Notas iniciais
Olá! Como vão vocês? Vinte dias. Sei que demorei, mas eu estava me dedicando ao final de uma outra história minha (por lá rolou maratona e tudo o mais) então espero que vocês sejam compreensíveis. Aliás, agora terei mais tempo para postar por aqui. Quero agradecer as minhas queridas leitoras Julie Anne, Alice Celestino e MelhoresFics pelas recomendações. Fiquei muito feliz com todas elas! Obrigada, queridas. Boa leitura!

Annabeth desceu as escadas da sua casa levemente animada, não sabia porque mas por algum estranho motivo queria muito conhecer seu novo psicólogo. Pelo olhar de sua mãe, ele parecia ser alguém interessante.

Toda esta ligeira animação foi por água abaixo quando viu sua mãe a olhando reprovadora, Poseidon continuava sem falar com ela (pelo visto ele não gostava da “nova” Annabeth), e Percy tinha um mínimo sorriso de lado.

Tudo isto junto não era uma boa combinação.

–Eu estou indo — Annabeth disse pegando as chaves do seu carro. Atena a olhou novamente, ainda séria.

–Não, você não vai não.

Annabeth acabou rindo sarcástica, pegando uma maça no meio da mesa e se sentando ao lado de Percy.

–Ótimo. Você sabe que não é bem um castigo me proibir de ir para o colégio, certo?

Atena fez um gesto desdém com a mão, ignorando a filha. Depois pegou um pacote embaixo da mesa. Colado nele tinha uma advertência que havia chegado pelo correio para Annabeth.

–Até quando você ia me esconder que seu uniforme havia chegado?

Annabeth suspirou tão alto que Percy quase pode sentir o clima de morte envolvê-la, teve que segurar sua risada.

– Quando eu achei que você poderia fazer algum progresso, um mínimo que seja de progresso — Atena bateu nas próprias pernas — Minha campainha soa e uma merda de advertência chega na minha porta. Porque? Eu paguei tão mais caro para fazer o uniforme preto para você, sabia que esta é a cor terciária do colégio?

–É a quarta — Percy se meteu — Branca é a terciária.

–A quarciária! — Atena gritou novamente. Annabeth revirou os olhos, encostando suas costas na cadeira — E eu nem sei se existe esta palavra… Annabeth Chase, eu agora estou resolvida a te pôr nas rédeas. Você vai pôr esta merda de uniforme que eu tive que praticamente produzir a cor nova, e depois você vai entrar no carro do Percy…

–O quê?

–... Porque eu não aguento mais pagar duas gasolinas de dois carros bem esportivos — Poseidon sorriu de lado, havia se dado tão bem nos acordos — E depois da aula, Percy vai te levar no psicólogo.

Annabeth arregalou os olhos, suas bochechas ficaram tão vermelhas que Perseu realmente ficou assustado. Seu grito foi como um rugido e ela parecia querer esgoelar a própria mãe.

–Porque você contou, sua ridícula?! — Annabeth bateu as duas mãos na mesa — Você não conhece a merda da palavra que se chama segredo?

Atena ficou estática, Percy também. Mas os dois por motivos diferentes. Poseidon pegou no braço de Annabeth, colocando o pacote do uniforme na outra mão. Então foi a arrastando até o fim das escadarias.

–Faça o que sua mãe mandou — foi a única coisa que ele disse, abrindo a porta do quarto de Annabeth. Ela olhou para os olhos tão verdes quanto os de Percy, pegou seu uniforme e bateu tão forte a porta que Poseidon ficou tentado a arromba-la e bater na sua enteada.

Apenas suspirou e desceu as escadas.

Atena estava com os olhos marejados e a mão na boca.

–Eu falei totalmente sem querer — ela sussurrou apenas para Percy — Ela nunca mais vai confiar em mim, eu só faço besteiras.

O moreno pôs a mão em seu ombro, para reconfortá-la. Poseidon apareceu e abaixou os ombros, voltando a se sentar na ponta da mesa.

–Vai dar tudo certo, somos uma família agora, não é? Você não poderia nos esconder isto — Poseidon olhou no fundo dos olhos cinza, Percy ficou de lado naquele momento quase romântico.

A verdade é que ele estava se sentindo um pouco culpado. Quando descobriu que ela iria ao psicólogo, sem querer suas próprias palavras ecoaram em sua cabeça. Ele que havia gritado que ela estava ficando doida, que precisava de ajuda.

