Notas iniciais
Capítulo saindo hoje, porque amanhã é o aniversário da minha sis e não terei tempo pra nada. Espero que isso faça vocês felizes o bastante para rolar muitos comentários ;) Enjoy!

– Pra onde nós vamos, Quinnie? – Rachel perguntou a loira quando elas entraram no carro.

– Então... Eu queria cozinhar pra você – respondeu a loira timidamente.

– Sério? – Rachel a encarou divertida.

– Se você não quiser, tudo bem. Podemos ir...

– Claro que eu quero! – ela interrompeu.

– Podemos ir pro meu apartamento, então?

– Sem dúvidas! É bom que eu finalmente o conheço – a morena sorriu.

Rachel dirigiu de volta para o seu apartamento. Durante o caminho ela e Rachel cantarolavam “All You Need is Love” dos Beatles. Elas não precisavam engatar enormes conversas. Eram em momentos assim que elas se entendiam e poderiam viver dessa forma para sempre.

Estavam tão imersas na bolha que as rodeava que nem perceberam o caminho passar. Quando viram, já estavam paradas na garagem do prédio. Quinn estacionou em sua vaga, deu a volta e abriu a porta para Rachel, dando a mão para a morena.

– Já falei o quanto gosto desse seu cavalheirismo? – a morena sorriu – Acho que nunca, nenhum homem, teve uma atitude assim comigo.

Quinn se aproximou mais de Rachel, encostando o corpo da morena contra o carro e colocou os lábios próximos de sua orelha.

– Um segredo: eu não sou um homem. Shh! – a loira sussurrou com a voz rouca e o corpo de Rachel tremeu. Ela se afastou sorrindo e pegou a morena pela mão – Vamos Rach, se não o almoço vira janta.

Ao entrarem no apartamento Quinn se encaminhou direto para a cozinha, enquanto Rachel analisava cada detalhe do lugar. Era possível ver um pouco de Quinn, um pouco de Britt e um pouco de Hanna. As três personalidades se misturavam, desde o design (provavelmente escolha de Hanna), passando pelos elementos decorativos (que tinham a cara de Quinn) até a coleção de filmes de princesas da Disney na estante (o que sem dúvidas era coisa de Britt).

– Você pode ficar a vontade. Sinta-se em casa, Rach – a loira disse da cozinha que era interligada com a sala e separada por uma parede que formava um balcão.

– Lindo apartamento. Vocês três tem ótimo gosto – ela disse sorrindo.

– Foi difícil entrarmos em consenso... Quando Britt e Hanna foram morar comigo em New Haven, o apartamento era meu e por isso tinha a minha cara. Elas só decoraram seus quartos. Aqui nós começamos do zero e todas opinaram. Tivemos opiniões bem divergentes, mas tudo se resolveu.

– Dá pra ver um pouco de cada uma aqui...

– Nas áreas gerais, ficou um pouco de cada mesmo. Mas são nos quartos que podemos ser nós mesmas – a loira sorriu.

– Posso ver?

– O que?

– Seu quarto.

– Claro... Agora?

– Depois do almoço. Agora eu quero te ver cozinhar, posso?

– Vem cá – Quinn a chamou e Rachel sentou-se no balcão – Daqui você tem uma boa visão?

– Ótima – a morena sorriu, porque de lá ela podia ver cada parte da loira – Precisa de ajuda?

– Não, não. Eu me viro bem. Quer beber alguma coisa? Tenho vinho, cerveja, suco, água, whisky, vodca...

– Qual o cardápio?

– Lasanha de berinjela com abobrinha.

– Huuum – Rachel fechou os olhos em apreciação – Nesse caso, acho que vinho é uma boa escolha.

– Seu desejo uma ordem!

Quinn pegou uma garrafa de vinho, duas taças e serviu a ela e Rachel. A morena a observou o tempo todo enquanto ela preparava a lasanha. Elas conversavam sobre coisas triviais, até cantavam juntas.

