O Que Eles Veem Em Você? 2

51 Consequences of Dirty


Notas iniciais
ALO COMPANHEIROS E COMPANHEIRAS. Como vão vocês???????VOCÊS VIRAM QUE VAI TER UMA SAGA NOVA DE PJ?? TIPO, WHAT???? Ah, pessoal, esse capítulo é totalmente diferente de todos então por favor se você não lembra da história recomendo que leiam o capitulo " Os segredos de Cancun" ok?? Boa leitura!

Cancun, Férias de Verão – 5:30 PM

Nico Di Ângelo tinha olhos avermelhados e inchados, o nariz irritado e um sorriso maldoso no rosto. O policial revistava seus bolsos e parecia surpreso em não ter achado sequer uma grama de droga para poder leva-lo a prisão.

–Vire-se – mandou o policial. Ele se virou ainda com as mãos para cima, o sorriso maldoso que não saía da sua expressão um tanto psicopata – Você se livrou bem desta vez, mas toma cuidado garoto.

Nico não sabia exatamente o que ele falava, algo em seu corpo estava flutuando e ele se sentia relaxado como nunca antes. O efeito da cocaína estava quase no final, e precisava achar mais para poder voltar a se sentir tão bem quanto antes.

Jogou os cabelos grandes e mal cortados para trás, e quando o policial foi embora em sua moto continuou a andar pela beirada da praia. Seu celular vibrou e ele pegou distraidamente lendo a mensagem.

“Estamos aqui na frente, é no fim da rua. Chega aqui”.

Era a mensagem de Luke, e se sentindo como que flutuando Nico foi andando lentamente até lá. Entendeu mesmo que drogado a magnitude do lugar que estavam entrando já há alguns metros da porta.

Foi fácil achar Luke e Percy, eles não se adequavam ao local. Enquanto garotas com saias curtas e saltos altíssimos entravam com grande facilidade os outros dois ficavam como que observando, tentando entender o que estava acontecendo. Nico apareceu ao lado.

–O que você acha? – perguntou Luke, seus óculos aviadores caindo lentamente da direção dos seus olhos. Nico não demorou muito tempo para pensar.

–Vamos logo – ele olhou em volta – Todo mundo está indo para esse lugar, seria idiota não entrarmos.

E aquilo foi à coisa mais idiota que Nico Di Ângelo já falou.

O La Tortura era realmente um lugar chamativo. Ficava na beira da praia, mas não tinha nenhum aspecto praiano. As paredes eram de cerâmica preta, que com a luz do sol brilhava e reluzia. E tinha um aspecto de fornalha ali dentro, nenhuma janela. O letreiro era de um azul neon absurdamente chamativo, e ao mesmo tempo em que entravam centenas de pessoas diariamente ali, tinha um quê de errado no lugar. Como se não fosse legalmente previsto a presença daquele prédio na cidade.

Entraram pela porta da frente, como bons visitantes. E o segurança nem sequer lhe perguntaram o nome, simplesmente entraram. Percy achou aquilo extremamente esquisito, mas preferiu não perguntar nada.

O aspecto ilegal do La Tortura era bem pior na parte de dentro, em que tudo era escuro demais. Na realidade, não se enxergava nada a um palmo de distancia, de forma que eles tinham que dar cada passo muito cuidadosamente.

De repente, Chris apareceu na frente de Percy, lhe puxando pelo braço.

–Eu não pensei que viram – falou no ouvido dele – Me sigam.

Percy puxou os outros dois amigos, e eles foram andando pela esquerda do lugar, muito perto da parede para não encostarem-se a ninguém. Chris puxou uma cortina e entrou, Percy o seguiu assim com os seus amigos.

A sala que entraram tinha o aspecto simplesmente lascivo: a luz vermelha, os sofás de couro preto e a fumaça que pairava no lugar de tantos cigarros diferentes. Luke prendeu a respiração, aquilo ali era um nível totalmente diferente das outras boates que tinha ido.

Estavam no México, nem tudo ali era digamos... Luxuoso. Mas eles sabiam disso, era justamente por aquilo que decidiram sair do país. Mas aquela sala era definitivamente outro nível, tinha homens engravatados ali, e garotas com saias curtas demais.

Ali parecia um salão de eventos decorado pelo poderoso chefão, e Luke não teve tempo de recuperar o fôlego, pois logo foi apresentado para certas pessoas.

–Nós viemos para cá todos os dias quando estamos em Cancun – comentou Chris – Tem as melhores garotas, e os melhores contatos. Se conseguirem falar com a pessoa certa conseguem tudo o que quiserem na cidade.

Percy já sabia do que ele falava: drogas.

Cancun era uma libertinagem ótima, mas também tinha certo tipo de repressão se você fosse um “qualquer um”. Nico bem sabia disso, aquela tarde tinha sido a ducentésima vez que era parado pela policia. Talvez por sua expressão meio malvada.