Não era bem assim, ela não era esquizofrênica ou algo do tipo. Ela apenas havia perdido alguém que amava e isto já era motivos para ela ficar bem mais abalada do que aparentava estar agora.

Ele colocou seus óculos e olhou as horas, pegou as chaves do carro e foi até o pé da escada para chamar Annabeth.

Não precisou já que ela mesma havia aparecido ao topo da escada. E Percy, sem querer, pode ter acabado dando um sorriso enfático.

Ela usava a típica saia xadrez do colégio que ia até o meio das coxas, saia esta que ia até a metade de sua cintura. A típica blusa branca de botões ficava um pouco folgada pelo aperto da saia e tinha a insígnia do colégio como os outros uniformes.

As diferenças eram simples. O xadrez da saia era preto e vermelho, e da maioria das meninas era branco e vermelho. A gravata era preta com detalhes vermelhos, e não vermelha e branca. E a obrigatória e ridícula meia três quartos também era preta e vermelha, substituindo o branco.

–Até que ficou bem legal em você — disse Percy depois de alguns minutos estático.

–Eu estou ridícula.

–Você não é a única — ele apontou para as próprias roupas, indo até a porta e sendo seguido por Annabeth. Quando a viu passando por ele que percebeu o salto que ela usava, deixando sua saia ainda mais curta.

Teve que evitar o sorriso ao observar a saia balançando para lá e para cá.

–O seu jogo é amanhã? — perguntou bem baixo Annabeth assim que ele acelerou o carro, Percy arqueou a sobrancelha, sorrindo um pouco.

–Sim. Você vai? — ele a olhou rapidamente. A loira deu de ombros.

–Talvez.

–Não esqueça a blusa do time.

–Ok.

Ele sorriu um pouco mais. Sem brigas, sem ignorância. Eles pararam num semáforo, Percy se voltou para ela.

–E onde é o seu consultório?

–Eu vou sozinha — ela falou tão seca e tão ignorante que o moreno não pode deixar de ficar decepcionado com a quebra de record.

–Não, eu te levo. Faço questão. Não discuta, por favor.

Ela apenas deu de ombros, cruzando os braços e apoiando as costas na poltrona. Percy voltou a dirigir, seus óculos caindo levemente por seu nariz e o irritando infinitamente. Além disto, seus cabelos ainda estavam sem corte e caindo em seus olhos, fazendo-o sempre ter que joga-los para trás.

–Quem é a tal de Sra. Briggs? — Annabeth perguntou lendo um papel. Percy revirou os olhos.

–Uma vaca — a loira se surpreendeu com o tom de voz de Perseu, olhou inquisitiva, querendo mais informações — Uma supervisora ridícula, só sabe irritar. Pelo que parece ela tem olhos em todos os corredores, qualquer coisa errada e advertência na certa.

–Ela não pode simplesmente nos deixar na detenção?

–Ela é das antigas, não existe sala de detenção para esta praga… Foi ela que te deu a advertência? — Annabeth assentiu — É, e porque o interesse?

–Nada, então ela é aquela bruxa horrorosa de duzentos anos que fica passando que nem um fantasma pelo colégio com aquela blusa ridícula com a insígnia?

Percy pensou um pouco.

–Basicamente, sim.

–Ótimo… mesmo.

(...)

Percy pôs a bandeja encima da mesa, parando a conversa de Thalia e Megan ao meio. Olhou para os lados para saber se Rachel ou Annabeth estavam por ali, assegurou-se que não e olhou novamente para as duas amigas. Que o olhavam curiosamente.

–Certo. Vocês duas sabem que dia é o jogo de futebol de campo? — Thalia pensou um pouco.

–Acho que o campeonato só começa no mês que vem.

–Ainda bem.

–Por que? — acabou perguntando Megan. Percy olhou para os lados mais uma vez.

–Eu acho que posso vir a ganhar duas camisas do time… Rachel é a camisa 1 e Annabeth a 11, eu não sei qual devo recusar.

Megan engasgou sua comida, Thalia deu uns tapinhas e a fez tossir. Depois ela bebeu um grande gole de água e falou:

–Como assim Annabeth pode te dar a camisa do time? Ela… Ela demonstra carinho por alguém neste mundo?

Percy mordeu o lábio inferior, sorrindo um pouco.

–Eu acho que nós estamos começando a nos dar bem mais uma vez — Thalia parecia surpresa também

–Isto é realmente ótimo, então. Eu e Megan estávamos pensando em tentar conversar com ela, mas eu não sei se quero ser amiga daquela Annabeth. Sei lá, ela me parece meio esquisita.

