Notas iniciais
Olá pessoal! Como vão vocês? Capítulo enorme e com algumas coisas que vocês estavam pedindo. Quero agradecer imensamente a Semi Bruxa pela recomendação, obrigada querida! Adoro recomendações, sério! Boa leitura!

POV Percy

Annabeth e eu nos entreolhamos, a boca meio entreaberta. O barulho da porta se fechando atrás de nós foi como um despertador, nós dois começamos a rir mais alto do que aquele prédio parecia querer que ríssemos.

Annabeth ainda estava tremendo, por mais que o ar quente do nosso quarto me fizesse até ficar com um pouco de calor.

–Você devia tirar esta roupa — falei, e só depois pensei no que falei. E óbvio, quando começo a falar besteiras nada me impede de continuar falando besteiras — Quer dizer… No banheiro para tomar um banho, porque é isto que costumamos fazer no banheiro.

Annabeth estava olhando para a janela, felizmente não prestava mais atenção no que eu dizia. Seus olhos combinavam muito com a cor do seu nublado, a única diferença eram que os olhos dela brilhavam mais que o céu escuro.

A chuva continuava num ritmo forte, aquele tipo de chuva de que se você ficar mais de trinta segundos nela vai acabar tendo uma lavagem intestinal de tanta água que vai entrar no seu corpo.

Suspirei, estava sem sinal no telefone e Annabeth também.

Vi que ela estava tremendo ainda mais, então decidi fazer alguma coisa.

–Você, por favor, tira esta roupa, ok? Eu vou lá embaixo no saguão pegar alguma roupa na lojinha.

Ela assentiu, não contestando em nada.

Fiquei surpreso e desci, comprando uma roupa numa loja exorbitantemente cara e estrondosamente brega. Consegui achar uma roupa bonita mesmo assim e comprei para Annabeth.

Peguei o cartão do quarto e passei na maçaneta eletrônica. Na minha mão direita rodava o cartão verde do hotel e na minha mão esquerda estava a roupa que havia comprado para Annabeth.

Quando entrei em nosso quarto, vi as roupas de Annabeth espalhadas pelo chão, todas seguindo um caminho muito bem traçado. Primeiro o casaco e os sapatos, depois a saia e as meias. Por fim, a blusa.

Eu parei ali, olhando para o outro cômodo em que Annabeth parecia muito feliz dentro da banheira.

Rosnei (ou pigarreei) para que ela conseguisse abrir os olhos.

–Eu estava morrendo de frio e veio uma nesga de ar do Alasca daquela janela. Aí, esta água estava tão quente e cheia de espuma…

Ela ficou olhando para dentro da banheira por algum tempo, tanto tempo que eu achei que ela havia fumado maconha.

–Está muito gostoso.

Eu tentei não olhar para a calcinha e o sutiã jogados bem em frente a banheira, o conjunto era preto e de renda. No ano em que namoramos, eu colecionei algumas calcinhas de Annabeth que se eu não me engano estão até hoje no fundo da minha gaveta.

Eu virei meu corpo instintivamente, segurando agora com as minhas duas mãos a roupa que comprei para Annabeth.

–Bem, eu… Você quer que eu…

–Pode trazer aqui. — ouvi ela bufando quando eu me virei — Até parece que nunca viu ninguém com os ombros pra fora, chega aqui.

Fui andando lentamente até onde ela estava, eu apenas conseguia ver a espuma misturada com água que ia até seus ombros, seu cabelo loiro estava preso bagunçado, e seus olhos cinza continuavam delineados com uma maquiagem preta que agora estava borrada.

Ela olhava para mim com uma sobrancelha arqueada, ouvi ela perguntar alguma coisa mas em meio a pensamentos eu não consegui ouvir.

–Oi?

–Estou te fazendo uma proposta — um de seus braços saiu da banheira, indo até o meu pescoço e me puxando para baixo — Olha Percy, quando sairmos deste quarto você vai continuar com Rachel e seus amigos fantásticos e sua vida sensacional. Mas por enquanto, só hoje. Só até esta chuva passar… Eu lhe recomendo um pouco de diversão com Annabeth Chase.

Ponderei um pouco, muito. Eu nunca fui o tipo de pessoa que costuma “ponderar”, mas é bem certo que no último ano eu estava mais frio e calculista do que eu sempre fui.

Decidi que por hoje eu estaria livre desta nova realidade. Eu tinha a total certeza do que significava “diversão” para Annabeth. Mas eu gostava de me divertir, e sempre gostei de me divertir com Annabeth.

Por isto, sorrindo um pouco, eu falei:

–O que você propõe exatamente?

