O Preço da Volta

25 Capítulo 25 - ''Aguente firme...''


Notas iniciais
Dia de capítulo! Eu estou muito feliz por vocês terem gostado do Finn ter recebido aquilo. Desculpem-me qualquer erro e boa leitura. =D

Rachel encarava pela enésima vez a aliança de Quinn na palma de sua mão. Sua cabeça girava e as palavras do doutor Clarck ecoavam sem fim, causando-lhe uma sensação de náusea a apatia.

O peito contraía-se em dor e o nó na garganta foi sendo liberado enquanto as lágrimas pingavam no jeans, formando pequenas esferas molhadas no tecido.

— Eu sinto muito. — A voz do doutor preencheu seus ouvidos, trazendo-a para a realidade.

— Quais as chances de não acontecer? — Frannie indagou, enxugando as lágrimas.

— Eu não posso dizer um número exato. Há muitos poréns envolvidos. Vamos mantê-la entubada por vinte e quatro horas. Trocamos os medicamentos e iremos transportar nutrientes mais fortes através da sonda que está ligada ao seu fígado. Lucy será monitorada minuto por minuto. — Garantiu firmemente.

— Então se nada disso der certo... — A voz da latina ecoou ao lado de Brittany, que já estava aos prantos.

— Se nada der certo, Lucy irá precisar de um transplante hepático urgente. — Respondeu suspirando.

— Ela tem chances de...morrer? — Puck questionou num tom baixo, mas o suficiente para Rachel ouvir e seu estômago embrulhar.

— Todo paciente nessa situação tem chances de falecer. O estado de Lucy é considerado crítico depois dessa hemorragia no fígado que nos pegou de surpresa, o que gerou as paradas cardíacas durante a cirurgia para conter o sangramento inesperado. Ela pode não suportar o transplante caso seja necessário. Tudo depende se ela aceitar os novos medicamentos ou se ela...

— Se ela...? — Frannie indagou num fio de voz.

— Se ela decidir parar de lutar.

O doutor finalizou a sentença e Rachel se levantou, correndo para fora do hospital no mesmo segundo.

A morena aproximou-se da lata de lixo e o vômito saiu sem controle. Todo o resto de comida que havia em seu estômago esvaiu-se em segundos.

As pernas perderam as forças quando não havia mais nada para ser posto para fora e ela caiu de joelhos sobre a grama, abraçando o próprio corpo enquanto o vazio em seu peito era tão irremediável que a morena jurava não aguentar mais.

Braços pálidos envolveram-na e Rachel deixou-se cair contra o corpo de Frannie, enquanto chorava sem controle. Os soluços eram quebrados e a mão delicada agarrou-se com força na manga da blusa da cunhada.

— Ela não pode...não pode me deixar...não pode! — Repetia enquanto chorava copiosamente.

Shh... — Frannie abraçava Rachel com força, enquanto ela mesma sentia-se destruída. — Lucy não vai nos deixar. Ela é forte. — Consolava, enquanto as lágrimas desciam pelo seu rosto.

— Eu não...não posso viver...viver sem ela. — A morena sentia o corpo fraco e o choro cada vez mais forte.

— Ela não vai morrer. Ela não vai. Lucy nunca iria deixar você sozinha. — Frannie murmurou docemente.

Rachel fechou os olhos e continuou chorando, enquanto agarrava-se ao fio de esperança que as palavras de Frannie transmitiam.

...

— Eu quero vê-la. — Sussurrou enquanto bebia o copo de água lentamente.

— Você tem certeza? — O doutor questionou após medir a sua pressão.

— Absoluta. — Assentiu.

— Você vomitou há quase trinta minutos, Rach. — Brittany sentou ao seu lado. — Não acha melhor comer algo para estar preparada? — Indagou docemente.

— Eu estou preparada. — Assegurou. — Preciso vê-la. Mostrar para ela que eu estou aqui. Que nunca vou sair daqui. Que ela precisa aguentar firme e aceitar esses novos medicamentos. Que... — Respirou fundo. — Que ela não pode me deixar. — Engoliu o nó na garganta.

— Tudo bem. — O doutor assentiu lentamente. — Sua entrada já foi autorizada. Pode ir assim que estiver à vontade. — Sorriu educado.

