O Príncipe Honorário
3 Minha Querida Madeleine
Paul havia sentado no canto mais escuro da taverna assim impedindo não só que alguém o visse como também boatos que pudessem ser espalhados pelos visitantes até o castelo. O tempo raramente era ruim com a realeza. Reis, rainhas e príncipes eram considerados belos e atraentes idependente da idade. Pouco se escutava que os descendentes da linhagem real não eram bonitos ou bem-apesoados. Já com pessoas como Madeleine (que era uma simples plebeia) o tempo se mostrava mais acentuado em suas feições. Quando Paul há viu não imaginou que aquela fosse a ingênua Madeleine que ele conhecerá há tempos atrás. Todo o esplendeor e a fragilidade haviam dado espaço para rugas e manchas de pele. O cabelo que já havia sido castanho estava começando a ficar grisalho. No fundo Paul acreditava que isso era o minímo que poderia acontecer com uma plébeia. Afinal Madeleine nunca fora tão bonita.
– Aprese-se — ordenou ela. — Tenho pouco tempo. O que o senhor deseja?– Teria mesmo pouco tempo para um velho amigo Madie?– Essa voz...- murmurou ela pensativa. — Não pode ser quem estou pensando. O príncipe mostrou o vulto do seu rosto, o que foi o suficiente para Madeleine dar um passo para trás e sentar-se ao seu lado.– Príncipe Paul?– Silêncio sua idiota. O que imaginariam se soubessem que o maravilhoso e de bom coração príncipe Paul estivesse em uma taverna em uma noite como está? Escute Madeleine não vim aqui causar problemas para nenhum de nós. Vim aqui pois quero uma coisa que sei que me pertence de direito.– Não tenho nada para falar com alguém como você. Paul já havia aguentado muitas coisas naquele dia; plebeus que disputariam por sua coroa, as observações de uma rainha tola e as decisões de um velho doente e caduco. Escutar desculpas de Madeleine apenas aumentava ainda mais sua raiva. O príncipe apertou o braço da mulher.– Não começe com isso Madeleine. Você sabe muito bem do que eu sou capaz. Sumir com alguém como você seria tão fácil como piscar os olhos. – O que você quer Paul?O príncipe largou o braço da mulher.– James? Julian? Hector? — insinuou ele. — Qual era mesmo o nome daquela criança? Pelos meus cálculos ele teria uns dezoito anos. Para Paul a idade do garoto era o que menos importava. Ele poderia ser uma criança ou um velho barbudo isso não faria diferença, desde que fosse um plebeu. Ele sabia que se esse jovem estivesse em algum lugar com certeza estaria com ela.Madeleine riu-se.– Não me venha dizer que depois de todo esse tempo bateu remorso em seu coração. Houve um dia em que eu acreditei em você, que pudesse ser um bom homem e quem sabe um bom pai. Mentira. Nunca levou-me ao castelo, nunca me apresentou a sua família. Não deveria ter nascido como príncipe, porque se quer se parece com um. – Minha querida Madeleine — começou Paul. — Os tempos mudaram. Nosso tão adorado rei Charles está adoentado e creio que logo irá partir. Infelizmente aquele maldito velho está deixando as coisas mais difícieis. Uma disputa pela coroa será realizada. Apenas plebeus poderão competir pelo trono de Montecastelum. Acredito que hoje seja o seu dia de sorte. A mulher revirou os olhos enquanto escutava. O rei Charles estava doente e logo o povo estaria sem um rei. Sim. Madeleine poderia não ter nenhum título de realeza mas tinha muita esperteza. Paul queria aquela coroa. Madeleine sempre souberá disso.– Você o quer para disputar não é mesmo?Paul sorriu.– Exatamente. E quem melhor para competir com os plebeus do reino do que um filho bastardo da linhagem real?– Tente — cedeu Madeleine. — É impossivel, ele foi não criado pela realeza Não teria chance de ganhar.– Deixe desse pessimismo — falou animadamente — Caso ele ganhe mostrarei a você o quanto fui satisfeito por te lo colocado no mundo. Sei que prometi um título para você uma vez. Se ele ganhar a coroa você poderá escolher o que bem entender.– Baronesa? — indagou nem um pouco confiante.– Ou quem sabe.... — disse o príncipe pensativamente. — Uma duquesa ou uma marquesa. O que achas? Não combinaria perfeitamente com você? Duquesa Madeleine? Isso era algo que Madeleine poderia gosta e Paul sabia muito bem disso.– E quanto ao garoto? Ele seria rei?– Claro. Eu mesmo o ensinaria tudo, ele apenas colocaria em prática. Viveria como um rei — riu-se Paul. – Daria sua palavra?– Madeleine, você sabe como ninguém o quanto já desejei aquele trono. Preciso saber onde ele está. Preciso contar com você e com sua descrição. Sabes muito bem que nada me fará mudar de idéia. Posso faze-lo sozinho, mas acredito que seria mais fácil se você dissesse por si mesma. Você ganharia um título e o garoto viveria aparentemente como um rei. Nunca mais precisaria trabalhar em tavernas, morar na imundice e passar fome. – Esta bem Paul — concluiu ela. — Sua promessa será uma dívida?– Com toda certeza. Minha querida Madeleine.
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