...
– Quem disse que eu não sinto o mesmo? – a loira interrompeu.
– Você sente? – a morena olhou surpresa.
– Eu não sei... É tão complicado pra mim quanto é pra você. Eu não compreendi ainda o que aconteceu desde aquele beijo.
– Eu gosto de você – Emily sorriu – Me dá a chance de tentar desenvolver isso. Vamos descomplicar as coisas juntas...
– E se não der certo?
– A gente só vai saber depois que tentar. Mas se depender de mim, vai dar...
– Eu gosto de você também, sabe?
– Isso significa que já começamos bem...
– Eu quero te beijar – Hanna disse e encarou os lábios da morena fixamente.
Emily sorriu para aquela afirmação. Se aproximou mais da loira e tomou seus lábios em um beijo calmo. As línguas dançavam juntas. Quando o ar se fez necessário, Emily se afastou, mas não sem antes dar uma mordidinha no lábio inferior da loira.
– Já te falaram que você beija muito bem? – perguntou Hanna ainda de olhos fechados, extasiada pela sensação.
– Não, mas também nunca recebi reclamações... – a morena sorriu brincalhona – Abre os olhos, Han.
Quando a loira abriu os olhos, eles se encontraram diretamente os da morena. O brilho refletido.
– Eu acho que as coisas podem dar certo... – disse a loira.
– Eu também. Mas primeiro eu quero saber algo...
– O que?
– Você gostaria de ir em um encontro comigo? Oficialmente...
– E você ainda pergunta? – ela sorriu – Irei em quantos você quiser, o importante é que você esteja lá...
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