O Protegido
3 Capítulo 3
Capitulo três
João abriu os olhos acordando de súbito do seu descanso com o suor escorrendo no rosto, o relógio marcava exatas 02h37min e já era a vigésima terceira vez que isso acontecia naquele mês de Maio, olhou para o lado e reparou que não havia acordado sua esposa desta vez, estava linda dormindo com os cabelos loiros cobrindo parte de seu rosto, a pele limpa e branca em contraste com os lábios bastante rosados e traços muito finos, sua atenção foi desviada para a porta do quarto que dava passagem a área externa da cobertura e ficou ali olhando o vento que batia nas cortinas de linho amarela, que teimavam em levantar bolsões de ar e depois se desfazia voltando a seu estado de inércia até que o processo se repetia, ficou ali deitado por quase quinze minutos, quando resolveu descobrir-se e levantou da cama caminhando até a enorme porta de madeira puxou a cortina que revelou os vitrais com afrescos coloridos da porta que se encontrava semiaberta puxando-a para si até que ouviu o Click da fechadura, trancando-a por completo.
Fez um giro de noventa graus e reparou que o quarto agora estava um grande silêncio que era quebrado somente pela respiração às vezes um pouco mais forte da sua esposa, acompanhou com os olhos todos os cantos do quarto, as paredes continham uma textura feita em massa corrida com detalhes de flores, passou seu olhar em um enorme quadro pendurado com a imagem da abertura e travessia dos hebreus pelo mar vermelho e foi acompanhado até chegar a um com a imagem de Jesus Nazareno no calvário, pensou “Senhor o que está acontecendo comigo”, desceu os olhos até o criado mudo ao lado da cama onde descansavam em uma perfeita arrumação uma bandeja com uma garrafa de água, um copo, algumas aspirinas e em volta dois porta retratos. Pegou uma aspirina e levou até a boca, em seguida colocou água no copo e tomou, devolvendo o copo a bandeja, olhou para o porta retratos e visualizou a foto de uma criança tomando banho em uma banheira e pôs-se a caminhar, foi até a porta interna e a abriu vendo a sua frente outra porta passou por ela e entrou em um quaro com a iluminação fraca oriunda de um pequeno abajur com imagens de Relâmpago MacQueem em cima da cômoda e na paredes vários pôsteres e figuras plásticas que refletiam a luz se acendendo em um verde claro, no canto do quarto uma cama de solteiro e nela um corpo de uma criança que dormia encolhida e coberta por um edredom azul com desenhos de palhaço, caminhou até ela curvou-se e lhe deu um beijo dizendo:
- Dorme com Deus filho.
Sorrateiramente virou-se e foi de volta ao seu quarto e ao entrar viu que sua esposa estava acordada sentada na cama e o olhando fixamente perguntou:
- O que houve? Acordado há essa hora outra vez?
- Fui ver como o Daniel estava. Respondeu-lhe.
- Não minta pra mim, ela retrucou. Teve outro sonho daquele?
- Sim. Ele respondeu com os pensamentos aéreos como se não estivesse ali naquele momento.
- Não fique aflito tenho certeza de que Deus quer lhe mostrar alguma coisa, como em muitas revelações que já lhe fez.
- Será?
- Com certeza, agora vem deitar e vamos dormir que amanhã vamos acordar cedo para ir a Igreja e precisamos estar dispostos.
- Está bem. Concordou deitando ao seu lado e ela beijou sua testa e o abraçou, não demorando muito a pegar no sono e ele continuou ali pensando em quanto tempo fazia que Deus já não lhe revelava nada e ficou aflito ao lembrar-se do que aconteceu a Saul depois de ter passado por isso. Após alguns minutos conseguiu dormir.
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