Percy não pode deixar de concordar com elas. Aliás, ele não pode deixar de ficar do lado delas. Annabeth havia ido embora sem dar considerações para suas melhores amigas, ligou apenas no dia que seu pai estava adoecido e ainda brigou com a Thalia. No fim, ao voltar para o casamento da mãe, a única coisa que fez foi tratá-las mal. Elas eram suas melhores amigas, e mesmo que estivesse numa pior, ela não poderia e nem deveria ter feito o que fez. Até porque, elas só queriam ajudar.

Percy olhou para Megan revirando sua comida sem muita fome, e Thalia olhando para o celular sem muita reação. Obviamente elas estavam magoadas.

Luke e Nico chegaram, todos com grandes bandejas de comida na mão.

–Cara, você está animado? Eu estou extremamente nervoso, esta é a verdade — Luke parecia realmente ansioso. Thalia sorriu de lado enquanto comia — Tem olheiros neste primeiro jogo, olheiros importantes… Carolina do Norte.

–Duke — todos falaram ao mesmo tempo, e riram com a ridícula possibilidade. De uma forma ou outra, a inscrição de todos estava por lá.

–Você treinou tanto, eu duvido que percam. De verdade — este era, infelizmente, o máximo de suporte que a punk poderia dar.

–E a Rachel? Porque ela não está por aqui? — Nico obviamente tinha feito uma indireta. Percy revirou os olhos.

–Ela tem mais coisas para fazer do que ficar me seguindo, Nico.

–Sério? — ele deu uma risada sarcástica — Realmente não parece.

Todo mundo deu um sorriso afetado. Era óbvio que tinha algo de errado em Rachel estar tão próxima de Percy. O moreno dos olhos verdes ao perceber isto parou de comer, olhando para todos com uma sobrancelha arqueada.

–Qual o problema com vocês? Não querem pessoas novas no grupo fechado? — todos eles se entreolharam, Thalia acabou dando de ombros.

–Você é um cara legal. Eu sei que tinha falado que preferia Rachel a Calypso, mas no fim acho que as duas são a mesma merda.

Percy riu sarcástico, cruzando os braços.

–E desde quando vocês mandam em qualquer merda de namoro que eu tiver? Quer dizer, quando estava com Calypso vocês enchiam o saco, quando estou com Rachel vocês não parecem gostar. Me falem de uma garota que vocês aprovem, Senhores Pais do Percy.

Todos ficaram calados, e no fim Nico acabou dando mais uma risadinha.

–Estranhamente, acho que ninguém reclamaria de você e Annabeth — as bochechas de Percy ficaram vermelhas escalartes, todos começaram a rir percebendo a reação de Percy. Luke jogou uma batata na cabeça de Percy.

–Hm, pelo que parece alguém não se importaria de cometer um incesto — todos riram. Percy revirou os olhos e pegou seu telefone.

–Tchau, seus chatos — todos riram mais. Ele foi embora, olhando as horas e indo para o estacionamento. A visão que ele teve em seguida foi realmente legal: Lá estava Annabeth. O corpo encostado encima do seu Maserati como se fosse sua garota.

Os botões da camisa branca estavam provocativamente abertos até o terceiro botão. Percy foi andando com as chaves do carro rodando em sua mão. Deu um tchau para Annabeth quando ela virou a cabeça ao vê-lo ao longe, mas ela simplesmente ignorou.

–Você tem o endereço aí mesmo, não é? — Annabeth revirou os olhos e entrou no carro, sendo seguida por Percy. Ela pôs um papel encima do painel.

–Parabéns. Seu doutor atende no fim do mundo

–Cala a boca e dirige — Percy deu partida.

–Muita educada, como sempre.

Annabeth pegou seu celular, tendo certeza do lugar pelo seu google maps. Depois de uma hora no carro, eles enfim conseguiram achar o lugar. Percy, ao contrário do que Annabeth achava, não reclamou de nada. Os dois olharam para o prédio de aparência velha que haviam estacionado na frente.

O Maserati azul de Percy não combinava com nada daquela parte da cidade.

–Tchau — ela disse, abrindo a porta. O moreno pegou em seu pulso.

–Daqui a quantas horas tenho que estar aqui? — uma sobrancelha de Annabeth se arqueou. Ele estava disposto a buscá-la. Ela olhou para o céu, estava extremamente nublado e alguns trovões ressoavam aqui e ali.

