O Preço da Volta

9 Capítulo 9 - Conhecendo o terreno...


Notas iniciais
Dia de capítulo! Estou muito feliz por vocês terem aprovado a atitude das meninas. Primeiramente porque eu me coloquei no lugar delas e se eu passasse anos da minha vida sem pais e vivendo das malandragens do mundo, eu com certeza não iria ser ingênua com ninguém. Enfim, obrigada pelos comentários. Continuem assim. Desculpem qualquer erro e boa leitura! =D

— Eu já falei o quanto isso é fora da realidade? — A loira murmurou enquanto observava o luxuoso quarto.

— Sim. — Rachel assentiu. — Desde que passamos pela sala de estar, a de jantar, cozinha, área dos fundos e garagem. — A morena enumerou nos dedos.

— Eu sei que nunca viram algo assim, mas tudo isso é seu. — Frannie olhou para a irmã.

— A mansão dos Berry também é muito elegante. — Cassandra manifestou-se.

— Eu imagino que seja, mas eu nunca irei sair de perto da Quinnie. — A morena respondeu, fazendo a namorada sorrir com amor.

— O amor de vocês é lindo. — Frannie sorriu doce. — Fiquem à vontade. No closet há algumas roupas que providenciei para vocês, assim como no quarto de seus amigos, quando William nos informou da vinda de todos. Eu sabia que Rachel não iria querer dormir em algum lugar longe de você, então arrumamos tudo para as duas. — Aproximou-se da irmã. — Esse lugar agora também pertence à você. — Beijou a testa de Quinn demoradamente. — Qualquer coisa que desejarem, podem pedir para alguma das empregadas.

— Obrigada. — Quinn sorriu. — De verdade.

— Não precisa agradecer. — A mais velha sorriu. — Em breve você irá conhecer a fábrica e as filiais das joalherias e quando toda a papelada estiver pronta e os bens divididos, você irá poder usar o dinheiro.

— Eu não ligo para dinheiro. Nunca liguei. — Quinn retrucou.

— Eu sei que não, mas irão precisar decorar esse quarto com o gosto de vocês e comprar mais algumas coisas. — Sorriu divertida. — Se bem que a grife dos Berry possuem peças lindíssimas. Você conhecerá, com certeza. — Piscou para Rachel. — Agora aproveitem. Qualquer coisa estamos no nosso quarto. — Afastou-se, parando ao lado da esposa.

— A segunda porta à direita. — Cassandra sorriu simpática, caminhando com Frannie para fora do quarto.

— Certo. — Quinn assentiu.

— Obrigada.

Rachel agradeceu a as mulheres retiraram-se do cômodo e fecharam a porta em seguida. Quinn suspirou e deitou-se na enorme king size macia no centro do quarto.

— Deus. — A morena deitou ao lado da namorada. — Esse quarto é maior do nosso apartamento em Londres.

— Eu sei. — Quinn assentiu, passando as mãos pelo rosto. — O que será que Santana, Brittany e Puck estão fazendo?

— Provavelmente tomando um banho depois dessa viagem exaustiva, coisa que deveríamos fazer. — A morena levantou-se.

— Eu estou com sono. — A mais alta grunhiu, rolando e deitando de bruços. — Isso é muito macio. Eu poderia viver aqui.

— Poderá viver depois que tirar essas roupas e ficar limpa e cheirosa. — Bateu no traseiro de Quinn com a mão. — Vamos logo.

— Pare de ser uma ninfomaníaca e querer que eu tire a roupa. — A voz saiu abafada pelo rosto enterrado no travesseiro.

Rachel não pôde evitar uma risada e jogou-se sobre o corpo da loira, ouvindo a risada da mesma.

— Eu estou feliz por estarmos enfrentando isso juntas. — Quinn retirou o rosto do local macio.

— Estaremos juntas para sempre. Namoramos desde os doze anos, Quinnie. Você nunca se livrará de mim. — A morena beijou-lhe a nuca, sentindo a pele alva se arrepiar. — Agora vamos tomar banho.

A loira gemeu em descontentamento, mas levantou-se ainda com a namorada em suas costas, segurando-a pelas coxas, enquanto sentia os braços morenos ao redor de seu pescoço.

Assim que observaram o enorme banheiro, os olhos de Rachel fixaram-se na banheira espaçosa.

