O Que Era Para Ser

3 Não me odeie, mas não me ame.


Notas iniciais
Duas palavras, e um sentimento incrível: CAPÍTULO NOVOOOOO *---* hehe

Minha vida é uma merda. Eu não suporto mais isso. Porra.

Ontem, pela manhã, fui diagnosticada com transtorno bipolar. Parece que agora eu tenho mais um motivo para ficar aqui (que maravilha!).

Doutora Natalie (minha OUTRA psicóloga... Ela é gorda.) me disse que já suspeitava disso há muito tempo, mas só pode comprovar a dúvida agora. No início não acreditei no que ela dizia, mas após ela me mostrar a “ficha” de todo o meu comportamento durante três meses, percebi que era verdade.

Então, eu levantei da cadeira, gritei com ela, chamei-a de porca imunda, e sai da sala.

Nunca me senti tão bem em toda a minha vida após fazer aquilo.

Fui para o meu quarto, peguei um livro empoeirado na estante e comecei a lê-lo. A minha paz só durou uns 10 minutos, porque algum ser humano estúpido resolveu bater na porta.

– Não tem ninguém! – Respondi.

– Então quem está falando?

– A sua mãe!

– Minha mãe é ninguém?

Percebi que não havia escapatória a não ser abrir a porta, portanto a abri.

Era doutor Paul.

– Olá.

– O que você quer?

– Tempo.

– Você não tem. Me desculpe. Agora saia. – Antes que eu fechasse a porta, ele colocou o pé no meio e entrou no quarto.

– Charlie, é importante.

– Não, não é. Saia, e converse comigo outra hora. Minha terapia pode esperar... E não me chame de Charlie.

– Ok... CHARLOTTE, é importante sim e você precisa me ouvir.

– Não preciso. Eu estou bem ok? – Forcei um sorriso, o expulsei do quarto e fechei a porta novamente. Ele não cedeu e entrou.

Um silêncio pairou no ar.

– Você não pode entrar no meu quarto a qualquer hora sabia? É uma regra. “Os inquilinos só podem ser ‘incomodados’ se for o horário de terapia ou do almoço. Caso contrário, eles poderão ficar em seus respectivos quartos na hora em que quiserem e por quanto tempo quiserem.” No caso, a minha sessão foi á uns dez minutos atrás e o almoço será servido às 13:30, então você não tem permissão para entrar no meu quarto a não ser que tenha a minha autorização, e você não tem. Então, saia.

– Você leu o livro de regras da clínica?

– Li. Não havia nada para fazer.

– E você o decorou?

– Um pouco, ele é pequeno.

– Então você esqueceu um detalhe muito importante, Charlotte. “A não ser que haja uma situação de riscos, as regras anteriores poderão ser desrespeitadas e o inquilino deverá ser avisado.” – Eu desisti e olhei para ele.

– Seu filho da puta...

– Charlie, sente-se, por favor. – Não podia fazer nada, e nós dois sabíamos muito bem disso, então sentei em minha cama.

– Ótimo. – Ele respirou fundo, e me encarou – Bom, preciso que me responda com sinceridade... Por que você agiu daquela forma com Natalie?

– Eu fiquei com um pouco de raiva. Só isso.

– Ah, claro. E chama-la de vaca gorda e ter um ataque de fúria significa que você estava um pouco brava, ótima explicação!

– Eu a chamei de porca imunda, e não...

– Charlie, não importa do que você a chamou. Você não percebe? Seu caso está piorando a cada dia. Você sofre de bipolaridade, sua depressão pode se tornar profunda de uma hora para a outra... Você está correndo um risco, e eu estou aqui para te ajudar! – Eu não estava o escutando. Eu não queria saber. Eu tenho noção de como minha vida está, e como ela sempre será: uma droga.

– Eu sei que você provavelmente está me ignorando, mas, preste atenção: Ainda existem pessoas que te amam e se preocupam com você no mundo. E eu e seus irmãos somos umas delas... – A partir daí, eu não aguentei mais e disse:

– Não. Não há ninguém. Se eles me amassem não teriam me colocado nesse inferno. E você só faz o seu trabalho.

– Isto não é verdade Charlie...

– É sim, caralho! E não me chame assim!

– Charlie... – Mas a minha paciência já havia acabado.

– Saia. Agora. Eu já disse que não quero fazer esta terapia, e o senhor não pode me impedir.

– Não. Eu não irei sair até você me deixar terminar de falar.

– Saia. Agora!!!!

– Charlie.

– Eu. Disse. SAIA!!!! SEU DESGRAÇADO!!!!! — Foi quando eu enlouqueci. Peguei um vaso de plantas, de vidro, que eu deixava como decoração em cima de meu criado-mudo, e joguei em Paul. Era um presente que Teddy, meu irmão mais novo, me deu de aniversário ano passado. Todos os meses ele me dá uma flor nova para colocar no vaso. A última que recebi havia chegado dois dias atrás.

A jarra explodiu em pedaços na parede atrás dele. Ele voltou a me encarar, e não disse mais nada.

Eu estava ofegando, mas da mesma forma comecei a chorar. Eu o odeio. Eu odeio meus irmãos, eu odeio meus pais, eu odeio este lugar, eu odeio todos. Mas, o mais importante, eu odeio a mim mesma.

E ele saiu.

Meu nariz não parava de escorrer, meus olhos estavam inchados e minha cabeça doía, mas eu não me importava com nada disso.

“Eu sou um ser humano horrível.” – Pensei, enquanto começava a juntar os cacos de vidro no chão. Mas parei por um segundo, e peguei a flor destruída, que ainda estava no cântaro quando o joguei.

Era um lírio. A minha flor preferida.

E agora, eu me detesto mais ainda por ter a jogado fora.

Até logo,

Charlotte.

Notas finais
Gostaram? Não se esqueçam de comentar ^^ Até o próximo capítulo meu povo!!! PS.: Ficou muito dramático? :s Quero opiniões haha ;)