–Minha consulta tem duas horas — foi a única coisa que Annabeth disse. Foi embora e colocou sua mochila nas costas. Atrás dela, o Maserati azul acelerou brutalmente, como sempre.

O salto de Annabeth ressoava no chão de gesso do saguão. Ela foi até a atendente no balcão e pegou em seu celular.

–Dr. Foster — a atendente checou algo em seu computador. Depois sorriu simpática para Annabeth.

–Último andar, apartamento 113. Ele está esperando por você — a loira assentiu, bufando um pouco ao pensar que teria que ficar igual louca procurando o apartamento do cara.

Foi andando lentamente até o elevador, colocou o botão do terceiro andar e encostou as costas na parede. Sentiu estar subindo e teve uma pequena vertigem. O elevador abriu e a visão das janelas transparentes deixou Annabeth tonta. Seu salto ainda estava alto, ela foi andando até o apartamento 113. Que aliás, era no final do corredor.

Bateu na porta e esperou, e esperou um pouco mais.

Quando havia simplesmente desistido de esperar e dado meia volta, a porta se abriu.

Annabeth ficou com a boca levemente aberta, seus olhos cinza provavelmente estavam arregalados.

Aquele não era o típico médico psicólogo de filmes. Nada de calvices e cabelos brancos, uma barriga saliente e óculos de grau horrorosos. Nada de ternos feios e sapatos tão feios quanto.

–Estou procurando o Dr. Foster — Annabeth disse, com uma sobrancelha desconfiada arqueada. O cara sorriu.

–Sou eu, Annabeth. Você sempre bate uma vez na porta e desiste de bater novamente? Aliás, meu nome é Dylan, me chame de Dylan, ok? — ele sorriu, um belo e sexy sorriso. Annabeth fez um sinal para ele parar, sorriu um pouco sarcástica.

–Você comprou seu diploma? Como você pode ser doutor sendo tão novo? — Dylan sorriu mais largamente. Deixando o espaço livre para que Annabeth entrasse, ela assim fez.

–Vou levar isto como um elogio… Quantos anos você acha que eu tenho? — Annabeth deu um sorriso, analisando-o de cima a baixo.

Um metro e oitenta, sexy cabelo loiro com um corte atrasado, olhos castanhos dourados que Annabeth nunca havia visto na vida e um belo físico esportivo.

Sexy, sexy, sexy.

–Uns vinte?

–Vinte e cinco. Obrigada pelos cinco anos — ele fez um gesto desdém com as mãos, fechando a porta do apartamento e sorrindo um pouco.

Annabeth não pode deixar de sorrir maliciosa ao lembrar da sua mãe. Esta mulher definitivamente achou o melhor psiquiatra que podia.

–E aí, você vai ficar aí parada ou vai sentar no divã como nos filmes legais com psiquiatras?- Annabeth sorriu, ela havia gostado dele. Então se sentou.

Pela primeira vez deu uma olhada no lugar que seria sua consulta. Era um lugar pequeno e legal. Tinha uma grande cozinha do lado da sala em que estavam sentados, esta cozinha tinha uma parede toda de vidro. O que era algo realmente bem interessante.

A sala tinha a poltrona onde ele estava sentado e o divã em que Annabeth se sentava, mais à frente tinha um corredor que Annabeth não fazia ideia para onde ia.

A sala tinha uma pintura salmão e era cheia de quadros sem pé nem cabeça.

Dylan tinha uma prancheta na mão e um sorriso mais largo.

–Sabe, eu adoro divãs. Não pareço ser um psiquiatra sério quando você se senta no divã?

–Com toda a certeza, sim.

–Pois é. É o que eu falo para a minha mãe toda hora. Ela simplesmente não entende — Annabeth sentiu o sotaque britânico dançar no seu ouvido. Sexy, sexy, sexy.

Dylan pôs seus óculos de grau: retangulares e perfeitos no seu rosto. Seu cabelo era penteado para o lado de forma descontraída e leve.

–Então Annabeth, se por algum acaso você perceber que eu estou fazendo comentários adivinhos sobre sua vida. Saiba que eu não sou um vidente sensacional e sim uma pessoa que conversou com sua mãe no dia anterior da consulta.

Annabeth deu um pequeno sorriso.

–Certo.

Ela estava percebendo que ele queria quebrar o gelo da consulta, ele estava conseguindo, até porque era um cara dócil e simpático.