— Eu preciso entrar nessa banheira. — A morena sussurrou extasiada.

Quinn riu e soltou a namorada de suas costas, enquanto observava a grande pia de mármore e o espelho redondo com as bordas douradas.

— É tudo tão caro e delicado. — A loira comentou, observando o chuveiro com duas saídas para água.

— Eles gostam muito de ser um Fabray. — Rachel mostrou a toalha branca com o sobrenome bordado em dourado.

— Em breve você também terá esse sobrenome. — A loira segurou a cintura fina da namorada.

— Terei? — Arqueou a sobrancelha, enlaçando os braços no pescoço pálido.

— Se você ainda quiser casar comigo. — Beijou-lhe os lábios fartos demoradamente.

— Eu casaria com você agora mesmo. — Comentou desabotoando a blusa da namorada.

— Devo me animar? — Indagou sorrindo marota.

— Não. — Deu-lhe um selinho. — Estamos exaustas, não há camisinhas aqui e por mais que eu queira muito ser mãe, não quero correr o risco por enquanto.

— Então vamos apenas tomar banho? — Escondeu o rosto no pescoço moreno, mordendo em seguida.

Rachel soltou uma risada e desferiu um tapa leve no ombro da namorada.

— Apenas tomar banho.

...

Quinn observava o lugar com as sobrancelhas erguidas em surpresa.

— Quando ela mencionou algumas roupas, eu achei que fossem poucas. — Murmurou em choque.

— Isso é quase uma loja toda. — Rachel olhava os vestidos embevecida.

O corredor extenso onde os dois lados do closet ocupavam toda a parede era iluminado por pequenas luminárias no teto e as portas corrediças eram espelhadas. O piso era de madeira laminado de uma tonalidade clara, assim como o resto do quarto.

Rachel sentia os olhos brilhando enquanto observava os vestidos que iam dos mais casuais com estampas e listras até os de festa, longos e elegantes. Saias e blusas diversas também estavam em seus devidos lugares, assim como shorts e calças em cores vibrantes e neutras.

Os sapatos ocupavam toda a parte inferior. Saltos, sapatilhas, botas e até tênis estavam arrumados simetricamente. Havia também casacos, luvas, toucas de inverno. A morena abria a boca em descrença.

O outro lado era composto por blusas sociais, ternos femininos de cores escuras, calças e blusas casuais bastante elegantes. Os sapatos também estavam lá, todavia todos sem salto e as roupas de inverno.

As peças íntimas estavam perfeitamente ajustadas nas gavetas. Cuecas em tons neutros e lingeries que iam da cor preta ao vermelho e algumas mais claras.

— Sinto falta do nosso armário em Londres. — A loira suspirou.

— Não me diga que não acha isso lindo. — Rachel retrucou.

— Não é isso, é só que... era tudo muito nosso e isso é demais pra mim. — Coçou a nuca respirando fundo.

— É muito pra mim também. — A baixinha abraçou a cintura coberta pelo roupão branco.

— Você adorou os vestidos.

— Sim, eu adorei.

— E os saltos também.

— Eles são lindos. — Rachel beijou o queixo fino. — Vamos nos vestir.

Ambas retiraram o roupão que vestiam e após alguns minutos já trajavam roupas casuais combinando com o clima leve de Ohio, demasiado diferente de Londres.

Quinn sentou-se para calçar o par de tênis enquanto Rachel arrumava os cabelos e calçava o par de sandálias sem salto.

Após alguns minutos, ambas saíram do quarto, descendo a longa escada e parando no hall da mansão.

— Tia Lucy! — Um corpo pequeno chocou-se contra suas pernas e Quinn sorriu docemente, enquanto pegava Kate em seu colo.

A garotinha olhou para Rachel logo depois e esticou os bracinhos, sendo rapidamente pega pela morena.

— Você e tia Lucy namoram. — Afirmou seriamente e Rachel assentiu sorrindo. — Então posso te chamar de tia também? — Indagou segurando o rosto da morena com as duas mãos pequenas.

Rachel sentia o coração entrar em combustão enquanto olhava os olhos azuis da garotinha. Beijou-lhe a testa demoradamente.

— Claro que pode, meu amor. — Sorriu mais largamente.

— Você sabe onde todos estão? — Quinn questionou alisando os cabelos dourados da sobrinha.

