Notas iniciais
OBS: antes dos últimos capítulos serem postados (Sim, está quase acabando :), eu tive que corrigir uns erros básicos... Então, vamos lá !

Acordei com a luz do sol batendo nas minhas costas nua, minha visão estava meio embaçada, mas logo percebi que não estava no meu quarto. As paredes eram pretas e brancas e eu estava sentindo cheiro de ovos fritos com bacon. Logo reconheci o quarto de Nate quando vi ao lado da cama, um porta-retrato com uma foto dele e toda a família: Ele, sua mãe, seu irmão Ashton, e um homem que parecia muito com ele, devia ser seu pai. E já havia visto aquele homem. Logo fui surpreendia com algo quente esquentando meu braço. Era ele, meu namorado famoso, segurando uma caneca preta com café.

- Bom dia, minha pequenina. – Ele disse se sentando ao meu lado. Ele estava usando outra calça de moletom, dessa vez da cor preta e estava sem camisa. Não pude deixar de notar na tatuagem que ele tinha no ombro esquerdo e de uma cicatriz que ele tinha no pulso direito.

- Bom dia. – Respondi sentindo o cheiro forte de café, ficando totalmente entorpecida.

- Nada disso, senhorita. – Disse ele afastando a caneca de mim.

- Mas eu não ia pedir nada, seu bobão. – Eu disse me virando pra ele. – Eu adoro o cheiro de café feito na hora, mas não posso beber...

- Porque te deixa elétrica? – Ele respondeu, me cortando.

- Como você sabe? – Perguntei inocentemente. Ele me olhou como se eu já soubesse a resposta.

- Por que você acha que dormirmos tão tarde, mocinha? – Nate disse maroto como sempre.

- Ah... – Senti minhas bochechas queimarem, eu sabia o porquê, mas não queria dizer. Estava com vergonha de dizer que ficamos se safadeza a noite toda.

- Nós ficamos... Você sabe... – Eu tentei responder, mas Nate gargalhou e eu dei um leve tapa em seu braço.

- É meu bem, nós fizemos amor a noite toda. E você sabe por quê? – Ele perguntou daquele jeito maroto dele, e foi aí que eu lembrei-me da noite passada. Começou a fazer muito frio e eu fiz café expresso para beber. Da última vez que bebi café expresso, eu virei a noite acordada e não deixei minha mãe e meu pai dormirem. Sim, fazia muito tempo.

- Mas já faz anos que não bebo café expresso. Achei que... Sei lá.

Ele riu.

- Pare de rir. – Eu disse dando-lhe um beliscão.

- Desculpa, mas você é tão fofa. – Ele disse se aproximando de mim e beijando a ponta do meu nariz me fazendo rir. Seus lábios foram descendo, me dando um rápido selinho e desceu até o meu pescoço, me dando chupões.

- Gostou do meu pescoço, né? – Sussurrei. Ele sorriu, e ficou dando vários beijinhos no meu pescoço.

- Eu gosto de tudo em você. – Ele disse sorrindo e me olhando nos olhos. Eu não pude deixar de sorrir também, eu estava apaixonada por ele, tão apaixonada que logo o medo de perdê-lo veio à tona.

- Alex? – Nate me chamou atenção. – Tudo bem?

- Sim. – Respondi sorrindo. – Estou maravilhosamente bem.

- Que bom. – Ele disse colocando a caneca de café na mesa onde tinha o porta-retrato e repousou sua cabeça no meu colo.

- Quero que saiba que farei de tudo para que se sinta feliz ao meu lado.

- Não será preciso muito esforço pra isso. – Eu disse acariciando seus cabelos e sorrindo. Ele sorriu de volta, mas logo seu sorriso desapareceu.

- O que houve?

- Me prometa uma coisa. – Ele disse se levantando e me encarando triste.

- O quê, pode falar. – Eu disse segurando sua mão, que estava suando frio.

- Se eu fizer alguma que não te agrada, se você não estiver satisfeita com alguma coisa, se estiver se sentindo incomodada com algo sobre mim, me conta, por favor. Faria isso por mim? – Ele disse seguindo de um suspiro. – É que, eu já passei por isso antes, e quando tudo acabou ela disse coisas horríveis sobre mim. Então... – Ele respirou fundo e deitou sua cabeça no meu colo novamente.

Eu estava entendeu o porquê dele dizer aquelas coisas, graças ao seu antigo relacionamento amoroso ele se sente inseguro, achando que passará por tudo aquilo de novo. Eu nunca pensei que alguém como ele, famoso, rico, que tinha o mundo em suas mãos tivesse medo de alguma coisa, e ele tinha medo de me perder.

