O Quarto Dos Segredos
2 "Um mero Colecionador"
Notas iniciais
Espero que gostem.
Qualquer erro de digitação, ou até mesmo de português (Que eu espero que não tenha), me avisem. :D
Há muito tempo a grama verde havia se tornado cinza e as flores que antes enfeitavam a caminhada até a entrada da casa se extinguiram. Não importava a estação, as árvores sempre estariam secas e sem vida e a casa, antes branca e bonita como as demais da rua, agora estava com a tinta gasta e o branco dera lugar a um marrom sujo. As janelas em ruínas tinham, em sua maioria, os vidros quebrados.
Eu não me importava com a aparência de minha casa, nem com o que os vizinhos diziam sobre ela. Uma vez por semana vinham crianças dizerem que ela era amaldiçoada e que fantasmas a habitavam. Que eu saiba ainda não morri para ser um fantasma.
Mas já cheguei perto de ser, e foi na noite em que cheguei em casa e a encontrei vazia, com apenas um bilhete dizendo que ela se fora, e nem se quer me disse para onde ou o porque. Porém ela não conseguiu manter isso em segredo. Como toda vizinhança, nossos vizinhos sabem mais de nossas vidas do que nós mesmos. E foi em uma tarde que eu permanecia em casa que eu ouvi as vizinhas conversarem em frente a minha, eu não ligava para o que elas diziam, até que uma pronunciou:
Pobre rapaz, a mulher fugiu com outro e nem se explicou. Meu filho me disse que ela saiu do país com Brian Skeeter.
É. Desse jeito eu descobri que havia sido traído, e pior, com um homem que se dizia meu amigo no colegial. Queria muito saber o porquê, Brian sempre foi o magricela sem atrativos, que sempre dizia que o estudo vinha antes de tudo e que tinha uma coleção de antigas moedas.
Passei meses me questionando, tentando descobrir o que ele tinha que eu não possuía. E das inúmeras tentativas de me igualar a ele, peguei afeto com coleções. Mas quando estava perto de se completar um ano que estava sozinho, caí em mim e percebi que ela não voltaria, jamais.
Então voltei ao normal, segui minha vida e me conformei. Voltei ao trabalho e reconquistei a confiança de meu chefe. Mas, como eu não tinha mais o que fazer em casa, sempre cumpria as horas extras sem me preocupar. Comecei a viver minha vida solitária, tendo encontros de vez em quando, afinal, todo homem precisa se divertir.
Os encontros começaram a ficar cada vez mais frequentes e de intervalos de alguns meses passou a ser um por semana. Toda sexta eu colocava a minha melhor roupa, fazia a barba e passava o melhor perfume. Sempre voltava acompanhado para casa, porém as mulheres que vinham comigo, jamais saíam para contar como foi à noite.
Hoje era sexta. Já estava com uma blusa social branca, um blazer preto, uma calça jeans escura e um sapato comum. Barba feita e cabelos limpos. Peguei as chaves do carro e saí.
As vizinhas de prontidão nas janelas espiavam eu entrar no carro. Já as ouvi se questionar para onde vão as moças que entram comigo, “Será que elas saem na calada da noite, quando não tem ninguém olhando?” era comum dizerem esse tipo de coisa. As crianças já levavam para um lado mais fantasioso dizendo que as moças entravam em um portal para outra dimensão. Quem sabe elas vão mesmo para outra dimensão, mas sem entrar em portal algum.
O carro velho era a única coisa que ainda preservava em bom estado. Os bancos estavam em ordem e tudo funcionava perfeitamente. Dirigi pelas ruas em zig-zag até o centro da cidade, passei direto por ele e estacionei a uma rua mais ao norte. Desci e ajeite, pela ultima vez, o colarinho da camiseta branca.
De cabeça erguida eu andei por aquela cidade que tanto falou de mim no passado. Hoje, é claro, não falam mais. Já se passaram oito anos, quando dizem que o tempo voa, eles estão falando sério. Muitos se impressionaram com a “recuperação” que tive, com o bom estado que estou e com a forma que segui em frente.
O bar não era grande coisa, para falar a verdade era o estabelecimento mais pobre do centro da cidade. Eu não me importava com a aparência dele, mas sim com o conteúdo. As piores mulheres estavam ali.
Sentei no bar e pedi o de sempre. Uma dose de Vodka para começar a noite. Mas não pense que eu fico bêbado a ponto de perder os sentidos ou não saber voltar para casa. Uma dose de Vodka é somente o que consumo nas noites de colheita.
Haviam se passado quinze minutos quando uma moça, loira de olhos verdes, sentou ao meu lado e pediu uma bebida que não me importei qual era. Seus olhos me eram familiares assim como seu sorriso. Encarei-lhe por uns momentos e ela sorriu. Correspondi o sorriso e lhe paguei mais uma dose.
– Me chamo Kathy, e você? – Ela disse pondo o copo no balcão.
– Me chamo Nathan. – Sorri com prazer.
A conversa fluiu bem. Ela tomou mais umas doses. Vestindo uma blusa branca e uma calça jeans tradicional ela continuava bebendo e falando. Com o mesmo sorriso de antes eu fiquei durante uma hora, até que lhe ofereci:
– Está muito barulhento aqui, – Claro que não estava. – Que tal irmos para um lugar mais calmo? – Dito isso em seu ouvido, ela concordou.
Abri a porta para ela e então refiz o caminho para a minha casa. É meio óbvio que a importuna garota ficou chocada com a aparência da casa, todas ficavam. Sempre diziam que parecia abandonada e que era impossível alguém morar ali.
– Desculpe – Comecei –, não tenho muito tempo para cuidar do jardim ou da fachada. Trabalho muito e moro sozinho.
– Oh. – Ela sorriu doce. – Tudo bem.
Entramos e ela sentou no sofá, ligou a TV e pôs em um canal qualquer. Fui até a cozinha e peguei dois copos, lhe entreguei um e ela fez questão de toma-lo em um único gole. Em menos de dois segundos ela estava totalmente inerte em meu sofá.
Peguei-a no colo e desci as escadas, a pus em cima de uma cama de solteiro. Quando voltei para o andar superior, subi as escadas para os quartos. Tirei a chave de seu esconderijo e abri a porta. Na mão direita, o precioso acréscimo a minha coleção, na outra a aliança dourada, tirada da mão esquerda da moça loira de olhos verdes. Apesar da semelhança, ela não era a Kathy que me fez ser esse mero colecionador.
Notas finais
Sabia que os Reviews me dão animo para escrever e continuar?
Até o próximo.
Fale com o autor