– Pronto! Agora só precisamos esperar que a lasanha asse. Vamos lá pra sala, por enquanto – disse Quinn.

Elas foram até a sala e sentaram-se no sofá. Rachel sentou-se na ponta e jogou as pernas sobre o colo da loira.

– Quando começam os ensaios? – Quinn perguntou enquanto passava a mão pela panturrilha de Rachel.

– Bom, eu ainda vou assinar o contrato oficialmente. A peça só estreia na próxima temporada, então acho que tenho algum tempo.

– Você está animada?

– Animada? Eu estou em êxtase! Estou realizando meu grande sonho...

– Eu sempre soube que você conseguiria, Rach – a loira sorriu – Seus pais ficaram felizes?

– É... Na verdade eu ainda não contei pra eles. Estava querendo ir até Lima visita-los e contar pessoalmente.

– Ah, entendo. Já sabe quando vai?

– Ainda não...

– Sei... – Quinn pausou – Você sente saudades?

– Do que, exatamente?

– De tudo.

– Sinceramente? Não. Eu vivi o inferno naquele lugar. Tudo que eu sempre quis foi sair dali e não voltar nunca mais. Se não fosse pelos meus pais, com certeza isso não aconteceria.

– Me desculpe – a loira disse triste.

– Pelo que, Quinnie?

– Eu ajudei a fazer da sua vida um inferno.

– Ei! Não se desculpe – Rachel se aproximou e colocou a mão no rosto da loira – Minhas maiores carrascas se tornaram as duas pessoas mais importantes da minha vida.

– M-mais importantes? – ela gaguejou.

– Sim. Não sei o que seria de mim sem a San, ela se tornou minha melhor amiga, minha confidente, minha companheira, tudo. E você... – Rachel encontrou os olhos avelã – Você é tudo que eu sempre quis, Quinnie. Eu sempre lutei pra ter você na minha vida e ter isso agora faz de mim muito feliz. Eu já não vejo a minha vida sem você.

– Pra quem disse que não sabia definir o que sentia por mim, você explicou muito bem...

– Você disse que me amava... Era mentira?

– Não! – exclamou a loira – Claro que não!

– Então?

– Então o que?

– Quinn! Pare de se fazer de desentendida. Você sabe que nós precisamos conversar sobre o que aconteceu na boate...

– Nós vamos, okay? Mas depois do almoço. A lasanha já deve estar pronta... – Quinn se levantou e esticou a mão para a morena – Pode ser?

– Pode – Rachel deu a mão a loira – Mas não pense que vai escapar dessa, Fabray!

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– Pra onde você está me levando, Brittany? – perguntou Santana pela milésima vez.

– Tenha um pouco de paciência, nós já estamos quase... – a loira respondeu sorrindo – Chegamos!

Santana olhou para o prédio ao qual elas estavam paradas em frente, ela sorriu ao ver o enorme letreiro na fachada rosa escrito “Estúdio de Dança Brittany Pierce”.

– Você me trouxe no seu estúdio?

– Ainda não é um estúdio, mas sim... – a loira sorriu – Acho que é melhor conversarmos aqui do que no meio do Central Park. Vem, vamos entrar.

Como Brittany havia dito, ainda não era bem um estúdio. Para ser realista, a fachada o letreiro eram as únicas coisas já prontas. Todo o resto ainda estava sendo reformado, mas já era possível perceber que o patrocinador que a loira arrumou além de ter muito dinheiro, acreditava no seu potencial.

Brittany a puxou e elas entraram em uma sala que parecia ser a mais adiantada. Já tinham os espelhos, as barras de ferro, faltavam apenas alguns detalhes.

– Pronto. Agora nós podemos conversar... – disse a loira sentando-se no chão.

– Eu não quero brigar... – Santana disse ao sentar-se na frente da loira.

– Nós não vamos. Eu prometo.

– Tudo bem... – a latina parou e respirou fundo – Por quê?

– Por que o que? – Brittany a olhou confusa.