— Na sala de estar. — Deitou a cabeça no ombro coberto pelas alças do vestido da morena. — Sant e Britt estavam contando histórias de Londres. — Sorriu animada.

Quinn e Rachel sorriram e caminharam até a enorme sala, observando as amigas acomodadas no elegante sofá em L com Puck ao seu lado. Todos vestindo roupas mais leves.

Frannie e Cassandra riam de algo sentadas nas duas poltronas perto da lareira enquanto a latina falava e gesticulava com as mãos.

— Sobre o que estão falando? — Sentou-se com Rachel e Kate nos lugares vazios do grande sofá.

— Sant estava contando sobre quando vocês duas colocaram fogo no hábito da Madre Abbigail. — Brittany respondeu enquanto soltava uma risada.

— Ela vivia puxando nossas orelhas — Quinn cruzou os braços.

— Vocês ficavam de conversinha na hora da missa. — A morena rebateu.

— Eram umas pestes. — Brittany concordou.

— Isso não é nem metade do que nós já fizemos. — A latina sorriu. — Puck sempre nos dava cobertura, mesmo sendo dois anos mais velho.

— Eu nunca gostei daquelas velhas. — O rapaz deu de ombros sorrindo.

A conversa fluiu por quase uma hora. Frannie encantava-se a cada minuto pela irmã caçula. O jeito simples, os traços do rosto que lembravam o patriarca da família. Perdeu as contas de quantas vezes Quinn e Rachel seguraram as mãos e fizeram carinhos singelos enquanto conversavam. Como se a cada toque algo de novo se renovasse. E de fato era assim que elas sentiam-se.

A noite logo chegou e o jantar foi anunciado pela governanta da mansão.

Todos levantaram e dirigiram-se à sala de jantar.

A enorme mesa retangular de vidro estava coberta por taças de vinho e suco. Os pratos bem postos com diversos talheres acompanhando-os.

O cheiro maravilhoso que a comida emanava fez Quinn perceber que estava morrendo de fome.

— Lucy!

Uma voz adentrou seus ouvidos e Quinn observou os homens Berry juntamente com Judy e os dois rapazes adentrando o local.

— Desculpe-nos não termos conversado com você hoje mais cedo. — O homem mais baixo aproximou-se. — Estávamos surpresos com a volta da nossa garotinha. — Sorriu para Rachel, que retribuiu.

— Não se preocupe com isso. — A loira sorriu minimamente.

— Eu sou Leroy e esse... — Apontou para o homem de óculos. — É Hiram. — Abraçou a loira, que franziu o cenho em surpresa.

— É um prazer saber que a filha caçula de Russel namora nossa filhinha. — Leroy manifestou-se, abraçando Quinn quando o marido afastou-se.

Santana revirou os olhos e mexeu os lábios pronunciando ''falsos'' sem emitir som.

Quinn segurou a risada e afastou-se do homem mais alto.

— E eu peço que me desculpe pelo jeito que tratei vocês mais cedo. — Finn pronunciou-se. — Espero que tenhamos uma boa convivência, irmãzinha. — Sorriu, fazendo Frannie revirar os olhos com tédio.

— Certo. — Quinn assentiu sem expressão.

— Bom... — A voz firme da matriarca ecoou em seus ouvidos. — Eu confesso que estou feliz em rever minha filha caçula e farei de tudo para sermos uma grande família. — Sorriu calculadamente.

— Ela realmente não faz ideia do vídeo de Russel. — Cassandra sussurrou no ouvido da esposa, fazendo Frannie assentir.

— Tudo bem, Judy. — A filha sorriu falsamente. — Acho que já está tudo resolvido.

— Realmente está. — A mais velha olhou para Rachel. — E você. É um prazer imensurável conhecer a filha dos meus grandes amigos. — Aproximou-se, beijando os dois lados da bochecha de Rachel, que controlou a vontade de afastar-se.

— O prazer é meu. — Forçou um sorriso.

— Espero que sejamos bons amigos. — Finn falou, olhando diretamente para Rachel.

— Eu não espero. — A morena falou afiada, fazendo o rapaz fechar o sorriso e coçar a nuca.

Brittany, Santana e Puck não seguraram a risada, causando risos também em Frannie e Cassandra, que segurava uma Kate alheia em seu colo.

— Rachel! — Hiram repreendeu a baixinha, que não mostrou arrependimento.