— Obrigada. — Rachel murmurou, sem conseguir retribuir o sorriso.

O homem de jaleco despediu-se brevemente e adentrou um dos corredores, sumindo de vista.

A judia levantou, mas parou por um momento ao encarar a cunhada.

— Eu acho...acho que talvez Frannie mereça vê-la. — Comprimiu os lábios. — É seu direito de irmã e eu não quero tirá-lo de você.

— Não se preocupe comigo. Lucy logo logo irá para um quarto normal e eu irei visitá-la todos os dias. O tempo da UTI é muito curto e você precisa dele. Vá e fale com ela. Diga o quanto eu sinto sua falta e que a amo. — Sorriu docemente.

Rachel não disse nada. Apenas deu-lhe um abraço apertado e afetuoso, separando-se segundos depois.

— Eu direi. — Garantiu.

— Vá. — Apontou com a cabeça para o corredor.

Rachel assentiu e caminhou lentamente ao lado de uma enfermeira até o local conhecido.

A loira estava lá. Os mesmos equipamentos estavam lá. O soro, o oxímetro, o monitor cardíaco, a sonda que estava ligada ao seu fígado e que agora transportava um líquido amarelado para o seu interior. Havia também o tubo em sua boca. Quinn estava entubada e saber que aquele objeto fazia a namorada respirar causou em Rachel uma nova onda de náuseas.

Há dois meses ela estava sentada no banco do parque Hampstead Heath, esperando a namorada realizar algum furto para que pudessem comprar algo para comerem e agora estava em uma UTI olhando para a loira que poderia ser uma paciente esperando um transplante de fígado em vinte e quatro horas.

Tudo estava nas mãos do destino e Rachel sentia-se impotente vendo a garota quase sem vida naquela cama de hospital, ouvindo o barulho do monitor cardíaco e a própria respiração ecoando em sua cabeça.

— Não ouse me deixar. — Sussurrou, sentando-se na poltrona. — Não ouse nem sequer cogitar a possibilidade de desistir e me deixar sozinha nesse mundo. Eu juro que a encontro onde você estiver só pra te bater. — Segurou a mão fria novamente. — Frannie está sentindo sua falta. Ela te ama e quer que você saiba disso, assim como Britt, Sant e Puck também amam. — Suspirou. — E eu...eu estou me sentindo tão oca por dentro sem você aqui. A única vez que me senti assim foi quando aquele casal de italianos estavam de olho em você no orfanato e eu achei que fossem levá-la embora de mim. Eu chorei muito e você nunca soube disso. — Sorriu entre as lágrimas. — Está sabendo agora. Eu chorei com a possibilidade de não ver mais o seu sorriso ou suas piadas idiotas na hora da missa quando deveríamos estar caladas. Eu chorei e me senti vazia pela primeira vez. Mas aquele vazio...aquele vazio não se aplica a esse que estou sentindo. — Soluçou dolorosamente. — Mesmo se estiver sofrendo dificuldade para nadar contra essa correnteza que pede para que você desista, seja forte e nade por mim, Quinnie. Nade pelo nosso amor. Não desista. Aguente firme, meu amor.

Rachel continuou conversando com a namorada, embora não obtivesse uma resposta. Os minutos passaram como segundos. O tempo nunca contribui com a vontade do coração e Rachel sabia disso quando a enfermeira veio chamá-la para se retirar da UTI.

A morena levantou-se e observou o rosto delicado.

— Eu amo você, Q Para sempre. — Sussurrou, retirando-se do local em seguida.

O choro voltou assim que abraçou a cunhada com força, sentindo o aperto da mais velha. Mais braços foram inclusos no afeto assim como no dia anterior. Agora com Frannie incluída, claro. Ela era parte da família e merecia aquele afeto tanto quanto os outros.

...

A mulher adentrou a mansão imponentemente, surpreendendo-se ao encontrar diversas malas postas uma do lado da outra no hall de entrada.

— Alguém vai viajar? — Indagou ao observar Frannie descer as escadas.

— Sim, você vai. — Cruzou os braços. — Você e aquele nojento do Finn.

— Do que está falando? — Questionou surpresa.

— Você achou mesmo que continuaria morando aqui depois de apoiar Finn por tentar matar a minha irmã? E achou também que ele pisaria nessa mansão depois de tudo? — Maneou a cabeça. — Se enganou plenamente, Judy.

