O Príncipe Honorário
2 O Segredo do Príncipe
Paul esperava inquietante por seu jantar. Estava furioso e irritado com Charles. Da onde teria vindo aquela ideia sem argumentos de plebeus disputarem a coroa? A coroa que Paul acreditava que pertencia a ele. Claro que Paul não deixaria que a situação saisse fora de seu controle. Se o rei Charles estava disposto a não ceder o tono para ele, Paul estava disposto a fazer qualquer coisa para te-lo. Nenhum momento seria melhor do que esse, já que o velho e adoentado monarca estava com o pé na cova.
– Vossa Alteza Real, o jantar será servido — anunciou uma das empregadas do castelo.– Como de costume vocês nunca são pontuais. Estou esperando que tragam meu jantar há tempos. Já estava me animando com a ideia de que haviam morrido ou estivessem enfermos. — resmungou o príncipe.– Desculpe Vossa Alteza Real. Seremos pontuais da próxima vez.– Próxima vez? — gargalhou Paul — Os empregados deste castelo tem sorte de terem um rei tão bom como Charles, se fosse eu todos já teriam ido para rua a muito tempo.– Mas como você não é rei, é Vossa Magestade que toma as decisões do castelo — falou rainha Louise. Que para a infelicidade de Paul havia o escutado humilhar a criada.– Pode voltar para cozinha Gertrudes. Hoje jantarei com meu cunhado pois Charles não está disposto e prefere descançar.– Sim Vossa Magestade.A empregada se reverenciou e saiu do aposento. – Minha cara Louise — começou Paul — sempre tão bela e explêndida. Saiba que não fora minha intenção humilhar à criada. Apenas acredito que eles devam ser mais pontuais e possuir mais etiqueta. Afinal estão aqui para cuidar de nossas necesidades.– Concordo com você quanto ao serem pontuais Paul. Porém sou complemente contra o seu modo de tratar os criados neste castelo. Aqui somos todos respeitáveis e como príncipe que és deveria dar um bom exemplo. Por que a Louise? Paul se perguntava. De todas as mulheres que Charles poderia ter escolhido ele optou por uma que tinha o temperamento e os modos tão parecidos com os dele. Paul não entendia como seu irmão pode se apaixonar por uma mulher sem luz própria que a única coisa que sabia fazer era abaixar a cabeça e aceitar o que era imposto por alguém como Charles. – Bem lembrado Vossa Magestade — concluiu Paul. Não queria ir contra as opiniões da rainha. Embora a considerasse pouco, sabia o quanto ela era esperta e o quanto poderia ser boa em julgamento de carater. Para ele passar por cima dela não seria problema nenhum, mas enquanto rei Charles estivesse vivo ele sabia que devia cuidar muito bem as palavras que pronunciava. O jantar passou sem nenhum outro intrevisto. O príncipe Paul e a rainha Louise permaneceram calados durante a refeição e em nenhum momento trocaram olhares. Ao terminarem a rainha se despediu e voltou para seus aposentos. Paul seguiu pelos corredores do palácio. Durante o jantar ele se lembrou de algo que poderia dar muitos pontos à seu favor, algo que o rei não fazia ideia que pudesse existir. Pela primeira vez naquele dia o príncipe suspirou aliviado. Quando chegou meia noite ele resolveu colocar um ponto final nisso tudo. Agora ele estava convicto que o que quer que acontecesse ele com certeza seria o novo rei. Cobriu-se com sua antiga capa preta e esgueirou-se pelo castelo. Certificando-se a cada passo de que não era seguido por ninguém. Sabia que se desse um passo em falso enquanto saisse do castelo seus planos poderiam ser desfeitos. A taberna do reino era um lugar escuro, com uma iluminação precária. O taberneiro de vestes imundas e de poucos cabelos servia animadamente um dos clientes. No começo da madrugada havia poucos visitantes, horário perfeito para que um príncipe que não quisesse ser reconhecido fizesse uma visita a uma velha amiga. Os poucos clientes que ali estavam ou já estavam bebados demais ou desmaiados de sono pelos cantos. Paul aproximou-se lentamente do taberneiro, tomando o cuidado dele não perceber seu rosto.– Com licença, estou procurando uma mulher chamada Madeleine. Há muito tempo atrás ela trabalhava neste lugar. Poderia dizer-me se sabe do paradeiro dela? O taberneiro fechou os olhos tentando em vão ver as feições do príncipe que estavam escondidas sob a capa. Como não conseguiu devido à escuridão do lugar, ergueu os ombros parecendo não se importar.– Sente-se que eu vou chama-lá — resmungou o dono do lugar. Paul não conseguia conter seu nervosismo e sua animação. Madeleine estava viva, estava naquela taberna imunda e cheia de bêbados. E o mais importante com a única coisa que poderia fazer Paul tornar-se o novo rei. Madeleine demorou para chegar e isso não afetou o humor de Paul. Agora os planos do velho e adoentado rei Charles iriam para cova junto com ele.
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