Notas iniciais
Olá meninas como vão? Espero que bem. Obrigada pelos recados. Aqui vai o penúltimo capítulo da fic, dividi em dois pois iria ficar muito grande e apesar do que disse que não sabia se conseguiria postar todos os dias, descobri que não consigo ficar longe deste site, rsrsrrsrs, mas chega de delongas e vamos ao capítulo.

Quando acordou e abriu os olhos, Jake a observava em silêncio.

— Quanto tempo eu fiquei dormindo? — perguntou, sentando-se.

— Quase três horas. Começava a pensar que dormiria até amanhã. Como se sente?

— Muito melhor — era a verdade. A sesta a tinha descansado muito.

— Como está o ombro?

— Um pouco dolorido, mas nada mais.

— Está com fome?

— Estou morta de fome.

— Vou pedir que nos tragam a comida.

— Eu gostaria de me arrumar um pouco antes de jantar.

— Necessita de ajuda?

— Não, obrigado, posso me arrumar sozinha.

Dirigiu-se ao banheiro, percebendo com alívio que, embora sentisse os machucados, já não doíam tanto. Quando voltou, um carrinho com o jantar esperava ante o fogo, e se sentaram para comer em silêncio. Assim que fizeram justiça a excelente comida, Jake fastou o carrinho e voltou a instalar Gina no sofá. Ele se sentou em uma poltrona e a estudou durante uns minutos.

— Me diga, por que decidiu mudar o rosto? — perguntou. Ela o olhou desconcertada, e ele insistiu — Por que fez a cirurgia plástica?

— Porque no acidente quebrei o nariz e fiquei desfigurada e cheia de cicatrizes...

Sem dúvida ele sabia. Por que a olhava como se não pudesse dar crédito a seus ouvidos?

— Nunca teria podido pagar uma cirurgia plástica, mas quando estava na Missão...

— Missão? — interrompeu ele cortante — Que Missão?

— A Missão de São Salvador. Morningside Heights.

— Posso saber por que estava em um lugar assim?

— Quando saí do hospital, não tinha dinheiro nem aonde ir — explicou ela com calma, sem nenhum sinal de autocompaixão. — Vi um pôster que dizia «Se estiver faminto ou não tem lar, entre». Chovia e estava desesperada, assim entrei. Estive muito doente durante várias semanas, mas me ofereceram uma cama e cuidaram de mim. Comportaram-se maravilhosamente... — sua voz tremeu pela primeira vez. Engoliu a saliva e continuou — Os Amesbury colaboravam economicamente com a Missão. Foi ali onde os conheci. O senhor Amesbury, que é um brilhante cirurgião plástico, além de ser uma pessoa excelente, teve piedade de mim e me arrumou o rosto gratuitamente.

— Então foi por isso que acabou trabalhando para os Amesbury... — murmurou Jake. Depois, com olhos irados, atacou. — Se estava tão se desesperada como diz, por que não foi me procurar?

— Teria preferido morrer a me arrastar ante um homem que me odiava e desprezava. Quando descobri que era você quem pagava as contas do hospital, me senti em uma prisão.

— Mas sem dúvida uma prisão de luxo, não? — seus olhos cintilaram.

— Luxuosa ou não a odiava!

— Pois então te custaria muito aguentar ali tanto tempo — disse ele, com sarcasmo.

— Não tive muita opção. Quando despertei, disseram-me que estava em coma há quase cinco meses — replicou serena. Observou que Jake ficava paralisado.

— Repete isso — ordenou.

— Disseram-me que tinha sofrido uma fratura de crânio muito grave e estava em coma por quase cinco meses.

— Que conto de fadas é esse?

— Ma...mas você tinha que saber, não? — gaguejou, assombrada por sua ira.

— Ninguém sabia nada de que estivesse em coma.

— Heather sabia.

— Heather sabia? — soava estupefato. — Então, por que diabos não disse nada? Só me contou que tinha lesões múltiplas?

— Não sei por que não disse nada — admitiu Gina com impotência. — A enfermeira me contou que ligava quase diariamente para saber se havia alguma mudança. Quando por fim recuperei a consciência, chamaram-na e ela veio para ver-me.

— Diz que esteve em coma por quase cinco meses?

— Se não me acredita, pode comprová-lo no hospital.

— Se não estava consciente quando Suzannah nasceu, isso explica que não soubesse quando era seu aniversário. Pensei que era porque não se importava o suficiente — disse ele um momento depois, como se pensasse em voz alta. — Conta-me tudo — ordenou, com os dentes apertados.

— A princípio, não sabia quem era nem onde estava. Depois, a memória voltou pouco a pouco. Lembrei que estava grávida, e que conduzia o carro em direção a casa... Perguntei por meu bebê. Disseram-me que tinha nascido no hospital e que estava bem... Quis vê-la, mas me disseram que Heather a tinha levado porque eu, em coma, não podia cuidar dela.

— Durante todos esses meses, Heather me fez acreditar que cuidava da menina porque você não se sentia capaz de fazê-lo — disse Jake, pálido, com voz rouca. — Diz que foi vê-la. Levou a menina? — inquiriu, cortante.

— Não. Disse-me que a pobrezinha estava gripada. Sofri uma grande desilusão.

— Então, quando viu a sua filha pela primeira vez?

— Aquele dia, em seu apartamento de cobertura.

Jake, entre dentes, resmungou algo que soou como «Oh, Meu senhor». Depois de um momento, pediu que continuasse.