O sorriso de Annabeth se abriu, suas duas mãos saíram da banheira e me puxaram para mais perto. Ela sussurrou no meu ouvido:

–Tire toda esta roupa e deite aqui comigo.

Eu olhei para ela praticamente na mesma hora, meus olhos contornando seus lábios e olhos. Eu nem ao menos havia respondido, ela mesma desabotoou a calça jeans e voltou a relaxar na banheira, sua cabeça repousando na parede da banheira.

Eu olhei para ela que estava de olhos fechados, não sei porque ela havia feito aquilo mas mostrava algo, algo diferente. Annabeth era realmente a garota mais legal que eu já havia conhecido.

Deitei na sua frente depois de tirar a roupa, vendo seus olhos se abrirem levemente.

–Eu vou sair desta posição agora, talvez eu mostre algo que você goste (ou não). De uma forma ou de outra, você tem que prometer não pirar. Por enquanto, apenas curta o momento.

Eu franzi o cenho, pronto para responder que nem ao menos havia entendido o que ela havia dito. Mas então ela se levantou um pouco da banheira, declinando-se na minha direção. Seus seios e parte da sua barriga apareceram, mas não foi nisto que os meus olhos se focaram.

O que realmente focaram foi o que estava escrito encima de seu peito, em letras cursivas e itálicas:

“Percy”

Aquela filha da puta não havia tirado a tatuagem, ela não havia tirado nem um só Y da tatuagem. Ela simplesmente me ignorou este tempo todo e no fim ela continuava com a maldita tatuagem.

–Você prometeu não pirar.

Meus olhos foram até seus olhos. Eu fiz pela primeira vez algo por puro instinto, minhas costas saíram do encosto da banheira, indo de encontro com seu corpo, o pressionando contra a banheira.

–Eu não prometi nada.

–O que você quer fazer? — ela parecia um pouco medrosa, meus olhos provavelmente não estavam nada normais.

–Eu quero te matar — eu disse, para a minha surpresa ela apenas riu em resposta.

–Matar?

Eu pensei um pouco.

–Matar não, mas jogar a sua cabeça contra a parede muitas vezes e com muita força — eu passei meu cabelo para trás, a água quente o umedecendo um pouco. — C-co-como você…? Você me odiou este ano, você…

Eu estava extremamente confuso, e não me julguem: Até aquele momento eu tinha a total certeza que ela havia tirado aquela tatuagem, vê-la ali foi tipo… Me deixar sem chão.

Ela parecia um pouco decepcionada.

–Você prometeu não pirar…

–Não! Eu não prometi nada! — minhas costas voltaram para a posição de antes, nós dois no extremo oposto da banheira. Respirei fundo depois de continuar a falar:- Mas, você disse para esquecermos as coisas aqui dentro, então eu não vou falar nada. Mas eu juro que eu vou pirar quando entrarmos no carro, eu vou fazer um escândalo!

Ela riu, sua mão passando pela espuma com cuidado.

–Eu comecei a ver Star Trek no ano passado — eu provavelmente fiz uma careta.

–Star Trek é uma merda, Star Wars que é bom.

–Eu não acho — ela argumentou, mas depois riu um pouco — Eu só disse isto porque eu sei que você gosta de Star Wars.

–É a melhor saga de ficção…

–Não é.

Eu comecei a cantar o tema do Darth Vader, simplesmente porque eu quis. Annabeth riu, e só então eu percebi que desde que havíamos entrado no quarto, ela riu mais do que no ano inteiro.

Ela afundou a cabeça na água por um tempo, voltando lentamente e sem muita pressa.

Seus cabelos totalmente molhados e suas bochechas vermelhas pela água quente a deixaram estranhamente fofa. Ela pegou o maço de cigarro jogado no chão, tragando um lentamente.

Ela ficava sexy daquele jeito, não o tipo de sexy que você tem vontade de atacar e rasgar ao meio, mas sim o tipo de sexy que você fica parado igual um idiota, e quando tem capacidade de reação meio que deveria usá-lo para pegar uma câmera e tirar uma foto.

–Você não devia fumar.

Ela riu um pouco, seu corpo inclinando-se para perto do meu, ela soprou a fumaça do cigarro no meu rosto.

–Ok, mamãe.

Minha bochecha provavelmente ficou vermelha de raiva, eu revirei os olhos e virei seu corpo, deixando suas costas encostarem no meu peito. Roubei o cigarro da sua mão, tragando também.

–Você sabe fazer anéis de fumaça — ela riu — Igual um hobbit.

Eu ri um pouco também, assim como ela ignorando o fato de nossos corpos estarem tão colados.

–Tem que ter anos de prática para conseguir fazer isto — ela roubou o cigarro da minha mão — Alguém fuma escondido do papai por aqui.

Dei de ombros.

