Notas iniciais
OI MEUS AMORES. Como vão vocês? Na paz? Tranquilos? Espero que sim. Tenho coisas importantes para dizer nas notas finais, leiam. Boa leitura.

Thalia

Existem certas coisas boas em ter um passado infame. Por exemplo, Leo poderia ter sido um erro bastante grave, mas seus amigos eram os melhores traficantes de maconha que eu já conheci, e aquilo já tinha sido um bônus para nossa relação desastrosa.

Olhei para os lados milhões de vezes, estávamos dentro do campus e se alguém nos pegasse ia ser um problema daqueles, mas os meninos estavam tão calmos que quase me acalmaram também.

–Valeu – respondi, colocando dentro da minha bolsa. Estava pronta pra sumir daquele lugar, até que alguém me puxou pelo pulso.

Quando me virei meu coração parou de bater, Leo estava ali. Seus olhos vermelhos assim como o nariz. Sabia que ele tinha cheirado e aquilo não poderia significar nada de bom.

–Olha quem voltou. Sentiu saudades?- respirei fundo, aqueles malditos se afastaram lentamente me deixando com um drogado. Malditos de merda. Eu queria matar, gritar ou correr, mas estava errada por ali. Se me pegassem com a maconha eu era expulsa – O que você acha da gente reviver os bons tempos?

–Leo, me solta vai. Você não tá bem e sabe disso – ele apertou meu pulso com mais força.

–Eu estou ótimo – gritou, e eu olhei para os lados. Aquele lugar era vazio demais, ninguém ia ver a gente. Decidi pensar rápido, ficar pagando a vítima indefesa não ia ajudar em nada.

–Tudo bem, mas vamos sair daqui – pus uma mão na sua bochecha, mas ele deu um tapa no meu pulso. A cocaína tinha deixado ele paranoico, parecia que não conseguia pensar. Fiquei tão assustada que prometi a mim mesmo nunca cheirar.

–Você é uma vagabunda – ele comentou rindo. Tinha um animal feroz dentro do meu peito pronto pra bater e revidar, estava me forçando a agir de forma inteligente. Ele colocou o capuz do seu moletom e me pegou pelo pulso.

Fui puxada dali, e me senti mais aliviada. Quando chegamos num lugar um pouco mais movimentado ele me parou.

–Se você dar um showzinho eu vou acabar com você – concordei, pensando rápido como faria aquilo sem falar nada. Meus olhos não paravam de sair de um lugar para o outro enquanto era puxada por Leo até o prédio principal.

O lugar estava cheio, mas ninguém parecia prestar atenção que eu era uma vitima por ali. Até porque Leo me puxava de forma muito delicada, a mão entrelaçada com a minha só que ninguém sabia o quão forte ele apertava.

Quase tive um enfarto quando percebi que saí do campus sem ninguém perceber que eu estava encrencada. Procurava uma solução mental e percebi que a única coisa a se fazer era gritar e se fazer de refém.

Leo era barra pesada. Ele tinha contatos por toda a cidade e eu sabia que não seria nada interessante fazer dele um inimigo. Estávamos a poucos metros do seu carro e eu me forcei a não chorar, aquilo não estava acontecendo. Porque eu era tão idiota? Tinha que me meter com um cara tão errado. Arrependia-me profundamente do dia em que decidi ser namorada dele pra fazer ciúmes no Luke.

Ele praticamente me jogou contra o carro, sua boca muito perto da minha.

–Você está linda como sempre – ele riu. Uma risada um pouco maníaca e nenhum pouco parecida com a que eu conhecia dele – Quase parei de usar por causa de você, sabia? E você me chutou, sua vagabunda.

Mordi a parte de dentro da minha bochecha de tão nervosa, não sabia o que responder quanto aquilo. E então tudo aconteceu muito rápido, de repente Leo não estava mais perto de mim. Quando pisquei, percebi que ele tinha levado um soco de esquerda. Olhei para o lado, a boca aberta de tão surpresa. Luke tinha aparecido do nada.

–Estava querendo fazer isso a um bom tempo – falou Luke, seus olhos estavam estranhos e vidrados em Leo, que tinha as duas mãos no rosto e estava deitado no chão. Pus a mão no coração, sabia que ele estava bastante fraco depois de tudo que aconteceu.

–Ele não vai sair do chão, está drogado – respondi, sussurrando. Luke arqueou uma sobrancelha na direção dele, com nojo.

–Você tá bem? – ele perguntou, pela primeira vez olhando na minha direção.

–Estou, obrigada – respirei fundo enquanto tentava entender porque Luke era sempre dava uma de herói, aquilo deixava as coisas tão mais difíceis – Como você...?

