Notas iniciais
Amigos com esse capítulo encerro a primeira parte do livro, e começo a me preparar para a segunda, se preparem para deparar-se com a Terra apôs a volta de Jesus e o arrebatamento dos justos.

Capítulo onze

João despertou do sono bruscamente, não deu tempo nem de lembrar que não tinha mais o que fazer depois de ter deixado a congregação, o barulho que o acordou era ensurdecedor, uma espécie de som grave aparentemente saído de uma trombeta, porém tão alto que descartava essa hipótese tendo em vista que um instrumento não alcançaria esse nível de decibéis nem se estivesse ligado a Furacão 2000 uma das mais potentes equipes de som usada nos bailes funk carioca, o vento irrompia forte o recinto e estava de um frescor que João nunca havia sentido, as cortinas esvoaçavam e dançavam de um lado para o outro e viu que a porta estava aberta, olhou para o relógio em cima do criado mudo e o mesmo marcava 07h02min da manhã, tirando o barulho suave da brisa reparou que não ouvia nenhum outro som proveniente de buzinas e barulhos de motores costumeiros aquela hora, também viu uma densa escuridão externa e pensou o que poderia estar acontecendo com o tempo, pois já era para estar raiando o Sol. Monica ao seu lado completamente assustada abraçava forte Daniel que por sua vez mostrava um semblante calmo como se soubesse o que havia acontecido. Ele afastou os braços da mãe que estavam em volta do seu corpo e fez nela uma seção de caricias e como se tivesse total controle da situação desceu da cama e chamou a:

–Vem mamãe, não tenha medo. Eu não tenho medo.

João levantou e atônito acompanhava a atitude do filho e rapidamente lembrou-se de como ele estava na noite anterior, seu semblante estava novamente serio com ar de sabedoria como se lhe tivesse sido revelado todos os mistérios do mundo.

–Você está bem Daniel?

–Estou Pai.

E deu a volta na cama pegando o pai pela mão e o puxando disse:

–Vem papai, a mamãe agora já entendeu só falta você.

João olhou para Monica que até agora não havia dito sequer uma palavra, porém suas feições tinham mudado, ela havia se levantado e estava calma como Daniel, caminhava em sua direção, um andar seguro e com certeza do que ia fazer, pegou a mão de Daniel que estava livre, já que a outra estava dada ao pai, e juntos os três como se caminhando em um parque de diversões foram em direção aos jardins da cobertura chique do apartamento onde moravam a poucos passos os três alcançaram a área livre de cobertura e puderam ver que a escuridão sombria se dissipava a medida que se aproximavam do parapeito, e João pode ver uma forte luz no horizonte que o cegou momentaneamente, pensou, meu Deus o que houve o Sol caiu na Terra, e suas córneas não demoraram em se adaptar aquela claridade que embora fosse muito forte não prejudicavam seus olhos, foi então que pode perceber a magnitude do que estava acontecendo, por entre uma enorme nuvem tão branca como a lã de uma ovelha os raios de luz dançavam de um lado para o outro, milhões deles se cruzando, escaneando a terra como holofotes de muralhas de presídios atrás de fujões e quando encontravam o que queriam, ou melhor, quem queriam desses raios desciam silhuetas de homens alados como em filmes de história épica e depois vinham subindo através desses raios carregando silhuetas de pessoas brilhando como estrelas em direção a nuvem e no alto dela João viu, e no mesmo instante reconheceu o homem que estava acima e por traz de tudo que estava acontecendo, como um maestro mexendo os braços orquestrando o instrumental de um musical famoso. João alegrou-se e com os olhos de um espectador acompanhava toda a maravilha, em sua mente as palavras se formavam e juntavam-se a outras e quando deu por conta seus lábios proferiram sussurrando algo que sempre falava aos fiéis em todo tempo que esteve a frente da igreja a fim de avisa-los do dia do juízo: “Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem, e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com Poder e grande Glória. Ele enviará seus anjos com grande som de trombeta, os quais reunirão seus escolhidos, dos quatro ventos, de um extremo do céu até o outro”.

A alegria de João ao acompanhar tudo aquilo foi estonteante, porém alguns minutos depois seu coração se apertou como se já pressentisse que algo daria errado, baixou seu olhos e virou-se gritando alto o nome da esposa.

– Monica. É o dia. Você está vendo?

E ao fixar seus olhos na esposa e no filho um facho de luz atravessou seu caminho como um raio repleto de elétrons quando encontram os nêutrons negativos emanando do chão da terra formando o que chamamos de descarga elétrica natural, ele tentou em vão alcançar o filho com as mãos e essa passou no vazio fazendo com que cambaleasse e caísse no chão, só teve tempo de se virar e ver um segundo raio acometendo Monica e aquele vulto alado angelical envolvendo-a em suas asas brancas e penosas, de onde se encontrava estendeu a mão em direção ao local onde estava sua esposa e o enviado de Jesus alcançando-o com a ponta dos dedos e então como uma bomba a forte aura dourada que emanava do anjo o arremeçou para longe e ele já não tinha mais força para levantar-se e viu Monica ser arrebatada e subir o estreito facho de luz que levava em direção a Glória de Deus, a essa altura já percebendo que havia sido deixado pra trás, chorou e olhando para o alto pôs-se a lamentar.

– Porque meu Deus? Porque me abandonaste?

Aos poucos a lembrança de sua mulher e filhos sendo levados foi atormentando seu juízo e não sabia o que era o pior, se ficar sem sua família, seu porto seguro ou se ficar sem sua salvação, pensou em como seria o inferno, e em toda sua tormenta, o corpo foi ficando dormente como se lhe tivessem aplicado uma anestesia, a cabeça começou a doer, a rodar, as luzes, no céu que não paravam de zig-zaguear e rasgar o céu com seus brilhos o deixavam mais tonto ainda, de repente, sua visão foi ficando turva, as cores desaparecendo e então desmaiou.

O acordar deixou João um pouco desnorteado e até ele assimilar novamente o havia acontecido demorou o que ele pensou ser um lapso temporal de meia hora, não soube precisar e nem tinha noção se era dia ou noite pois o céu estava vermelho como fogo, passou a mão na testa e o suor escorria por sobre as sobrancelhas, o calor era imenso o que por pouco o fez pensar ser dia e ser proveniente do Sol a quentura que sentia, porém não conseguia visualizar a estrela principal do sistema de planetas ao qual a terra pertencia, levantou e quando ia se segurar na mesa de jardim reparou que ela estava rodeada por uma espécie de labareda de fogo, uma aura em volta de um objeto inanimado coisa que nunca havia visto, levou a mão vagarosamente ate o objeto e à medida que chegava perto percebeu que não estava quente e se escorando nela foi caminhando, até o parapeito da janela que estava do mesmo jeito e com cuidado encostou e olhou para baixo, foi quando visualizou que tudo estava assim e que podia notar o que parecia ser poeira brilhante como cortina de gases da camada de ozônio, pensou estar tudo em chamas, pensou é o fim, é o inferno na Terra.