O Preço do Amor
37 Seja Forte
Notas iniciais
O barulho da água da chuva contra o telhado do galpão escuro era como uma dose de calmamente sendo injetado constantemente em meu sistema nervoso. Minha respiração depois de algum tempo tornara-se ritmada e tranquila, embora, eu estivesse completamente alerta para toda movimentação que acontecia em minha volta. Já faziam algumas horas desde que Bill tinha terminado sua sessão de tortura e saído completamente dali, me deixando sozinha.
Meu corpo inteiro ainda reclamava de dor. Haviam marcas avermelhadas e roxas espalhadas pelos meus braços, pulsos e provavelmente rosto. As lagrimas haviam secado a bastante tempo e eu me recusava a chorar novamente. Havia gastado minha cota anual em choro. Suspirei.
Eles estavam se movimentando rápido pela casa. E embora minha percepção estivesse um tanto quanto comprometida, levando em conta a tortura física e emocional que havia sofrido a poucas horas, eu apostaria minha vida que Klaus estava por perto e Bill estava locomovendo seus homens para uma fuga.
Eu gostaria de ter forças suficientes para lutar pela minha vida. Lutar para me manter alerta e acordada, no entanto, o cansaço e a dor me lançaram em uma escuridão eminente e eu dormi com a incerteza se um dia voltaria a acordar.
***
Medo. Essa palavra que me assombrou durante toda minha vida, nunca me assustara e tivera tanto significado como agora. Quando era mais novo e tudo que eu desejava era poder seguir a carreira que eu havia escolhido pra mim, eu tinha medo de não poder. Medo de Mikael vetar e estraçalhar todos os planos que eu havia feito ao londo do tempo. Como no fim ele acabará fazendo. Quando fui obrigado a assumir a Máfia tive medo de me tornar meu pai. Tive medo de perder a essência que um dia acreditei que possuía, quando Mikael sofreu o ataque tive medo de perdê-lo. Por mais contraditório que aquilo parecia, ele ainda era meu pai e eu tive medo de perdê-lo. Passei a conviver com o medo no dia em que Caroline pisou os pés em Nova Orleans. Ela naquele momento se tornara um alvo e nem sabia daquilo.
Mesmo tendo tantas experiencias com esse maldito sentimento nada se compara ao medo que sentia agora. O medo de perder Caroline e o bebe que ela carregava. O medo de não ver mais aquele sorriso estonteante em seus lábios. Medo de não poder toca-la e ama-lá mais...Medo de não ter a oportunidade de vê-la ser mãe do meu filho. Medo de não tê-la comigo todos os dias. Porque eu era o chefe da Máfia. Eu era Klaus Mikaelson, mais ainda sim era um homem apaixonado que temia em perder a unica mulher que foi capaz de despertar sentimentos em mim.
***
O aroma de canela embriagava o ambiente. O silencio pacifico e calmo fazia com que toda dor que antes estive sentindo desaparecesse completamente. Aspirei lentamente o ar e conseguir focalizar o lugar. Tudo a minha volta era muito branco, limpo e silencioso. Caminhei lentamente pelo largo e extenso corredor observando atenta a qualquer movimento que pudesse captar, embora, não houvesse nada ali. Tudo era apenas calmaria e silencio total. Tive a impressão de que poderia andar por dias ou ate mesmo meses que aquele corredor nunca teria um fim. Era extenso demais. Como em um estalo uma luz mais forte surgiu pouco mais a frente, era brilhante e muito bonita. Uma criança pequena de lábios rosados, olhos claros e cabelos loiros surgiu daquela luz.
Ela parecia um anjo e talvez fosse. Um pequeno anjo. A criança abriu um sorriso enorme, mostrando-me dentes perfeitamente alinhados e brancos e cautelosamente se aproximou. Não senti medo, nem ao menos receio de aceitar a pequena mão que ela estendeu em minha direção, quando minha mão cobriu a dela senti algo dentro de mim explodir.
Era um misto de alegria com cansaço e dor e como em um passe de magica todas aquelas sensações desapareceram restando apenas um aconchego gostoso espalhando-se lentamente pelo meu corpo.