–Eu fumei com Nico e Luke quando tinha treze anos, ocasionalmente acontece de um cigarro aparecer subitamente na minha boca, eu não vou morrer de nicotina entupindo minha traquéia igual você.

Annabeth soprou um pouco mais de fumaça.

–O jeito perfeito de morrer, meu sonho — seu sarcasmo não era incisivo como eu estava acostumado a ouvir, ele não tinha o objetivo de me atingir, e sim de me fazer rir. Na janela de vidro a chuva continuava em pancadas pesadas.

Naquele momento eu queria que ela nunca acabasse.

Peguei o cigarro da mão de Annabeth, fumando um pouco. Olhei para frente, nossas pernas estavam entrelaçadas.

Eu senti seu braço ficar arrepiado quando uma de minhas mãos foi sem querer na sua barriga, ela pigarreou um pouco e pegou o cigarro, voltando para a posição contrária a mim.

Nos entreolhamos, havia um tempo que não precisávamos ficar falando e falando para nos comunicarmos. Uma pequena tensão surgiu no ar.

–Eu duvido que você consiga fazer anéis de fumaça — eu comentei, rindo um pouco. Annabeth deu de ombros.

–Eu realmente não consigo — ela fumou um pouco, tentou fazer um anel mas a única coisa que conseguiu foi ficar com um bico na boca. Eu ri alto, pondo a mão nos meus cabelos. Ela riu um pouco também e jogou (muita) água no meu rosto.

Fechei os olhos, sério. Ela ria e ria do outro lado.

Tirei a espuma dos meus olhos e mordi o lábio inferior, tentando gesticular alguma coisa.

–Eu não vou nem abrir o verbo com você, Annabeth — ela riu um pouco mais. Depois inclinou-se até a base da banheira, onde tinha os comandos. Eu consegui ver suas costas úmidas e brilhantes e boa parte da sua bunda, quando ela voltou eu provavelmente tinha uma expressão acusadora, já que ela arqueou uma sobrancelha e sorriu de lado de volta.

A espuma começou a sair, e junto com ela o que restava de privacidade aos nossos corpos. A água quente começou a tomar conta e eu conseguia ver perfeitamente a tatuagem encima do seu peito, como provavelmente ela conseguia ver a minha.

Mas pelo que parecia, Annabeth não estava exatamente concentrada na tatuagem.

Segui seu olhar que ia para baixo, e depois revirei os olhos (com as bochechas provavelmente vermelhas) quando vi para onde iam.

–O que foi?

–Dizem que a fase dos hormônios do homem é dos dezessete para os dezoito — ela riu um pouco, fumando — Agora eu acredito.

Minhas bochechas vermelhas não disfarçavam: eu estava com vergonha.

Eu sei que é algo difícil, mas às vezes acontece.

–Eu não entendi o que você qui-quis dizer com isto.

Ela sorriu de lado enquanto a fumaça saía quase que numa canção da sua boca. Annabeth saiu da banheira, ficando gloriosamente nua na minha frente.

–Sabe uma coisa que eu nunca entendi? Essa tarja preta em sexo e assuntos relacionados a ele. Quer dizer… É tão natural, tão animalesco e primário, porque todo este alarde com sexo? Eu juro que não entendo. O que eu quis dizer é que você está com o corpo estrondosamente lindo, tudo no lugar certo.

Eu provavelmente estava com as sobrancelhas arqueadas e a boca levemente aberta.

–É agora que eu devo te elogiar?

Annabeth riu pelo nariz.

–Eu não preciso disto.

Olhei para ela agora com um sorriso normal, saindo da banheira também, pegando a toalha felpuda e entrelaçando na minha cintura.

–Que bom, eu não me sinto confortável mentindo, sabe?

Ela pegou uma garrafa de vinho no frigobar. Estes caras faziam tudo por dinheiro, sabiam que nem eu nem ela tínhamos vinte e um, mas mesmo assim eles deixavam a bebida. Tudo por simplesmente dinheiro.

–Eu sei que você tem que dirigir mas você se importa se eu…?

–À vontade.

Deitei na cama, olhando a chuva ao longe continuar péssima. Annabeth com a toalha branca enrolada no corpo veio na minha direção, ela se deitou ao meu lado e começou a beber.

Eu e Annabeth tínhamos agora uma relação interessante: Não éramos nada. Mas éramos tudo. Eu era a única pessoa com quem ela conversava, e ela era a única pessoa com quem eu simplesmente conseguia me desligar um pouco da loucura do senior year.

Estávamos num acordo pré estabelecido por olhares, não precísavamos transar urgentemente, nem forçar ninguém a nada.