– Por que você me deixou? Por que você não me procurou mais nem pra saber se eu estava viva? Por que?

– Promete me ouvir até o final, sem interrupções? – a latina assentiu – Você pode achar que é apenas uma desculpa, mas eu realmente acreditei que estava fazendo o melhor para você, para nós duas. Você sabe o quanto foi difícil, o quanto tivermos que enfrentar para ficarmos juntas. Eu não acreditava que nosso relacionamento sobreviveria à distância. Você é o tipo de pessoa que precisa de alguém por perto, Santana. Você precisa de carinho, precisa de apoio, precisa de sexo. Eu iria me martirizar por não poder te dar isso. Você em New York, eu em Lima. Você realmente acha que teria dado certo? Que nós não iriamos brigar o tempo todo? Que não haveria culpa, dor e até mesmo traição? Você acredita que teríamos sido felizes?

– Eu não sei. Eu sou o tipo de pessoa que também precisa viver as coisas para saber o que acontece... Mas você não me respondeu. Por que você nem mesmo me procurou mais?

– Porque eu sei o que teria acontecido se eu tivesse te procurado. A dor que nós duas estávamos sentindo só iria se intensificar. Você agiria do mesmo jeito ou pior do que agiu quando nos encontramos meses atrás na La Roja. Você me odiaria. Eu não te procurei para evitar mais sofrimento. Evitar de ver a dor que eu te causei.

– Nós poderíamos ter resolvido juntas...

– Você sabe que não...

– Foi tão difícil...

– Eu sei. Olha... – a loira se aproximou mais e colocou sua mão no rosto da latina – Foi muito tempo. Eu tive a Hanna, você a Emily. E eu sei que não foram só elas nem pra mim e nem pra você. E é por isso que eu posso dizer: meu coração pertence a você. Ele nunca deixou de ser seu. Estar com outras pessoas só me deu mais certeza e é por isso que eu nunca tentei matar o que eu sentia. Mesmo que apenas uma vez por dia, eu alimentava o meu amor por você. Eu nunca quis que ele morresse, porque se isso acontecesse, eu morreria junto. No momento que te deixei, meu primeiro pensamento foi: eu ainda vou voltar.

Brittany e Santana já choravam livremente. Colocar para fora tudo aquilo que estava guardado por tanto tempo era doloroso, mas também era aliviante.

– Você não sabe o quanto eu sofri... – a latina chorava cada vez mais – Eu quis me matar diversas vezes, porque pra mim não existia vida sem você. Eu deixei a faculdade de lado, só bebia e fumava o tempo todo. Rachel, Kurt e Blaine tentaram de todas as formas me fazer ficar bem, mas bastava um simples pensamento e tudo voltava. A Emily me salvou de mim mesma, porque me impediu de estragar com a minha própria vida, mas... Mas o que eu sentia nunca foi embora. Eu tentei sim, e muito, matar o que sentia, mas foi impossível. E eu me odiei por ainda te querer tanto, por te amar como eu te amo, por querer a todo momento largar tudo e te procurar.

A próxima coisa que Santana sentiu foi uma Brittany caindo em cima de si e a beijando. Os lábios dançavam juntos, uma dança que esperou muito tempo para ser reiniciada. Uma dança lenta e cheia de amor. Uma dança que liberava tudo que foi escondido, guardado, tudo que tentou ser desfeito e esquecido. Elas só se separaram quando o ar se fez necessário. Brittany saiu de cima da latina e a olhou com cara de culpada, mas com um sorriso que era inegável.

– Me desculpa... Eu não consegui me segurar. Te ouvir dizendo que me ama foi... – ela pausou – Foi a melhor coisa que eu ouvi nos últimos tempos.

– Eu quero ficar com você – disse a latina pensativa – Mas eu acho que nós vamos precisar recomeçar.

