Notas iniciais
Bem, olá. POXA QUE NOME HAPPY DE CAPÍTULO NÃO É? super pra cima. Vocês pareciam realmente surpresos com as verdades reveladas no capítulo anterior, achei que todos já tinham matado a charada. Bem, de qualquer forma, boa leitura!

Annabeth

Foi-se junto com a festa toda a minha vontade de continuar em lugar algum, de repente entrei numa crise de existência que não havia há algum tempo. Em sentido, quando você perde um pai, pode-se dizer que perdeu uma luz para te guiar, e no fim, é como se realmente tivesse perdido o caminho, até que você encontra alguns postes no meio da caminhada que renovam a sua esperança para a vida.

Uma coisa é você se decepcionar com a vida, com Deus, ou qualquer outra coisa que acredite, é algo inalcançável e chega um momento que você percebe que não está realmente decepcionado com nada, apenas lastimavelmente perdido. Decepcionar com as pessoas é gradativamente pior, você não põe expectativas em algo inalcançável, a própria palavra já diz, mas quando pessoas te decepcionam... Aí sim você se sente cega, porque as pessoas na sua vida são como os pequenos postes no meio da caminhada, e então quando até estes pequenos postes se apagam a decepção vem à tona junto com todas aquelas expectativas reais que parecem por fim completamente inalcançáveis.

Não importa o quanto eu e Perseu brigássemos, o quanto eu e ele fossemos tão miseravelmente idiotas um com o outro, no fim tinha sempre a esperança que erámos para ser daquele jeito, eu realmente me acostumava com as brigas e reconciliações porque esse era o jeito que fazíamos. Mas quando pequenas palavras atravessaram no meu cérebro – Oh Deus! Quem é ele?

Então me senti irremediavelmente perdida.

Eu, Megan e Thalia estávamos deitadas na cama de casal do meu quarto, os olhos vermelhos e inchados pela revelação e um sentimento estranho de devastação, não queríamos e não iríamos sair do quarto porque não havia nenhuma hipótese de eu me encontrar naquela casa com Percy. Aquela casa num geral me irritava, pois sempre tive especiais momentos com aquele drogado desgraçado que jogou meu coração no chão junto com todas as minhas renovadas expectativas.

A porta se abriu e eu fiquei em alerta, se por algum acaso aquele idiota cogitasse a possibilidade de...

–Oi – e então a minha mãe apareceu, junto com a mãe de Meg. E meu coração ficou por um momento mais mole, meus olhos encheram novamente d’água. Senti o perfume da minha mãe junto com seus braços reconfortadores e deixei com que as lágrimas que guardei nas últimas horas molharem seus ombros que deixavam o peso sob os meus mais leves.

–Como vocês estão? — perguntou a voz suave da Sra. O’Connel. Como estava? Era simplesmente impossível descrever.

–Chocadas – respondeu Meg para mim, os seus olhos eram os mais inchados, pois foi a que mais chorou durante a noite – E-eu... Eu não sei mais o que pensar. Sinceramente, estou muito confusa.

Thalia olhava para o chão, chutava eu que era bem pior para ela. Thals não chorou, nem sequer uma lágrima. Seus olhos, porém, se fixavam num lugar e parecia por um momento que ela não estava mais no mesmo plano espiritual que o nosso, sua boca não saía de uma linha reta que demonstrava apenas a pura decepção. Sua mão às vezes se fechava em punho com ódio e eu sabia por quê.

Era difícil para ela se acostumar com as pessoas e inseri-las em sua vida, elas podem até achar que estão realmente dentro da vida de Thalia, mas para ela apenas pouquíssimas pessoas lhe importavam realmente. Os meninos, obviamente Luke, estavam dentro dessa curta lista de confiança que fora rasgada em tiras com as palavras maldosas de Rachel Elizabeth Dare.

–Eu imagino a dor – minha mãe disse, os olhos cinza tentando compreender o que se passava –Vocês são melhores amigos há muito tempo, e moram juntos. Existe uma confiança entre vocês que foi rachada, e eu entendo isso... Mas vocês precisam sair para comer, garotas. Não é saudável ficarem o dia inteiro presas aqui.