— Você não pode fazer isso! — Se exaltou. — Finn cometeu um erro gravíssimo e ele está pagando por isso. Ele pode ser expulso daqui mas eu não. Eu sou a sua mãe. — Apontou o dedo na face da mais nova.

— Você não é a minha mãe! — Rebateu raivosa. — Olívia é mais minha mãe do que você será um dia. A única coisa que eu tive de você foi reprovação e olhares sem nenhuma emoção. Você não tem coração, Judy. Finn esfaqueou sua filha! Lucy tem dezesseis anos! Ela é praticamente uma garotinha. Deveria ser a sua garotinha! Sua filha caçula! — Finalizou ofegante.

— LUCY É UMA ANORMAL! — Judy gritou. — Eu queria um filho e foi me dado uma aberração! — Gesticulava. — Ela não merecia um amor de mãe. Ela não foi uma bênção.

Frannie estava pronta para rebater quando um vulto passou perto de si e o barulho ecoou por todo o hall da mansão.

O rosto de Judy virou-se com tamanho impacto e a mão de Rachel ainda estava erguida, enquanto a baixinha respirava com dificuldade. O ódio emanando de todos os seus poros.

— SAIA DAQUI! — Rachel gritou enfurecida. — SAIA DAQUI ANTES QUE EU IGNORE A SUA IDADE E QUEBRE VOCÊ AQUI ATÉ QUE NÃO SOBRE NENHUM OSSO. — Continuou gritando.

Santana logo apareceu, sendo seguida por Brittany, Cassandra e Puck.

A loirinha logo segurou Rachel pela cintura, afastando-a antes que ela partisse para cima de Judy.

Os dedos da morena estavam marcados nitidamente na face da mulher mais velha, e ela passou a mão pelo local, que ardia como brasa. A mão de Rachel sempre seria pesada em demasiado.

Os olhos azuis estavam cristalinos de ódio e a matriarca dos Fabray nada fez. Apenas virou-se para encarar todos ali.

— O motorista irá levar você até o apartamento de Columbus. Ele será seu e poderá fazer o que quiser com ele. — Frannie proferiu firme.

— Você vai pagar caro por isso, Francine. — Ameaçou.

— Eu te amei tanto, mãe. — A filha respondeu, engolindo o choro. — Eu achei que com o tempo você poderia ser alguém melhor, mas eu me enganei. Você se tornou as trevas. Uma pessoa oca e sem amor dentro de si. Eu não quero mais ver você. — Maneou a cabeça. — Adeus. — Virou-se, subindo as escadas devagar com Cassandra atrás de si.

— Mande lembranças ao Finnútil. — Santana disse. — Espero que os pés daquele gorila não voltem ao normal. — Sorriu.

— Vocês todos irão se arrepender. Um por um. — Declarou, antes de girar nos seus calcanhares e sair da mansão, enquanto o motorista recolhia as bagagens uma por uma.

— Você está bem? — Brittany olhou para a amiga, que mantinha o semblante irado.

— Eu quero quebrar a cara dela. — Murmurou.

— Se quiser nós podemos dar um jeito nisso, sabe... — Puck começou. — Deixamos você aliviar sua raiva. — Sugeriu.

— Pare com isso! — Brittany demandou. — Eu ainda não aprovei a atitude de vocês em terem feito o que fizeram com Finn, mesmo ele tendo merecido.

O rapaz levantou as mãos em rendição e suspirou.

— Um peso a menos foi descartado. — A latina passou as mãos no rosto.

— Agora só nos resta a Q acordar. — Puck respondeu.

— E ela irá. Ela vai aguentar firme. — Brittany declarou docemente, beijando o topo da cabeça de Rachel.

A morena assentiu, retomando a respiração. Quinn iria aguentar firme.

Notas finais
Não, eu não iria colocar Judy para fora da mansão. Meus planos estavam longe disso quando iniciei esta fic, mas algumas coisas mudaram e ninguém em plena consciência deixaria aquela mulher morando ali. Convenhamos, se eu não fizesse Frannie expulsá-la seria muito fora da realidade. Espero que tenham gostado. Comentem, favoritem e exponham suas opiniões. Bom final de semana. =D twitter.com/yasagron