Mas eu odiava a forma como aquela loira me atraía, ela simplesmente não fazia porra nenhuma. Só ficava ali. Bebendo uma garrafa de vinho. E então tudo que eu queria era ficar com ela, de todas as formas possíveis.

Annabeth estava muito mais magra do que no ano passado, mas não era um magro esquelético, e sim um magro bonito. Seus seios eram grandes demais para a fineza da sua cintura, e suas pernas grossas e delineadas.

O rosto dela estava me atraindo cada vez mais, as bochechas vermelhas, os lábios proporcionalmente carnudos e vermelhos, o nariz arrebitado como uma princesa e os olhos grandes e cinzas. Aquela expressão rebelde de “I don’t give a fuck” dela era de tirar do sério.

Não foi combinado, forçado, não precísavamos ter feito aquilo. Mas eu e ela nos entreolhamos, e poucos segundos depois a garrafa de vinho estava no chão, seus lábios agora colados nos meus.

Seu corpo passou por cima do meu, eu me levantei, encostando-me na beirada da cama e sentindo o contato quase direto de Annabeth comigo. Minhas mãos foram para os seus cabelos loiros, soltando-os do seu coque-rabo mal feito.

Nós nos separamos por falta de ar, sua língua foi para o meu queixo, descendo até a mandíbula. Eu a joguei contra cama, a toalha branca saindo do seu corpo sem eu ao menos toca-la.

Minha língua passeou pelos seios dela, maiores do que da última vez que havia feito aquilo.

Annabeth podia ter mudado em tudo, mas eu sabia exatamente o que fazer para deixa-la excitada, e seus gemidos de felina não haviam mudado em nada.

Eu abri suas pernas, sorrindo um pouco ao ver seus olhos cinza me olharem com luxúria. E até um pouco de raiva, acho que ela não gostava de quando eu a dominava.

Mas nós dois tínhamos estilos dominadores, eu odiava ser comandado.

Minha língua enrolou-se no seu clítoris, eu parei um pouco enquanto ela arqueava a sobrancelha.

–Esqueci, incisivo ou…

–Sem preliminares — ela falou com os dentes trincados. Sorri um pouco.

–Incisivo.

Eu tive o prazer de passar a língua pelos lábios menores dela, decidi que ia apenas pôr a língua nela por enquanto, eu rodeava seu clítoris e a penetrava com a lingua. Ela tinha o cheiro e gosto de morangos. Como ela conseguia aquela proeza eu juro que não sabia.

–Olha aqui — ela disse de uma vez só, ofegante e rasa. Eu parei de brincar com ela, minhas mãos que estavam na sua coxa desceram para sua virilha, soprei sua entrada e ela ofegou ainda mais — Acaba com esta porr…

Eu a penetrei com a língua mais uma vez, agora o máximo que pude. Foi estranhamente sensacional senti-la chegar na minha língua, e ainda mais porque foi dentro dela. Minha língua saiu de dentro dela mas ela continuou com o orgasmo, abri suas pernas mais para ela sentir melhor.

Sua boca não soltava nenhum som, apenas ofegava. Eu estava me incomodando profundamente com a tolha que me cobria.

Ela voltou com as costas no colchão, suas mãos soltaram o lençol e ela abriu levemente os olhos. Os olhos de Annabeth sempre ficavam escuros durante o sexo, um negro com pequenos fiapos cinza.

–Múltiplo — eu comentei, sorrindo um pouco. Ela assentiu.

–Múltiplo.

Eu ia responder, quando alguém bateu na porta. Uma voz masculina disse “serviço de quarto”. Eu e Annabeth nos entreolhamos, sem entender grandes coisas. Ela se enrolou no lençol vermelho e eu consertei um pouco melhor a toalha, abrindo uma fresta da porta.

–Oi?

–Nós viemos avisar que a linha do hotel está funcionando, caso os celulares não tenham sinal.

Eu assenti. Agradecendo com a cabeça.

–Tenha uma boa estadia, e desculpe-me o inconveniente — eu fechei a porta, não entendendo o que ele havia dito.

–Como ele pode ter tanta certeza de que estava atrapalhando?

Annabeth sorriu para mim, seu olhar mais uma vez indo para baixo. Eu segui mais uma vez, e era óbvio que eu havia deixado transpassar o quão excitado eu estava poucos segundos atrás.

–Hormônios — foi o que Annabeth relembrou, sorrindo um pouco. Eu olhei para a janela, a chuva estava ficando mais calma.

–Já, já nos vamos poder ir embora.

Ela concordou um pouco, levantou-se da cama e foi até mim. Seus lábios formavam um sexy sorriso de lado.

Seu dedo indicador passou lentamente pela tatuagem encima do meu peito. Seus lábios ficavam no meu queixo, de forma que ela tinha que levantar um pouco a cabeça para falar comigo.