–E não vamos – foi a primeira frase de Thalia em horas – Eles vão sair daqui o mais rápido possível, é o meu maior pedido. Não os quero na mesma casa que a minha nem mais uma hora.

A mãe de Meg e Atena se entreolharam, e eu arqueei uma sobrancelha.

–O que foi agora?- perguntei. Mamãe suspirou, olhando para mim como se pedisse desculpas.

–Desculpem-me não ter avisado antes, demorou algumas horas para entender o que realmente aconteceu, mas na verdade os meninos foram embora ontem de madrugada, sem nem ao menos se despedirem.

Megan parecia surpresa, e meu coração se encheu de ódio por eles fugirem daquele jeito, eram os mais imbecis que eu conheci. Cruzei os braços na frente do peito.

–E eles simplesmente sumiram do mapa? Foram traficar mais alguma coisa por acaso? – minha mãe me olhou cética, como se fosse expressamente proibido ironizar o assunto. Eu estava totalmente pouco me fudendo.

–Eu não sei, Annabeth – foi a mãe de Meg que falou, enquanto abraçava ela e Thalia ao mesmo tempo – Foi como Atena disse, nós não entendemos muito bem o que aconteceu. Os meninos não falaram conosco e sim com Hades, Poseidon e Hermes, estamos juntamente com May tentando entender, mas realmente está uma gritaria lá embaixo.

–Eles vão voltar para nossa casa? Vamos ter que continuar morando com eles? – foi à vez de Thalia perguntar, o que me fez ficar surpresa, eu não havia nem pensando naquilo ainda. Atena suspirou.

–Não sei garotas, eu acho que é melhor vocês ficarem juntos.

–Melhor ficarmos juntos?! – meu tom de voz aumentou algumas oitavas – Eu não quero ver Percy nem pintado de ouro quiçá morar na mesma casa que ele! Vocês estão redondamente enganados se acham que vão poder continuar nos usando como vigias deles, pois isto não vai acontecer!

Calcei minhas pantufas, abrindo a porta do quarto bem rápido e descendo as escadas o mais veloz que pude sem me destrambelhar no chão. Na sala Zeus estava calado e calmo enquanto Hades e Poseidon discutiam fervorosamente um com o outro.

–Eu não vou morar com aqueles marginais! – gritei o mais alto que consegui, tirando as tranças do meu cabelo para parecer o mais séria possível com meu pijama de flanelas.

–Annabeth – começou Poseidon, mas sua semelhança com o filho me irritou ainda mais.

–Não, não, não! Eu tenho esse direito, eles eram os nossos melhores amigos e olha o que fizeram com a gente! Só, só... – olhei para Zeus – Você não tem pena pelo que a sua filha está passando?

Zeus sustentou o olhar, e eu sustentei também. Por fim, quem perdeu foi ele que desviou para Hades e Poseidon.

–Eles não vão estar lá quando vocês voltarem, Annabeth. Fique tranquila quanto a isso – ele parecia numa reunião de negócios, o que me irritava ainda mais. No andar de cima, sua filha estava em tremendo estado de choque. Bufei enquanto passava minha franja para os lados, fui até a cozinha pegar um copo de água.

Com as mãos tremendo bebi apenas metade do copo, e uma mão pesada encostou-se no meu ombro, virei-me já sabendo quem era e já com algumas palavras na ponta da língua, mas os olhos verde mar de Poseidon me deixaram sem fala.

–Eu sei o que você deve estar se sentindo, e eu não sei o quão envergonhado fico porque meu filho que está fazendo você se sentir assim... Mas não duvide nem um minuto da falta de afeto que ele tem por você. Percy só ficou calado porque eu pedi, para não te machucar, e eu sinto... Annabeth, depois do que aconteceu no México sinto que nem eu nem Sally somos as pessoas que vão conseguir pôr ele na linha, acho que a única pessoa que ele realmente não quer decepcionar é você. Então não desista dele, faça isso por mim.

Olhei para aqueles olhos verde água e meu coração parecia pesar quilos de chumbo, queria dizer que faria de tudo por Percy, que ele também era especial para mim, mas meu orgulho e meu rancor não me deixavam fazer aquela promessa.