- Nate... – Eu acariciava seus cabelos e tentava não engasgar. – Eu nunca faria algo para te magoar, sabendo que você já passou por isso. Eu não sou o tipo de pessoa que só pensa em si mesma, que só se importa com seu ego. Eu sou diferente, eu me importo com as pessoas, e me importo com você, com o que sente e com o que pensa, principalmente quando é sobre mim. – Quando terminei de falar, percebi que caia lágrimas em seu rosto. Ele estava chorando e eu nem tinha notado, e foi quando eu percebi que ele era do tipo de pessoa que chorava quieto, em silêncio. Eu continuei:

- Nate, eu te amo, te amo muito, e eu me importo com sua felicidade, sendo comigo ou não eu quero que você seja feliz. – Eu o abracei. – Eu te amo, meu príncipe.

- Príncipe? – Ele disse com desdém, e depois sorriu. Eu o beijei.

- Sim, você é um príncipe, e é o meu príncipe. Meu, só meu e de mais ninguém.

Terminando de dizer isso, ele sorriu e me beijou daquele jeito novamente. Mas eu hesitei.

- Vai com calma. – Eu disse me levantando e ele sorriu maliciosamente pra mim, afinal eu estava nua enrolada no lençol da cama. Ele tentou puxar para eu ficar despida, mas eu segurei com força.

- Vem cá, eu quero você. – Ele disse puxando o lençol, eu gargalhava e segurava o lençol com tanta força que acabava deslizando no chão e chegando perto da cama. Ele se levantou e puxou com força, fazendo com que meu corpo ficasse colado com o dele. Ele sorriu daquele jeito novamente e me pressionou contra a parede. Eu não parava de rir.

- Agora não tem como escapar de mim. – Disse fazendo uma voz sedutora. Eu sorri e fiz cócegas na sua costela, fazendo-o rir sem parar. Quando ele se afastou de mim, sai correndo, peguei a blusa dele que estava no chão e me tranquei no banheiro.

- Isso é covardia! – Ele gritava e batia na porta, eu ria.

- Não é não, isso é defesa.

- Defesa? Cócegas na costela é golpe baixo.

- Pra mim está ótimo. – Eu disse e ele riu. Eu sai do banheiro vestindo a blusa e fui para a cozinha. O apartamento dele era grande e tinha espaço, na cozinha fiz um sanduíche e fui para a sala e vi que a roupa que eu estava usando no dia anterior estava em cima do sofá. Antes que eu pudesse pegar, fui surpreendida por Nate e seu abraço de urso. Ele me rodopiou até eu implorar para que ele parasse. Ele parou, não porque eu pedi, mas porque o telefone tocou.

- Alô? – Ele atendeu com entusiasmo, mas seu sorriso sumiu.

- Ash, calma, respira o que aconteceu? – Ele respondeu com autoridade. Logo seus olhos foram inchando, lágrimas e mais lágrimas foram caindo de seus olhos. Eu respirei fundo e segurei sua mão.

- Fique aí mesmo, eu estou indo aí agora! – Ele disse e em seguida desligou o telefone.

Ele entrou no quarto veloz, trocou de roupa e ao me ver sem entender nada, sentou-se no chão, colocou a cabeça entre os joelhos e desabou em lágrimas. Eu nunca tinha visto um homem chorar, e ao vê-lo daquele jeito me deu um aperto no coração.

- Nate... – Eu cheguei perto dele. – Calma meu amor. O que aconteceu?

- Minha mãe... – Ele levantou seu rosto. – Está no hospital.

- O quê?

- Ashton disse que foi visitá-la e viu... – Ele engasgou tentando engolir o próprio choro. Eu segurei em sua mão e ele respirou fundo:

- Ele viu o filho da puta do John jogando-a da escada. Ela caiu quociente, e ele a levou ao hospital e teve que aguentar o Jonh dizendo que ela tinha escorregado e caído. Ela estava sangrando, meu irmão está desesperado... – Ele voltou a chorar. – Ela estava grávida daquele cara imundo, e ela perdeu o bebê por causa dele!

Naquele momento eu não sabia se chorava, se xingava o padrasto dele, ou se simplesmente iria até a polícia. Eu só sei que naquele instante eu o abracei tão forte que ele acabou deitando sua cabeça no meu ombro. Rapidamente ele se recompôs, limpou as lágrimas e se levantou.

- Estou indo ao hospital. – Ele disse colocando seu tênis bruscamente.

- E eu vou junto. – Eu disse pegando meu vestido coral e vestindo-o.

- Não. – Ele elevou sua voz.

- Como?

- Acho melhor não. – Ele colocou suas mãos no bolso de seu jeans. – Vai estar cheio de fotógrafos por lá. – Ele se acanha, recuando. Ele senta na cama. – Vai ter tumulto, e o Ash está lá, sozinho.

