O Que Eles Veem Em Você? 2
37 Os segredos de Cancun
Notas iniciais
Cancun, Férias de Verão – 4:30 P.M
–Mais rápido, corre! – gritou Jackson enquanto seguia duas garotas que corriam o mais rápido que podiam, com saltos enormemente altos e roupas nem um pouco confortáveis. Ele ouvia o barulho de um helicóptero acima de sua cabeça além de vidros quebradiços e tiros. Era de longe a coisa mais caótica e fora de lei que já havia vivido em sua vida, mas não podia se dar ao luxo de pensar demais. Tinha que tirar duas prostitutas dali o mais rápido possível.
Virou num corredor estreito e escuro, entrando num outro mais escuro ainda. As meninas de no máximo dezesseis anos gritavam a cada tiro e cada barulho de vidro quebrado. As sirenes tocavam tão alto que pareciam estourar os tímpanos. Num último momento, Percy pensou por tudo que havia passado por chegar até ali. Nunca, em toda sua vida, pensou que ia terminar de forma tão trágica...
Era sua primeira semana de férias no México, numa praia movimentada e elitizada estavam ele, Nico Di Ângelo e Luke Castellan, tomando algumas cervejas e fumando alguns cigarros, além é claro de encontrarem algumas mexicanas bastante bonitas por ali. E todos pareciam muito animados em conversar, e é claro, trocar carícias nada inocentes.
Quando Percy estava levando sua mão para dentro da saia de uma garota que ele realmente não lembrava o nome, surgiu um grupo de pessoas que ele não só se lembrava de como parou tudo que ia fazer para encontra-los.
Lá estavam seus ex-amigos de colégio, Beckendorf, Chris, e outros caras barra pesada que eles sempre foram meio amigos. Chris foi o primeiro a cumprimentar, rindo em seguida de forma até mesmo meio psicopata.
–Vocês por aqui? – perguntou ele – Porque não estou surpreso?
Percy cruzou os braços, rindo um pouco também.
–A ideia sempre foi sua, você diz que ama vir pra cá e cara, a gente precisava mesmo disso – ele olhou para trás, onde algumas meninas riam de forma idiota. Chris olhou para elas e depois novamente para Percy.
–Cara, elas não são nada comparado às mulheres que a gente encontra no La Tortura – ele trocou olhares significativos com seus amigos – Vocês deviam aparecer lá, tem um trampo bem maneiro de verão que a gente faz e vocês iriam gostar de participar. Uma boa forma de ganhar uma grana.
Percy olhou para Nico, que olhou para Luke. Parecia legal ganhar uma grana numa boate qualquer, apareceram lá naquela mesma noite...
Enquanto corria mais uma vez em caminhos sinuosos, ouviu uma sirene tão alto que parecia que a viatura estava do seu lado. Pararam num caminho sem saída, onde havia duas portas em dois caminhos diferentes, uma na esquerda outra na direita. As portas eram de madeira e pareciam desgastadas e velhas, comidas por cupim. Percy parou com as meninas e respirou fundo.
–Vocês vão pela esquerda e sigam reto, não mudem de caminho até chegarem ao final e virem uma luz, daqui vocês vão parar no centro da cidade, duas ruas do aeroporto. Vão para lá, peguem os passaportes que eu dei pra vocês e saiam daqui o mais rápido possível.
A menina tinha lágrimas nos olhos.
–Muito obrigada, Sr.Jackson, eu não sei como posso te agradecer –a garota abraçou-o pelo pescoço.
–Vai, vai – respondeu ele, vendo as meninas abrirem a porta cheia de cupim e correrem como se suas vidas dependessem daquilo, quando estavam numa distância considerável, Percy respirou fundo e abriu a porta da direita.
Subiu os degraus rapidamente e seus olhos cegaram com a luz do helicóptero.
–Mãos para o alto! É a polícia! – ele levantou as mãos, não sentindo nada em seguida porque um policial à esquerda atirou uma arma de choque em sua direção.
De volta a NYC, Premiação de Investidores – 00:04
Rachel crispou os lábios, rindo como se estivesse num parque de diversões.
–Cala a boca garota, eu não preciso saber de nada – Annabeth falou, Rachel deu um meio sorriso e olhou em seguida para suas próprias unhas.