— Quando me disseram que era uma menina, alegrei-me muito. Brady queria uma menina. Perguntei se ele estava bem... Então, deram-me a notícia de que tinha morrido no acidente sem chegar, a sabê-lo...

— Você realmente se importava com Brady e a sua filha? — perguntou Jake com brutalidade, ao ver seus olhos encher-se de lágrimas.

— Sim, importavam-me — sua singela resposta foi mais reveladora que qualquer protesto. — Durante um instante desejei ter morrido com ele. Depois, pensei no bebê e me alegrei de ter sobrevivido...

— Disse que tinha câncer, e é a verdade. Já havia algum tempo que estava sentindo-se doente e esgotado...

— Heather acreditava que tinha anemia.

— Isso é o que ele lhe contou. Não queria que se preocupasse com ele... No dia do acidente tinha ido ao hospital Grober pegar o resultados de um exame. Disseram-lhe que restavam menos de três meses de vida. Chegou em casa completamente destroçado. Falamos um momento, e depois disse que ia a uma festa a qual estávamos convidados. Eu queria que pedisse um táxi, mas insistiu em levar o carro. Seu fôlego cheirava a Bourbon, assim decidi ir com ele. Quando terminou a festa, embora estivesse toda a noite bebendo sem parar, e se não acredita em mim, pode perguntar aos anfitriões da festa, colocou-se ao volante e insistiu em conduzir. Consegui lhe persuadir de que se colocasse no banco do carona e me deixasse conduzir... — levantou o rosto, pálido e dolorido. — Mas me esqueci de pedir que fechasse o cinto de segurança — admitiu —, assim de certo modo tinha razão ao dizer que eu era culpada de sua morte.

— Nunca deveria ter dito isso — Jake moveu a cabeça — Não fui só cruel, como também imperdoável. Mas me sentia tão doído que procurava formas de te devolver o golpe.

Seguiu um longo silêncio. Ela viu o reflexo do fogo iluminar seu rosto, dando relevo a seus traços e deixando seus olhos na sombra.

— Há algo que não consigo entender... — disse ele cansativamente, olhando-a. — Se te importava com sua filha, por que a abandonou?

— Naquele momento fiz o que me pareceu melhor para todos.

— Para todos? — perguntou com voz crispada — Não quis dizer para você?

— Não queria deixá-la, mas, tal e como apontou Heather, não tinha meios para manter um bebê, e poderia passar meses até que estivesse em condições de trabalhar ou de me cuidar dela... O pior de tudo era que não tinha casa, Heather me disse que tinha deixado de alugar o apartamento... — retorceu as mãos. — Depois de que o médico falou com ela e lhe dissesse que poderia ir para casa logo, sentiu-se mal porque...

— Insinua que não queria que voltasse para casa? — Jake, zangado, levantou a cabeça.

— Não, absolutamente. Suplicou-me que fosse viver com ela. Disse-me que você ia se casar em poucos meses, e tentou me convencer de que sua noiva e você estariam encantados de que vivesse ali. Desgostou-se muito quando neguei.

— Era um lar para você e para sua filha, por que o rechaçou? Não, não me diga isso. Já posso até adivinhar. Porque era minha casa... não sabia que me odiasse tanto.

— Foi o contrário. Não podia suportar a ideia de estar em dívida com um homem que me odiava.

— Abandonou a sua filha simplesmente por orgulho!

— Não foi só isso. Havia outras razões...

— Como quais?

— Estava claro que ninguém contava com meu restabelecimento, e que recuperasse a consciência, longe de ser uma bênção, complicou as coisas...

— Não entendo o que quer dizer... — negou ele com brutalidade.

— Quando Heather se inteirou de que não pensava morar em sua casa, começou a chorar e me pediu que não lhe tirasse à neta, disse-me: « Não sabe quanto desejei ter um neto... Ela é tudo o que resta agora que Brady se foi...» Disse-lhe que quando você se casasse teria mais netos. Então me contou sobre Sara...

— O que te contou da Sara?

— Que não podia ter filhos.

— O que disse Heather exatamente? — Jake estava como paralisado, e seu olhar era implacável. Gina, alarmada, hesitou. — Não o recorda?

— Sim, claro que sim — não esqueceria essa conversa com sua sogra embora vivesse cem anos. — Heather disse: «Sara não pode ter filhos. Quando era muito jovem e atordoada, tinha feito um aborto mal sucedido... Mas tanto ela como Jake querem um filho e, se algo tivesse acontecido, pensavam adotar à menina...» Então foi quando compreendi que teria sido melhor se tivesse morrido.

— Não se atreva a dizer isso!

— Foi o que senti então.

— Heather mentiu — Jake soltou uma maldição entre dentes — Não havia nenhuma razão pela qual Sara e nós não pudéssemos ter filhos — acrescentou sombrio.

— M...mas, não entendo — gaguejou Gina — por que ia mentir sobre uma coisa como essa?

— Pela mesma razão pela que mentiu para mim. Fez-me acreditar que não queria à menina... Sara e eu falamos de adotá-la para que tivesse um lar e um futuro... Está claro que Heather mentiu a todos porque não suportava a ideia de separar-se da filha de Brady. De seu ponto de vista, a única maneira de consegui-lo era que você renunciasse a ela e que eu a adotasse. Ao partir do hospital sem deixar rastro, fez-lhe o jogo...