O Que Era Para Ser
2 Enrolação.
Notas iniciais
Caro amigo,
após uma longa terapia noite passada, e após eu ter contado ao doutor Paul qual foi o resultado de ter escrito aquela carta (mais depressão para o meu ser), ele me aconselhou dormir um pouco e esquecer esta distração por tempo (o que foi ideia dele, aliás).
Sabe por que eu as escrevo? Paul me disse que escrever algumas cartas me ajudaria a interagir melhor com as pessoas, mesmo que escrevendo para um indivíduo inexistente.
Agora, te pergunto: Como diabos escrever cartas me ajudaria a conversar com alguém?! Não faz sentido!
E o mais estranho disso tudo, é que eu não consigo parar de escrever.
Eu me sinto como o Charlie, de As Vantagens de ser Invisível. Ele também escreve cartas para alguém acreditando que esta pessoa o ouviria e entenderia. Eu também faço isso. As únicas diferenças são:
1º: Ele é homem.
2º: Ele realmente escreve para uma pessoa — anônima, mas ainda sim é uma pessoa -, enquanto eu guardo as cartas para mim, como se eu escrevesse para o meu sub-consciente.
Continuando, depois do meu "bate papo terapêutico" terminar, eu fiquei repetindo para mim mesma, durante uma hora, uma frase que inventei quando tinha 12 anos, que carrego desde a morte dos meus pais: "Se sua vida é uma droga, transforme-a em um baseado e fume-a, para que você acabe com ela logo."
Sei que é pesada, mas eu estava tão demente e perturbada na época que essa frase foi a coisa menos horrível que apareceu na minha cabeça.
"Tente ser mais positiva" — talvez você diga — "Esses pensamentos não vão te ajudar em sua recuperação."
Aprenda: Eu NUNCA irei melhorar. Eu tenho um trauma. Você sabe o que é um trauma? Se não souber, cala a merda da sua boca e fique quietinho em seu canto. É mais complicado do que você pensa.
Enfim, só escrevi essa carta hoje por puro tédio, mas pelo menos não tive um ataque de melancolia como na última vez.
Até logo,
Charlotte.
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