O Príncipe Dos Fantasmas
3 02. Conheço uma criatura nada fofa.
Notas iniciais
Quando sai de casa, me deparei com a rua quase totalmente escura. Apenas o brilho da lua clareava as ruas da Villa Lusso Olgiata. A chuva não estava mais tão forte, apenas chuviscava, mas as gotas d’água eram grossas e dolorosamente geladas. Quando um pingo de chuva se encontrava com uma poça de lama no chão, era formado um círculo... um círculo de chuva.
Olhei em volta, à procura do autor do uivo, mas nada encontrei. Eu estava vestido em um sobretudo preto, luvas pretas, uma bota de cano auto preta e uma calça de couro, também preta. Eu havia me vestido rapidamente antes de sair de casa, para não pegar um resfriado.
Já havia decidido voltar para casa quando ouvi o maldito uivo mais uma vez. Olhei na direção do uivo e tremi. O uivo vinha da Floresta da vila. Na verdade, nunca ouvi falar de coisas estranhas acontecendo por lá, mas mesmo assim, sempre tive medo de ir ao local. Nunca havia visitado a floresta durante o dia, quanto mais durante a noite com chuva e sem energia. Coloquei a mão na cabeça, já me arrependendo do que eu ia fazer em seguida. Sem pensar muito, parti para a Floresta.
Se a rua estava escura, imagine agora a tal floresta. A claridade da Lua não transpassava pelos pinheiros e carvalhos gigantes, o que deixava a floresta bem mais escura e assustadora que a rua. A lanterna que eu carregava não era uma das melhores. Percebi que estava tremendo a mão com a qual segurava a faca. Algo que eu não tinha certeza era se eu era capaz de machucar a criatura que estava emitindo os uivos, isso é, caso fosse necessário.
O uivo mais uma vez foi emitido, dessa vez vinha mais do interior da floresta. Corri na direção do som e cheguei a uma clareira. Eu nem sabia da existência dessa clareira.
O local era claro, iluminado pela lua cheia. Não fiquei feliz com o que vi. De frente par Amim estava um cão enorme. Um cão negro com olhos rubis. A criatura estava com um olhar de raiva e parecia querer me estraçalhar.
Senti um frio na barriga e percebei que os meus instintos estavam tomando conta de mim. Minha mente trabalhava rapidamente e então eu soube o que era aquele cão.
▬ Vo... vo... você é um Cão Infernal! ▬ Comecei a falar gaguejando, mas logo minha língua soltou e consegui terminar de falar. ▬ Não se aproxime, ou vou te furar com essa faca. ▬ Me achei estúpido por falar isso. O Cão tão enorme... nem sabia se uma simples faca poderia causar algo nele. Mesmo assim, falei em um tom ameaçador.
Algo estranho estava acontecendo. O cão parecia está me encarado e por um momento achei que a criatura estava rindo de mim. Então a fera começou à andar em minha volta, estava me fitando como se estivesse se certificado de que eu era o que ele estava procurando.
Olhei no fundo dos olhos do cão e o mesmo pareceu ter acabado com suas dúvidas. Aproximou-se de mim e dei dois passos para trás, tremendo muito. Olhei mais uma vez nos olhos rubis do cão e cheguei a pensar que aquilo era o fim pra mim, cheguei a pensar que eu seria devorado.
Fui surpreendido. O cão curvou a cabeça, eu realmente não estava esperando aquela ação. Fiquei alguns segundos parado e notei que em momento algum o cão levantara a cabeça, nem se quer a mexeu.
Coloquei a faca no chão e fui caminhando lentamente até o cão. Quando cheguei perto, estendi a minha mão tremular e toquei a cabeça do enorme ser. Depois acariciei a criatura e percebi que eu não seria morto, não por ele. O cão começou a se movimentar andando de um lado para o outro, ele se abaixava perto de mim e quando não via nenhuma ação praticada por mim, tornava a se levantar.
Então percebei o que o cão estava querendo.
▬ Você quer que eu “monte” em você? ▬ Confesso que me achei um pouco estúpido por falar com uma criatura, mas fui surpreendido quando o cão se abaixou mais uma vez perto de mim.
Respirei fundo e subi no imenso Cão Infernal e em seguida tudo ficou escuro. Eu estava sentindo apenas algo úmido passando por mim e eu não conseguia respirar muito bem. Não era uma sensação ruim, talvez com o tempo, eu poderia me acostumar a aquilo.
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