– Eu faço qualquer coisa. O que você quiser, eu faço! Eu só... Eu preciso de você, San. Eu não posso mais perder tempo. Eu quero ser feliz e só ao seu lado que isso é possível. Eu quero o nosso futuro. O futuro que tanto planejamos juntas. Eu quero uma casa, quero filhos, quero muitos Lordes T.. Eu quero você e não posso mais esperar.

– Calma! Respira, Britt – Santana sorriu com a animação da loira – Nós vamos ter que ir devagar, tudo bem? Sem filhos, sem casa e sem Lordes T. por enquanto, okay?

– Eu acho que consigo – a loira sorriu.

– Ótimo, muito bom – a latina devolveu o sorriso na mesma intensidade.

– Eu senti sua falta...

– E eu senti a sua, mais do que consigo expressar.

– Nós vamos poder voltar a dar sweet lady kisses? – a loira perguntou com os olhos brilhando.

– Sim, nós vamos – a latina sorriu – Mas como eu disse, vamos recomeçar primeiro.

– Tudo bem, tudo bem.

– O que vamos fazer agora? Ainda temos a tarde inteira...

– Cinema, que tal?

– Vamos lá!

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– Você fez faculdade de advocacia ou gastronomia? Essa lasanha estava divina, Quinnie! – Rachel exclamou após engolir o último pedaço de lasanha.

– Esqueceu que eu fui criada para ser a dona de casa perfeita, Rach? – a loira a olhou divertida.

– Sorte daquele que casar com você...

– Daquela...

– Como? – a morena olhou em dúvida.

– Será aquela e não aquele...

– Ah... Entendi.

Quinn se levantou e começou a recolher os pratos, levando-os para a pia. Sentia os olhos de Rachel a fuzilando profundamente pelas costas.

– Ainda quer conhecer meu quarto? – Quinn perguntou ao se virar de volta para Rachel.

– Quero. Agora?

– Me acompanhe, Srta. – a loira esticou a mão para ela e as duas caminharam juntas.

Passaram por um corredor até chegarem a última porta. Quinn a abriu e deu passagem para Rachel que entrou, para logo em seguida ver a porta sendo fechada. A morena parou no meio do quarto, prestando atenção em cada mínimo detalhe, assim como havia feito na sala, só que agora mais minunciosamente.

O quarto tinha uma cama king size com lençóis amarelos, uma mesa com o notebook e alguns papéis (possivelmente processos que a loira levava para casa), guarda-roupa, uma porta que deveria dar em um banheiro, televisão com home theater, uma estante com livros e filmes e uma parede dedicada apenas a diversas fotos. Do tempo do colégio, da faculdade, viagens... Rachel se aproximou e olhou para cada uma delas. Centralizada havia uma foto dela com Quinn que havia sido tirada no último dia delas em Lima. As duas tinham os olhos marejados, mas sorrisos felizes. Rachel estava com a mão enlaçando a cintura de Quinn e a loira tinha o braço passando por seus ombros.

– Eu lembro dessa foto... – Rachel se virou para Quinn que a observava atentamente – Lembro de quase todas, para falar a verdade. Tirando as da faculdade e viagens, claro...

– Eu gosto de registrar o que é importante pra mim.

– Quem é essa? – Rachel apontou para uma morena em uma foto onde estavam Quinn, Britt e Hanna.

– Essa é a Aria...

– Bonita...

– Sim, bastante. Ela era amiga da Hanna e acabamos ficando todas amigas. Ela não quis vir pra NY. Preferiu ficar em NH e seguir a carreira de jornalista...

– Vocês ficaram?

– É... – Quinn se espantou com a pergunta tão direta, mas não podia mentir – Sim. Algumas vezes.

Rachel caminhou até a cama e sentou-se. Quinn veio e sentou ao seu lado. Os joelhos se tocando levemente.

– Nós precisamos conversar... – disse Rachel de cabeça baixa.

– Eu sei...

Notas finais
Se arrumar tempo (e tiver comentários), posto o próximo logo amanhã. Já que ele é relativamente pequeno e focado na resolução Faberry :D Xoxo, my girls s2