O Que Era Para Ser
4 O pior é sempre possível.
Notas iniciais
Caro amigo,
Se lembra de minha última carta? Aquela em que eu contei o pior (quer dizer, todos os meus dias são horríveis, então digamos que aquele foi um dos piores) dia da minha vida? Se sim, foi tudo uma mentira.
Hoje foi pior.
Quando terminei de arrumar meu quarto, fui correndo para o banheiro. Minha mão estava sangrando, pois eu havia me cortado com um dos cacos de vidro.
"Sua anta. Burra. Nojenta. Ninguém te ama. Sua merdinha." — Pensei, enquanto enfaixava minha mão. Minha crítica a mim mesma durou apenas uns cinco minutos, porque NOVAMENTE, um ser imundo e que não deveria existir bateu na porta.
"Mas que porra!" — Então saí do banheiro e a abri, porque sabia que haveria problemas se não o fizesse, e eu tinha razão. Mas, cara, como eu gostaria de nunca ter aberto aquela porta.
Quando a abri, um homem, do tamanho de um armário, apareceu em minha frente. Ele tinha um olhar neutro, então, de qualquer forma, eu não fazia ideia do que ele iria dizer.
– Senhorita Wine?
– Sim?
– Venha comigo. — Nesta hora, percebi que havia alguma coisa errada. Então perguntei, relutante:
– O que você quer?
– Só venha conosco. — E outros dois homens apareceram atrás dele. Não senti medo, até o momento que vi que um deles segurava um pequeno pano. Na hora, não fazia ideia do que aquilo era, mas até que me lembrei: Já haviam usado aquilo em mim. Era clorofórmio.
Não respondi. O que eu poderia fazer? Ir com eles? Era a opção mais sensata, mas como eu não penso antes de agir, e sou uma completa idiota, fiz exatamente o oposto.
Fechei a porta rapidamente, e fiquei segurando-a.
"Eles não podem entrar... Eles não podem entrar..."
– ME DEIXEM EM PAZ!!!!! VÃO EMBORA!!!! – Gritei.
– Senhorita Wine, por favor, abra a porta se não teremos que tirá-la a força.
– NÃO!!! SAIAM DAQUI!!!!
– Senhorita Wine...
– VÃO EMBORA!!! — Comecei a suar. Eles não iriam entrar.
– Você não nos deixa alternativa...
Fez-se silêncio. Achei que eles tinham ido embora.
Meu Deus, como eu estava enganada.
A porta simplesmente caiu sobre mim.
Dei um berro, e eles apareceram em minha volta.
– Perdão, senhorita. É para o seu próprio bem. — Então me levantaram pelos braços, e começaram a me levar para fora.
– Não! NÃO!!!! ME LARGUEM SEUS FILHOS DA MÃE!!!! AGORA!!!! — E comecei a me debater. Eu também não devia ter feito aquilo. — ME SOLTEM!!!!
Meus berros foram tão altos que algumas pessoas saíram de seus quartos para ver o que estava acontecendo. Eu não queria que elas assistissem aquilo. Já estavam assustadas, agora vendo o que poderiam fazer com você se você saísse da linha... Aterrorizadas.
– ME DEIXEM EM PAZ!!!! — Um dos guardas viu que não havia outra maneira de me controlar, então levou o pequeno estofo ao meu rosto.
– Não!!! NÃO!!!!!!
Então, tudo escureceu.
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Meu tempo acabou, me desculpe, não posso mais escrever.
Com amor,
Charlotte.
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