O Preço da Flor de Ferro
8 Casal apaixonado
O sol da manhã entrava pelas frestas das cortinas de veludo, desenhando linhas de ouro sobre os lençóis de seda. Jasmine despertou devagar, sentindo o corpo leve e uma serenidade que nunca havia experimentado. Ao esticar o braço, porém, encontrou o lado da cama vazio e frio.
Ela se sentou, o coração dando um pequeno salto de incerteza. Será que tudo foi um sonho? Ou pior, será que ele se arrependeu?
Jasmine se levantou, vestiu um robe de seda bordada que Heitor havia deixado preparado e, após prender o cabelo de forma apressada, saiu do quarto. O castelo parecia imenso e silencioso, mas o perfume de sândalo e o som suave de penas arranhando papel a guiaram até uma porta entreaberta no fim do corredor.
Era o escritório particular dele. Heitor estava sentado atrás de uma mesa maciça, com óculos de leitura na ponta do nariz, concentrado em uma pilha de mapas e registros de impostos.
— Procurando por alguém, Duquesa? — ele perguntou, sem tirar os olhos do papel, mas com um sorriso de canto nos lábios.
Jasmine parou na porta, sentindo um calor subir pelo rosto.
— Pensei que tivesse fugido para a guerra logo cedo.
Heitor finalmente levantou o olhar. Ele retirou os óculos e recostou-se na cadeira, observando-a com uma ternura que desarmava qualquer insegurança dela.
— Eu jamais fugiria de um lugar onde acordar é o ponto alto do meu dia. Peço desculpas por ter saído sem avisar, mas os negócios do ducado não esperam o sono dos recém-casados.
Jasmine caminhou até a mesa, observando os documentos.
— São contas da fazenda? — ela perguntou, reconhecendo alguns nomes da vila.
— São ordens de sementes e novos equipamentos para o seu pai — ele explicou, segurando a mão dela e puxando-a gentilmente para mais perto. — Quero que, quando vocês voltarem lá para visitar, as terras já estejam prontas para o plantio.
Jasmine sentiu os olhos marejarem. Ela se inclinou e sentou-se no braço da cadeira dele.
— Você não para de trabalhar por nós, não é? Mesmo depois de... ontem à noite.
Heitor envolveu a cintura dela com o braço, escondendo o rosto na curva do ombro de Jasmine por um instante.
— Ontem à noite foi a minha recompensa por uma vida inteira de solidão, Jasmine. Agora, tudo o que eu faço tem um propósito maior. Eu não estou apenas cuidando de terras; estou cuidando do futuro da minha esposa.
Jasmine sorriu, sentindo-se protegida.
— Sabe... Rebekah vai ficar insuportável quando souber que o senhor... ou melhor, que você já está comprando as sementes que ela tanto queria.
Heitor riu, o som vibrando contra o corpo de Jasmine.
— Aquela pequena dama vai mandar neste castelo em menos de uma semana, eu já aceitei meu destino. Mas agora, diga-me... como se sente a nova Duquesa de Martinez em sua primeira manhã?
Jasmine olhou para o escritório, para o homem à sua frente e para a vida que se abria.
— Sinto que a flor de ferro finalmente encontrou terra boa para crescer — ela sussurrou, antes de se inclinar para um beijo que selava não apenas um contrato, mas uma promessa de vida.
Heitor fechou os livros de registros.
— Os impostos podem esperar. Vamos tomar café no jardim? Ouvi dizer que as rosas estão abrindo, mas duvido que alguma seja tão bela quanto a que está sentada no braço da minha cadeira.
— O senhor é um bajulador, Duque — ela brincou, levantando-se.
— Sou um homem apaixonado, Jasmine. Há uma grande diferença.
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