O Príncipe Dos Fantasmas
2 01. Relembrando o Passado
Tudo começou quando ouvi um uivo. Já era noite, eu estava em meu quarto e não conseguia dormir devido à repentina tempestade lá fora. Sim, os raios, os trovões e a chuva apareceram de repente; nenhum meteorologista havia previsto que tal fenômeno aconteceria naquela noite. Na verdade, a tempestade só estava prevista para o fim do mês, então não foi algo esperado. A lanterna clareava as páginas do antigo livro de mitologia romana que eu comprado durante a manhã. Eu lia as páginas desesperadamente, como se meu coração estivesse nelas, como se minha vida dependesse disso. E mal sabia eu, mas estava coberto de razão.
O silêncio tomava conta da mansão onde eu morava. Minha mãe estava dormindo com meu padrasto e meu irmão havia ido para a casa da minha avó materna. O silêncio era tanto, que dava pra eu ouvir minha própria respiração, dava pra ouvir o leve som das páginas sendo passadas e às vezes eu pensava está ouvindo até mesmo as batidas do meu coração. Quanto mais eu lia o livro de mitologia, mais eu queria ler. Tornei-me uma espécie de viciado em histórias mitológicas, as mesmas nem pareciam mais mitos, pelo contrário, pareciam que foram escritas por quem realmente vivenciou as histórias.
Cada parágrafo, cada página prendia minha atenção deixando-me totalmente distraído. Os pensamentos eram todos ligados ao livro. De repente, ouvi o tal uivo e aquele som quebrou todo o silêncio que pairava sobre a casa. Confesso que não estava esperando nada do tipo, então dei um pulo assustando quando ouvi aquele som desconhecido. Desconhecido porque não parecia com os dos lobos que eu já havia escutado. Meu coração acelerou, senti minha visão se expandi (significava que minhas pupilas estavam dilatando devido ao medo) e minha respiração ficou mais rápida.
Peguei minha lanterna — com a qual eu estava iluminando as páginas do livro — e fiz uma busca rápida no quarto para ver se havia alguém ali, isso é, além de mim mesmo. Pra minha sorte não encontrei ninguém. Respirei fundo e voltei minha atenção ao livro sobre os deuses romanos. Logo fui interrompido por outro uivo, dessa vez foi muito mais alto que o primeiro.
Pensei, pensei e pensei. Depois de muita hesitação, tentei ser corajoso e fui para a cozinha pegar uma das facas que ficavam guardadas lá. Segurei a lanterna com a mão esquerda e a faca afiadíssima com a mão direita. Tentei controlar minha respiração — já que estava muito acelerada — e ouvi outro uivo, o som vinha de fora da casa. Parei por alguns segundos pensando se eu devia ir ou não verificar o que era que estava provocando aquele som, lutei contra todos os meus sentidos de alerta e por fim abri a porta da casa, me expondo ao perigo daquele noite estranha.
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