Morrice era o filho mais velho de uma família de camponeses. Alto e extremamente magro ele passava grande parte do tempo junto do pai no cultivo do centeio.

Darren, o pai, era um homem acabado pelo tempo, de feições rudes e pele vermelha pelo sol. Um senhor que constantemente lembrava-se do tempo em que a mulher estava viva, um tempo em que fora bom tanto para os filhos como para a subsistência de uma família que vivia do trigo. Hoje a seca assombrava as terras da família que acabara por encontrar no centeio uma fonte de renda e alimento.

Morrice tinha quatro irmãs mais novas. Amélie cuidava da casa; do pão e das meninas menores; desde que a mãe morrera ela assumira esse papel. Emmeline tinha quinze anos, era uma jovem de semblante triste e monótono que gostava de tentar cultivar e vender flores para a família. Jasmine era apenas uma criança que vivia correndo descalça pela terra. De todas elas, a favorita de Morrice era Luci. Uma jovenzinha de doze anos muito apaixonada pelo irmão. Luci o idolatrava como ninguém e ao contrário das outras estava sempre disposta a ajuda lo.

– Estou cansada de comer pão — resmungou Jasmine. — Sempre comemos pão. Não podemos comer outra coisa?

Amélie que estava colocando a mesa, respondeu brava a indagação da irmã.

– Se estiver com fome, coma. Você sabe o quanto papai trabalha. Deveria agradecer a ele que temos o que comer.

Jasmine fez cara de choro.

– A senhora Pig disse que traria legumes frescos hoje — comentou Luci — Talvez Amélie possa fazer uma sopa mais tarde. O que você acha Jasmine?

Jasmine pareceu um pouco animada.

– Não acredito que a senhora Pig os traga — negou Emmeline — A pobre coitada já tem muitos para alimentar em casa. Eu não esperaria isso se fosse você e nem daria esperanças à Jasmine.

Jasmine e Luci a olharam com raiva. Luci não entendia o porquê de Emmemile ser tão pessimista. Será que ela também não estava cansada de comer pão? Não custava nada ter esperanças quanto a senhora Pig, ela sempre fora muito atenciosa com todos.

– Não briguem meninas — falou o pai chegando a cozinha — Tenho certeza que a colheita deste mês terá muito lucro, tanto que poderemos até comprar ovos e frutas frescas. Teremos um banquete! — riu-se.

O almoço dos camponeses seguiu tranquilo. O pai estava animadíssimo com a colheita e as meninas indagavam o que mais poderia ser feito de alimento. Quem sabe um bolo ou uma torta de frutas? O único que permaneceu quieto e com poucas esperanças foi Morrice. Assim como Amélie ele não gostava de colocar expectativa nas meninas pequenas. Infelizmente não acreditava que teriam tantos lucros como o pai havia mencionado.

Foi a tarde que Emmeline resolveu ir vender flores. O pai pediu a Morrice que a acompanhasse pois furtos estavam ocorrendo. Luci decidirá de última hora que iria com eles.

Eles não moravam muito longe da cidade, facilmente poderiam ir andando. Emmeline esperava vender pelo menos umas cinco flores, já que poucas delas haviam conseguido brotar. Luci e Morrice disputavam quem conseguia achar mais pedras pelo caminho.

A cidade estava cheia. Os jovens estranharam a quantidade de camponeses e mercadores que se amontoavam perto do castelo.

– Será que vai haver um baile? — indagou Luci ansiosa.

– Acredito que não — afirmou Emmeline. — Não creio que seja tão importante. Venha me ajudar a vender as flores Luci. Com essa multidão talvez alguém se interesse.

Havia muitas pessoas na cidade e isso não era comum. Morrice não considerava que não fosse importante.

– Cuide de Luci — ordenou para irmã. — Quero saber o que está acontecendo.

Morrice juntou-se aos camponeses que se amontoavam perto do castelo. Não demorou para que logo ele tivesse a resposta do que estava acontecendo.

Um cansado e pálido rei Charles apareceu para o povo. Os súditos o olhavam atônitos. O rei parecia velho e sem vida. Ao seu lado, o semblante da rainha Louise estava incompreensível.

– Meu povo — anunciou. — Infelizmente trago péssimas notícias. Minha saúde se agravou de tal forma que não tenho mais condições físicas de governar. Meu desejo é que quando eu partir não fiquem desamparados. Eu sei que as condições estão difícies para todos, mas, acredito que logo tudo venha a melhorar. Hoje declaro que tomei uma importante decisão para o futuro e portanto um novo rei será coroado. Os mais fortes, os mais francos e os mais humildes dos plebeus disputarão por minha coroa. O vencedor subirá ao trono e será o novo rei...Meu povo, desejo aqueles que se candidatarem deem o seu melhor. Que assim vença o melhor.

Morrice permaneceu parado, não acreditava no que acabara de escutar. O rei Charles não tinha herdeiro e por isso faria com que os melhores disputassem pela coroa? O burburinho começou a se espalhar com força. Jovens, homens e velhos agora pareciam mais dispostos. Alguns deles já se anunciavam como o novo rei.

Morrice sabia que não podia permanecer parado. A cada momento que passava pessoas se aglomeravam em frente ao castelo. Correu em direção as meninas.

– Vamos embora antes que apareça mais pessoas — ordenou.

– Não. Ainda não acabamos de vender todas as flores — disse Luci.

– Então viremos uma outra hora.

Luci voltou brava pelo caminho de casa, faltava apenas duas flores para serem vendidas. Emmeline não entendera muito o que estava acontecendo, assim como Luci estava mais preocupada com as flores. Morice era o único que parecia preocupado.

Os três irmão ficaram surpresos ao ver Amélie perto do caminho. Ela estava desarrumada e ofegante. Seus olhos vermelhos denunciavam que havia chorado. Os três jovens pararam ao ve lá. Amélie pouco chorava, a última vez fora quando a mãe deles morreu.

– O que aconteceu? — perguntou Morrice.

Amélie negou com a cabeça e caiu de joelhos. Neste momento Luci já havia começado a chorar.

– O que aconteceu? — Morrice a sacudiu.

– Papai está morto.

Amélie se debulhou em lágrimas.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.