–Acho que não tem como resistir ou desistir com uma pessoa que já desistiu de mim há muito tempo.

Pus o copo na pia, saindo rápido da presença sufocante de Poseidon. Subi novamente os degraus de casa com resposta boa de que não me encontraria com Perseu quando voltasse à Durham.

Perseu

Cruzei os braços contra o vento enquanto bebia mais um gole amargurado de uísque, meus olhos continuavam em direção ao céu e me lembrei do que aconteceu dois dias anteriores, eu e Annabeth no telhado novamente, parecia que se passaram séculos desde então.

Minha cabeça pensava muitas coisas e meu corpo não respondia mais com tanta rapidez. Annabeth havia ido embora há algumas horas junto com um segredo que não deveria ter chegado aos seus ouvidos com aquela rapidez e aquela intensidade naquele dia.

–Oi – Rachel falou ao meu lado, e eu dei um sorriso maquiavélico.

–Pesadelo ruivo, hoje você foi literalmente meu pesadelo – olhei para sua maquiagem negra e seus seios tão mal descobertos, novamente para seus olhos verdes. Meu primeiro amor, ah, fazia todo o sentido.

–Não foi minha intenção...

–Claro que foi – virei-me do telhado, deixando de contemplar a vista para contemplar o salão cheio de pessoas importantes que eu queria tanto que sumissem da galáxia instantaneamente. Olhei para Rachel, que tinha os olhos verdes intensos em meu rosto, e retribui o olhar – Eu não te julgo, acho que parei de julgar as pessoas pelo que são capazes de fazer em situações extremas.

Ela concordou lentamente, sua mão pegou na minha e eu apertei de volta, um vazio dentro do peito que me era irreconhecível.

–Mesmo assim me desculpe por revelar a verdade talvez não tão verdadeira, espero. Eu não podia me dar ao luxo de ouvir você falar aquilo e acabei usando minha última tática como praticamente a primeira.

Continuei olhando para frente, minha visão era cegada por alguns fios de cabelo negro que balançavam por conta do vento.

–Eu já te perdoei... Sinceramente a culpa é toda minha e não sua. Eu não deveria tentar me retratar com Annabeth, não essa noite, nem me veio à cabeça o que ela poderia fazer caso soubesse a verdade sobre você e eu não pensei nisso nem um segundo. Fui egoísta, mas aprendi contigo, pesadelo ruivo.

Rachel deu seu tão reconhecido sorriso de touché, combinávamos tão bem quando minha alma chegava a sua cor mais enegrecida, por mais que eu amasse muito mais quando ela ficava lívida e pura como quando estava com Annabeth.

Ela arqueou as duas sobrancelhas, surpresa.

–Então você vai me ajudar, ainda? – dei um meio sorriso ainda mais revoltado, não acreditava que depois daquela cartada de mestre Rachel ainda pensaria que eu tivesse qualquer outra opção.

–Mas é claro... Até porque eu sei muito bem o que é estar falido, querida Rachel. E acho que essa condição não nos é muito apropriada. De qualquer forma, é hora de mudarmos um pouco o jogo, fazer algumas coisas injustas serem desfeitas. E o único jeito de fazermos isto é juntos, pesadelo ruivo.

Ela riu, sua gargalhada ecoou pela varanda e me deixou levemente mais bem humorado.

–Eu nunca imaginei que você iria me superar em planos maquiavélicos... Talvez a diferença seja que ao contrário de mim, você esteja usando tudo o que eu te ensinei para causas boas – ela deu de ombros – Não importa. Não faz mal ser a boazinha de vez em quando.

Ri também, passando finalmente aqueles cabelos que me irritavam para o lado.

–Ainda bem que não, porque é exatamente o que eu quero que você seja.

Luke apareceu na varanda, seus olhos estavam vermelho sangue quando olharam para Rachel e eu realmente não podia culpa-lo. A ruiva saiu dali o mais rápido possível o que foi bem inteligente da sua parte.

–O carro de Nico já chegou, está na esquina do Palace – assenti, nós dois saímos da festa o mais discretamente possível e chegamos onde Nico estava. Abri a boca para falar alguma coisa quando senti um soco no meu olho esquerdo que me fez inclinar de dor.

