O Preço da liberdade livro 2

12 O Juramento Sob o Crepúsculo


Aethelgard nunca esteve tão radiante. O caminho até a Catedral Real foi forrado com pétalas de laranjeira, e o som dos sinos de prata ecoava por todo o vale, anunciando que a filha rebelde do Rei finalmente encontrara seu porto seguro.


​A catedral estava mergulhada em uma luz âmbar, cortesia de milhares de velas que faziam o ouro dos altares brilhar. Adrian, vestindo seu traje de gala mais imponente, caminhava pelo corredor com Diana em seu braço. Ela parecia uma divindade feita de seda e rendas, o véu flutuando atrás dela como uma nuvem de névoa.

​No altar, Marcos esperava. Sua postura era rígida, mas no momento em que seus olhos encontraram os de Diana, a máscara de mármore do Conde caiu. Suas mãos, que outrora apenas conheciam o peso da sobrevivência, tremiam levemente. Ao ver o amor puro no rosto daquela mulher, a sede de vingança de sua mãe pareceu, por um momento, um sussurro distante e sem importância.

​A Cerimônia

​O Arcebispo uniu as mãos dos dois sob o olhar atento de toda a família real. Mellyssa secava uma lágrima discreta, enquanto os avós, Alexander e Catarina, sorriam com a paz de quem via a linhagem continuar em amor.

​— Diana Kane — começou Marcos, a voz embargada, ignorando o protocolo e falando do fundo de sua alma. — Eu vim de terras frias e de um passado que eu achava ser meu único mestre. Mas você foi a luz que derreteu o gelo. Eu prometo ser seu escudo, seu companheiro e o homem que honrará cada batida do seu coração enquanto eu respirar.

​Diana apertou as mãos dele, os olhos brilhando.

— Marcos, você me desafiou quando eu só queria fugir. Você me viu antes mesmo de eu saber quem eu era. Eu entrego a você não apenas a minha mão, mas a minha liberdade, porque sei que, ao seu lado, eu sou mais livre do que nunca.

​Quando o "sim" foi pronunciado e o beijo selou a união, o palácio pareceu vibrar. O amor entre eles era tão tangível que até os nobres mais céticos suspiraram.

​O Banquete e a Valsa Real

​No salão de banquetes, a festa era um espetáculo de fartura e alegria. Mas o momento em que o tempo parou foi a primeira dança do casal. Marcos e Diana moviam-se com uma sintonia absoluta, como se tivessem sido feitos um para o outro em uma vida anterior.

​— Veja como eles se olham — sussurrou Sarah para Saullo. — É o mesmo olhar que Adrian e Mellyssa tinham no começo.

​— É — respondeu Saullo, com um meio sorriso. — Mas espero que o caminho deles seja menos acidentado que o dos pais.

​No centro do salão, Marcos girava Diana com delicadeza, encostando a testa na dela.

— Eu te amo, Diana Delavga — ele murmurou. Naquele instante, ele decidiu: não importava o que Giulia planejava. Ele morreria antes de deixar que qualquer veneno tocasse a mulher que agora carregava seu nome.

​A Sombra nas Pilastras

​Entretanto, nem todos celebravam. Afastado da luz, encostado em uma pilastra sombria perto da saída dos músicos, Alexander observava cada movimento do cunhado. Ele não bebia, não sorria e não tirava a mão do punho de sua adaga de prata.

​— Você joga bem, Marcos — o príncipe herdeiro sussurrou para o vazio. — Mas nenhum homem é tão perfeito assim. Ninguém ama com tanta pressa sem ter algo a esconder.

​Enquanto a festa atingia seu ápice e os convidados brindavam ao futuro de Aethelgard, o instinto de Alexander gritava que o casamento era, na verdade, o início de um cerco. Ele era o único que via que, por trás do brilho daquele amor, havia uma sombra que estava prestes a cobrar o preço da liberdade que eles tanto prezavam.

​A guerra estava silenciosa, mas Alexander estava pronto para ser o primeiro a sacar a espada quando a primeira máscara caísse.