–Você perdeu a virgindade com a Rachel, não foi?

Eu me embabasquei com a pergunta, mas por fim respondi:

–Sim.

–Você já transou com ela muitas vezes? Seja sincero.

Eu estava um pouco retesado em responder, não entendia muito qual seria as consequências.

–Sim.

–E ela é boa?

–Oi?

–Eu perguntei se ela é boa, sabe… De cama — eu pensei um pouco, fiquei tentado a mentir. Mas os olhos de Annabeth pareciam saber quando eu mentia.

–Sim.

–Muito?

–Annabeth…

–Muito?

–Muito.

Ela me jogou na poltrona que tinha ali na frente, seus lábios presos num sorriso sapeca.

–Seria inconveniente perguntar há quanto tempo você não transa?

–Sim. Duas semanas.

Ela pensou um pouco, seus dedos longos percorreram meu pescoço, ela se sentou exatamente encima de mim.

–Você poderia ser realmente sincero se depois de hoje eu for melhor que ela?

Eu franzi as sobrancelhas, sorrindo de lado.

–Porque isto?

– O que seria da vida de uma mulher sem seus caprichos — ela sorriu um pouco. Sentada encima de mim, ela parecia mais uma leoa prestes para atacar. Seus dedos longos passaram com força encima do meu abdômen, tamborilando um pouco no fim dele.

Ela tirou minha toalha e saiu de cima de mim, ajoelhando-se na minha frente.

Abriu as minhas pernas, me deixando ainda mais ansioso pelo que tinha por vir. Então, sem mais nem menos sua língua percorreu a base do meu pau, chupando os testículos mais forte que qualquer outra garota poderia ter feito.

Eu não vou mentir, dei um pulo na poltrona quando ela fez aquilo. Foi extremamente gostoso e diferente, minhas mãos apertaram os braços da poltrona e todos os meus músculos se retesaram.

Ela riu um pouco, parecia se divertir.

–Você já ganhou uma espanhola?

Eu respirei fundo, aquela vontadezinha de jogar a cabeça dela na parede voltando. Não era uma boa hora para perguntar porra nenhuma.

–Não.

–Dizem que é gostoso, sabia? Eu nunca recebi, até porque não tenho um pau — seu corpo inclinou-se sobre o meu. Seu rosto ficou na altura do meu âbdomen, ela segurava os próprios seios com vontade.

Então ela simplesmente apertou meu pau entre seus dois seios, esfregando-os para cima e para baixo.

Eu não havia mentido quando disse que nunca tinha recebido uma espanhola, e era uma pena porque era extremamente bom. Seus seios eram grandes e carnudos, era como se eu estivesse realmente fudendo eles.

Sua língua chupou a cabeça do meu pau, eu estava ficando sem fôlego, ar e voz. Minha cintura fazia movimentos involuntários para cima e para baixo.

Não demorou muito para eu ter um orgasmo, e ela nem havia feito um oral direito em mim. Meu corpo todo se jogou contra a poltrona, meus músculos relaxaram e eu fechei os olhos.

Quando os abri, vi que tinha resquícios de gozo nas bochechas de Annabeth. Ela estava sentada encima de mim.

–Desculpa — eu disse, sorrindo um pouco. Ela pôs a mão no próprio rosto e chupou os dedos, sorrindo logo depois. Minha expressão não devia estar das melhores porque ela ficou séria:

–Desculpa, você queria?

–Não — ri um pouco — Você quer sua resposta?

–Sobre o quê?

–Rachel e…

–Ah não. Não precisa mais.

–Ok.

Ela passou os dedos pelos meus cabelos, puxando meu rosto um pouco mais para cima.

–É uma grande pena a chuva ter acabado uns dez minutos atrás.

Eu olhei para a janela, nem havia percebido.

Annabeth saiu de cima de mim e jogou minha cueca em minha direção. Assim como a minha blusa, eu os vesti e fui até ela, pegando a sacola com a roupa que havia comprado.

–Você teve a audácia de comprar uma lingerie para mim? — sua sobrancelha estava arqueada. Eu dei de ombros, sorrindo um pouco.

–Eu diria a atenção de comprar uma lingerie para você.

–Calcinha azul, sutiã azul. Blusa azul…

–Short jeans…

–Que por acaso é azul — ela pegou tudo e vestiu, prendeu seu cabelo num rabo e jogou seu uniforme molhado dentro da sacola.

Depois de nos vestirmos, eu e ela nos entreolhamos na porta do hotel. Aquele lugar parecia nossa pequena Las Vegas.

E o que acontecia em Las Vegas, ficava em Las Vegas.

(...)