–Eu te vi sendo puxada, e sua expressão não estava das melhores. Imaginei que poderia estar acontecendo alguma coisa – assenti, era muito estranho falar com Luke porque estávamos sempre juntos, mas nunca nos falávamos diretamente. Sempre em grupo.

Eu sabia que estava daquele jeito por causa de Megan, alguma parte ridícula e estupida da minha mente ficava repetindo que eu não era a garota certa para Luke. Ele era uma pessoa boa de verdade, e eu era bastante errada. Como conseguia perceber ao ver Leo no chão.

–Vem, não é legal ficar por aqui – ele foi andando para o norte, saindo do estacionamento. Decidi segui-lo.

Eu sabia que ele não tinha feito nada de errado em Cancun porque eu conhecia traficantes, eu sabia como eles eram e sabia que Luke não era um deles. Não só porque namorei com o cara por anos, mas porque ele voltou sem se envolver com nenhum tipo de drogas. Leo era um exemplo vivo de que quando você começa não consegue parar.

E Luke sempre foi minha tábua de salvação, meu rumo, e de alguma forma minha consciência. Mordi a parte de dentro da minha bochecha enquanto o seguia, ficamos um bom tempo andando sem falar nada. Até que estávamos muito perto do bairro da nossa casa e um lugar sem movimento.

–Eu sei que você sabe que não fizemos nada em Cancun – respondeu Luke, seus olhos azuis me encarando.

–A não ser que você esteja mentindo muito bem – conclui, e ele voltou a olhar para frente. Deu uma risada sem graça, às duas mãos nos bolsos.

–Você sempre soube e mesmo assim se afastou de mim, eu não te entendo Thalia. Porque as pessoas pra você são como objetos, você pode ter e ao mesmo tempo não. Não faz diferença. Você não se importa.

–Isso não é verdade! É claro que eu me importo!

–Então porque agiu como se eu fosse um criminoso? Porque agiu dessa forma se tinha convicção de que eu não tinha feito nada? – ele gritava, e eu nunca tinha visto Luke daquele jeito. Ele nunca gritava, era a pessoa mais calma que eu conhecia. Não queria admitir, mas fiquei um pouco assustada.

–Porque você ainda me machucou muito – respondi, não ia chorar, claro que não. Eu nunca choraria por homem nenhum, poderia ser Luke ou qualquer outro – Ou você acha que foi fácil saber que você estava com milhões de mexicanas, e depois que tinha feito todas essas loucuras e quando voltou optou por não falar nada, como se eu fosse só mais uma ficante e não a garota que você amou por anos. Ou eu achava que sim.

Odiava ter que falar aquilo, estava com o orgulho ferido e meu plano de ignora-lo estava indo muito bem até aquele maldito dia. Seu semblante raivoso tinha saído, ele se afastou um pouco, as sobrancelhas juntas.

–E então você desistiu? – ele perguntou, olhei para cima. Não era nada fácil falar aquelas coisas, eu não era como as garotas normalmente eram. Não sabia falar dos meus sentimentos daquele jeito, as palavras eram difíceis de sair da minha boca.

–Você também desistiu quando beijou Megan – respondi. Ele revirou os olhos, dando uma risada breve.

–Mesmo? Você e o Nico, lembra? O Nico, meu melhor amigo. E não só meu melhor amigo, o cara que eu sei que mais combina com você, eu e todo mundo – ele olhou para o lado, parecia revoltado de ter que falar aquilo.

–Você fala isso como se eu não soubesse a sensação. Você e Megan sempre tão meigos e fofos e agh – ele riu, olhando para baixo e depois para o lado. Parecia revoltado, mas eu não sabia exatamente com o quê – E eu e o Nico não combinamos, tudo bem? Eu acho que as pessoas não entendem ou se recusam a entender, mas achar a pessoa perfeita não é achar aquela que mais se parecesse com você, eu não precisava do Nico porque ele é praticamente igual a mim. Porque eu me namoraria? Não quero encontrar uma pessoa que se pareça comigo, mas sim uma diferente, uma que me complete.

Parei por um segundo, não estava nem acreditando no que eu falava. Que loucura.

–Você me completa – concluí. Meu orgulho não estava mais ferido e sim estraçalhado, mas eu me sentia mais leve por falar aquilo. Ele ficou um tempo me encarando, não falava nada.

Se virou e continuou andando, arregalei os olhos e não acreditei no que via.

–Você está me deixando no vácuo? – gritei. Luke continuou andando, quis esfregar a cara dele no asfalto. Corri atrás, dando socos nos seus braços – Seu idiota! Se você não quer nada porque não me disse antes? Que ódio!