A ardência e a dor em seu âmbito mais primordial me fizeram tontear para trás e ver alguns pontos brilhantes, Nico, que foi quem me deu o soco, segurou-me para eu não cair.

–Isso foi por você ter estragado tudo entre eu e a Megan e ficar compactuando com a Rachel – ele deu um tapa um pouco forte demais no meu ombro, e Luke olhava para nós com o ar de satisfação no rosto, os braços cruzados.

–Entra aí, seu merda. Nós ainda temos que encontrar com os velhos – Luke me empurrou para dentro do carro, e pelo retrovisor eu vi meu olho esquerdo ficar num tom bem escuro de roxo.

Fiquei no banco de trás, enquanto Nico dirigia e Luke ficava no banco ao seu lado. Cocei a barba, olhando abismado para Nico que acelerava a cento e cinquenta por hora.

–E então, o que vamos fazer agora? – perguntei para os dois, Nico apertou as mãos no volante e eu vi o quanto se segurava para não me dar outro soco no olho, algo que eu realmente não queria então decidi ficar de boca fechada. Para sanar minha curiosidade, felizmente, Luke me respondeu.

–Elas não querem ver a gente nem pintados de ouro – ele digitava freneticamente no celular – Voltar para a mesma casa em Durham amanhã não é uma opção plausível e...

–Sabe, eu estava sendo um pouco mais geral. O que vamos fazer para recuperar a confiança delas? Eu estava pensando...

–Cala a boca, Percy – rosnou Nico, olhando para mim como se eu fosse uma visão do demônio. Estava tentando ignorar aquele ódio todo, mas não era algo realmente fácil.

–O que você quer que eu diga, Nico? Que eu sinto muito por estragar as coisas para você?! Eu achei que já estava implícito! Caralho, eu também gosto muito daquela loira, sabia? Você acha que tá fácil pra mim? Mas não tem jeito à culpa é nossa nós fizemos muita merda e agora a gente tem que lidar com isso!

–Tráfico de mulheres, é isso que dá tentar ser bonzinho nessa porcaria– rosnou Nico – Onde aquela maldita da Rachel achou aquela porra de mandato?

–Isso realmente importa? – segurei no banco depois da curva fechada de Nicolas a quase duzentos por hora – Vocês não estão pensando em fazer alguma coisa para mudar sei lá, a nossa situação? Eu nunca pensei que nós e as garotas nos separaríamos algum dia, sinceramente.

Luke olhava para a janela, estava estranhamente pensativo e não falava quase nada, além é claro que ás vezes parecia não estar no mesmo mundo que o nosso.

–Eu também não achei que isso aconteceria entre nós e elas, sinceramente – foi o que ele disse- Eu não sei como solucionamos esse problema, acho que não devemos fazer nada. Estou pensando... De qualquer forma estamos sendo totalmente ignorados economicamente e socialmente agora, e é nisso que devemos pensar. Porque foi como Megan disse, nós estávamos nos Hampton, e esse é o nosso jeito de viver. Mas agora estamos no Brooklyn e temos que agir como se estivéssemos realmente lá, é a única forma de solucionarmos os nossos problemas. E você sabe do que estou falando.

Vi um pequeno sorriso aparecer como vulto no rosto de Nico. E eu não pude deixar de sorrir também.

–Então está finalmente na hora de ferrar com tudo? — ri, talvez estivesse esperando por isso desde que saí do México – Já não era sem tempo.

Notas finais
Sim, AGORA FINALMENTE TÁ NA HORA DE ZOAR O BARRACO. Bem, os garotos só não fizerem isso antes porque não queriam que as meninas descobrissem o que eles fizeram no México e tals mas agora FODA-SE, correto? Nossos boys estão finalmente soltos e livres para fazerem muita muita merda (no sentido bom, ok?? Se é que tem sentido bom). ENFIM, acho que vocês vão talvez gostar dos próximos capítulos. Não sei. DEIXEM SEUS REVIEWS, FAZ TUDO FICAR MAIS GOSTOSO. Beijos e até o próximo!