— Eu entendo sua desconfiança comigo, Rach, mas eu realmente vou provar que sou um bom amigo. — Finn falou firmemente.

— Não perca seu tempo. Eu passei dezesseis anos lidando com pessoas dessa classe social pisando nos mais inferiores. Sei como tudo funciona e você não me causou boa impressão quando falou daquele modo com Quinn e Santana. — A morena olhou o rapaz de cima à baixo. — E pra você é Rachel. — Determinou com a expressão fria.

Os homens Berry permaneceram em silêncio, observando o quão determinada era a filha. Seria realmente mais difícil do que eles pensavam.

Quinn sorriu orgulhosa e segurou na mão da namorada, beijando sua cabeça em seguida.

— Vamos comer, então. — A matriarca mudou o assunto, dirigindo-se à mesa.

Todos acomodaram-se nas cadeiras brancas acolchoadas. A cabeceira ficou vazia, em memória a Russel.

— Fizemos caneloni recheado com cogumelos para Hiram e Leroy que são veganos, e salmão ao cream cheese para os demais. — Frannie sorriu.

— Isso é bom, porque Rach também é vegana. — Sorriu para a irmã.

— Você também é vegana, minha estrela? — Hiram perguntou sorrindo largamente para a filha.

— Bom...desde muito cedo eu vi que os traços do meu rosto eram diferentes das pessoas em Londres e uma vez comentaram o fato de eu parecer-me uma judia e quando pesquisei sobre isso, li que a maioria eram veganos e decidi me tornar, o que foi extremamente fácil, já que nunca gostei de carne. — Respondeu calma.

— Você é realmente uma Berry. — Leroy sorriu orgulhoso, fazendo Kurt revirar os olhos discretamente ao lado de Finn.

O jantar transcorreu normalmente, com Frannie comentando algumas coisas sobre Russel.

Quando todos terminaram a sobremesa, os homens Berry dirigiram-se ao escritório da mansão com Rachel para conversar, que insistiu muito para Quinn acompanhá-la, todavia a loira recusou alegando que seria um pouco invasivo.

Depois de conversar com os amigos e os mesmos irem para os quartos exaustos pelo dia cansativo, dialogou com Frannie sobre a joalheria e a papelada do registro de nascimento da caçula que sairia em alguns dias.

Kate acabou dormindo no colo da mãe, fazendo as duas mulheres recolherem-se e Quinn aproveitou para também dirigir-se ao próprio quarto, evitando olhar para Judy e muito menos ficar sozinha em sua companhia.

— Você não deveria ter falado com aquela latina irritante daquela forma. Rachel está com os dois pés atrás. — Ralhou para Finn.

— Eu estou tentando consertar isso, está bem? — O rapaz levantou-se. — Ela não resistirá muito, pode ter certeza. Agora vou dormir porque esse dia foi muito desagradável com a chegada dessa anormal. — Beijou o topo da cabeça da mãe. — Boa noite, Kurt.

— Boa noite, Finn.

Kurt respondeu e o rapaz mais alto sumiu escada acima.

— E você... — A mulher virou-se para o jovem calado. — Não proferiu nenhuma palavra durante o jantar.

— Estava pensando no rumo que a empresa terá com a chegada da Rachel. — Sorriu fraco.

— Não se preocupe. — Afagou o ombro do rapaz. — Hiram e Leroy amam você e é um excelente diretor. — Sorriu confortante.

— Assim espero. — Beijou a mão de Judy.

— Vou me recolher. — Levantou-se. — Boa noite.

— Boa noite. — Sorriu, vendo a mulher subir os degraus imponentemente.

O rapaz massageou as têmporas e respirou fundo.

Sempre foi o filho único e motivo de orgulho dos pais. Mas agora a filha desaparecida retornou, e ao lembrar do brilho dos olhos dos homens Berry direcionados à morena, Kurt bufou irado.

Rachel seria a preferida. Kurt era um simples garoto adotado.

O jovem precisaria tomar alguma atitude.

E ele com certeza o faria.

Notas finais
Kurt com inveja. Rachel afiada é muito adorável. Ela realmente será uma muralha. Esses capítulos realmente estão sendo um pouco introdutórios para acompanharmos o desenvolvimento delas nessa nova vida, mas eu não quero pular etapas. Comentem, favoritem e exponham suas opiniões. twitter.com/yasagron