O Preço da liberdade livro 2
10 O Elo e o Espinho
O frescor da noite após o baile trazia um silêncio que contrastava com o turbilhão de emoções no peito de Diana. Eles se afastaram das luzes e do barulho, encontrando refúgio sob o mesmo arco de laranjeiras onde tudo começara. A lua cheia banhava as flores brancas, criando um cenário que parecia saído de um dos contos que Diana costumava ler quando criança.
Marcos parou de caminhar e segurou as mãos de Diana. Ele parecia hesitar, uma vulnerabilidade rara em seus olhos azuis. Naquele momento, ele não era o vingativo Lucca ou o calculista Conde; ele era apenas um homem aterrorizado pela própria felicidade.
— Diana — ele começou, a voz baixa e firme. — Eu passei a vida fugindo de destinos que outros escreveram para mim. Mas aqui, com você, eu encontrei o único lugar onde quero ficar. Eu não quero apenas o seu presente. Quero o seu futuro. Você aceita ser minha esposa e construir um novo mundo comigo?
Diana sentiu o mundo parar. Ela não precisava de tempo para pensar. O "sim" já estava escrito em sua alma desde a primeira vez que ele a ajudara a descer daquela árvore.
— Mil vezes sim, Marcos — ela sussurrou, atirando-se nos braços dele.
O Confronto no Escritório Real
A alegria do noivado logo deu lugar à tensão da realidade: eles precisavam enfrentar o leão. Adrian estava em seu escritório, revisando documentos com Mellyssa ao lado, quando o casal entrou de mãos dadas.
Adrian levantou o olhar, e o simples fato de ver os dedos entrelaçados fez sua expressão endurecer instantaneamente.
— Majestade — Marcos começou, limpando a garganta. — Eu amo sua filha. E vim pedir formalmente sua bênção para que nos casemos.
Houve um silêncio mortal. Adrian levantou-se lentamente, a aura de Rei Kane preenchendo a sala. Seus olhos percorreram Marcos de cima a baixo com um desprezo que ele não conseguia esconder.
— Casamento? — Adrian repetiu, a voz perigosamente baixa. — Você está aqui há semanas, Delavga. Minha filha é uma Princesa de Aethelgard, não uma mercadoria para ser levada por um nobre do Norte que apareceu do nada. A resposta é...
Antes que Adrian pudesse dizer o "não" que já estava na ponta da língua, Mellyssa deu um passo à frente. De forma rápida e imperceptível para Marcos, ela deu um beliscão firme no braço de Adrian e lançou-lhe um olhar que ele conhecia muito bem: o olhar de quem já tinha analisado o tabuleiro e sabia que lutar contra aquele amor só traria desastre.
— O que o meu marido quer dizer — Mellyssa interrompeu, com um sorriso calmo e diplomático — é que ele está... surpreso com tamanha rapidez. Mas nós vemos a felicidade nos olhos de Diana. E a felicidade da nossa filha é o nosso maior tesouro.
Adrian bufou, massageando o braço onde fora beliscado, olhando para a esposa com uma mistura de indignação e derrota silenciosa. Mellyssa apertou o ombro dele, um sinal claro de "confie em mim".
— Está bem — Adrian resmungou, voltando a sentar-se, embora ainda parecesse querer expulsar Marcos pela janela. — Vocês têm minha bênção. Mas o contrato de casamento será escrito pela Rainha. E cada grão de café que você prometeu será cobrado com juros se você a fizer infeliz.
Diana correu para abraçar os pais, radiante. Mellyssa sorriu, mas seus olhos encontraram os de Marcos, transmitindo um aviso mudo: ela o aceitara, mas o estava vigiando.
A Sombra na Porta
Enquanto a comemoração acontecia dentro da sala, Alexander observava tudo pela fresta da porta. Ele não sorria. A desconfiança que sentira desde o primeiro dia só aumentara. Ele via o modo como Marcos olhava para o trono, não apenas para Diana.
— Você pode ter enganado meu pai com café e minha mãe com romance — Alexander sussurrou para si mesmo, encostando-se na parede fria do corredor. — Mas você não me enganou, Delavga. Eu vou descobrir quem você é antes que o primeiro sino do casamento toque.
O noivado estava selado, mas em Aethelgard, os casamentos mais bonitos costumavam ser os mais perigosos. E o lobo, agora com a bênção do Rei, estava a apenas um passo de se tornar parte da família que jurara destruir.
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