Meu coração disparava, minhas mãos soavam. Nico, atrás de mim, parecia calmo e até mesmo feliz. Mas Luke, uau, ele parecia que ia morrer a qualquer momento.

O animador de torcida começou a gritar, a torcida fez um barulho ensurdecedor. Eu virei para o time, respirando fundo.

–Concentração! — eu gritei, e o time gritou comigo. O animador chamou o time, e então eu me aqueci um pouco e corri, rasgando o papel com a insignia do time e indo até o meio da quadra. Meu olhar rodou por toda a arquibancada, eu vi Thalia e Megan gritando, e também Rachel na primeira fila junto com as líderes de torcida.

Meu olhar correu por todo o ginásio e lá encima, na última fileira estavam meus pais e Annabeth. Junto, é claro, com os pais de Luke.

O outro time entrou, e junto com ele vaias da torcida. Nosso time fez uma roda.

–Nós temos que vencer, é a nossa chance de sermos ótimos — era fácil gritar com um time que eu jogava a três anos. Eu ainda não conseguia entender como ficava calmo nestes momentos, mas eu apenas dava as instruções que me foram treinadas rapidamente e pronto.

Os dois times estavam a postos para o começo da partida. Era o primeiro jogo do campeonato então todos pareciam apreensivos. O juiz deu suas informações normais e o jogo começou.

Eles pegaram a bola e foram diretamente para o ataque, fazendo uma cesta de dois pontos. Depois disto, eu juro que não consigo narrar muitas coisas.

Eu só sei que nosso time tomou conta do jogo, abafando o outro time totalmente. Meus sentidos foram para o modo automático, passar a bola, fazer cesta, dribles. Minha mente era nebulosa e eu não conseguia ouvir nem pensar em nada fora do jogo.

O apito final soou e eu fiquei um pouco assustado, meu corpo estava muito suado e no placar estava escrito “time da casa 86, time de fora 21”.

Aquele tinha sido o maior placar de diferença do campeonato regional, eu ri um pouco e vi que Luke me deu um abraço.

–Você jogou muito! — ele gritou, rindo. Nico tinha uma toalha e ria também.

–É uma pena só ter o olheiro da Carolina do Norte por aqui — comentou ele. Eu ri um pouco, o olheiro fazia algumas anotações na arquibancada e sorria um pouco.

A torcida invadiu a quadra depois que o time de fora foi para o vestiário, Rachel me deu um beijo avassalador, daqueles de tirar o fôlego.

Na mesma hora eu pensei no hotel, e em tudo que havia acontecido ontem. Mas quando olhei na direção da arquibancada lá encima, Annabeth não parecia realmente ligar. E eu me lembrei da sua fala na banheira: “Quando sairmos deste quarto você continuará com Rachel”

Eu sentia que se mudasse bruscamente para ela, talvez eu estivesse estragando tudo.

–Vai ter festa na casa de alguém? — eu gritei, um jogador do nosso time gritou que teria na casa dele. Eu ri e peguei na cintura de Rachel, olhando suas fofas sardas e os olhos tão verdes quanto os meus.

–Você vem? — ela negou com a cabeça.

–Amanhã começa o meu campeonato, aliás você está convidado — ela sorriu de lado e eu sorri para ela. Lembrando-me de que Annabeth também iria jogar.

–Estarei lá.

–Você foi super bem, boa festa — ela me deu um selinho. Eu fui até o vestiário e troquei de roupa, joguei minha mochila nas costas e comecei a sentir meu braço doendo pelo esforço físico.

A quadra já estava vazia e o meu pai foi até mim, batendo nas minhas costas.

–Você arrasou — ele disse com um sorriso grande — Eu, particurlamente, adorei.

–Obrigada, pai — Atena me deu um abraço apertado.

–Eu nunca tinha vindo num jogo de basquete! É tão emocionante — nós fomos andando até o estacionamento, Annabeth continuava calada e séria.

Hoje a tarde eu não pude levá-la em seu psiquiatra, então eu me perguntava se não tinha sido a consulta que havia a deixado tão séria. Decidi que não ia perguntar, ela provavelmente não responderia.

Os pais de Luke se encontraram conosco no estacionamento, todo mundo estava junto o que foi legal.

–Nós estamos indo para a festa — Luke disse. Megan e Thalia assentiram.

–Você vem? — perguntou Thalia. Eu discordei.

–Amanhã é sábado, vocês poderiam ir lá para casa para comemorarmos, então — eu olhei para o meu pai, ele sorriu e eu sabia que ele havia deixado.

–Até amanhã — eu falei, vendo o pessoal acelerar no conversível de Thalia.

Nós fomos para casa, eu pus gelo no meu braço enquanto via as estrelas começarem a aparecer.