É claro que eles se interessaram na hora, a possibilidade de andarem sem repressões com drogas e álcool pela cidade era um sonho a ser alcançado. Até Luke que era o mais receoso olhou para seus amigos esperando que eles aceitassem a proposta. Por fim, Percy foi o que teve a coragem de perguntar:

–O que nós temos que fazer?

(...)

O La Tortura tinha as melhores garotas e pareciam gostar muito do que faziam. Percy, Luke e Nico tinham um acordo bastante lucrativo com os donos do La Tortura.

Por serem americanos, tinham apenas que fazer alguns contatos em Nova York para que algumas garotas pudessem ir com eles para os Estados Unidos, até porque por serem mexicanos e falarem apenas espanhol os sócios do La Tortura não seriam vistos com bons olhos por americanos.

Em troca daquilo, a influência dos donos da boate na cidade fazia com que policiais da cidade assim que vissem as identidades os deixassem passar com até mesmo quilos de drogas. E todas as garotas do La Tortura estavam à disposição deles, também as mais bonitas da cidade.

Nico Di Ângelo poderia estar quase apaixonado, a garota se chamava Maria. E era de longe a mais quieta e tímida do local, sempre tinha um olhar distante e mal humorado.

Percy se divertia com algumas loiras da boate, e Luke também ficava com algumas às vezes. Mas Nico tinha como que uma perversão por esta garota, precisava dela e precisava saber por que ela não estava tão feliz quanto às outras.

Além disso, ela não dava nenhum tipo de atenção aos clientes. Nico queria saber por que então ela não era demitida ou qualquer coisa assim. Mas sempre que ele tentava chegar perto ela ia para outro lado da boate, ou para o andar de cima onde ele não tinha acesso.

Numa bela noite de sexta feira, ele estava andando pelos corredores escuros e estreitos do La Tortura quando viu Maria sair por uma porta e andar na direção dele. Nico continuou encostado na parede, nas sombras, e quando ela passou por ele Nico acabou agarrando-lhe o braço.

Ela ofegou assustada, e quando seus olhos encontraram com os dele acabou ficando ainda mais assustada. Nico queria saber por que ela estava assim.

–Me solta – sussurrou ela.

–Eu só quero te entender, o que está acontecendo com você... – Nico via algo nela que parecia pior que ódio, algum tipo de tristeza vazia que ele não conseguia nem sequer suportar ficar muito tempo encarando. Ele tentou pegar no seu braço, mas Maria recuou fortemente pro outro lado da parede. Por um segundo ele entendeu o que estava acontecendo – Não vou te obrigar a fazer nada, só quero te ajudar.

Os dois se entreolharam por algum tempo, naquele corredor vermelho parecia que estavam indo a caminho da morte. Não era um lugar saudável para ninguém passar horas por dia trabalhando.

Num movimento rápido Maria pegou no seu braço, e lhe puxou para uma porta atrás deles. Assim que abriu a porta Nico se deparou com o que deveria ser mais uma sala de reuniões, tinha alguns sofás vermelhos e uma mesa de vidro preta no centro.

–Nós não saímos daqui – Maria falou tão baixo que Nico mal conseguiu ouvir, de forma que até achou que tinha entendido errado.

–O que? Como assim?

–Nós, dançarinas... Garçonetes. Não sei. Nós não saímos daqui, é um trabalho de 24 horas.

Nico juntou as sobrancelhas, as coisas sendo processadas muito rápido em sua cabeça. Realmente em qualquer momento do dia que vinha ao La Tortura as garotas sempre estavam lá para recebê-lo, sempre as mesmas.

Como então o La Tortura funcionava? Justo na cidade mais popular do país, justo na beira de uma praia. Onde estavam os direitos do trabalhador e onde estava o governo para fechar um lugar daqueles?

–Nenhuma garota fala nada – falou Maria ainda mais baixo – Eles dizem que se trabalharmos bem e fazermos os sócios ficarem felizes podemos sair do México, trabalhar numa grande empresa nos Estados Unidos. Algumas realmente já foram, mas...

Nico olhou nos olhos de Maria, naquela mulher extremamente maravilhosa que ele estava vidrado por tanto tempo. E sua ingenuidade ao contrário do que ele sentia por outras garotas, como Megan, algum tipo de sensualidade, nela apenas lhe fez ter um sentimento profundo de remorso e tristeza.

–Eles dizem que esses sócios, vocês, fazem com que a gente vá para os Estados Unidos... Claro que se fazermos vocês felizes. É mentira, não é?

Nico congelou. O acordo, a merda do acordo. Tudo parecia ser muito claro e muito evidente agora. O que ele estava fazendo... Seu coração parecia pesado e como que se tivesse um buraco no lugar dele. Ele entendeu que estava extremamente ferrado e que tinha se envolvido numa coisa muitíssimo perigosa e que talvez suas férias tivessem chegado ao fim.