–Bem, acho que você vai querer saber que está apaixonada por um... O que? Mafioso. Ah sim, mafioso. É assim que a gente chama pessoas que fazem tráfico de drogas e de mulheres, não é? – ela deu uma meia risada – Ou vocês acham que eles estão estranhos assim porque comeram algumas garotas por aí? Faça-me o favor Annie, achei que você era um pouco mais safa.
A confiança de Annabeth havia vacilado, ela olhou lentamente para Percy com as sobrancelhas unidas, os olhos levemente arregalados, a boca entreaberta.
–Eu achei estranho vocês voltarem para Nova York depois de tudo que aconteceu, quer dizer... Achei que Zeus depois de ter usado todos os seus artifícios políticos não tivesse a burrice de trazerem as manchas de nomes tão elitizados para uma festa dessas. Eu não sei se vocês sabem garotas, mas vocês são agora as únicas herdeiras de todo o dinheiro que os pais de vocês todos lutaram tanto pra conseguir. As únicas herdeiras da Olympus, às vezes...
Ela olhou de relance para os meninos, numa visível indireta.
–Vocês tem que tomar cuidado com pessoas que se aproximam de vocês de repente, na maioria das vezes são apenas interesseiras. Não é mesmo, os mais novos pobres da elite nova-iorquina? – ela deu uma risada, e depois abriu sua bolsa de mão lentamente e tirou de lá um papel.
Entregou para Annabeth, que o pegou com as mãos trêmulas e o abriu. Era um mandato de prisão, com algumas acusações. Tráfico de drogas, tráfico de mulheres, incitação à prostituição, vinculo com estabelecimentos ilegais. E no fim, o que fez seus olhos encherem de lágrimas.
Condenados: Perseu Jackson, Nicolas Di Ângelo, Luke Castellan.
Atrás dela, Megan e Thalia também liam tudo aquilo, Meg pôs a mão na boca, não contendo a surpresa. Rachel sorriu de leve e chegou perto dela.
–Você devia ter ficado do meu lado, querida – depois do seu sussurro ela saiu da varanda, deixando garotas estupefatas e garotos congelados sozinhos finalmente.
–A gente pode explicar– começou Nico, o olhar negro e frio. Annabeth deu uma risada irônica, amassando o papel em uma bolinha e jogando no peito de Percy. Megan parecia altiva, agora recuperada do choque.
–Isso não é coisa de gente, o que vocês fizeram não tem nenhuma , eu digo, nenhuma ligação com as herdeiras da Olympus – Nico abriu a boca, muito surpreso com a resposta para falar alguma coisa. Estranhamente, Thalia ainda olhava para os três de forma muito assustada, como se estivesse vendo mutantes na sua frente, com cinco braços e duas cabeças.
Annabeth tinha os olhos cheios d’água. Não fazia nem ideia que era algo tão pesado... E ainda por cima que estava se relacionando com uma pessoa tão à margem da lei.
Megan estava com os olhos crepitando de raiva, era treinada para ter sua imagem perfeitamente inserida na sociedade. E depois daquela bomba, só queria distância deles. Pegou na mão de Annabeth e Thalia, ajudando-as a sair do lugar.
–Ah, aliás – Megan disse – Vocês estão na festa errada, aqui é uma festa da elite nova-iorquina e não para traficantes e criminosos, uma festa num bairro mais do subúrbio talvez seja o ideal.
Ela olhou para Nico com tanto ódio que pela primeira vez em toda a história o olhar gélido e inexpressivo de Nico havia vacilado. Ela abriu a porta da varanda, saindo em seguida do salão. A premiação já havia acabado, já que todos os convidados voltaram a comer e beber em conversas sobre politica e cultura.
Megan passou reto por todo mundo, saindo do Palace e indo em direção à limusine. Quando enfim entraram no carro e aceleraram pelas ruas de Nova York, Meg pôs as mãos nos olhos e começou a chorar.
Chorar de soluços, e o olhar vago de Thalia recaiu sobre ela. Abraçando-a da forma mais gentil que conseguia.
–Eles fuderam com tudo – murmurou Megan encostada no peito de Thalia – Acabou tudo, tudo. O que restava, acabou. Eu não acredito nisso.
Sua voz voltou aos soluços, o rosto inchado e vermelho de tanto chorar. Parecia que o céu estava caindo, a noite estava escura como o fim do mundo. E a sensação de Annabeth era que realmente aquele era o fim do mundo.
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