O Quarto Dos Segredos
1 "O Bilhete"
Notas iniciais
Espero que gostem.
– Vamos logo, vamos nos atrasar. – Gritei da frente da casa.
– Não pode esperar um minuto mais? – Ela entrou no carro e bateu a porta com força.
– Você sempre leva anos para sair de casa, vou passar a te avisar uma semana antes de nossos compromissos, quem sabe assim você saia na hora. – Bati a porta em igual força e dei partida no carro.
Não é que eu não ame a Kathy, na verdade eu a amo muito. Mas ela ultimamente está tão estranha e diferente. Logo agora que estamos prestes a completar um ano de namoro. Isso me faz pensar às vezes, tenho tanto medo de perdê-la.
O pior nem é isso, minha família não gosta dela e se falo que ela está diferente eles logo dizem que ela não é pra mim. Tolice. Claro que ela é. Katherie é a mulher da minha vida e eu tenho total certeza disso.
Quando chegamos ao nosso destino, a casa de um velho amigo de infância, segurei em sua mão e entramos na casa. Estava um pouco cheia, não era bem o “simples jantar” que ele havia nos comunicado. Tinha mais de dez pessoas naquela sala, e com certeza havia mais pessoas na cozinha e nos quartos acima.
– Bem Vindos a minha festa! – Exclamou o dono da casa ao nos avistar.
– Joe, o que é isso? – Perguntei olhando espantado para os lados.
– Ah Nathan, sempre foi lentinho. – Ele riu juntamente com as pessoas a sua volta. – É uma festa.
– Isso eu notei, idiota. Mas você disse que seria um jantar formal. – Kathy apertava minha mão e olhava-me apreensiva.
– Eu quis mudar os planos, uma festa é sempre faz bem. – Disse e então virou a garrafa, que tinha em mãos, em sua boca.
– Joe você não tem mais 16 anos. – A música começou a soar alto pela casa.
– Mas sinto como se tivesse. – Ele pulou o sofá ao lado e começou a dançar.
Fiquei por um momento olhando aquela cena. Meu amigo de 21 anos parecendo um adolescente quando os pais saem da cidade. Notei um homem mais ao canto que encarava Kathy com um sorriso no rosto e ela o retribuía com um olhar nervoso.
– Vamos embora? – Ela sussurrou em meu ouvido.
– Vamos. – Respondi.
E sem soltar sua mão, voltamos ao carro e dei uma ultima olhada na casa animada. Muitas festas como essa eu frequentei, e as adorava, mas isso foi quando eu tinha 15 anos, quando era um adolescente e isso era normal.
Resolvemos ir a um restaurante para ela não desperdiçar as horas em frente ao espelho. Jantamos como um casal comum, conversamos e assim que terminamos pedimos a conta e voltamos para casa.
Eu estou com 20 anos e já moro com minha namorada, e tenho em mente logo fazer dela minha esposa. Estou planejando o pedido tem algumas semanas, irei fazer neste sábado.
No dia seguinte, o grande dia, eu tive que trabalhar. Levantei cedo, tomei um banho, tomei café e sai. Não retornaria no mesmo horário de sempre, retornaria uma ou duas horas antes. Meu chefe tem total confiança em mim, sou um dos poucos que ele confia para revisar a contabilidade da empresa.
O meu dia não foi muito movimentado, passei cinco horas em um escritório fazendo as contas necessárias, tomei alguns cafés e ansiava e hora de chegar em casa.
– Você pode ficar até as 18 horas? – Perguntou meu chefe adentrando a sala.
– Claro. – Respondi com receio, queria chegar em casa logo, rápido e tudo parecia me impedir disso.
– Queria que você revisasse as contas do mês anterior também. Eu acho que o nosso contador andou alterando alguns números. – Ele pegou uma xícara de café.
– O senhor não confia em seus contadores? – Ele sorriu.
– Não muito. Já lhe disse, a pessoa que mais confio aqui é você, Nathan. – Ele saiu da sala e olhei o relógio, eram 17 horas.
Essa última hora parecia que tinha 120 minutos. Eu olhava para o relógio de tempo em tempo e só havia passado um minuto. Mas quando finalmente o relógio apontou 18 horas, me despedi de meu chefe e corri para casa.
Queria ver Kathy, queria dizer a ela que íamos a um restaurante e ao final do jantar eu não pediria só a conta, mas também a sua mão. Eu teria que falar com seus pais também e minha mãe me chamaria de louco por casar com a mulher que não é pra mim. Isso até faria alguma diferença, se eu me importasse. Eu era feliz com Kathy e nesse momento não me importava se ela era ou não pra mim.
O tempo parecia estar contra mim. Todos os sinais estavam vermelhos e tinha um acidente em uma estrada que parou tudo. Enfim cheguei em casa, eram quase 20 horas e a casa estava totalmente escura. Entrei e chamei por Kathy, porém ela não respondeu. Olhei na sala e estava totalmente vazia, a cozinha deserta. Subi as escadas e entrei em nosso quarto, vazio. Será que ela saiu e não me avisou? Avistei um papel branco sobre o criado mudo ao lado da cama, um bilhete. Andei até lá e o abri, sua caligrafia desenhada e caprichada.
Querido Nathan,
Passei um ótimo ano com você, mas não posso trata-lo mais como um tolo. Não posso impedir que você siga sua vida. Eu não posso mais ficar com você. Eu fui embora para outra cidade, não lhe direi qual, é melhor assim.
Sinto muito Nathan, atenciosamente Kathy.
E segurando a caixinha vermelha, eu fiquei ali parado, admirando o bilhete caído no chão, a cama arrumada e o guarda roupas vazio e a nossa mala de viagem fora do lugar. Ela simplesmente se foi.
8 anos depois...
Notas finais
Então, gostaram ??? Deixem Reviews, a opinião do leitor é muito importante. :3
Fale com o autor