O Protegido
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Capitulo Dez
O resto do dia tinha sido de muita apreensão e atenção às noticias que os telejornais dispunham a todo o momento, foi muito aguardado o horário prometido pelo presidente americano para a resposta ao ataque norte-coreano, o que realmente aconteceu e o cenário era de destruição total após os caças americanos lançarem mísseis terra/ar em toda a área comandada pelo imperador, os russos e os chineses escolheram seu aliados lançando ataques entre si, podia se dizer que era o caos mundial.
O que mais deixou João preocupado foi o fato de o Brasil tomar partido na guerra anunciando o envio de tropas, pensou nas milhões de vidas perdidas até agora e nas milhões que se perderiam nas horas que se seguiriam e entre elas agora estariam brasileiros assim como ele se ainda tivesse na ativa na marinha.
– João vem pra cama. Ele ouviu Monica falar enquanto tomava o rumo do quarto.
–Já vou amor. Respondeu.
–Já está tarde e amanhã você vai acordar cedo para levar o Daniel ao colégio e além do mais estou precisando de você aqui no quarto, estou com mau pressentimento sobre esta história de guerra e quando fico angustiada só o calor do seu corpo e saber que está comigo me deixa segura. Devolveu Monica.
–Mas cinco minutinhos amor. Gritou afim do som de sua voz alcançar a esposa que a está altura já havia chegado ao quarto.
Mas João também não estava confortável sentia o mesmo que mulher e resolveu demorar-se um pouco mais pela sala e sua atenção se dividia entre a televisão onde ouvia atentamente as noticias, o computador onde procurava algum tipo de emprego ou curso para dar rumo a sua vida e seus pensamentos que chegavam a ser egoístas ao ponto de ficar grato por esta guerra ter aflorado e tirar o foco dos outros acontecimentos, tornando a história de um certo pastor coisa do passado. Sentiu-se muito culpado por seus pensamentos e em seu amago sabia que tinha pecado novamente ao ficar feliz em se livrar de parte de seus problemas à custa das mortes de milhões de pessoas.
Levantou e começou a desligar os aparelhos eletrônicos, foi até o interruptor apagou as luzes e na solidão que a escuridão proporciona as pessoas tentou estabelecer uma conversa com Deus, dobrou os joelhos e tentou orar sem sucesso, pois na hora lembrou-se de uma passagem de Mateus onde Jesus diz “guardai-vos dos falsos profetas, que se apresentam a vós vestidos de ovelhas, porém, por dentro, são lobos roubadores”, pensou na igreja, nos fiéis e o máximo que emanou de seus lábios foi a palavra: desculpa. Sem entender como fora deixar isso tudo acontecer e perdido na sua culpa por ter falhado com Deus, João levantou e caminhou até o quarto de Daniel como fazia sempre, encontrou o filho dormindo beijou seu rosto e foi para o seu quarto deitou com sua esposa, que o aguardava subir, sem dizer nenhuma palavra, beijou-a e a namorou, ao fim jogou sua perna sobre a cintura dela, abraçou-a e dormiram.
João acordou naquela noite sem sonhos, ou pesadelos como ele já estava acostumado a falar e deitado olhou a esposa que dormia profundamente, a admirou-a por alguns minutos e agradeceu a Deus por ter te conservado ao menos a mulher e o filho em meio a essas perdas morais e materiais, levantou e bebeu um copo da água que estava na garrafa em cima do criado mudo, foi até o banheiro e depois pôs-se a andar em direção ao quarto do filho e vislumbrou ele acordado na cama sentado com o olhar fixo para o teto como em uma espécie de transe, assustado correu para a cama, pegou-o pelo braço sacudindo-o e o chamando pelo nome:
– Daniel. Daniel fala comigo meu filho.
– Ahm. Pai? Grunhiu Daniel.
– O que houve filho? Tá se sentindo mal?
– Não pai estava conversando.
– Como assim? Conversando com quem?
– Com Deus pai e ele me falou para eu ficar tranquilo que ia ficar tudo bem.
– Com Deus filho. E João riu e abraçou o filho de uma maneira calorosa e disse:
– Vem. Vamos para o meu quarto, vem dormir com agente, já faz muito tempo da ultima vez que dormimos juntinhos assim os três.
– Oba. Gritou Daniel.
João o pegou nos braços e o carregou até o quarto e o colocou na cama ao lado de Monica que por um instinto inexplicável ainda dormindo o abraçou como se o protegesse e esboçou um leve sorriso. João abaixou e beijou os dois e cobriu Daniel com o lençol, olhou para o relógio que marcava 02:59AM pensou que embora não tivesse tido o sonho novamente e de acordo com a hora, havia acordado por volta do mesmo horário de sempre nas ultimas noites sempre precedidas pelo mesmo sonho. Caminhou até a porta de madeira da sacada, puxou as cortinas e abriu-a revelando a área com jardim foi até o parapeito e começou a contemplar o céu que estava repleto de estrelas, ficou ali por quase dez minutos até que percebeu algo estranho, algumas estrelas estavam se apagando, se extinguindo como se desligassem a energia, como se elas fizessem parte de um enorme pisca de lâmpadas que estavam queimando simultaneamente, ele passou a mão nos olhos para ver se estava vendo direito e pensou que devia estar paranoico com esses problemas todos que vinham assolando sua vida, com essas ultimas noticias de guerra, morte e destruição que tomou conta do mundo, virou-se e voltou para a cama, pensou vou dormir um pouco, estou tão fadigado que já estou até vendo coisas, tendo alucinações e tudo mais. Voltou quase correndo para dentro de casa, fechou a porta, ajeitou as cortinas e deitou ao lado do filho que agora ocupava o meio da cama, cobriu-se, abraçou o filho que já compartilhava do braço da mãe, fechou os olhos e não demorou muito a pegar no sono novamente.
Fale com o autor