- Ei ! – Eu segurei sua mão com força. – Eu estou aqui, esqueceu? Eu não me importo com quantos fotógrafos estejam lá, seu irmão precisa de você e... – Eu hesito por um momento, mas ele termina a frase por mim:

- E eu preciso de você, muito. – Ele se levantou e me abraçou, envolvendo seus enormes braços em minha cintura.

- Eu te amo, Nathan Louis Smith. E não importa o que os repórteres dizem a seu respeito, eu estarei aqui. E eu vou com você ao hospital, querendo ou não. – Eu disse seguido de um suspiro. Ele me apertou em seus braços e, ao que parece, enxugou seu rosto em meu ombro.

- Eu também te amo, María.

Eu afastei meu rosto de seu ombro e o olhei fixamente. Ele riu.

- Não posso fazer nada se esse é o seu verdadeiro nome.

- Como sabe?

- Sua mãe... – Ele riu novamente, como se tivesse lembrando-se de uma piada. – Ela uma vez olhou no celular e resmungou “Ah, Maria Alexandra”.

Eu sorri e coloquei meu vestido para irmos ao hospital.

Chegando lá, a entrada estava cheia de repórteres e paparazzi e nós tivemos que entrar pela porta dos fundos. Nate estava desesperado e gritou pelo nome do irmão várias vezes até ele aparecer. Frederick e minha mãe também estavam lá, juntamente com Brendan.

- Ash, você está bem? – Perguntou ele abraçando o irmão com tanta força que acho que ele ficou roxo por não conseguir respirar. Eu logo fui surpreendida pela mão de minha mãe quando ela me puxou para perto dela e de Frederick.

- Você está bem, querida?

- Acho que você deve perguntar isso ao Nathan, mãe. – Eu disse. – Olá Fred.

- Oi querida. – Frederick respondeu. Eu já havia me esquecido do que eu tinha visto na noite de véspera de natal, eu estava muito preocupada com Nate. Ele estava apreensivo enquanto Ash parecia contar tudo o que realmente aconteceu.

- E o que você fez depois? – Nate sussurrou.

- Eu liguei para a polícia. – Disse Ash.

- Bom menino. – Ele abraçou o irmão e entrou no quarto onde sua mãe estava internada.

- Querida... – Minha mãe iniciou, cortando meus pensamentos. – A Lola chegou hoje de manhã.

- Sério? – Por um minuto tinha ficado feliz com a notícia, mas, conhecendo minha mãe e a cara de preocupação que ela fez logo em seguida, significava que coisa ruim estava por vir.

- Ela chegou em casa passando mal.

- Com assim? Passando mal?

- Sim. – Ela disse, fazendo aquela cara que, sinceramente, me incomodava demais.

- Ah, mãe, ela devia ser enjoo por causa do voo. – Tentei tranquilizá-la.

- Esse é o problema. – Ela sussurrou. – Quando ela veio pra cá com você, ela não ficou nesse estado. Mas hoje de manhã... – Ela mordeu o lábio. Eu estava adivinhando o que ela estava pensando.

- Não mãe. Não pode ser. Você acha que...

- Eu não acho nada, é apenas um pensamento meu. Não estou confirmando nada. – Ela disse.

Ah meu Deus, será que a intuição da minha mãe estava certa? Será que em uma das visitas do Brendan à casa de Lola, eles se descuidaram e... Enfim. Não estava querendo pensar nisso.

- Ela estava tentando ligar para seu celular. – Minha mãe disse, novamente cortando meus pensamentos. “Merda, meu celular.” Pensei. Eu tinha esquecido no carro do Nate naquele dia em que... Acorda Alex.

Nate saiu do quarto com as mãos no bolso, seu rosto estava avermelhado e os olhos marejados. Ao olhar pra mim, esboçou um sorriso largo e aliviado e me abraçou.

- Acho que agora tudo vai voltar ao normal. – Sussurrou. – Tudo vai ficar bem.

Eu sorri.

- Eu tenho que ir, Eu e Ash temos que ir à delegacia fazer o boletim de ocorrência.

- Vão prender seu padrasto? – Perguntei. Ele sorriu perverso.

- Já prenderam. Ash disse que o prendeu no banheiro e ligou pra polícia.

Eu tentei segurar o riso. Mas tinha que mostrar seriedade, ainda mas perto do seu irmão caçula.

- Minha mãe disse que pediu o divórcio.

- Que bom.

- Sim, agora só falta o John morrer para minha felicidade ser completa.

- Nathan – O repreendi, tentando segurar o riso.

Antes de sair, ele me deu um breve beijo, seguido de um “eu te amo” ao pé do meu ouvido, que confesso que arrepiou minha espinha.

Peguei meu celular e liguei imediatamente para Lola, os pensamentos da minha mãe estavam me contagiando.