No outro dia, de manhã. Annabeth havia saído misteriosamente deixando Dona Atena praticamente louca, eu já estava acostumado então apenas acalmei Atena.

A campainha tocou cerca de dez horas da manhã, Atena saiu igual louca e abriu a porta, provavelmente era Annabeth.

Mas invés disto, apareceu um cara que aparentava ter pouca idade, tinha cabelos loiros e olhos estranhamente dourados. Seu sorriso era simpático.

–Dr. Foster! — Atena gritou, sorrindo um pouco — Que ótima surpresa vê-lo aqui, algum progresso?

Ele deu dois passos para dentro, eu tinha uma sobrancelha arqueada. Estava um pouco confuso ao vê-lo ali, poderia ser um advogado. Mas meus pais nunca traziam trabalho para casa.

O Dr.Foster sorriu para Atena.

–Annabeth deveria ir duas vezes na semana, mas ela foi ontem a tarde e hoje de manhã no meu consultório.

Atena abriu uma carranca.

–Este é um problema? Estou pagando por…

–Não, não. Estou apenas dizendo que isto significa que ela gostou de mim, e isto já é um ótimo progresso. Eu posso te dizer que sua filha não é nenhuma renegada ou tem algum sério problema psicológico.

Ele estava sentado no sofá, só naquele momento havia notado minha presença.

–Desculpa, você é…?

Eu logo de cara não gostei muito dele. O psiquiatra de Annabeth parecia um modelo da Vogue, que droga de doutor é este?

–Percy, Percy Jackson — eu o cumprimentei com a mão, e acabei me sentando também no sofá. Ele sorriu um pouco mais.

–Então você é o Percy.

–Ela falou de mim?

–Não posso contar.

Ele se virou para Atena, dentro da sua bolsa de lado ele pegou uma caderneta e um lápis de borracha rosa.

–O diágnostico rápido já está pronto, se você quiser saber — Atena parecia séria, seus olhos se arregalaram um pouco.

–Mas já?

–Sim, como eu te disse anteriormente, Annabeth não tem nenhum problema psicológico grave ou sinais de esquizofrenia ou inércia leve como você havia sugerido.

–Sim, qual o problema da minha filha?- Atena respirou fundo. Suas mãos pareciam tremer. O Dr. Foster checou sua caderneta.

–Ela é rebelde.

Eu franzi as sobrancelhas, grande doutor.

–Isto todos nós sabemos — eu comentei, gesticulando um pouco. Ele pegou uma armação de óculos na sua bolsa e começou a ler várias frases em voz baixa. Atena parecia não entender o que ele dizia.

–Não é uma rebeldia normal, de adolescente mimado ou algo do tipo. Rebeldia pode ser um problema psicológico. Na psicologia temos vários tipos de rebeldia. De uma forma geral, existem dois tipos de rebeldia psicológica: A rebeldia psicológica violenta, e dentro dela consiste o que chamamos de rebeldia agressiva, basicamente pessoas que são rebeldes de forma corporal, batendo ou praticando bullying.

–A minha filha tem isto? — Atena parecia quase desesperada. O Dr.Foster riu.

–Não, sua filha tem o que chamamos de rebeldia psicológica profunda da inteligência.

Eu e Atena nos entreolhamos, eu juro que não entendi nada que aquele cara havia dito. Ele ajeitou seus óculos.

–É um tipo de rebeldia revolucionária. Annabeth não é este tipo de rebelde que vocês estão pensando, ela é a rebelde inteligente, que usa a intuição e tem o que nós chamamos de “revolução da consciência”.

Atena parecia pensativa.

–Isto não parece ruim.

–E de fato não é, o que acontece é que dentro desta rebeldia psicológica de profunda inteligência existem outros dois tipos de rebeldia: a transgressiva e a progressiva. Annabeth agora está na rebeldia transgressiva: Ela não segue as normas da sociedade por egoísmo e atitude própria. Sua inteligência a deixou um pouco afastada das pessoas.

–Mas ela não era assim antes do pai morrer — foi a minha vez de falar algo — Ela era uma garota sociável e cheia de amigos. Claro que fazia algumas doideras, mas não era nada tão louco quanto isto.

–O que acontece Percy, é que ela tem esta doença que chamamos de rebeldia psicológica da profunda inteligência, mas dependendo da fase da sua vida ela pode ser progressiva ou transgressiva. No ano em que você a conheceu, ela estava na rebeldia progressiva: Tentando ajudar as pessoas ao máximo e não aceitando muito bem as injustiças, ela não tentava romper as regras, mas sim melhora-las.