Piscou algumas vezes, recuperando-se do choque.

–Como você sabe que é mentira? – perguntou Nico, engolindo em seco. Maria olhou envolta, procurando alguém que talvez estivesse ouvindo.

–Estou aqui há muito tempo, não me confraternizo com os sócios porque sei que vamos para um lugar ruim. Tinha uma amiga que trabalhava comigo, viemos juntos. Ela sempre foi muito boa no trabalho, e... a levaram. Ela tinha me prometido que iria me ligar todos os dias assim que chegasse aos Estados Unidos, mas...

–Ela nunca te ligou – completou Nico para ela. Depois passou a mão na testa, pensando em como resolveria essa situação e a na verdade ele percebeu que nunca tinha ficado tão nervoso em toda sua vida – Eu vou te ajudar, Maria. Aqui não é um bom lugar pra você ficar, eu... Preciso que faça tudo muito discretamente. Fale com as garotas que trabalham aqui que eu vou fazê-las saírem e que dessa vez elas vão ter dinheiro e um trabalho digno. Faça isto com muita cautela para nenhum dos sócios te ouvir, mas tem que ser rápido. Não temos muito tempo. Vou falar com meus amigos para me ajudarem, tudo bem?

Por um mísero Maria parou de parecer tão triste e vazia, e seus olhos brilharam como Nico nunca tinha reparado antes. Ela concordou e se levantou. Ele estava hiperventilando de nervoso, mas mesmo assim Maria se virou e pegou em seu rosto, lhe dando um beijo extremamente urgente e nervoso.

–Você foi o primeiro sócio que eu realmente me senti atraída – ela sussurrou, e foi embora. Por um segundo tudo que tinha de nervoso nele saiu, e ele deu um sorriso de lado ao perceber que tinha finalmente conseguido o beijo que tanto queria.

Sua expressão se fechou logo depois por dois motivos: Primeiro, ele se lembrou do tamanho problema que estava, e segundo, enquanto passava a mão na nuca percebeu que sentiu falta de alguma coisa naquele beijo. Se estressou e ficou bastante mal humorado quando percebeu que eram unhas, unhas arranhando sua nuca.

As longas unhas de Megan O’Connel lhe arranhando.

Bateu a porta com força assim que percebeu o que lhe atormentava.

(...)

Nico, Luke e Percy saíram do La Tortura muito rapidamente e ele contou exatamente o que tinha conversado com Maria.

No final, Percy estava sentado na areia com as mãos no rosto. E Luke olhava para a placa luminosa da boate como se tivesse observando algum tipo de fenômeno físico muito raro.

–O que a gente vai fazer? Vamos embora? – perguntou Luke, coçou os cabelos pensando no que faria em seguida – Isso aqui é crime, muitos crimes. Tem milhões de tipos diferentes de delitos dentro de um lugar só.

Percy olhava diretamente para algum ponto, os cabelos bagunçados pelo recente ataque dos nervos.

–Nós já sabíamos disso, de alguma forma, é claro que eles são metidos com crime. A gente tá andando com quilos de cocaína por aí e ninguém liga...

Ele suspirou enquanto fechava os olhos, o tamanho da fria que tinham entrado era grande demais pra ser verdade.

–A gente só ignorou pra poder usar as drogas em paz – continuou Nico para Percy – Mas a gente não pode fugir... De alguma forma a gente tem que ajudar essas garotas. Eles estão fazendo tráfico de pessoas, isso é muito sério.

Percy se levantou. Seu cabelo desarrumado lhe dando uma imagem de maluco.

–Temos que achar Chris e Beckendorf e os caras que nos colocaram aqui, eles vão saber exatamente o que fazer e como ajudar essas garotas.

E foi isso que fizeram, entraram no La Tortura e numa salinha de reuniões com seus ex-amigos de escola. No final de uma explicação rápida por parte de Nico (já estava cansado de contar a história), Chris riu. Definitivamente riu na sua cara.

–E daí, Nico? Elas gostam de fazer isso, tá ligado? Elas gostam de serem putas.

Nico quase se precipitou para socar seu rosto. Mas Luke pegou disfarçadamente em seu braço.

–Vocês tão querendo fazer o quê? – perguntou Leo Valdez, um amigo de Chris que também estava metido até o talo nessa confusão do tráfico – Tão querendo melar nosso negócio? Aqui que conseguimos droga pro ano inteiro, vocês vão ficar nas suas.

–E como vocês levam a droga pros Estados Unidos? – perguntou Percy, cruzando os braços. Agora estava definitivamente confuso. Leo olhou para todos ali como se perguntasse “esse cara é uma figura ou não é?”.