–Vamos fingir que isto é um encontro, ok? Eu falo da minha vida, e depois você fala da sua.

Annabeth deu um sorrisinho.

–Eu adoraria não só fingir, mas realmente ter um encontro com você — Dylan sorriu de lado, levantando rapidamente os olhos da sua prancheta para Annabeth.

–Você é uma encantadora e linda pessoa, porém isto seria pedofilia e também contra os meus princípios profissionais — Annabeth deu de ombros, malditos 17 anos. Dylan tirou a prancheta de sua mão, sorrindo um pouco.

–Então, eu nasci em Londres e sempre fui um garoto muito crítico. Minha mãe falava que eu era chato de tão crítico e eu realmente tinha que concordar com ela. Depois de anos simplesmente sem aptidão para porra nenhuma eu decidi exercer uma profissão em que eu ganharia para criticar e ajudar a vida e ações de outras pessoas. E tãndam, aqui estou eu.

–Minha mãe disse que iria achar o melhor psiquiatra possível, você não chegou assim tão fácil.

–Tenho alguns prêmios importantes, modéstia a parte. Mas não é nada demais. Sua mãe apenas achou uma pessoa que conseguiria entender seus problemas. Ok, agora você fala sobre você.

Annabeth pensou um pouco, sua cabeça repousada no divã da sala.

–O que eu devo falar? — ele estralou os dedos, gesticulando um pouco.

–Fale a mesma coisa que eu. A sua vida e também porque está aqui.

Ela assentiu, pensando um pouco.

–Eu sou da Califórnia, Los Angeles. Sempre tive pais muito passionais e bem atarefados. Minha mãe é dona de uma empresa de turismo muito famosa e meu pai é… Era um renomado professor de história.

Dylan gesticulou para que ela continuasse.

–Eu vim para Nova York no começo do segundo ano e fui embora no fim segundo por causa da separação dos meus pais. Porém, no fim do terceiro ano o meu pai faleceu e eu voltei para Nova York.

–Isto agora? — ele perguntou.

–Sim.

–Você voltou porque quis?

–Não.

–Então porque voltou? — ele tinha uma sobrancelha loira arqueada, Annabeth sorriu um pouco.

–Você já falou com minha mãe sobre isto.

–É sempre bom ouvir sua parte da história — ele deu de ombros. Annabeth suspirou.

–Menor de idade. Pelo que parece eu ainda não posso morar sozinha.

–Uma merda. Sentia a mesma coisa na sua idade — ele ajeitou os óculos que havia posto exclusivamente para a consulta — Mas voltando ao objetivo desta nossa consulta: Porque você está aqui, agora?

Eles ficaram calados por um tempo. Annabeth olhava para o teto branco, pensando. Ela não sabia exatamente porque estava ali.

–Eu acho que preciso de ajuda — Dylan parou de escrever, olhou para ela por um tempo. Depois tirou seus óculos e colocou tudo no colo junto com a prancheta.

–Ajuda para quê, exatamente?

Annabeth não estava se sentindo muito bem mais, seu coração palpitava e ela tinha uma sensação estranha.

–Eu não sei.

–Claro que sabe, você que quis a consulta. Você sabe porque quis a consulta.

Annabeth estava com os olhos marejados, ela olhou para Dylan e começou a respirar mais fundo do que queria. Dylan saiu da sua poltrona, ajoelhando-se no tapete na frente de Annabeth.

–Continuamos amanhã.

A loira assentiu, olhando para os castanhos-dourados olhos de Dylan.

–Obrigada.

–Você é adorável — ele exclamou se levantando — Adoro ter pacientes tão legais.

Annabeth arqueou uma sobrancelha, sua mãe havia contratado um psiquiatra mais louco que a própria paciente.

Ela foi embora, ficou surpresa ao olhar no telefone e perceber que já haviam se passado duas horas e meia desde que havia entrado naquele consultório. E também ficou surpresa ao ver a maior tempestade desde que havia chegado em Nova York começar.

Desceu do elevador correndo, atravessando o saguão rapidamente. Olhou para fora, a água que batia no vidro com força não a deixava ver nada. Mas Percy havia combinado que iria a buscar, não era possível que ele faria algo do tipo como deixa-la na chuva a uma hora e meia da sua casa.

Decidiu se arriscar, abriu a porta de vidro do saguão e saiu do prédio. A água da chuva batia em suas pernas e também no seu rosto. Os trovões amedrontavam de tão altos e os raios aqui e ali não ajudavam em nada.