–Pelo que Atena disse, Annabeth antes de vir pela primeira vez em Nova York teve uma overdose, nesta fase da vida dela de uso de drogas ela estava novamente na rebeldia transgressiva, igual ela está agora. A única diferença é que agora ela sofre com o baque de ter perdido o seu pai,e por isto o seu comportamento fica muito diferente de antes.

Atena olhava para o chão, ela engoliu um pouco em seco e passou as mãos na testa.

–E ela pode mudar? Quer dizer… Voltar para esta fase progressiva da vida.

Dylan assentiu.

–Depende muito dela. Vários rebeldes de profunda inteligência quando sofrem alguma injustiça costumam ficar para sempre transgressivos, eu acredito que Annabeth pode sofrer esta mesma coisa. O que eu, como psicólogo, posso fazer é ajudá-la ao máximo no que a incomoda psicologicamente, e a fazer ficar cada vez mais perto desta psicologia progressiva que é a melhor mentalidade para qualquer ser humano.

–Annabeth está muito alheia a sentimentos e também a pequenas minimices humanas, isto é uma característica de humanos mais evoluídos mentalmente. Eu quero que ela não perca este senso crítico fora de série, mas também que não vire uma robô evolucionária.

Atena assentiu, ele havia deixado tudo muito claro.

–Você pode por favor — Atena gesticulou para mim, eu concordei. Então ela foi embora rapidamente para o andar de cima. O Dr.Foster olhava para mim curiosamente, o que era algo muito chato.

–Percy, nós podemos conversar lá fora?

Nós dois fomos até a piscina, ele se sentou numa espreguiçadeira e eu me sentei na sua frente.

–Eu sei de tudo — ele falou, com um sorriso de lado — Você é o cara que faz ela se abalar emocionalmente.

Eu arqueei uma sobrancelha.

–Sou?

–Claro que é. Vocês dois transaram, não é? Foi o que ela me disse — eu concordei relutantemente — Você tem que entender que eu não vou contar nada para Atena ou Poseidon, eu tenho um código moral com meus pacientes. E agora eu vou te falar outra coisa que você também precisa entender: Ela está totalmente abalada psicologicamente, sua mente não consegue funcionar como a sua ou de qualquer outra pessoa. Uma perda tão grande pode gerar um universo paralelo da própria mente, felizmente isto não aconteceu com ela: Com ela foi pior, ela começou a ver a sociedade nua e crua. O que eu quero dizer é que não é bom se relacionar com ela agora, você pode se decepcionar se ela não te corresponder emocionalmente. Annabeth agora não tem capacidade de ter sentimentos profundos por ninguém, ela pode falar que te ama ou que é apaixonada por você uma vez ou outra: Porém isto é a confusão mental dela posta a prova. Ela não sabe o que sente por você, e isto vai continuar assim nas próximas semanas.

Eu me levantei, revoltado. Sorri um pouco sarcástico e passei a mão nos meus cabelos.

–Então você simplesmente veio aqui para dizer que não posso ficar com ela? Obrigada, eu não preciso de mais pessoas me falando isto.

Ele olhou para mim metodicamente, parecia estudar todas as minhas palavras.

–É uma dica — ele disse — Você é importante para ela, senão ela nunca iria ter uma tatuagem com seu nome.

O Dr.Foster foi embora, minha mente se nebulou um pouco. Meu coração estava profundamente desapontado.

(...)

Luke riu da minha cara, estrondosamente alto. Nós dois andávamos pelos corredores do colégio.

–Você está se importando muito com alguém para vir ao colégio no sábado, Percy. Apenas para ver o jogo de futebol — revirei os olhos.

–Muita gente vem aqui no sábado, se você quer saber.

Ele riu.

–Tudo bem, mas você vai apenas buscar Annabeth e então vamos para sua casa. As meninas vão ficar loucas se atrasarmos.

–Vocês estão casados agora, ou é impressão minha? — ele riu sem graça.

–Muito engraçado, pode ir para o Stand Up agora.

Eu ri também, o ray ban caindo pelos meus olhos. O sol estava quente e aquele mato que jogadores e adoradores de futebol costumavam chamar de “tapete verde” esquentava ainda mais a porra toda.

Nós nos sentamos na arquibancada que estava muito cheia, não tinha líderes de torcida para modalidades femininas, então apenas o mascote ficava andando para lá e para cá igual louco.

Quando eu vi o time feminino entrando, eu sabia que aquele jogo seria grandioso.

Notas finais
Ok, um hentai "parcial" digamos assim, haha. Eu tive que fazer uma pequena aula de psicologia para poder escrever este capítulo mas tá tudo certo. Deixem seus reviews, eu me esforço para fazer um ótimo capítulo e peço humildemente que se esforcem um pouco para deixar o seu review ali. Beijos e até o próximo!