–As putas. Elas levam a droga e a gente pega lá.

Percy ficou boquiaberto, definitivamente boquiaberto. E de fato não era para menos, tinha achado Leo Valdez um cara extremamente bacana. Parecia estar enganado. No fim, Valdez não parecia mais com a expressão tão divertida, na verdade parecia bem sério e de alguma forma bravo com alguma coisa.

–Espero que vocês não façam nada- avisou Leo – Não brinquem com fogo. Vocês podem se queimar.

Chris, Leo, Beckendorf e alguns outros caras saíram da sala, e os garotos se entreolharam perdidos, nervosos e definitivamente ferrados. Depois disso tudo aconteceu realmente muito rápido, de forma que fica bastante difícil de narrar os acontecimentos numa linear, já que tudo aconteceu paralelemente.

A primeira coisa foi Maria falando algumas horas depois para suas amigas de boate sobre as propostas de Nico, e como as coisas poderiam melhorar para elas.

A segunda coisa foi Leo Valdez conversando diretamente com o dono do La Tortura, mas precisamente para comunicar-lhe sobre comportamentos estranhos entre sócios.

E como tudo deu errado?

Paralelamente essas três coisas acontecendo deram errado da seguinte forma: Joana, uma das amigas de Maria, não gostou nenhum um pouco dessa novidade. Já que iria para os Estados Unidos, foi o que tinham prometido a ela. E como percebeu que Nico gostava mesmo de Maria, tinha certeza que tudo aquilo era um álibi para os dois fugirem juntos.

A segunda coisa foi o dono do La Tortura bravo demais e com uma reação não esperada por Leo Valdez, levantando da sua mesa rapidamente e descendo as escadas para o primeiro andar.

E a terceira era Percy que fez o que parecia mais correto, ligou para a policia do estado, que tinha chances quase mínimas de estar vinculada com o La Tortura, ao contrário da policia municipal.

Depois de ficarem algum tempo bolando o plano para todos saírem dali, praticamente correndo foram de quarto em quarto atrás de Maria, e num deles ela brigava e discutia com Joana e outras garotas invés de terem chegado num acordo.

–Nós não temos muito tempo – avisou Nico, respirando fundo enquanto pensava em várias coisas ao mesmo tempo. Primeiro se o plano deles daria certo (foi bolado muito encima da hora), segundo se conseguiria fazer com que aquelas garotas quisessem sair da boate.

É o mito da caverna, depois de muito tempo na escuridão os olhos não conseguem mais enxergar e aceitar a luz.

Depois de minutos brigando com Joana e outras garotas que já tinham um acordo para ir para os Estados Unidos, ouviram sirenes da policia, e tudo ficou ainda mais caótico. Sócios saíam de vários quartos abotoando as calças, pessoas saíam do La Tortura em quantidade muito grande e perigosa. Por fim nenhuma garota quis sair da boate, ficando apenas Maria e outra garota que se dispuseram a seguir com Nico.

Estas garotas na realidade seguiram com Percy, e ele as levou para o caminho subterrâneo que conhecia da boate.

A polícia estadual era de fato efetiva, mas o que eles não esperavam era o quão perigosa poderia. Uma denúncia anônima de tráfico de pessoas e drogas num ponto de comércio fez com que todas as pessoas que saíam do La Tortura fossem presos, alguns espancados. No fim, Luke e Nico acabaram sendo pegos por não ter dado tempo de fugirem: conversaram o plano com Maria e a outra moça algumas vezes demais.

E a denúncia anônima feita pelo próprio Percy? No fim, ele foi pego saindo de um túnel subterrâneo. E de todas as garotas que tinham no La Tortura, duas simplesmente sumiram: Maria e sua irmã mais nova.

Elas ficaram com os documentos americanos e telefones de Nico, e mesmo depois dos três serem deportados do país e julgados nos Estados Unidos por tráfico, no fim Maria estava bem e como ela queria, tinha saído do México e conseguido um trabalho em que lhe pagavam alguma coisa.

Ela e Nico mantiveram contato, e no fim de todos os adolescentes americanos que tiravam proveito daquelas mexicanas e das regalias do La Tortura, apenas Nico, Percy e Luke foram de fato julgados como culpados.

E a pior consequência? Ainda estava por vir.

Notas finais
ENTÃO É ISSO. Vocês já sabem tudo o que aconteceu em Cancun, as férias absurdas deles está totalmente revelada, e também revelado o mistério do porque eles odiarem tanto Leo Valdez. Deixem seus reviews party people, eu já sei quantos capítulos faltam para terminar a fanfic e são três. Estou pensando em postar tudo essa semana ainda. Depende sinceramente da minha inspiração e tempo (as duas coisas em falta). De qualquer forma, deixem seus reviews como a cereja no bolo do grand finale da história. Beijos e ate o próximo!