Continuei dando socos nos seus braços de raiva, e ele continuou parado. Qual era o problema com ele? Que ridículo. Ele segurou meus dois braços, revirando os olhos enquanto me via lutar contra ele.

–Deixa de ser louca! – gritou. Dei graças a Deus por aquela rua ser bastante vazia. Ele balançou a cabeça, rindo em seguida – Estamos a uma rua da nossa casa, queria te mostrar uma coisa.

–Ah e você não tinha nenhum momento melhor pra fazer isso? – gritei, Luke riu e soltou os meus braços, mas eu continuei dando socos nele e então me segurou de novo.

–Para com isso, sua rebelde – ele deu uma risada, parecia muito calmo e isso me irritava ainda mais. Abri a boca para respondê-lo, mas ele me beijou, um beijo bastante diferente dos beijos normais, era rápido e cheio de desejo.

Finalmente ele parou de me segurar, colocando a mão na minha nuca. Francamente eu não consegui resistir nem se quisesse, eu meio que me derreti assim que ele me beijou. Separei ofegante, como se tivesse ficado tempo demais dentro da água. Ele deu um sorriso de lado enquanto olhava para mim.

Assim que recuperei o fôlego me surpreendi porque Luke me beijou de novo, e assim ficamos por muito tempo. Quando chegamos em casa, ele me fez sentar no sofá e saiu correndo pelo andar de cima.

Arqueei uma sobrancelha, e depois passei a mão pelos cabelos e pela testa. Será que aquilo estava certo? Luke e eu não ficávamos juntos há quase um ano por um motivo. Não ia acontecer de mudar de um dia para o outro, ele ainda tinha feito algumas coisas ruins. Ainda tinha se separado de mim assim que se formou por pura infantilidade.

Ele voltou com um envelope na mão, passou seus cabelos loiros e cortados para trás e parecia sem graça.

–Era isso que eu queria te dar – respondeu, e me entregou.

Olhei atentamente para o envelope amarelo, estava endereçado na minha casa em Nova York e tinha com toda certeza a caligrafia dele, a data era de dias depois de entrarmos de férias. Abri.

Luke olhava atentamente na minha direção, e eu queria dizer que estava bastante relaxada, mas era mentira. Minhas mãos tremiam e eu estava ansiosa nem eu sabia por quê. Quando abri o envelope foi esquisito porque não tinha uma carta de amor, como eu imaginei, e sim uma foto. Só uma foto.

Era uma foto dele em Cancun, usava óculos espelhados azuis, em pé na praia. Tinha um sorrisão e estava tão lindo que nem parecia real, uma garrafa de cerveja numa mão e sem camisa. Com toda certeza atrás daquela câmera deveria ter centenas de garotas babando nele.

Não entendi porque ele tinha me mostrado aquela merda, sinceramente não queria lembrar de que ele tinha viajado para o México enquanto eu estava quase que em depressão pós-separação.

–Vira – ele disse. E eu arqueei uma sobrancelha, virei à foto. Ainda na sua caligrafia estranha estava escrito:

“Está faltando você. Acho que você me completa, sabia?”

Meu coração afundou de uma forma que não tinha explicação, até parecia ter parado de bater. Percebi que tinha segurado a respiração e depois de ter lido aquilo finalmente saiu, e eu acabei suspirando.

Olhei na direção dele, que estava corado.

–Luke...

–Foi por isso que eu quis vir – ele respondeu. Meu cérebro derreteu, não ligava mais para qualquer coisa de errado ou ruim que tinha acontecido entre a gente. Não queria saber mais o que poderia acontecer de errado também. Aquilo, aquela foto, era a prova de que tínhamos algo especial.

Fui praticamente pra cima dele, beijando-o da forma mais apaixonada que eu conseguia. Ele me abraçou, e eu sentia seu coração acelerado perto do meu. Era perfeito. Meus dedos passaram lentamente pelo seu abdômen, levantando sua blusa.

E então um baque enorme nos fez se separar mais que rapidamente. E na porta da casa Percy e Annabeth pareciam quase ou num nível de agarração piores que o nosso. Annabeth olhou na minha direção, ofegante. E eu decidi sair de cima de Luke depois de alguns segundos silenciosos, os meninos estavam se segurando para não rir e eu percebi que Annabeth estava vermelha, assim como eu provavelmente estaria.

–Ok, que tal começarmos com as explicações? – falou Annabeth, revoltada.

Notas finais
GENTEEEEE Deixa eu falar pra vocês o que vai rolar por aqui. MARATONA. YEP! ou seja, vou postar outro capitulo agora mesmo. Autora top né, comentem. Indo para o próximo!