Ela me puxou calmamente pelo corredor que a medida que ela andava parecia se abrir completamente e tornar-se ainda mais limpo e branco. De repente alcançamos um enorme campo verde, com grama aparada milimetricamente perfeita e mesmo de longe senti-me deslumbrada com a gigantesca cachoeira que havia ali.
A criança soltou-se da minha mão e sentou-se na grama despreocupada com o sorriso ainda brincando em seus lábios.
"Sente-se também." Me sobressaltei ao ouvir a voz melodiosa e suave e fiz assim como ele havia dito. Eu poderia enumera milhares de perguntar para fazer, no entanto, algo parecia me conduzir apenas a ouvir.
"Sei que tem muitas perguntas...Mais não temos muito tempo." Ela avisou docemente.
"Quem e você?" Perguntei cautelosamente. A criança tornou a sorrir.
"Talvez eu seja um anjo... Ou...Bom não importa agora quem eu sou, Care. O importante e que eu passe a minha mensagem e cumpra minha missão!" Ela sorriu abertamente e algo dentro de mim se iluminou.
Aquele sorriso era encantador e acalmava qualquer dor que estivesse sentindo. Embora todo aquilo fosse um sonho completamente maluco eu estava feliz por estar ali, ao menos, ali eu conseguia sentir tranquilidade e paz.
"Caroline você precisa ser forte...Promete pra mim que você vai ser forte?" Ela me olhava com aqueles olhos brilhantes cintilando de lagrimas, como uma suplica muda.
"Forte?!" Repeti baixo e completamente confusa. Ultimamente meus sonhos estavam cada vez mais estranhos e sem sentido. "Porque eu teria que ser forte?" Balbuciei e todas as lembranças vieram com força total. Por um momento minha mente se permitiu esquecer tudo que acontecerá no mundo real, toda dor e medo que estava sentindo. De repente tudo a minha volta começou a girar e as coisas começaram a fazer completo sentindo.
"Eu estou morta?" Resmunguei nervosa. Ela me olhou longamente e soltou um suspiro cansado.
"Não. Mais você terá que lutar pela sua vida e pela do bebe." Ela falou pausadamente como se eu fosse a criança ali. Soltei um sorriso nervoso e suspirei.
"Não sei quem te mandou e nem sei o que realidade e o que invenção da minha cabeça aqui, mais de qualquer forma alguém esqueceu de mencionar que não existe e nunca existiu nenhum bebe...Tudo não passou de uma mentira muito mau elaborada por sinal." Desabafei enquanto ela me olhava fixamente. Ele suspirou e inspirou fundo e abriu um pequeno sorriso de canto de lábios que me trazia recordações. Um arrepio percorreu o meu corpo e de repente um turbilhão de lembrança invadiram minha memoria. Aqueles olhos azuis esverdeados...A pele branca... Os lábios finos e o sorriso de canto de lábios...Em um súbito eu me levantei.
"Você...Você é a menininha daquele sonho?" Minha respiração estava ofegante e os hematomas espalhados em todo meu corpo passaram a latejar. Ela levantou-se também.
"Seja forte...Por mim e por você mamãe..." Ela suplicou com os olhinhos lacrimejando. "Seja forte e volte pro papai...Não temos tempo. Volte mamãe...Volte." Ela gritou antes de tudo a minha volta escurecer e ser submergida pelo silencio aterrorizante e uma vasta e completa escuridão.
Eu estava em um estado de subconsiencia. Podia ouvir tiros ao longe, gritos, pessoas andando de um lado para o outro. De repente o completo silencio e uma força forte me puxando para baixo. E parecia que eu estava caindo deliberadamente em queda livre. E de repente tudo voltava, pude sentir alguém tocar em meus braços e chamar meu nome com desespero. Ouvir mais gritos a minha volta, senti meu corpo ser levantando e envolvido em braços fortes e de repente tudo se apagava e desconectava o tempo todo.
Depois de algum tempo e de perder completamente as forças antes de cair no sono profundo e completamente silencioso eu pude escutar a voz de Klaus sussurrar próxima demais:
"Seja forte. Eu preciso de você! Nosso bebe precisa de você, Caroline." Bebe? De que bebe ele esta falando? E antes que eu pudesse realmente processar aquilo a escuridão me abraçou completamente.
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