Annabeth não viu nada em seu ponto de visão reto. Quis pegar o telefone e xingar Percy igual maluca por ele. Mas não iria molha-lo por causa do filho de Poseidon.

Quando alguém pegou em seu ombro, ela quase deu um golpe de judô de tanta raiva guardada.

Percy estava com um grande guarda-chuva preto na mão.

–O carro está estacionado na esquina — ele gritou por cima das buzinas e trovões da cidade. Annabeth foi conduzida até lá, ele abriu a porta do carona e entrou do outro lado.

Ao contrário da loira, ele não usava mais o uniforme do colégio e sim uma simples calça jeans clara rasgada, junto com uma blusa cinza do “Sex Pistols” que mostrava os músculos de seu braço.

–Eu acho que vai rolar enchente hoje — Percy disse, virando a chave do carro. Annabeth estava pingando e tremendo.

–Isto não é nada bom, este bairro não é tipo um dos primeiros a sofrer com inundações? — o moreno deu um meio sorriso. Seu olhar era fixo na rua, ele acelerava a mais de cem por hora nas ruas da cidade.

–Infelizmente você está certa.

A chuva continuou, cada vez mais forte. Tanto que no fim o próprio Maserati começou a sentir. Annabeth franziu as sobrancelhas olhando para frente no vidro do carro.

–Percy, sai da rua. Entra num hotel qualquer, rápido!

Ele se virou para perguntar o por quê, foi aí que estranhos barulhos de pedra começaram a bater no carro.

–Chuva de granizo — Percy sussurrou, fazendo uma manobra no carro. — Só pode ser brincadeira.

Ele entrou no hotel da Sexta Avenida, caro, chique e com um puta de um estacionamento que não entrava granizo. Eles pararam numa vaga e se entreolharam. Lá fora, a chuva parecia não querer parar.

–E agora? O que vamos fazer? — Percy tirou seus óculos, morrendo de raiva de toda aquela situação. Annabeth deu de ombros e abriu a porta do carro, o ar frio em sua pele já molhada a fez tremer ainda mais.

–Óbvio que devemos pegar um quarto temporariamente. Ninguém sabe que maldita hora esta chuva vai acabar.

Ela foi andando, Percy fechou o carro e a seguiu. Olhou para os cabelos loiros de seu braço que pareciam arrepiados.

–Você precisa de uma roupa quente e uma bebida quente — Annabeth riu um pouco.

–Já entendi, mamãe.

Ele revirou os olhos para ela, os dois pegaram o elevador que dava para o saguão. Andaram um pouco deslocados pelo sério e chique ambiente. A atendente olhou para Annabeth com uma careta, a loira de volta quis dar um murro na cara dela.

–Queremos um quarto — Percy disse.

–Vocês precisam ser maiores de idade para pegarem um quarto.

–Eu sou. Tenho 18 anos — disse Percy.Ela arqueou uma sobrancelha enquanto olhava a identidade dele. Depois olhou para Annabeth desconfiada.

–E qual a relação entre vocês? — ela apontou para os dois. A loira tirou seu casaco cinza, cruzando os braços com raiva.

–E o que você tem a ver com isto? Se está interessada em mim ou ele pode falar diretamente. Só queremos o maldito quarto, e rápido.

Depois de uma pequena discussão, eles conseguiram finalmente a chave do apartamento. Os dois foram até a suíte blalabla cheia de nomes estranhos que Annabeth não conseguia pronunciar.

Abriram a porta e olharam diretamente para a parede de vidro que mostrava a grande tempestade chegando. Do outro cômodo, um mordomo de aparência elegante tinha as duas mãos nas costas quando falou com eles:

– A banheira está pronta. Espero que aproveitem a noite romântica. Qualquer dúvida do casal pode ser retirada por mim apenas tecle o três em seu telefone, ou no dois que dará diretamente para a linha do saguão.

Ele foi embora. A boca de Annabeth começou a fazer um leve O quando ela deu uma estudada em toda aquele quarto. Era uma suíte de casal, com serviços para casais. Annabeth e Percy se entreolharam, obviamente aquilo seria estranho.



Notas finais
Ok! Espero que tenham gostado do capítulo e tudo o mais. Agora, como eu disse nas notas iniciais, eu vou postar mais rápido já que estou com menos histórias para postar. Deixem seus reviews, adoro reviews e saber o que vocês estão pensando sobre a história. Beijos e até o próximo!